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“As crianças de hoje estão expostas na alma, exigidas demais intelectualmente e super protegidas fisicamente”. Ouvi essa frase da educadora Waldorf Luiza Lameirão em uma palestra e não me saiu da cabeça o que ela disse. De fato. Vamos por partes:

Problema 1 – “As crianças estão expostas em sua alma”: Por conta da solidão, de muitas vezes estarmos sozinhos com eles ou nos sentirmos assim na cidade grande, as crianças acabam servindo de confidentes dos adultos. Acessam histórias sobre nossos relacionamentos, finanças ou sobre o mundo cão que não conseguem digerir ou entender como solucionar. Vêem programas de TV inadequados e que são incapazes de compreender. E com isso ficam estressadas, ansiosas, tristes, doentes.

Solução: Essa é fácil. Tá triste? Liga pra amiga, pra mãe, vai pro parque andar na grama. Mas tome cuidado para não usar seu filho como apoio. Durante a infância, é ele quem precisa de você. Aliás, uma maneira de se alegrar é sair com ele pra brincar e esquecer seus problemas ao se envolver na alegria que naturalmente as crianças têm.

Problema 2 – “As crianças são exigidas demais intelectualmente”: Não tem nenhum pedagogo, psicólogo ou qualquer ser humano de bom senso hoje que não concorde que as crianças estão aprendendo a viver como adultas cedo demais, indo pra escola cedo demais, aprendendo inglês, mandarim e alemão cedo demais. Enquanto ainda deveriam estar envolvidas apenas em amor, em um lar, em fantasia e brincadeiras, são obrigadas a sentar em uma sala de aula e aprender qual é a raiz quadrada de 9. Até o governo obriga a isso. Outro dia ouvi uma professora de escola pública morrendo de dó de uma pequena e atormentada alma que, com apenas 4 anos, já estava no primeiro ano do ensino fundamental. “Ela simplesmente não tem capacidade de ficar sentada por 4 horas pensando. É um massacre”, me disse a moça.

Solução: Adie ao máximo o desenvolvimento do intelecto. Seu filho vai se dar melhor no mercado de trabalho* se ele puder, até ao menos os 6, 7 anos, se entregar à fantasia, às brincadeiras, ao seu colo e ao ócio que é tão bom para a infância. Não precisa aprender a usar o computador com 5, ele vai ter a vida toda pra isso. Se você deixar a escola pros 7 anos, que sorte ele vai ter em ganhar um ano a mais para o desenvolvimento que só se dá quando brinca. E, se ele já estiver ativando seu intelecto com essa idade, a brincadeira perde a qualidade, a fantasia vai perdendo espaço. E isso não tem volta lá na frente. Crianças que brincaram muito serão  mais criativas e resolvidas na fase adulta.

(PS: Vi que muita gente não acha relevante esse negócio de já pensar, na infância, se o filho vai se dar bem no mercado de trabalho e fico muito contente com isso. Coloquei essa história justamente porque, infelizmente, essa é a lógica da educação hoje: preparar para o mercado, não para a vida, que acontece a todo instante.)

Problema 3: “As crianças estão superprotegidas fisicamente”: É remédio demais, é vacina demais, é blusa demais. Não pode subir em árvore porque cai, não pode tomar banho de chuva porque pega pneumonia, não pode sair sem blusa porque pega virose, não caminha nem até a padaria porque o pai prefere levar de carro. Na escola, tem que ter câmera online para que os pais saibam exatamente o que o filho fez e se a professora deu a comida na boquinha na hora certa. Nessa mesma reunião de professoras, ouvi muitas delas reclamando que, mal fazia um ventinho e já tinha mãe ligando pra que a tia da escola vestisse o casaquinho no pequeno. Ou seja, assim matamos a capacidade de a criança sentir por si só e aprender o que é frio e calor, o que é chuva na cabeça, e tiramos de seu organismo a capacidade de se adaptar. Não suportamos a possibilidade de que ele pegue uma gripe nem catapora.

Solução: Deixe seu filho tomar uma chuvinha de vez em quando. Dê a ele a possibilidade de sentir frio e, quando perceber o que é, volte pra casa e peça um casaco. Mas que ele faça isso por si só ou você vai ter que passar a vida falando: filho, levou blusa? Porque ele mesmo não vai saber quando ela é necessária. Leve seu filho pra andar todo os dias. “O ideal seria que as crianças caminhassem ao menos 1 hora diariamente. Essa seria uma solução para uma série de problemas afetivos que as crianças têm hoje. Elas não se cansam fisicamente, não tiram do seu corpo tudo o que ele pode dar e a energia fica toda na cabeça”, diz Luiza Lameirão.

É isso. Se dá pra fazer tudo isso sempre? Talvez sim, pode ser. Mas tentar já é um bom começo. Bom final de semana!

Por Fabi Corrêa

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56 pensamentos em “Três problemas (e soluções) para educar em 2014

  1. Bom, moramos em apartamento, mas não temos carro, o que auxilia muito na hora de fazer caminhadas.
    Além disso brincamos de contar histórias com brinquedos, às vezes fazemos longas histórias misturando nossas ideias (ele tem 4 anos) usando os brinquedos dele. Lemos muitos livros e também jogamos RPG, que se passa na imaginação.

    Francamente, a imaginação é o que me parece ser massacrado na escola convencional, além de ser causada uma alienação forte em relação à forma como naturalmente pensamos e somos pela nossa cultura em geral, o que também é ratificado na escola, e eu acredito que se os pais não tentarem preservar algo disso, ninguém mais fará. E nem é para a criança ser mais criativa ou se dar melhor no mercado de trabalho depois, é para que ela consiga ser minimamente mais sincera consigo mesma e viver de forma mais verdadeira no mundo.

    • É isso mesmo Leandro. Vamos assumir nossa responsabilidade com os filhos e isso já é um grande passo pra fazer um mundo bom. Obrigada por escrever!

    • ” para que ela consiga ser minimamente mais sincera consigo mesma e viver de forma mais verdadeira no mundo.” Adorei isso! Vou guardar na minha mente.

  2. Esse texto nos faz perceber que éramos felizes e não sabíamos.Muitos de nós (cinquentões, sess..set. oit.nov), de familias numerosas, sabemos o que é pisar na terra, brincar o barro, subir nas árvores da mata atlântica, sentir o cheiro da terra virgem, comer amoras, grãos de galo, juá, maria pretinha, andar de trem quando ainda não eram lotados, passar pelo rio para chegar até a escola e sentir a areia branquinha, os peixinhos pequenos beliscando os pés,vendo cascudos debaixo de pedras límpidas, comer coquinhos depois da chuva, buscar verduras na hortas caseiras, ir no final de feira e comprar o que sobrou em montinhos, pois era mais barato, dividir as misturas com os irmãos, que pena!Muito disso se perdeu e hoje vemos uma multidão de crianças sem infância passando horas em frente ao computador e no celular ou tablet…E nós tb se não tomarmos cuidado ficaremos todos analfabetos sociais e emocionalmente carentes.Muito obrigada por me fazer lembrar dos velhos tempos…

    • Pois é, Edna, mas ainda dá pra achar um espaço e proporcionar algumas dessas delícias para os nossos filhos. É um pouco mais difícil do que deixar na frente da TV, mas dá muito mais prazer, né?

      • Com certeza Fabi e Edna, tenho 25 anos e minha pequena tem 3, da trabalho encontrar esses espaços, mas quando encontro, procuro aproveitar ao máximo. Quando minha filha era bebe, teve uma doença que se ela batesse em algo corria o risco de ter hemorragia interna, e nem assim a superprotegi, e hj ainda ela cai, se machuca e 2 min depois ta aprontando de novo. As roupas dela, ela quem escolhe, se está com frio ou calor, ano passado na creche via crianças com gorro, cachecol, luvas e ela somente com blusa leve (era o que ela pedia), e enquanto essas mesmas crianças viviam doentes, ela mal pegando resfriado. Lógico que muito do que aprendi foi com minha mãe, sogra e as bisas dela, e agradeço muito por isso =)

      • Que bom, Iza. Temos muito que aprender com nossas avós. Boa sorte pra você e sua filha!

  3. Vixi se aqui servisse só 1h de caminhada eu tava feliz da vida… hahahahaha! Nem 1h de corrida para acabar com a energia do pequeno! Adorei o texto…

  4. Interessante demais, parece simples assim e é, mas também não é. acho que o texto não fala de uma coisa importante: por que as crianças já não brincam mais? acho que temos que partir deste questionamento. As crianças não brincam mais porque os pais não têm tempo para estar com seus filhos, a maioria deles ao menos. Hoje em dia, a maioria das casas ambos trabalham, mãe e pai pra renda ser suficiente para garantir o básico. e chegam em casa estressados e cansados e não querem isso pros seus filhos, querem que eles cresçam e desfrutam da vida melhor que eles, com um salário melhor, logo é preciso investir muito nos estudos, pesquisas apontam que os maiores gastos das famílias brasileiras são com educação, leia-se escola. Obviamente que tudo isso está dentro de uma lógica burguesa capitalista da nossa sociedade, que desde a revolução industrial vêm mudando a forma de relações familiares/educação familiar. tudo passou a terceirizar-se. contrata-se uma babá pra cuidar do meu filho, uma escola pra educar meu filho e a vida passa e na real, vc pouco cuidou e educou seu filho, e mto menos ainda brincou com ele. temos mesmo que sair da caixa, ao menos fazer o exercício diário de sair desta caixa, de tentar sair da caixa e fazer diferente, brincar é uma delícia e sempre que puder, se permita a brincar com seu filho, eles são uns verdadeiros clowns!

  5. Dicas preciosas! Adorei o texto!
    Concordo com quase tudo… exceto com a sugestão de deixar a escola para os sete anos.
    Vejo pelo meu filho, que completará 7 no final do mês. Já sabe ler, escrever, fazer contas, desenvolveu o senso da lógica, etc. Agora, no segundo ano, vai encarar o aprendizado da letra cursiva, noções de história e geografia e por aí vai. Como seria se eu tivesse optado por poupá-lo da escola até hoje?
    No ano passado (primeiro ano), um coleguinha teve dificuldades para se entrosar com a turma e acompanhar o conteúdo pedagógico, já que estava iniciando sua vida escolar aos seis.
    Talvez o cenário ideal fosse, de fato, aquele que nossa geração viveu: escola após os seis. Mas, hoje em dia, acredito que isso não seja mais factível.
    Grande abraço!

    • Oi Paula! Pois é, isso é possível em poucos lugares, como na escola Waldorf, mas essa decisão deveria ser dos pais, e não uma obrigação imposta pelo MEC pra mostrar pro mundo que o Brasil é alfabetizado…

  6. Mas, no Brasil, as crianças só entram na primeira série de uma escola pública aos 6 anos completados em março do mesmo ano. Uma menina de 4 anos só estaria lá se, já tão cedo, mentisse a idade… pra mais (!?)

    • Não, tem crianças entrando antes pois a primeira série é o equivalente ao jardim de antigamente…Conheço crianças de 5 anos entrando na primeira série, sim.

      • Isso não é possível. Quem te falou isso está mentindo. Isso existiu no passado e hoje é regra: as crianças só entram na primeira série de uma escola com 6 anos completos até março do mesmo ano. Caso contrário, não pode!

    • Também achei muito estranho isso. Uma falta de lógica e de responsabilidade da parte da escola, da família, do governo… da sociedade! Pelo que sei, o 1o ano atualmente é o que antes era o infantil de 6 anos. Mas, continua existindo a escola infantil ou pre-escolar (ou como quer que se chame), para as crianças menores de 6 anos: 3, 4, 5, por exemplo, onde elas não passam ou não deveriam passar tanto tempo sentadinhas, mas sim brincando, pintando, cantando, etc…

  7. Texto excelente! Nos faz pensar, refletir, pensar novamente… E ver o quanto erramos quando queremos acertar!

  8. Tudo que foi aqui falado é lindo e maravilhoso,só que para.o século passado.Vivemos hoje num outro mundo e as crianças são totalmente diferentes.Discordo totalmente de adiar o desenvolvimento intelectual de uma criança.Ela pode e deve brincar muito e se desenvolver intelectualmente ao mesmo tempo.Quanto a super proteção acho que as crianças estão totalmente desprotegidas.Estão expostas a todo momento num trânsito caótico como é o nosso, brincando perigosamente sem o olhar adulto,vivendo o perigo da pedofilia,esportes radicais..Super proteção não é apenas uma casaquinho na hora do frio,isso é o de menos.

  9. Olá Fabi… o texto está excelente… aproveito para esclarecer uns pontos:
    É estranho, mas não é impossível que uma criança esteja no fundamental antes da hora. Pode-se conseguir isso com um mandato judicial… não me parece uma coisa muito inteligente a se fazer com alguém que se ama, os estudos sugerem que o ideal é brincar mesmo até os 6 anos, mas tem gente que pensa que bom é criança sentadinha na cadeira.

    O primeiro ano é o antigo pré-primário, não é o jardim, que continua sendo o jardim. O que mudou é que há muito mais pressão no jardim para iniciar a alfabetização mais cedo, pura e simplesmente porque mudou o nome de pré para primeiro ano (“…e como pode criança no primeiro ano que ainda não começou o letramento?” ) – O que é outra tolice que mais prejudica do que ajuda e tem sido aplicada inclusive por escolas renomadas.
    Note que o pré antigamente se fazia na pré-escola, e não no ensino fundamental… bem, o estado determinou que pré-escola era obrigatório e com isso o mesmo foi engolido pelos colégios de ensino fundamental… o resultado é terrível, pois aplica-se o modelo de ensino da antiga primeira série na nova primeira série… no mínimo uma maldade inofensiva, provavelmente algo mais grave a ser percebido no futuro.

    Abraço,
    Carlos

    • Oi Carlos, eu entendo seu ponto e foi importante esclarecer sobre o primário etc. Mas a pressão é inegável. Tanto dos pais quanto das escolas. E é muuuito difícil conseguir esse mandato. Muitas escolas Waldorf lutam para isso e eu posso dizer que o governo tem sido intransigente. Abraço e volte sempre.

  10. Desculpe, sua intenção é boa, mas seu texto é um tanto incorreto e inconsequente, além de atacar os problemas errados.

    Sobre o primeiro ponto não vou falar nada, nunca tinha ouvido falar nisso de mães recorrerem a filhos como confidentes, aliás, nunca vi.

    Sobre o segundo, me parece incorreto, de onde tirou que as crianças vão melhor no trabalho se puderem fantasiar até os 7 anos? Sou psicólogo, pesquisador e nunca vi pesquisa que tenha sequer levantado essa hipótese, quanto mais a comprovado. O problema é justamente pensar no mercado de trabalho como sendo o grande objetivo da vida de uma criança. Enquanto estiver nessa lógica, não adianta mudar a atitude, porque vai errar sempre. A criança deve ser criança porque sim, porque ela é mais feliz assim e viemos ao mundo pra viver e não pra sermos força de trabalho.

    Quanto ao terceiro, foi um pouco irresponsável. É claro que há um abuso no uso de medicamentos e isso é ruim, mas a existência de cuidados, vacinas e remédios é o que diminuiu absurdamente o número de mortes na infância. Compare os índices de mortalidade infantil dessa época que você parece idolatrar com os de hoje, ou simplesmente vá a uma região onde não se tem dinheiro pra comprar remédios e cuidados. Garanto que vai mudar de ideia. Quanto a não sugerir um casaco pro filho… Cuidado, você já está ficando paranóica, isso é mais velho que minha bisavó e me salvou de passar muito frio quando eu era criança e irresponsável.

    Crianças precisam de espaço, amigos, atenção, apoio e limites. Com o resto elas se viram, são muito menos frágeis do que imaginamos.

    • John, agradeço seu comentário. Pois é, eu já vi muitas mães confidenciarem com os filhos…
      Sobre a lógica do trabalho, concordo. Não é a minha e não é para o mercado de trabalho que eu acho que as crianças têm que ser educadas. Mas essa é a lógica da educação hoje. Sobre vacinas e remédios, eles de fato têm importância. Mas há um exagero nisso e com o excesso de imunização vem também o crescimento de doenças auto imunes pois o organismo de crianças exageradamente imunizadas não “aprende” a se defender corretamente. Existem estudo sobre isso, mas ninguém quer divulgar. Enfim, essa é a minha história, a minha experiência e faz parte do que eu estudo, que é a Antroposofia. Abraço!

  11. Quando nossas filhas nasceram, decidimos que eu iria ser mãe. Nâo é um papel fácil, me cobro muito pois poderíamos ter outras vantagens e também me pergunto se sou mesmo boa mãe. Enfim…as respostas virão com o tempo. Sinto que fomos a última geração do brincar na pracinha sem medo. Minhas filhas fazem jazz, sapateado e volei. Para 9 e 10 ás vezes acho que é muita atividade, mas vamos a pé todos os dias. De mãos dadas, conversamos o tempo todo, falamos sobre tudo e mais um pouco. É o nosso momento. Em casa, não daria tanta atenção, estaria ocupada com outros afazeres e elas brincando sim, mas não passeando e desfrutando das nossas indas e vindas.
    Passa muito rápido. Temos pouco tempo para desfrutarmos desta infância, e se não temos espaço suficiente para correrem, se sujarem de terra como fizemos, que tenham sim o vento e o sol no rosto, mãos dadas e infinitas perguntas….Ensinando mas principalmente aprendendo muito.

    • Luá,muita força e serenidade na sua jornada. Tenho certeza que ela ajuda a criar uma sociedade melhor.

  12. acho q a super proteção fisica vai além do cuidado pra não ficar doente. muitas crianças nem sequer aprendem a cortar sua propria comida pq faca é perigoso ou usar copo de vidro. chegar perto da cozinha nem se fala. há adolescentes que não sabem descascar uma laranja.
    estão “preparados para o mercado” mas não estão preparados pra viver sozinhos, sem os pais.

  13. Achei ótimas as dicas, mas fiquei reticente com a idade da escola. Inegavelmente, há um abismo entre ideal e possível. Se os pais trabalham, ele deve ficar em casa com a babá? Não é melhorbque interaja com outras crianças? Ademais, todos os seus colegas serão mais novos e isso, por si só, a partir da 4 série já é motivo de bullyng. Sem falar que o mundo atual impõe uma marcha irrefreável. Na corrida contra o tempo, ele já largará atrás.

    Eu comecei na escola aos 2 anos e agradeço a meus pais por isto.

    Abraços,
    Silas Lopes.

    • Oi Silas, Claro que o ideal seria ficar em casa até os 3 anos e, depois disso, ir para a escolinha, Infelizmente nem todo mundo pode. Talvez uma casa de avó ou uma babá carinhosa ajudem muito. E, claro, uma escolinha responsável, que se preocupe com o bem-estar da criança de fato e não em atender a ansiedade dos pais. Na escolinha do meu filho, até os 6 anos, havia crianças de 6 e de 4 na mesma classe. E não tinha nenhum bullying, pelo contrário, os mais velhos aprendiam a respeitar e cuidar dos pequenos. Os menores aprendiam a admirar os grandinhos. O mundo atual impõe muitas coisas, mas não acho que são irrefreáveis. Prefiro que meu filho tenha uma infância plena do que me preocupar se ele será um profissional de sucesso. Para isso ele terá muito tempo para se preparar…Abraço, Fabiana

  14. Adorei o texto! Sou mãe de um menino de 6 e uma menina de 04. Por pressão da sociedade já estão na escola. Deixei meu trabalho fora para me dedicar a eles. Hoje coloca-se trabalho (dinheiro) acima de tudo e não a qualidade de vida. Tento não ser tão protetora, procuro sempre levá los em passeios a parques e praças, deixo eles andarem descalços e até tomam chuva de vez em quando. Mas percebo que sou minoria, a maior parte das mães ficam horrorizadas com minhas atitudes. Tenho tanta vontade de voltar no tempo só pra mostrar a eles como era bom viver naquela época onde mal tínhamos tv.
    Abraços

  15. Obrigado pela resposta, Fabiana. Ainda me preparo pra casar, mas já penso muito nos filhos que terei, certamente, em pouco tempo. Creio que ser pai será a coisa mais importante que farei na vida.

    Acho que me preocupo muito mais com a vida deles dos 5 aos 20 do que com qualquer outro momento da vida. Acho que é entre o ginásio e o colegial que muita coisa se define e é onde há o bullyng a que me referi. Creio que até os 5, a felicidade dos filhos está 90% ma conta dos pais, daí pra frente, colhe-se o fruto do planejamento e afloram as individualidades. Também não me preocupo muito em formar filho pro mercado. Espero, até a vida adulta dele, ter dinheiro suficiente pra que a relação dele com o trabalho seja de autorrealização e não de pura subsistência, mas pretendo dar a ele o maior conforto possível pra enfrentar a puberdade.

    Abraços,
    Silas Lopes.

  16. sou a prova viva de que imaginação e criatividade não eh tudo na vida. tive uma infância em que desenvolvi 100% de minha imaginacao. pq sou filho único e precisei sempre brincar sozinho. fazer campeonatos de futebol de botão, sozinho. campeonato de carrinho, sozinho. isso dentro de casa. na rua sempre brinquei de pique esconde, casa da arvore, já andei bastante no mato. moro em brasilia, mas na época não havia muitas casas por perto e havia uma vegetação vasta para brincar. acredito ser capaz de escrever textos sobre qualquer assunto. ja fui compositor e poeta. sei q tenho uma mega criatividade. hj tenho 33 anos, sou servidor publico com um salario mediano. sou formado em administração – um curso bem mediano tb. no 2o grau eu já sabia que muita gente era capaz de aprender mais rápido que eu. minha teste eh q a sociedade valoriza o conhecimento dialético. meu conhecimento é antidialético. (leia augusto cury e vai entender oq são esses conhecimentos). pra resumir (pq preciso trabalhar) minha capacidade de abstração eh infinitamente maior. mas oq isso adianta se não tenho a mesma capacidade de memorização? sei q decoreba não eh tudo. mas querendo ou não, se vc tiver memoria sua vida fica bem mais fácil. abstrair (antidialetico) musica e arte. concentrar focar (português e matemática). oq vc prefere? um artista ou matemático? se a criatividade fosse valorizada mesmo pela sociedade a maioria dos artistas seriam ricos. mas so a exceção deles q eh. e sempre foi assim na historia da humanidade.

    concordo que realmente a criança precisa desenvolver a criatividade. mas ela vai fazer isso em qualquer lugar, seja em casa ou seja em sala de aula. afinal existe o horário de recreio, a hora da entra e saída para a criança socializar e brincar. além do mais, a didática das escolas de hj sabem instigar a imaginação da criança com um aprendizado lúdico.

  17. Olá, tenho uma menina de 2 anos. Achei interessante o post, mas na prática é muito diferente. O amor que sentimos por nossos filhos vai além disso tudo. Queremos protege-los de tudo e de todos. Mas as dicas são validas como aprendizado. Parabéns!

  18. Pingback: Três problemas (e soluções) para educar em 2014 | Mundo Sustentável

  19. O problema de adiar os estudos é que agora até uma lei do governo obriga as crianças a iniciar cedo pois com 5 anos já estão sendo alfabetizadas, eu gosto da ideia de adiar mas infelizmente agora temos que acompanhar a lei pra não perdermos as vagas nas escolas publicas.

    • Então Tatiana era isso que ia comentar, como fazemos eu por mim colocaria somente com 7 anos no primeiro ano e pronto, já estou quebrando minha cabeça aqui, pensando onde colocar minha filha que fim deste ano completa 4 anos, escola paga, escola pública municipal do lado de casa … é bem complicado né eu sou assim sofro por antecipação mesmo não adianta … Beijos

  20. Super interessante! Bacana é que minhas filhas cuidam dos filhos por essa teoria.
    Obrigada pela colaboração.

  21. Oi Fabi, achei lindo o texto, como mãe já li bastante em relação à educação dos meus filhos e nunca me senti preparada para tal tarefa. Tem quanta coisa que erramos querendo acertar, e aí vem esse texto q nos faz refletir mais uma vez, como é dificil e ao mesmo tempo linda esta árdua tarefa de ser “pais” .

  22. Adorei o texto. Como professora, vejo de forma negativa a mudança que ocorreu no ensino fundamental, pois não é alterando a idade que se melhora a qualidade da educação. Criança que brinca mais, que utiliza material lúdico, que utiliza mais a imaginação, posteriormente têm melhores resultados.

  23. Oi, Fabi! Não sei se lembra de mim, tantos anos depois encontro esse seu blog *maravilhoso*, estou amando ler seus textos! Beijos
    =)

  24. Sou professor de Educação Física e venho falando isso por algum tempo e por vezes mal interpretado. Exaurimos a inteligência das crianças muito cedo, as crianças não podem mais brincar, porque o brincar é “perda de tempo”.
    Minha filha tem 2 anos e a pergunta que mais ouço é se ela vai pra escola! Não vai não. Enquanto puder adiar esse momento, adiarei e incentivarei os momentos de fantasia, diversão e muuuuiiiittttasss brincadeiras.
    Me senti muito feliz com esse texto, foi uma forma de teorizar o que penso.

  25. Sou mãe de 4 crianças lindas, e cada uma do seu jeitinho…suas dificuldades e facilidades….o que mais me entristece é a falta de tranquilidade deles, eles não conseguem ” fazer nada”…. sentar na calçada, jogar um jogo por mais de 2 vezes…ficar em silêncio, ficar parados….essa inquietação eu só consigo melhorar com ´música…mas tb pór pouco tempo.

  26. Descordo em muitos pontos… estimular seu filho estudar desde cedo estimula a formação de sinapses e isso vai tornar seu filho uma pessoa mais perspicaz. Falo por que tenho uma filha 3 e a estimulo com coordenação motora em linha retas e curvas e contagem até 20, e cores primárias em inglês. Penso que isso não seja um massacre. Pois das 24 hrs que ela tem, separo 30 minutos para focar em estudar. O restante do tempo, conto histórias, brinco de esconde-esconde, ela brinca de mangueira, come guloseimas e frutas também. Ela é uma criança feliz!

  27. O problema 2 involve tantos fatores. Estamos na era da tecnologia e querendo ou não eles (geração Y) já nasceram dentro de uma nuvem digital, o que gera conhecimentos intrínsecos como línguas e educação tecnológica. Os mesmos pedagogos que defendem esta ideia de que a criança deve viver a infância, ser uma criança, etc, também reconhecem que as fases do desenvolvimento infantil (Piaget) definem claramente (estas fases foram observadas por mim durante o crescimento das meninas), que entre os 2 e 7 anos de idade as crianças dominam a linguagem e a comuncablidade, assim como já têm um controle motor apurado. Sendo assim, uma aula de 1 hora por semana de inglês, outra de uma instrumento musical e uma com atividade física (todas lúdicas) desenvolverão aquela capacidade e muitas hablidades que só esta fase permite. Quanto a aprender raiz quadrada…bem, somente no Ensino Fundamental I, não está no curriculo escolar da Educação Infantil. Concordo que no Brasil os Parâmentos Curriculares deveriam ser revistos, ou melhor, atualizados de acordo com a nova realidade, quer dizer, mais prática (laboratórios, passeios culturais, etc) do que esta teoria massacrante ultrapassada que eles enfrentam todos os dias, mas isso é uma outra história.

    • Oi Elisabet, que bom que podemos ser úteis de alguma maneira. E obrigada por compartilhar! Abraço, Fabiana

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