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Este post é inspirado numa brasileira desconhecida que vi comprando um carrinho de bebê no valor de U$1.500,00. Além do carrinho feito em fibra de carbono com espaço para DVD, Ipad e Iphone, a desconhecida levava junto com o marido um total de 3 carrinhos de compras cheios no estilo “se andar rápido, cai”. Mas claro, não vamos ser otimistas e pensar que eles vieram do Brasil até Miami para fazer compras em apenas uma loja. Acredito que todas as compras do casal devem ultrapassar a quantidade de malas que trouxe na minha mudança. Basta reparar em qualquer fila de embarque Miami-São Paulo para ver que não estou exagerando.

Quando passo pela seção de bebês das lojas, fico muito confusa, um pouca tonta e às vezes com tremelique quando vejo a quantidade de produtos. Os bebês precisam mesmo de tanta coisa? Como diria a sua avó, no meu tempo não tinha nada disso (mas repare que meu tempo significa apenas 7 anos atrás). Babá eletrônica era uma coisa que se ouvia falar e que realmente só emitia som. Hoje você pode andar pelas opções e escolher até o tamanho da tela. Se bobear, dependendo do tipo do choro que o bebê fizer,  aparece o Elmo ou o Baby Einstein que cantam uma música para ele dormir. Pois no meu tempo, a babá que olhava o filho à noite, era eu mesma. E conexão de mãe com filho nunca falha. Mas vamos voltar para a desconhecida. Eu fico só pensando, a pessoa está grávida e já tem várias coisas para arrumar na vida: o trabalho, a casa que precisa se adequar, as idas ao médico, os exames de sangue, ultrassom, enjôos… e no meio de tudo isso, tem a sorte de poder sair de férias com o maridão e faz o quê? Compras. No maior stress, claro! Porque duvido que alguém consiga se decidir entre tantas opções de tamanhos, cores, fibras de carbono, Disney ou Hello Kitty e terminar o dia super leve. Ainda mais depois de ter gastado tanto. Claro que dinheiro é relativo: para uns U$1.500 (na cotação de R$2,51 no dia) é igual a R$150 reais para outros. Mas o fato chocante não é o valor é a complexidade e quantidade dos produtos que os pais estão acreditando que os bebês “precisam” agora. E porque nos Estados Unidos é tudo mais barato para comprar, então vamos lá, não só fazer economia mas comprar a mais alta tecnologia no que se trata de “coisas para bebês” e quando encontram a tal da tecnologia de mãos dadas com a modernidade, até esquecem que vieram fazer economia.

Um ponto é importante a ser ressaltado no mundo globalizado: os produtos viajam, já o clima, a cultura, a vida prática que cada país tem, não. Essa regra se aplica para todos os produtos, mas vamos falar do exemplo do carrinho: Cidades como Nova York, por exemplo, tem clima super rígido e apenas 1/3 da população tem carro, os pais fazem tudo a pé e nesse caso, comprar um carrinho é coisa séria e não se vai economizar nisso. Mas confesso que no Brasil, em muitas cidades o carrinho vai ser usado em tão poucos momentos (shopping e parque) e por um intervalo tão pequeno de idade que seu investimento dificilmente vai ser justificado. (Sim em NY as crianças ficam no carrinho até 5 anos ou mais, vai ter filhos sem carro e você entende)

Soma-se ao carrinho, os vários outros produtos que você quando chegou na loja nem sabia o que era, mas pela descrição da embalagem, descobriu que PRECISA. E com tudo isso, ter filhos significa números demais hoje em dia. É claro que de 7 anos para cá (ou de quando sua avó teve filho para cá) a indústria de produtos evoluiu muito e com isso continua criando produtos cada vez melhores, mas os bebês continuam precisando da mesma coisa: pai e mãe. E se eles puderem estar atentos aos bebês e menos preocupados com tantos números e listas, vão ter mais energia, paciência e conexão: que é a lista principal desde a época da sua avó.

Quando engravidei do João herdei o carrinho da minha irmã, que já tinha sido usado por meus 3 sobrinhos. O carrinho já tinha quase 10 anos de uso, mas serviu tão bem que quando não tinha mais utilidade eu me desfiz dele com grande pesar porque era mais do que uma peça utilitária. Por acaso tem coisa mais gostosa do que usar peças que mais do que o selo, ou a marca, trazem um carinho especial? Trazem história? Então minha dica é: antes de pegar o primeiro avião para Miami e cair de cabeça no fundo do poço do cartão de crédito e ficar escrava do trabalho porque tem dívida pelos próximos meses (até que comece a dívida da festa do faraó que vai completar um ano de idade) seria muito mais bacana ver com as amigas/família o que pode ser reaproveitado. Aproveita que ser mãe é um constante exercício de humildade e já começa pedindo ajuda às pessoas que gostam de você. E se puder vir para Miami com o maridão, melhor ainda! Só que ao invés de ficarem estressados de loja em loja carregando sacolas, com dor nas costas e pezinhos de grávida inflando no sapato, faça um passeio na praia, (ou vários) com calma, pés na areia e uma pausa onde as quatro mãos ficam na barriga e (nem que seja por um breve momento) vocês acreditam que sim, já têm tudo o que precisam para criar esse filho.

Por: Cris Leão

9 pensamentos em “Dica do que não comprar em Miami

  1. Bem lembrado. Também tive filhos em Miami e me recordo que no primeiro, pesei a mão nas compras. Longe de grandes exageros, mas muita coisa que não cheguei a usar, por isso prometi a mim que na segunda, até porque estávamos em processo de mudança, não compraria nada. E não é que a vida fica mais fácil?

  2. Concordo em número, gênero e grau!! Conheci o blog hoje, já compartilhei com umas 30 amigas a matéria sobre televisão e estou me deliciando com as outras matérias do blog! Todas muito bem escritas! Parabéns!!

  3. Exatamente isso que eu penso. Ter parece mais importante do que ser. Se não for fazer enxoval fora, nossa, coitada! Agora se a criança vai ter amor e ser bem cuidada, isso fica em segundo plano. Vale mais um carrinho de marca empurrado por uma babá do que uma mãe com sling. É muito triste.

  4. Nossas crianças seriam mais felizes se tivessem menos coisas e mais tempo dos pais que não precisam fazer hora extra no trabalho porque não tem uma fatura altissima de cartão de crédito pra pagar…

  5. Ola, gostaria de saber se para compras seria mais barato nos EUA ou em Miami mesmo. E se sairia mais barato Amazon ou Aliexpress. Quanto tempo leva para um produto chegar ao Brasil? Obrigada !!

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