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Uma mãe da escola dos meus filhos se aproximou de mim com ar de panela de pressão prestes a apitar e disse: A maternidade é o trabalho mais exaustivo que um ser humano pode realizar. Essa mãe, antes de se dedicar exclusivamente à criação dos 3 filhos, era enfermeira com PHD em pacientes no estado terminal. E ela continua o desabafo: O que mais me esgota é o constante estado de vigília. Pois é, se não é fácil para ela, imagina para você. (e para mim) Por isso é importante desabafar. É importante falar com quem te entende. E ouvir também.

Em 2009, surgiu um programa nos Estados Unidos chamado In the Motherhood feito com depoimentos sinceros de mulheres que abrem o jogo sobre a vida depois de padecer no paraíso. O programa surgiu numa série on-line e depois de receber milhões de visitas foi transformado em um programa de humor televisivo e da televisão foi parar no cinema. Acho interessante pensar que a TV sempre encontra aquilo que as pessoas estão buscando na vida real e nesse caso são depoimentos de mães desabafando sobre suas limitações, angústias, cansaço e contando de sua rotina nada santa. Para mim o programa tem esse efeito: desmistificar a santidade das mães. E que maravilha! Nós mulheres precisamos disso. Os depoimentos são coisas do tipo: Uma mãe que faz o almoço para o filho usando os snacks que estão no carro. Outra que confessa que coloca o filho na banheira de hidromassagem e quem dá banho são as bolinhas. Uma terceira que diz já ter ficado uma semana sem conseguir tomar banho. Além dessa realidade do dia-a-dia, (que é no mínimo engraçada já que traz bastante exagero) o que a maioria desabafa é o sentimento de solidão. Já que a maternidade te afasta dos velhos amigos e todas as outras mães parecem perfeitas, felizes e com tempo de ir ao salão de beleza. A sensação de impotência e fracasso pesam. Aquela grande alegria de ter filhos se mistura à frustação de não ser tão perfeita quanto você “devia” ser. O peso também acaba indo para a balança já que costumamos comer aquilo que nos faz falta. E no caso faz falta a velha vida, as amizades e a sensação de estar no controle. Pois bem, o programa não resolve todos os seus problemas, mas mostra que você não está sozinha, que as grandes cobranças somos nós mesmos que fazemos e que as outras mães também não são perfeitas (ufa!). Para fechar, o bom humor se mostra como o melhor caminho para seguir com leveza. E como é bom desfrutar das alegrias, descobertas e até da falta de controle da maternidade sem o peso do mito da mãe santa. É o que eu desejo a todas nós, mulheres.

Para assistir ao filme protagonizado por Uma Thurman , clique aqui: http://www.imdb.com/video/hulu/vi3625690137/

Você vai ver que o trabalho dela como mãe é mais pesado do que em Kill Bill, mas com um final mais feliz.: )

Por: Cris Leão

3 pensamentos em “O mito da mãe santa

  1. Eu sou mãe e tenho tesão, eu sou mãe e falo palavrão, e sou mãe e bebo ocasionalmente, eu sou mãe, mas não da verdade.

  2. É complicado quanto todas as mães a sua volta são projetos de perfeição – enquanto você trabalha 8 a10 horas, chega em casa e “tenta”ser um pouco mãe da sua filha não é fácil ser cobrada por, marido, familia, amigos.

    Não fale palavrões, não chame a atenção dela, não seja dura com ela, é punk.

    EU, tento e me esforço para ser uma mãe razoável para boa – que saber que falar não é necessário, que ser dura é necessário as vezes.

    E mesmo assim enfrento meu universo familiar e de amigos me olhar torto é punk.

  3. O pior é quando tentamos desabafar e escutamos: você não pode reclamar, pois tem um filho lindo e saudável!

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