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Como cuidar do bebê em 1 capítulo.

Desde que tive meu primeiro filho, conheci muita gente, livros e teorias sobre regras que devem ser seguidas para educar uma criança. De tudo o que mais me assustou e deixou triste (só de pensar porque nunca consegui colocar em prática) é deixar um bebê chorando no berço só para ele aprender que a noite é hora de dormir. Selos best sellers e mães felizes por dormirem a noite inteira recomendam.

Pois vamos deixar o hábito da praticidade de lado e pensar como adultos responsáveis. Você já deve ter mudado de emprego, de cidade, de estado civil e sabe como toda mudança dói. Como é difícil começar e não saber direito o que fazer. Pois imagina o que é ser um recém-nascido que acabou de sair da barriga da mãe. Antes ele vivia seguro, num ambiente silencioso, escuro, a comida chegava e ele recebia sem essa complicação de fome, sulgar o leite e cólica. De um momento para outro, tudo ficou diferente. Ele que só conhecia a mãe, agora passa a conhecer o pai que nem sempre sabe o que fazer com ele. A mãe que estava sempre junto, muitas vezes é substituída por uma babá que ele nunca viu na vida ou uma escolinha cheia de estranhos. Olhando nessa perspectiva da mudança e da perda, não é preciso teoria nenhuma para entender que não é nada fácil ser um bebê. Somado a tudo isso, ele precisa se adaptar a perplexidade do nosso mundo: as expectativas dos pais, dos amigos dos pais e suas comparações com seus filhos, dos avôs e sua carência, da sociedade que tem preparada todas as respostas mesmo quando ele ainda nem pensa nas perguntas. Engana-se quem acha que é fácil ser um bebê. E engana-se duas vezes quem pensa que criança precisa chorar para aprender. Ela já começou a sofrer desde as primeiras contrações e os abraços, o carinho e o apoio dos pais é o que ela espera e merece receber.

Rubem Alves, educador, escritor e psicanalista, diz que há escolas que são gaiolas e outras que são asas. Para mim a função dos pais não é ser gaiola. Não é punir, ignorar o choro de sofrimento, de dor, de medo só para que ele aprenda e tenha rotina (sim já aos 3 meses de idade, ou antes, porque essas coisas começam cedo!). Eu prefiro a educação asa. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Seus donos podem levá-los para onde quiser. Como os pais que se orgulham do filho que chora pouco no berço sozinho, porque estão condicionados a dormir. Estar condicionado, não significa parar de sofrer.

Com tantos livros, dicas e regras para educar um filho, ser mãe vai deixando de ser algo natural. Muitas pessoas seguem os conselhos das babás, das amigas e de tantas psicólogas de revistas e esquecem o mais importante: o amor, o instinto maternal e a conexão com o bebê. Por isso, na dúvida, eu prefiro recorrer a mim mesma: o que o amor faria agora? Quem se sente amado, se sente livre, não fica triste, nem violento, fica leve. Fica bem. E com todas as diferenças que existem entre os pais, é isso que todos querem para seus filhos.

Por: Cris Leão

16 pensamentos em “O amor natural

  1. Concordo. Nunca tive coragem de deixar meu filho chorando só para condicioná-lo. Se ele não puder confiar que eu vou socorrê-lo, em que mais ele vai confiar? Agora, estabelecer uma rotina deu muito certo para mim. Sou muito desorganizada, então, eu mesma precisava disso para lembrar exatamente do que ele precisava quando nasceu e precisa até hoje. Acho bem útil. Hoje, se ele começa a chorar, eu sei que fome não é, porque comeu na hora certa. Sei que sono não é porque dormiu direitinho. Não que eu tenha estabelecido arbitrariamente os horários dele fazer isso ou aquilo. Foi um esquema fechado em comum acordo. Fui sentindo de quanto em quanto tempo ele tem fome, quando costuma sentir sono e fui montando o esquema. Mas sempre com a concordância dele. Por exemplo, percebi que, comendo de 3 em 3 horas, ele se alimenta muito pouco. Aí, aumentei o intervalo para 3 horas e meia ou quatro. Aí, ele passou a comer melhor. Os cochilos, ele também muda quando quer. É só eu perceber que ele não quer mais dormir naquele horário que vou lá e remonto meu cronograma. Sei lá… tem dado certo… Parabéns por seus textos, são sempre muito lúcidos e bem escritos. Grande abraço!

    • Obrigada, Ana. Seu relato é uma mãe com sintonia com o bebê. Coisa linda e rara hoje em dia. Parabéns! Tudo de bom na sua jornada.

  2. Cris, mandei uma mensagem por facebook para vocês. Tenho um filho de um ano e dois meses, portador de síndrome de down, e estou grávida de 8 meses da Helena. Tenho escrito bastante sobre os assuntos maternidade e down. Afinal, imagina a loucura que é descobrir a maternidade e a síndrome, tudo embolado, de uma vez. Como vi que você escreveu em um comentário acima para a leitora mandar textos, mandei um pelo FB. Não sei exatamente porque e pra quê, mas me deu vontade de mandar… Grande abraço!

  3. Seus textos me fazem pensar em como as mães estão sendo levadas pelos modismos e best sellers nos ensinando a sermos perfeitas e atenciosas. Com isso, deixamos de lado o instinto materno, a paciência e o amor e não percebemos que estamos perdendo a essência da infância dos nossos filhos. Obrigada pelo alerta.

  4. Oi Cris!
    Tudo bem?
    Sou Karol, escrevo de Brasília.
    Conheci seu blog horas atrás e acabei lendo quase todos os textos. Fui me idenficando e emendando a leitura, enquanto meu filho dorme ao meu lado, pertinho para a próxima mamada.
    De tudo que li, gostaria de deixar umas palavras…
    Também “larguei” o trabalho pra estar presente nos cuidados com o bebê. Não me arrependo. Me sinto tão poderosa por ter conseguido olhar ara dentro de mim, me recriar. Me permitir fazer nascer a mãe do filo que acabou de nascer. É uma profundidade ímpar e uma coragem monstra. Somos vitoriosas.

    Keep in touch!

  5. Minha irmã caçula ganhou recentemente o seu primeiro filho e estava com algumas questões para fazê-lo dormir por causa do refluxo. Eu, a irmã mais velha e com alguma pouca experiência depois de ter duas filhas, algumas vivências na pedagogia Waldorf, terapia antroposófica e processo Hoffman disse a ela algo muito parecido com o que vocês disseram acima: “feche todos os livros, coloque na gaveta todas as teorias, respire fundo, olhe no fundo dos olhos do seu filho e faça primeiro o que ele precisar e segundo o que o seu coração mandar para atender às necessidades dele! Teorias só funcionam em condições normais de temperatura e pressão, nos livros não tem o caso da criança com refluxo, o caso da criança gripada, o caso da criança com medo, o caso da criança insegura …. e simplesmente o caso que criança feliz é criança amada e não criança bem adestrada! Estou muito feliz com esse blog viu!!!!

  6. Amei e achei verdadeiro tudo o que você escreveu sobre o tema, porém, achei que não ficou bem quando denominou os avós de carentes, penso que você generalizou, vou dizer porque: Hoje, na atual conjectura em que vivemos, se brincarmos os avós são tais quais os filhos, pelo simples fato de serem muito novos e ainda estarem á todo vapor, digo, ocupadíssimos! Dessa forma, creio que até estes querem condicionar os netos, para também dormirem, já que na maioria das vezes, sobra para os mesmos. Porém, é fato que assim como existem avós carentes, existem os cheios de amor natural, sem dúvida. Taí uma dica para um artigo bem legal, pois acredito ser bem enriquecedor e creio não sair das abordagens do seu interesse.
    Como você, eu também prefiro o amor natural, denominado muito bem ao artigo, que aí inclui: Deixar chorar, sentir, expressar,adaptar!
    Parabéns pelo blog.

  7. Olha eu nunca passei por certos “apertos”. Meus filhos hoje com 14, 12 e 8 anos não me preocupam. Por exemplo, hoje é sexta-feira, são 22:00h e os três já estão na cama. Amanhã eles têm aula e sabem que devem cumprir a rotina. Eu estabeleci uma rotina mas nunca os deixei chorando. Amamentei-os de madrugada até por volta de oito meses que foi quando começaram a dormir a noite toda, por conta própria. Mas sempre os direcionei com carinho e até hoje quando fazem cumprem com as obrigações
    entendem que é para o bem deles. Eu sempre pratiquei o diálogo e o ensinamento, imponho disciplina com carinho e por enquanto só colhi bons frutos.
    É claro que tenho que ser firme, mas com propósito definido fica tudo mais fácil. Acreditem no amor e no direcionamento, vale a pena!

  8. Cada vez gosto mais de as ler, identifico-me com os vossos textos. Este apela a mim por tantas razões. A pressão social é tremenda no meu pais, na minha geração, para se deixar as crianças criar ritmos de sono desde cedo ignorando os seus choros, as suas necessidades, os seus medos. Querem-se bebés que façam o que adultos não são capazes de fazer. Adultos que não querem dormir sozinhos, que só gostam de comer o que lhes apetece e não o que lhes faz bem, adultos dependentes de tanta coisa artificial… Parabéns, mais um texto magnifico.

  9. Cris, você descreve o íntimo do meu coração. Difícil terminar sem estar chorando. Cada detalhe, cada definição, cada gesto embutido nas palavras me deixam em êxtase, e toda vez que leio a frase “antes que eles cresçam”, sinto que tudo é de fato temporário… e as situações da vida materna ficam mais simples, mais cotidianas. Obrigada.
    P.S.: Minha filha tá na crise dos 9 anos. Amo o blog!

    • Obrigada, que comentário gostoso. ; ) Vou logo mais escrever sobre a crise dos 9 anos que meu filho está tb. Beijo!

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