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Dr. Aranha, pediatra antroposófico, fala sobre a importância da intuição materna quando a temperatura do filho sobe

Me lembro que, lá pelos seis, sete meses, minha primeira neta teve febre alta pela primeira vez. Junto com ela, pais e avós também atravessaram esse campo desconhecido, às vezes, cada um com suas fantasias e medos. Nessa hora, vem o receio da convulsão, da meningite e por aí vai. Aparece, com força, o mito da fragilidade do bebê. Como aquela coisinha tão pequena vai suportar um momento tão complicado? Queremos poupá-lo disso pois não imaginamos como é resistente e quanta força há em seu organismo. Fiquei sabendo pela avó que a menina estava com febre e que minha filha, mãe de primeira viagem, nem tinha me ligado. Ela era inexperiente como mãe e achei até que poderia estar sendo um pouco irresponsável. E eu, como pai de três, avô e médico experiente, fui até sua casa e encontrei uma mãe tranquila, cuidando com tanto amor e segurança de seu bebê que, se eu estava preocupado, logo me acalmei. Examinei-a, então, sem ansiedade. Talvez fosse uma gripe. Não receitei antitérmicos, como não costumo fazer logo de cara, a não ser em situações de exceção. E, nesse caso, não era mesmo necessário. Mãe e filha estavam em uma linda comunhão de percepções gerada por sua grande ligação afetiva. Assim como minha filha, muitas mães desenvolvem essa segurança muito cedo. Cuidar do bebê, niná-lo, amamentá-lo, saber quando tem sono e fome, enfim, conhecer de imediato suas reações formam a base do que chamamos de intuição de mãe.

Há, no entanto, um outro tipo de relação mãe e filho. Muitas vezes soterradas por informações, por conselhos, excesso de conhecimento de todas as correntes, jovens mães acabam deixando essa conexão de lado e se apegando mais a livros, pesquisas ou boatos do que àquilo que elas sabem sem que ninguém precise ensinar. Essa mãe, geralmente, chega ao consultório cheia de dúvidas difíceis de satisfazer, mesmo com as respostas que tenho treinado há décadas, e entrega ao médico toda a responsabilidade sobre a saúde do bebê. Assim, ela vai ter dificuldade em desenvolver sua própria capacidade de decifrá-lo e vai buscar respostas certeiras, garantias de que tudo irá bem e que as escolhas terão exatamente as consequências que ela espera. E, em um caso como esse, o da febre, esse tipo de mãe acaba implorando para que o pediatra receite algo para que os sintomas acabem rapidamente. Dor e febre vão embora em minutos, é verdade, mas a criança estará longe da cura. Na verdade,  a mãe fica tranquila, mas a criança perde a chance de se curar com naturalidade. A febre é um estimulante das defesas naturais e deixar a temperatura subir, até certo ponto e com acompanhamento, pode ser bastante salutar. O tratamento antroposófico para febre, aliás, não passa pelos antitérmicos, mas por medicamentos que combatem a infecção. Nesses momentos, em que o termômetro passa dos 38 graus, meu conselho às mães é que confiem em sua intuição, aquela que falei faz pouco, e na capacidade e força dos bebês. Eles têm muita! Se uma criança já vem ao mundo com essa desconfiança por parte de seus pais, de que não sobreviverá a uma simples febre, como vai desenvolver sua própria auto-estima e auto-confiança mais adiante? Como vai confiar que sobreviverá a momentos muito mais desafiadores do que sentir a testa quente?

No dia seguinte ao ocorrido com minha netinha, fui visitar o bebê e a mãe. Estavam, as duas, tranquilas e felizes. No lugar da febre apareceu um belo dentinho. E também uma mãe contente por ter reagido com segurança ao primeiro momento de estresse de sua longa jornada. Fui embora satisfeito e alegre. Eu também havia aprendido uma lição: aprendi a confiar na capacidade de minha filha como mãe.

Dr. Antonio Carlos de Souza Aranha é médico antroposófico

3 pensamentos em “Bebê com febre x mãe tranquila

  1. Nossa que interessante! Estou passando nesse momento exatamente pela 1a. febrinha da minha bebê de 10 meses e estou segurando ao máximo os antitérmicos. Tb acho que vem dentinho por ai! Adorei o artigo. Abraço

  2. Minha filha teve a primeira febre com 1a 3m e era febre alta, chegou a 39 graus, ela é tratada com homeopatia desde a minha barriga, então liguei para meu tio, médico dela e relatei a febre, até pq foi a única coisa que ocorreu, ela continuou ativa, corada e faminta. Ele disse para cuidar. no meio da tarde, a febre aumentou de 38 para 39,5 graus mas ela continuava tranquila, então entrei na banheira com água morna junto com ela e começamos um longo e relaxante banho, até a temperatura dela abaixar um pouco. Sua febre durou um dia apenas, não sei o que foi mas assim como veio, acabou…no começo da vida dela eu tinha muita insegurança e preocupação pq ela nasceu prematura e PIG, mas depois de uns meses percebi que ela é forte e que com cuidado, amor e carinho eles se desenvolvem muito bem!

  3. Minha filha teve por muitas vezes uma febre que dava de noite a sumia ao amanhecer. Ej simplesmente dormia abraçada com ela, e parecia que havia ali uma troca de calor e a febre nao subia muito. Nessas ocasioes, nunca dei antitermico. Só dou mesmo qdo está muito alta e ela está muito invomodada. Ela agira já tem 3 anos…

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