Home

Antes que alguém pergunte, essa acima é a cara que meu filho faz quando QUER alguma coisa

Isso posto, estava eu caminhando pelo supermercado com meu carrinho quando ouço um diálogo atrás de mim:

– Querido, você vai querer o quê pra jantar hoje? Será que a gente leva batata palha, hein, hein? Hum, e qual catchup você quer? Esse? Não? Esse aqui, então? Ah, sim, esse é mais natural né?

Pensei, que casal mais adorável. Que esposa dedicada, daquelas que não se fazem mais. E olhei pra trás. Não tinha casal nenhum. Era simplesmente uma mãe com uma criança de menos de 3 anos na cadeirinha, pedindo apoio na lista de compras, que pelo jeito ela não teve tempo de fazer.

Na mesma linha, vi um casal na praia perguntando pros gêmeos de 2 anos se eles queriam almoçar no restaurante japonês ou comer hambúrguer. E vi mães confidenciando aos filhos que estavam muito mal porque estão sem dinheiro, que o papai não pagou a pensão esse mês e perguntando o que eles acham disso…

Cara, fiquei me colocando no lugar de uma dessas crianças. Aos dois anos, decidir se você vai comer no restaurante japonês ou se prefere chucrute é tipo o presidente do Banco Central virar pra mim, hoje, e dizer que eu tenho 15 minutos pra decidir se a Selic desce ou sobe na próxima reunião do Copom. Vai me dar uma dor de barriga, uma palpitação, um nó na garganta… E aí eu lembro da minha avó dizendo a toda hora que criança não tem querer. E como a gente ficava feliz com isso, não? Não precisava decidir lista de compras, não precisava decidir se o pai é um crápula ou apenas está sem grana, não precisava decidir se jogava copinho de isopor no lixo reciclável ou no orgânico. Aaaah, bons tempos em que criança não tinha querer. O pediatra do meu filho sempre diz que levar as crianças a decidir coisas que estão fora de sua compreensão, mesmo que pequenas, gera um estresse tão desnecessário que elas precisam começar a ativar circuitos de pensamento que só devem começar lá pelos 12 anos. E o molequinho do catchup no mercado não tinha nem 3!

Ah, mas isso é bom, as crianças amadurecem, argumentam alguns pais. Minha opinião é que quem precisa amadurecer somos nós, pais, e fazer mais ou menos como os nossos faziam. A gente não tinha querer. Eles tinham e decidiam exatamente o que era melhor para nós de acordo com suas crenças, posses e possibilidades. E assim tínhamos mais tempo para ser crianças despreocupadas, soltas, sem pensar em nada além daquele balão escapando pro céu. Pof! Assumir nossos papéis de adultos e deixar os pequenos serem pequenos numa boa. Sem grandes decisões.

Me lembrei daquela música do Erasmo, que ele regravou com o Arnaldo Antunes..

“Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia
“Ele é uma criança, não entende nada”
Por dentro eu ria satisfeito e mudo…Eu era um homem e entendia tudo!”

Pra quem quiser ouvir, aqui vai. Do Natura Musical

Por Fabi Corrêa

18 pensamentos em “Criança não tem querer. Tem?

  1. Confesso que acho bacana a crianca poder participar e se expressar, ter o direito de querer certas coisas, mas concordo que pra tudo tem idade.
    Meu filho tem 3 anos e meio, e sempre foi conosco ao mercado, a feira, e quando ele se mostra interessado em certas coisas, permitimos que ele escolha.
    Por exemplo que fruta ele vai querer para o lanche, o tipo de pão, coisas simples da sua rotina. Isso tb tem um resultado positivo na hora do consumo, pois ele fica feliz em comer ou nos ver comendo algo que ele nos ajudou a escolher.

    Não vou coloca-lo pra decidir qual restaurante vamos comer ou onde devemos passar ferias, tão pouco acho que seja do interesse dele a nossa conta bancária ou sei la oque, mas poxa, acho justo que ve ou outra ele possa escolher sim oque gostaria de comer no jantar, ou levar de lanche para a escola.

    Essas pequenas participações nas coisas que são do seu interesse eu permito porque realmente não vejo nada fora do comum. =)

    Eu também cresci ouvindo que criança não tem querer, mas em casa meus pais ensinaram certinho que sim, eu tinha querer, mas eu também tinha que saber esperar e dar valor as pequenas coisas.
    Acredito que sabendo dosar e conduzir a situação, podemos fazer tudo dar certo, sem estressar ou dar liberdade demais aos pequenos. =)

    xx

  2. Amo seus textos e sabe que penso assim, uma vez também fiquei pasma em um restaurante quando uma colega de 2 anos perguntava para a filha: você quer coca cola ou suco filha?
    Não sou hipócrita de dizer que minha bebê nunca vai tomar refri mas o quanto eu puder evitar melhor!!!
    Beijos

  3. Não dá para esperarmos que uma criança possa decidir o que é melhor pra ela… É um absurdo crianças que não usam cadeirinha no carro por exemplo, porque não QUEREM!!! Elas ainda não tem discernimento suficiente para tomas decisões… Depois quando viram adolescentes, não fazem inglês porque não querem, não estudam porque não querem e os pais se justificam: ” Ele não quer né? Eu não vou forçar…” Os pais é que sabem o que é melhor para os filhos… Depois não poderemos responsabiliza-los pelo que sair errado… pois eram crianças quando escolheram… Pra mim, em questões fundamentais, criança não tem querer.

  4. Olá Fabi. Adorei o seu texto. Ainda não tenho filhos, mas tenho 6 sobrinhos e que dar muita canseira. Sou professor educador numa escola particular, e esta rotina é, portanto, mais comum ainda. Concordo absolutamente com tudo que você disse. Cresci numa família de baixa renda e que tinha que suar sempre (inclusive minhas 3 irmãs desde pequenas) para termos comida na mesa. Minha mãe sempre estimulou nossa individualidade, mas mais que isso, sempre nos ensinou que nem tudo que se quer ter se tem quando se quer. Acredito que seja tudo uma questão de boa educação e berço. Como disse a Ingrid Gomes, acredito que um equilíbrio entre os esforços é essencial…mas ela se esqueceu que para se encontrar esse equilíbrio é necessário um bom senso que a grande maioria não tem. Vivemos num mundo de facilidades e coisas rápidas, onde a babá foi substituída pela TV (muito mais barata e encantadora), onde as marcas das roupas são importantes (“-Como pode a mãe do amiguinho do meu filho ter uma Luis Vuitton e eu não?), enfim, um mundo onde as futilidades e a pressa estão cada vez mais no nosso dia. Obviamente os tempos são outros, e há que se ponderar. No entanto, os riscos também são outros. O foco e o estress são ainda maiores, e alguns pais ainda acreditam que a culpa do filho estão tão estressado é porque o que a escola oferece é muito massante. É hora de refletir, parar, pensar, e lembrar que um dia eles crescem, e tudo que é feito para e por eles, reflitirá incondicionalmente no adulto que serão. E acredito que algo em comum entre todos os seres humanos é que queremos pessoas boas na Terra. Lembre-se então que isto deve começar por você. Gandhi já nos dizia que devemos ser a mudança que queremos para o mundo.

  5. ola fabi ! gostei do seu texto,mas nao concordo que criança tem que decidir o que vai comer ou onde comer ,fui criado no interior do interior fui pra cidade grande ,hoje tenho dois filhos um de 6 outro de 9, sai de uma cidade grande e fui morar de volta pra uma cidade pequena ,porque observei que meus filhos iriam ser criados totalmente diferente que eu fui criado e a logica mais ainda e que eu jamais iria ter condiçoes de dar o melhor pra eles, porque pedir eles iam pedir isso com certeza ,a cidade nao tem culpa ,a culpa ta na realidade de cada um que vive , cabe ao pai e a mae tomar atitudes antes que eles ficam maior e começa a cobrar e a cobrar , e nao adianta voçe se esplicar o culpado sempre vai ser o pai e a mae na cabeçinhas deles,eles so vao entender quando voçe mostrar para eles que a realidade e outra !!! claro nao vou dizer aqui que estou feliz por nao levar meus filhos em um bom mercado ,em um shoping etc.. etc.. etc…mas estou feliz porque deus mostrou outro caminho de luz e sabedoria ,onde um dia todas as coisas que o ser humano mais compartilha o poder de riqueza e quem pode mais ,um dia isso tudo diante dos olhos de deus vai ser muinto superflo e sem valor algum,isso e fato e realidade , o basico e o mais importante para um filho que um dia seu filho vai ter orgulho de voçe e a humildade e a realidade do mundo em que vive,nao e importante a riqueza ou o luxo que voçe possa dar, porque antes de tudo isso deus deu a maior riqueza pra voçe o seu filho,passe pra ele somente o amor e carinho como pai e mae,ele vai saber retribuir porque isso vem de deus , e se vem de deus ja sabe ne as bençao vem em dobro !!amem !!!

  6. Olá! Achei o texto bastante interessante porque me fez refletir mais. Porém, não concordo totalmente. Uma coisa é a criança só ter o seu querer satisfeito. Outra coisa é, vez ou outra, a criança poder participar da vida da família mais ativamente, se sentir mais incluído. Por que adulto pode satisfazer as suas vontades e criança não? Porque eu tenho direito de preferir cachorro quente ao hambúrguer e minhas filhas tem que comer o que eu quiser sempre? No dia a dia, nem eu como a minha comida preferida, como o que dá, o que tenho tempo de fazer, o que é mais próximo de algo saudável. Nos momentos de folga que podem até ser durante a semana à noite, por que não?, eu não vejo nada demais se elas participarem desde a escolha até a confecção do prato.
    Já a cadeirinha do carro, como citou Gabriele, deve-se obedecer à lei e a lei está acima do pai ou da mãe. Tem que fazer e ponto final, sem negociação.
    Acho que tudo na vida é questão de encontramos o equilíbrio.

  7. Que rídiculo! Tirando a parte da mãe reclamando do pai pagar a pensão, qual o problema de perguntar aos filhos se eles irão comer isso ou aquilo? O meu por exemplo, 2 anos e meio, não come o que eu quero que ele coma! Tenho que perguntar ou ele não vai comer! Vai levantar da mesa, pedir pra abrir a geladeira e vai escolher o que ele quer…

    Outro ponto é: eles estão com crianças pequenas, que gostam de participar de tudo ou pelo menos fingir que participam. Mesmo que a mãe não leve em consideração a resposta ou se o filho não quiser escolher, qual o problema de perguntar? É uma forma de entreter a criança dentro do supermercado.

    Olha, você precisa parar de levar tudo tão a sério. Temos que ter cuidado na hora de interpretar uma cena que vimos na rua. Ela pode querer dizer um milhão de coisas.

    A educação de crianças pequenas pode ser diferente entre os pais, mas elas precisam ser educadas. E cada criança precisa de uma educação própria. Não existe uma fórmula mágica, cada indivíduo é único e precisamos ver a personalidade de cada um para entender que técnicas usar. Eu tenho certeza, que você mãe de 2 filhos entende o que eu quero dizer.

  8. Concordo com tudo que você escreve. Inclusive faço muitas coisas antes mesmo de ler seus textos, porém muitas e muitas vezes somos vistos com olhos de reprovação, como se estivéssemos fazendo coisas absurdas, autoritárias. É difícil, pois é mais ou menos como nadar contra a maré…. Abrços

  9. Lindo texto! Fala bem sobre a criança estar ou não preparada psicologicamente pras decisões/informações que dividimos com elas, né? Converso muito com os pais sobre isso!

  10. Provavelmente essa pessoa seja eu,mas não dessa maneira como esta no texto. Quando levo minha filha ao supermercado peço que ela escolha apenas uma coisa que goste ,normalmente é iogurte ou chocolate. Mas conversamos ao longo das compras e pergunto ” Filha, o que você acha de levarmos isso”..ela sempre concorda mas mesmo não concordando levarei o que devo levar e o que esta caro demais menciono “Filha….isso acho que não,esta muito caro, a mamãe não vai levar”. Ela adora nossos “mercados juntas” e isso faz com que ela se sinta envolvida com a situação. Ao perguntar ” o que você quer jantar hoje? você esta apenas fazendo um agrado a seu filho , nada mais”. Enfim, tudo na medida certa e com seus limites.

  11. Boa Tarde, meu filho quando levo ele no supermercado, temos algumas coisas que gostamos, então eu crio nele essa empolgação do tipo :”filho não deixa o papai esquecer daquele catchup que gostamos”, mas não pergunto se ele quer Arroz Camil ou Prato Fino, é apenas o que ele tb consome em casa que ele “pode” dar sua opinião e não decidir a compra do mês no Walmart ou Extra.
    Ele atualmente tem 5 anos e fica muito feliz quando ele ajuda lembrar um item que estava esquecendo. Realmente eu ouvi muito isso da minha avó, que “criança não tem que querer nada” nunca soube nem onde era o mercado, lembro de ir fazer compra com meus tios (meus pais são separados desde meus 10 meses) porque eu queria ir no chiqueirinho do Fusca do meu tio, por absolutamente nenhum outro motivo. Primeira vez aqui e gostei!

  12. Primeiramente, adoro seus textos… e sobre esse concordo e também discordo: Que é difícil saber a medida das atitudes com os filhos, isso realmente é.Dosar e saber o momento ideal para cada coisa é bem complicado, pra mim, criança não tem querer até…
    É claro que temos que saber qual decisão ela já é capaz de tomar , mas temos que ter o cuidado para não achar que a criança não é capaz de tomar nenhuma decisão, pq assim vamos formar crianças que só saberão esperar que os outros decidam por ela e assim serão, provavelmente, adultos que não têm opinião própria, não pensam por si mesmos, que não lutam por seus direitos, que não se manifestam e por fim se calam…
    Mas para mim, valeu muito a reflexão!!

  13. Hoje, 26/03/14, estava conversando sobre esse assunto, no que toca ao meu neto de 3 anos com minha filha. E reconheço que seu texto é perfeito. Que diante de tanto, o que você quer. o que você gosta, ele esta cada dia achando que não precisa, comer, não precisa ir a escola e muito menos obedecer…Nem tanto ao mar, nem tanto a terra…Ainda acho que poder de decisão só bem
    mais tarde,,,sem regras muitas coisas se perdem…

  14. Julgar situações da vida alheia, não me parece muito coerente para quem quer formar opiniões, cada um sabe a vida que leva e o fato de se presenciar um comentário do tipo qual isso ou aquilo como uma criança nao está necessariamente dando a ela o controle da situação….

  15. Criança tem querer sim,cabe aos pais impor limites e estabelecer quando é que seus desejos serão satisfeitos.Obviamente cabe aos pais tomarem as decisões,mas não vejo motivos para não deixar que os filhos interajam e participem da vida familiar dando sua opinião em pequenas coisas do dia a dia.

  16. criança não pode ter querer ela ainda não precisa disso ela ainda não tem maturidade para poder decidi nada

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s