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Ilustração da minha amiga querida, Elisa Sassi.

Ilustração da minha amiga querida, Elisa Sassi.

 

Este post é dedicado às mães de primeira viagem. Eu também já fui uma.

Quem se torna mãe muitas vezes é surpreendida com o fato de que o nascimento do filho marca a chegada de uma desconhecida solidão. A dor do parto, não tem jeito de ninguém sentir por você. E por mais que o companheiro ajude, lá pelas tantas ele mais irrita com seu empenho (gritando no seu ouvido “respira, respira”) do que tem efeito motivador ou anestésico. O momento pós-parto fase Corcunda de Notre Dame é igualmente solitário. Nenhuma das suas amigas conseguem entender porque você ainda está andando daquele jeito já que “o parto foi há 3 dias atrás!”

A solidão também te acompanha madrugada a dentro. Enquanto amamenta, você pode tentar a companhia das luzes acessas nas janelas dos prédios vizinhos, mas antes da próxima mamada, o vizinho desconhecido apaga a luz e vai dormir sem nem ao menos dizer boa noite.

O sentimento de solidão fica ainda maior quando você consegue se agendar – dentro dos horários de mamadas, banho, troca de fralda, regugitada e troca de roupa – um intervalo para encontrar uma velha amiga. Aquela mesma amiga que sempre te entendeu, conseguia ler seus pensamentos agora solta pérolas como: “Nossa, mas você agora vive cansada”, “Você está desse jeito só porque cuida de um bebê?”, “Porque você não faz algum trabalho voluntário para passar o tempo?”, “Amiga, eu preciso te falar que você está andando muito mal cuidada. A concorrência está pesada, viu?”, “Porque você não deixa o bebê com a empregada (que você conhece há 2 semanas) e vai na festa?”, “Pega esse livro (de 200 páginas, letra miúda, sem figuras) para você ler enquanto o bebê dorme.”

Quem não tem filho não sabe que a hora que o bebê dorme, você corre para o banheiro esvaziar a bexiga (que vem sendo contrariada desde a gravidez), você toma banho, você almoça (morrendo de fome porque já são 5 da tarde, ou sem fome nenhuma porque são 10 da manhã).

Amigo que não tem filho não sabe muita coisa sobre você. E com o tempo, isso vira falta de afinidade. E fica melhor não ter amigos do que conversar com quem te conhece há anos, mas não te entende, não te apóia e nem tem paciência de te escutar. Como a recíproca é verdadeira, você não precisa se esforçar para evitar o seu velho amigo, porque para ele “você mudou muito depois que teve filho”. Mas como a maternidade é uma grande escola, com tudo isso você aprende que velhos amigos são pessoas que você vai amar para sempre, mas todo mundo precisa ter amigos circunstanciais e não há nada de errado nisso. E daí surge a pergunta: Como fazer novos amigos? Não é fácil, nem vai ser de um dia para o outro. Mas saber que está na hora de procurar já é um bom começo.

Por: Cris Leão

2 pensamentos em “Amigos sem filhos

    • Que bom que tenha se identificado! É bom a gente “conversar” com quem passa pelas mesmas coisas, né? E ai lembramos que não somos loucas.

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