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A melhor parte de ter um blog depois de trabalhar por quase 20 anos como redatora, é que pela primeira vez, posso escrever o que quiser. Issa! O texto abaixo não é de minha autoria. É um texto que li e achei tão brilhante, que tive vontade que mais pessoas lessem. Espero que goste.

Quando eu era mãe de três pequenos, confusos e bonitos pestinhas*, tivemos dias que se prolongaram por vidas. Craig saia às 6h todas as manhãs e enquanto eu observava ele saindo de casa de banho tomado e ferro passado, eu me sentia incrivelmente abençoada e feliz por ter tanto tempo sozinha com meus bebês e extremamente aterrorizada e amargurada de ter tanto tempo sozinha com meus bebês. Se você não acredita que todos esses sentimentos podem existir ao mesmo tempo – bem, você nunca foi uma mãe de pequenos, bagunçados e lindos pestinhas.

Quando Craig voltava todos os dias às 18h (na verdade ele voltava às 17:50, mas levava um tempo INACREDITÁVEL para checar a caixa do correio ) ele ia atravessar a porta, sorrir e dizer – “Então, como foi o seu dia?”

Essa pergunta era como um holofote apontado diretamente para o abismo que existia entre a experiência dele de um “dia” e minha experiência de um “dia”. Como foi o meu dia?

A pergunta iria permanecer no ar por algum momento, enquanto eu olhava para o Craig e o bebê empurrava a mão na minha boca, como eles fazem – enquanto o mais velho gritou do banheiro: MAMÃE PRECISO DE AJUDA PARA FAZER O NÚMERO 2 e o do meio chorava no canto porque “Eu nunca, nunca posso beber o detergente. NUNCA! NEM UMA VEZ , mamãe!” E eu olho para o meu pijama manchado de espaguete, meu cabelo sujo e meu lindo bebê no meu quadril – e meus olhos vagam ao redor da sala, parando para observar os brinquedos salpicando no chão e a nova arte deslumbrante das crianças na geladeira.

E eu quero dizer:

Como foi o meu dia? Hoje foi uma vida. Foi o melhor dos tempos e o pior dos tempos. Houve momentos em que meu coração estava tão preenchido que parecia que ia explodir, e houve outros momentos em que meus sentidos estavam sob tal ataque intenso que eu tinha certeza ia explodir. Fiquei muito solitária e absolutamente desesperada para ficar sozinha. Eu estava saturada e bombardeada com tantos toques e, em seguida, no momento que eu coloquei o bebê no berço, eu ansiava para sentir sua pele doce novamente. Eu estava ao mesmo tempo, entediada e completamente sobrecarregada com tanta coisa para fazer. Hoje foi demais e não foi suficiente. Era alto e silencioso. Foi brutal e bonito. Eu estava no meu melhor hoje e, em seguida , apenas um minuto depois, no meu pior. Às 03:30 de hoje, decidi que devemos adotar mais quatro filhos e, em seguida, às 3:35 eu decidi que devemos desistir das crianças que já temos e dá-las para adoção. Marido, quando seu dia é completamente e totalmente dependente dos humores, necessidades e horários de minúsculos, desarrumados e lindos pestinhas, o seu dia é todas as coisas e nenhuma das coisas, às vezes dentro do mesmo período de três minutos. Mas eu não estou reclamando. Isto não é uma reclamação, então não tente consertá-lo. Eu não teria meu dia De Nenhuma.Outra.Maneira. Só estou contando –  e é uma coisa infernalmente difícil de explicar – um dia inteiro com muitos bebês.

Mas eu estaria cansada demais para dizer tudo isso. Então, eu iria só chorar, ou gritar, ou sorrir e dizer “foi tudo bem” e, em seguida, entregar o bebê e sair correndo para o Target* a vagar sem rumo pelos corredores, porque isso é tudo que eu realmente queria. Mas isto seria um pouco triste, porque o amor é sobre realmente ser visto e conhecido, e assim eu não estaria sendo vista nem conhecida. Tudo era muito difícil de explicar. E fez de mim, uma pessoa solitária.

Então nós fomos foi para a terapia.

Através da terapia, aprendemos a perguntar melhor uns aos outros. Aprendemos que se você realmente quer conhecer as pessoas, se realmente se importa em conhecê-las – é preciso fazer melhores perguntas e, em seguida, realmente ouvir as respostas. Precisamos saber as perguntas que levam junto com elas esta mensagem: “Eu não estou apenas fazendo um protocolo aqui, eu realmente me importo com o que você tem a dizer e como você se sente. Eu realmente quero conhecê-lo.” Se não queremos respostas descartáveis​​, não podemos fazer perguntas descartáveis​. Uma pergunta com cuidado é a chave que vai desbloquear uma sala dentro da pessoa que você ama.

Então Craig e eu não perguntamos mais “Como foi seu dia? “. Depois de alguns anos de prática, a intimidade das perguntas cresceram, agora nos encontramos perguntando um ao outro perguntas como estas :

Quando você se sentiu amado hoje?

Quando foi que você se sentiu solitário?

O que eu fiz hoje, que fez você se sentir apreciado?

O que eu disse que fez você se sentir despercebido?

O que posso fazer para ajudá-lo agora?

Eu sei. Um pouco estranho num primeiro momento. Mas não depois de um tempo. Não mais estranho do que fazer as mesmas malditas perguntas vazias que você sempre fez e que provocam as mesmas malditas respostas vazias que você sempre recebeu.

E agora, quando nossos filhos chegam em casa da escola, nós não dizemos: “Como foi seu dia?” Porque eles não sabem. O dia deles foi um monte de coisas.

Em vez disso, perguntamos:

Como você se sentiu durante o teste de ortografia?

O que você disse para a menina nova quando todos saíram no recreio?

Você se sentiu solitário durante todo o dia?

Algumas vezes você se sentiu orgulhoso de si mesmo hoje?

E eu nunca pergunto aos meus amigos: “Como você está? ” Porque eles também não sabem.

Em vez disso, eu pergunto:

Como está indo a quimio da sua mãe?

Como terminou a reunião com o professor do Ben?

O que está dando certo no trabalho agora?

As perguntas são como presentes – é o pensamento por trás delas que o receptor realmente sente. Nós temos que conhecer o receptor para dar o presente certo e fazer a pergunta certa. Presentes e perguntas genéricas são ok, mas presentes e perguntas pessoais fazem as pessoas se sentirem melhor. O amor é específico, eu acho. É uma arte. Quanto mais atenção e tempo você dá a suas perguntas, mais bonitas as respostas se tornam.

Já que a vida é uma conversa, faça com que seja uma boa comversa.

* O que traduzi como pestinhas, a autora do texto escreve “rug rats” que na verdade é o nome de um programa de TV com crianças pequenas e bebês que são verdadeiros pestinhas.

* Target é uma loja de departamentos junto com um supermercado onde você vai encontrar muitas mães na mesma situação da autora.

E ai? Acha que valeu a pena eu ter traduzido? Gostou do texto? Se sim, faz um “Joinha” ai embaixo, escreve um comentário, compartilha com as(os) amigas(os), responde minha pergunta. ; )

O texto original em inglês foi publicado no Huffington Post no dia 24 de Janeiro e escrito pela Glennon Doyle Melton, autora do best seller “Carry On, Warrior”. Ela divide seus textos, pensamentos e aprendizados no seu blog, Momastery.com. Para ler o texto original em inglês, clique aqui.

Por Cris Leão

24 pensamentos em “As perguntas que vão salvar suas relações

  1. Foi muito legal ler o texto, porque fala de coisas que vivi como mulher e mãe. Sou professora de inglês, mas nem quis ler o texto original pois as emoções e idéias estavam tao nítidas que não sinto que algo possa ter sido perdido no caminho. E como americana conheço o Target e me é clara a sensação de mergulhar no local e sumir frente a quantidade de coisas e ser uma desconhecida apos horas sendo o 911 (190 no Brasil)… As perguntas/respostas burocraticamente vazias e executadas como um roteiro pré estabelecido em que obedientemente repetimos o que nos foi ensinado sem questionarmos propósitos e efeitos. Ainda, ficam nítidas as consequências nas nossas relações humanas se não houver uma forte disposição para se fazer as coisas diferente, mudando a perspectiva com que fazemos nossas escolhas e como nos sentimos frente a elas. Valeu. Gostei.

  2. Ai, Cris… puxa… hoje eu me senti solitária, incrivelmente abençoada e extremamente aterrorizada… Minha filha, depois de ouvir uma história sobre príncipe e princesa, perguntou se eu me casaria com ela quando ela crescesse,pois não queria principe, não, queria eu… e sorria, toda doce; mais tarde, fez uma birra enorme pra dormir por causa do calor… xinguei e chorei, exausta,no banheiro… Eu já devia ter ido dormir, mas meu Target foi o facebook… Agora, passada a meia-noite, li seu texto. Abençoada seja, por me dar a alegria da catarse do reconhecimento de mim no outro. Durma bem, amiga querida! Suas palavras são um alento! Um beijo.
    Ps: Ai, que vontade de ser sua vizinha de novo…rsrsrsrs…

    • Ai querida, fico com o coração preenchido de ler isso… Adoraria ser sua vizinha de novo. Mas a gente está ligada uma a outra, porque o pensamento (o pensar parecido) está nos unindo. ; ) Beijo grande!

    • Prezada Cris, descobri seu blog por acaso, quando vi uma amiga publicando na linha do tempo de uma outra amiga o post Parei de trabalhar fora…,e aí resolvi buscar seu Blog adorei essa matéria, e exatamente isso que estou vivendo, tinha acabado de reclamar com a minha filha de 5 anos que só pede as coisas pra mim rsrs (normal né!) a td momento ela faz isso enquanto o pai, pode dormir, assistir futebol etc.Fiz a seguinte pergunta, Porque eu não tenho direito de ler alguma coisa, ver, fazer nada né? ela sorriu e disse: Não sei. Mas eu já tinha me respondido rsrs, porque sou mãe ora bolas, e no mesmo instante ela me pediu, mamãe pega a minha medalha? eu respirei fundo… e dei, aí ela agradeceu, muito obrigada mamãe, e eu pensei só eu tenho esse privilégio de ouvir essas palavras vinda dessa doce voz a quase todo minuto, recebo muito mais bjs, elogios, e obrigados como esse, isso tudo vale muito a pena.
      Que o Deus continue te abençoando com esse dom, e que ajuda a tantas mulheres como eu, vc estará em minhas orações, fique na Paz!!

  3. Muito bom mesmo! Estou vivendo uma grande mudanca vindo morar nos eua com 2 filhos pequenos e ao ler o seu post, tive um insight: para mim “ser mae”, eh um esforco tremendo, herculeo e diario… Acho que tem gente que simplesmente faz com mais naturalidade, mas para mim eh mesmo algo que testa todas as minhas capacidades e habilidades ao limite. Porem ao ler o texto nao me senti mais tao sozinha! Obrigada

  4. Descobri seu blog “por acaso” e virei super fã dos seus textos porque acho que a maternidade é uma benção mas traz com ela este turbilhão de emoçoes, alegrias, cansaço …

  5. Meus filhos são casados e já sou vovó de 4 adoráveis pestinhas…revivi meu tempo de mãe 48 horas por dia…estou com partilhando com meus filhos que agora já é mãe…que agora já são pais…

  6. Adorei mais esse texto do blog! Conheci ha pouco atraves de um compartilhamento no Facebook e já repassei a varias pessoas! Todas se encantaram! Continue assim! (Ah, e a cereja do bolomfoi descobrir um pouquinho de Antroposofia misturadinho!)

  7. Obrigada pelos comentários. É muito gostoso saber o que pensam e sentem sobre os textos. Voltem sempre!

  8. E inacreditável E tudo o que eu sempre quis falar porém nunca consegui expressar em palavras. Sempre foi mais fácil brigar, tomar uma garrafa de vinho, etc. Que texto maravilhoso. Gostaria que fosse escrito um outro assim, porém para quando os filhos crescem e a mãe esquece de si mesma para ser dona de casa, motorista, etc, etc, etc.
    Ótimo uso das palavras. Vou guardar esse texto com carinho, foi exatamente assim que eu me senti durante muitos e muitos anos. Agora e diferente, os filhos cresceram e os sentimentos são outros.
    Que Deus abençoe as pessoas que tem o dom de colocar no papel aquilo que lhes vai na alma:)

  9. Cris e Carolina, he só dando gargalhadas mesmo! Se vcs me olharem já vão saber que estou a ponto de explodir, afinal morar sozinha em NY e com uma criança de 2 1/2 e estar desempregada a meses, não he nada fácil…
    Vou enviar o texto de presente as minhas amigas,quem sabe elas se dão conta! Kkkk
    Abraços
    Lais

  10. Uma delícia esse texto, Cris. Um presente! Me trouxe companhia pra meu “solitário” mundo de mãe. Tenho 2 florzinhas, que às vezes se comportam como cactus. E eu morro de raiva, sofro, explodo, depois morro de amor… e começa tudo de novo.

  11. Olá Cris;

    Depois de acordar as 03:00 hr da manhã com um chilique da minha filha este texto caiu como uma luva.
    Parabéns vc é fantástica !

  12. Sentimos culpa por ter esse misto de sentimentos tão controversos…
    Mas só quem é mãe sabe e entende o VERDADEIRO AMOR!

  13. Encontrei o blog através do Just Real Moms esta madrugada e não consegui parar de ler os artigos, muito bons. Estou de fato encantada.

  14. Muito bom texto. A solução pela terapia auxilia o casal na condução de uma casamento em que cada um fala o que o outro quer ouvir. Chegar a esse estágio não é fácil pois cada um precisa abrir mão do seu modo natural de ser. Olhar para sua esposa ou olhar para seu marido e olhar para os filhos e ter as palavras que vão direto ao coração. Isso é uma verdadeira descoberta. As boas experiências devem ser compartilhadas e penso que esse texto deve ser lido e relido, por casais de todas as idades.

  15. Estava no meu quarto esperando a minha cria de 3 anos pegar no sono e ouvindo o de 4 meses roncar. Me sentia alegre por estarem ali e aterrorizada pela canseira por eles estarem ali kkkkk bom saber que tem alguém por ai que sente o que sinto e sabe traduzir em palavras. Descobri o blog depois de um texto compartilhado no face por uma amiga e estou adorando… Obrigada por compartilhar o texto.

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