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Marshmallows na fogueira são um antídoto para o tédio infantil

Marshmallows na fogueira são um antídoto para o tédio infantil

Do que as crianças têm mais horror hoje em dia? Monstro, bruxa ou sopa de couve-flor? Nenhum deles. A partir dos sete ou oito anos, nada assombra mais as crianças do que o tédio. Eles não su-por-tam a falta do que fazer, por um curto espaço de tempo que seja. Toda vez que eu to indo pro sítio, a duas horas de São Paulo, eu olho pro banco de trás do carro e vejo aquelas carinhas aborrecidas, quase desoladas. “Mãe, tô com tédio”. Frase que, no Google Translate de criança, significa “Mãe, posso jogar no seu celular?”.  “Não, não pode”. Aí, sim. Perdem a fé na humanidade.

Se você tiver uma hortinha em casa use-a como parque de diversões

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Lidar com o tédio faz parte da vida, mas as crianças de hoje não estão acostumadas. E digo de hoje porque a outra possibilidade para esses pequenos não é brincar com o cachorro ou de carrinho, nem empinar pipa ou jogar detetive. Ao tédio, eles sempre comparam o extremo oposto: a TV ou o videogame, lugares onde acontece algo 24h por dia, não importa o momento. Lá, as coisas estão sempre se mexendo, pulando, brilhando, gritando, disparando ironias que as crianças nem entendem mas, como são contínuas, são sempre mais interessantes. Mais ou menos como nós, adultos, que checamos as mensagens do email a cada 10 minutos ou abrimos o Facebook a cada 2, como se o mundo pudesse mudar de rumo nesse espaço de tempo. Mas, voltando à nossa viagem de carro, quando a gente finalmente chega no sítio, os meninos querem correr pra ver um “DVDzinho”. Mas aí eu lembro que lá embaixo tem galinhas com pintinhos novos, tem o riachinho, tem a horta com alfacinhas pra eles trazerem pro almoço, tem argila pra moldar, tem fogueira pra pular. E, como eu não sou tão má assim, dou uns marshmallows pra eles assarem na fogueira. Assim, passam o dia inteiro sem lembrar que DVD, videogame e iPad existem. Felizes, mexendo os corpinhos, tomando sol, respirando ar fresco, relaxando e aprendendo que o mundo é bom, belo e verdadeiro (os três princípios da pedagogia Waldorf, explico em outro post). Em São Paulo, onde não tem galinha nem riachinho, eu invento passar aspirador de pó que vira uma lagarta ou de levar o cachorro pra passear, pegar o papel em branco pra desenhar e logo o DVD ou o joguinho do celular são esquecidos. E de vez em quando rola um DVD bacaninha + pizza no final de semana. E assim meu filho percebe que a vida, só ela, sem eletrônicos, não é tão entendiante quanto parecia pela janela do carro.

2 pensamentos em “O tédio, esse monstro da vida moderna

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