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Desde que um ex-colega de trabalho me perguntou por que não escrevo sobre animais de estimação, estou com esse título na cabeça e comecei a pensar e observar no dia a dia da casa quais afinal são as razões para ter um bicho de estimação. No meu caso, 3.

Nosso cachorro é um Lhasa Apso. Pelo menos compramos como se fosse. Mas compramos na rua, então não posso afirmar assim com a garantia de um certificado ou pedigree. Ele apareceu na nossa vida um belo dia de domingo quando saímos para comer um sanduíche e meu marido falou: vamos passar ali na porta do Cobasi para ver aqueles filhotes? Cobasi é um shopping com produtos para animais e na frente dele, na rua, várias pessoas ficam vendendo cachorrinhos aos domingos. Chegamos lá e logo vimos um homem com dois filhotes na caixinha, um salsichinha e uma bola de pelo branca com os olhos e o nariz preto. Minha filha sempre falava que quando tivesse um cachorro ele iria se chamar Pipoca, e quando eu vi aquela bola branca pensei: não fica mais pipoca do que isso. Meu marido percebeu e deve ter pensado “por que não sugeri um sorvete ao invés de ir ver filhotes?” Quando ele viu que eu estava levando a sério a ideia de comprar o cachorro, ele falou: é muito trabalho. E eu falei: tudo bem, eu assumo. Meus filhos nem acreditaram que a gente ia mesmo levar.

Com a tartaruga foi diferente. O João adora todos os animais, mas tem uma queda especial por répteis. Por serem descendentes dos dinossauros… Ele sempre me pediu uma iguana ou um dragão de komodo. Nunca quis. Mas um dia ele começou a pedir a tartaruga. Como moramos em uma casa pensei que ter uma tartaruga no jardim não ia ser muito complicado. Ele comprou com o dinheiro dele, que juntou até chegar ao valor do bichinho. Depois de um período de adaptação onde eu, João e Maria Teresa passamos algumas tardes na biblioteca para tentar entender o nosso novo morador, ele agora praticamente não dá trabalho algum. Mora solto em uma parte do quintal, se alimenta do que encontra e de folhas de alface ou frutas que damos para ele.

A gata é uma outra história. Uma história que eu nunca achei que fosse viver. Nunca fui muito fã de gatos. Aquele jeito muito independente e meio soberbo me deixa um pouco assustada. Além do que, está bem claro que a lei da gravidade funciona diferente para eles. Só eu acho isso estranho? Mas conversando com uma mãe da escola das crianças fiquei sabendo do número absurdo de gatos vivendo em abrigos em Miami. Mais de 4 mil. Já pensou ser um gato e viver dentro de uma jaula? Ou sair dali para ser maltratado em testes para cosméticos? (Ninguém me falou isso, mas precisamos juntar os pontos, né?) Fiquei com isso na cabeça, incomodada. Um dia tive um impulso de ir até a loja de animais onde eles deixam alguns desses gatinhos do abrigo toda noite para adoção. Quando cheguei lá e vi o filhotinho branco e cinza deitado pensei: “por que não tive a ideia do sorvete?” Respirei fundo, tirei meus olhos dali e tentei pensar racionalmente: vai dar trabalho, o cachorro vai odiar, vai ser mais despesa, é só um gato, não vai resolver o problema dos 4 mil. E nesse hora me veio: não vai fazer diferença para os 4 mil, mas vai fazer diferença para este.

Todos os dias de manhã, além das lancheiras com lanche e almoço que preparo para as crianças, preciso limpar a caixa de areia da gata, preciso checar se a tartaruga tem ou não comida, preciso abrir a porta para o Pipoca fazer a toilete dele. Todo dia precisamos andar com o Pipoca, observar se não tem nenhuma comida ou copos com bebida ficando em acesso fácil para a gatinha (ela adora examinar e experimentar tudo), precisamos checar se ninguém deixou o portão aberto porque se a tartaruga fugir tem grande chance de ser atropelada e invariavelmente precisamos limpar alguma bagunça. E voltando ao título do post, quais são as razões para ter bichos de estimação? No meu caso, nenhuma. Sei que muitos cachorros são úteis para os donos. O meu só late para os estranhos, como se isso fosse ajudar alguma coisa. Mas quando chego em casa todos os dias e quantas vezes forem, o Pipoca fica completamente louco de alegria. Sabe aqueles vídeos que mostram a reação de cachorros que ficaram 6 meses sem os donos? Ele tem aquela mesma reação quando fica 15 minutos sem os donos. Enquanto eu escrevo esse texto, ele está deitado no meu pé e me acompanha o tempo todo quando estou em casa. Além de brincar e ter a maior paciência com as crianças. Quando ele chegou, minha filha tinha só 3 anos. De lá para cá, ela já fez a dancinha do carrinho de mão com ele, já colocou roupa de boneca, já passou canetinha no pelo, já colocou óculos escuros nele. Mas os cachorros são tão boa gente que sabe o que ele faz? Nada. Ele respira fundo (dá para ouvir o suspiro) e aguenta a brincadeira. Como se ele soubesse que isso faz parte do pacote morar com uma família.

Pipo e Leli Antes que eles crescam

A tartaruga apesar da fama de lenta, é super perspicaz, vai atrás do que quer. Se vira sozinha, mas reconhece os donos e come na mão se você der. Ela ensina a arte da paciência toda vez que você coloca ela encurralada e ela tenta fugir e tenta, tenta sem parar até conseguir. Como ela faz um buraco para se proteger, algumas vezes podemos ficar uns 2 ou 3 dias sem vê-la, mas ficamos alegres quando ela aparece. Ela tartaruga, no caso é ele e chama Leonardo.

Tartaruga de estimação Antes que eles crescam

Já a gatinha, para ser sincera eu não estava com a menor expectativa. Meu marido ficou bravo uns 3 dias por eu ter trazido ela para casa. Eu só falava, não estou fazendo isso por mim, estou fazendo por ela. (E enquanto eu falava isso, corações se formavam nos meus olhos toda vez que eu olhava para ela) Meu plano era dar as vacinas, cuidar até que ela ficasse um pouco maior e então ela ficaria solta. Os gatos sempre voltam para comer e dormir dentro de casa. E isso não é muito trabalho. Acontece que ela é a doçura em 4 patas. Vai andando entre nossas pernas. Sempre respondendo às perguntas com o seu miau e seu é. Você é muito fofa, né? E ela responde: É… Toma banho sozinha e está sempre limpinha. Aprendeu onde era o banheiro no primeiro dia e desde então estamos comemorando zero acidentes. Quando está com fome, anda em volta da vasilha de comida miando sem parar até você colocar. Tem menos paciência com as brincadeiras da minha filha. O que também é bom. Quando quer carinho, dá carinho. Com o rabo, com as patinhas fazendo uma massagem e com o seu som vibrante que eu nem sabia que os gatos faziam. Uma vibração acompanhada de um som de motor ligado que reverbera no pescoço e significa que ela está feliz.

Eli Antes que eles crescam

Percebe a quantidade de sensações e sentimentos que eles provocam? Essa é a grande vantagem de ter animais, não ter razão alguma para isso. E ao mesmo tempo, eles são um motor constante capaz de alterar sentimentos e trazer novos. É contato com a natureza. Até com a nossa mesma.

Pipo Ali Antes que eles crescam

Pipo Ali 3 Antes que eles crescam

Pipo Ali 2 Antes que eles crescam

Ah, se o cão e o gato se dão bem? Tudo começou com cenas de violência gratuita e severa. Imagens proibidas para menores de 18 anos. Pipoca estava com muitos ciúmes e ela é uma gata, já nasce com faixa preta em artes marciais, então não deixava por menos. Mas tem bicho com coração maior que os cachorros? E tem bicho com mais instinto de sobrevivência que os gatos? Com duas semanas eles já viraram amigos. E agora dividem a comida e já foram pegos em flagrante dormindo juntos. Agora no inverno, um vira o casaco de pelo do outro.

Na imagem em destaque, João veste capa medieval da Contos de Vestir e a foto é da Andrea Pasquini.

Por Cris Leão

6 pensamentos em “Animais de estimação, por que pê-los?

  1. Não tenho bichos de estimação, mas depois de ler esse post confesso que fiquei estimulada!! Moro no interior (SP), e tenho 3 netos que moram em S.Paulo e adoram bichos…quem sabe?!?

  2. Adoro seus posts, mas se tem um que poderia ter sido escrito por mim, é esse! Amo bichos e pelo mesmo “por quê”. Tenho duas gatas e assim que mudar para uma casa terei cachorros. Meu filho ama e as cenas de carinho entre eles vale tudo!

  3. Amoooo…. só eles pra nos dar tantas emoções boas, nunca na minha vida até agora encontrei um remédio melhor, pra tristeza, stress, depressão… tenho o Floquinho, o coelho, o José, o papagaio, a Malu, a Meg e o Sebastian os meus cachorros e a Laila minha gatinha, meus filhos adoram

    • Não é? Quando a gente decidiu se mudar o pediatra que é homeopata falou que as crianças iam sofrer muito com a mudança. Então eu falei que o cachorro ia com a gente. Ai o médico disse: ah, então vai ser muito mais tranquilo. As crianças trabalham com os animais os sentimentos que têm dificuldade de tratar dentro delas. Uma verdadeira terapia!

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