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04-06-11-kids-mess

“Por favor, desculpe a bagunça. As crianças estão criando memórias”, diz a placa, que eu entendi perfeitamente depois que meu filho nasceu.

Eu tive filho bem antes que a maioria das minhas amigas. Aos 29 anos fui mãe, meio de surpresa, e em um momento que tinha deixado um emprego em que ganhava bem pra investir em uma nova carreira. A maior parte das minhas amigas começou lá pelos 34 e tem outras, já mais perto dos 40, que ainda estão pensando no assunto. Algumas porque não encontraram o homem certo pra ter filho, outras porque estão com dúvidas terríveis sobre colocar uma criança no mundo, outras porque querem dedicar mais tempo à carreira, viajar mais ou curtir mais a vida de adultas descompromissadas. Enfim, motivos não faltam e cada um tem que escolher a hora certa, mas já ouvi algumas mulheres, lá pelos 38 anos, perguntando se já é hora ou se esperam mais um pouco. Acho que nessa idade já não tem muito tempo pra pensar muito mas, de novo, a decisão é só delas. Mesmo assim, quero dar minha contribuição para quem quer ter filhos, mas tem certos medos: medo de não ter dinheiro, medo de não sair de casa nunca mais, medo de não dormir por três anos seguidos. São só as minhas experiências, mas já é alguma coisa.

Você precisa trocar seu carro por um carrão – Na verdade, dá  pra ficar sem nenhum. Quando meu filho nasceu, há quase 10 anos, meu marido tinha um carro grande, com porta-malas enorme. E de fato nos ajudou a levar aquele monte de tralhas na hora de viajar. Depois nos separamos e fiquei com um carro médio. Mas quando meu filho fez três anos eu decidi mudar para perto do meu trabalho e tinha uma escolinha ótima na rua (por acaso, era uma escola Waldorf!). O apartamento era mais caro por conta da localizacão, mas eu pude abrir mão do carro, o que foi ótimo pra saúde, pra fazer as pazes com a cidade, pra viver melhor e pra economizar. Logo, caminhávamos de manhã até a escolinha e depois eu ia para o trabalho a pé. Em 20 minutos estava no escritório. Passamos a andar muito e acho que isso fez uma baita diferença na disposição física do meu filho até hoje. Aos 4 ou 5 anos andávamos 3 quilômetros para ir a um parque, por exemplo, e ele nunca reclamou. Depois adotamos a bicicleta e foi outro ganho incrível. Essa lenda urbana de que toda mãe precisa de um carrão, me desculpem a sinceridade, acho que é mais uma desculpa para o consumismo. Nada contra, mas precisar, precisar, não precisa.

Você  vai passar a sua vida inteira sem viajar – Nunca viajei tanto desde que meu filho nasceu. Claro, a primeira vez foi um mico. Ele tinha 3 meses e fomos pra praia com aquele carrinho jurássico e que se arrastava pela areia. O horror. Depois tentamos aos 6 meses: demorávamos uma hora e meia pra sair de casa e, quando chegávamos na praia, tínhamos 20 minutos por conta do sol forte. E, um dia, enquanto conversávamos, ele – que já ficava sentado, caiu pra frente e ficou com cara enfiada na areia, sem poder chorar ou gritar. E só vimos um tempão depois. Aí desencanei de praia. Ia pra um chalezinho na montanha com mais infraestrutura e voltei à praia quando ele já tinha um ano e meio, dessa vez só nós dois. Foi tudo de bom. Em uma de nossas melhores viagens (eu e meu filho), pra Chapada dos Guimarães, o Antonio tinha só seis anos e já fez uma caminhada de 12 quilômetros no primeiro dia. Estava tão encantado que em nenhum momento quis desistir, nem pediu colo. O dia seguinte foi na rede e na piscina, verdade, mas é apenas um novo ritmo e, vou te dizer, não tem nada como ver o mesmo mundo pelos olhos de uma criança.

Você  precisa de uma babá a noite toda – O primeiro mês de vida é dureza. Pais e bebês estão de adaptando. Mas depois disso as coisas começam a melhorar. Meu filho dormiu uma noite toda aos 2 meses de vida, mas lembrando que uma noite toda significa deitar às 19h, acordar as 22h pra mamar e depois acordar, definitivamente, umas 6h da matina. Então, assim que ele dormir, corre pra cama. É tudo o que posso dizer. Os problemas de crianças que não conseguem dormir, geralmente, estão no ritmo que se adota dentro de casa ou na ansiedade dos pais. Lá embaixo, link para um post sobre o assunto e para  entrevista com o Dr. Derblai Sebben, um pediatra antroposófico, que pode ajudar bastante a estabelecer esse ritmo.

Você precisa abrir mão de todos os luxos – Pois é, como eu já disse aqui, criar filhos nos faz repensar muita coisa, inclusive pra quê e por quê ganhamos dinheiro. Os gastos aumentam, sim, mas você vai passar a ter novos luxos, gratuitos, e vai gostar muito deles. Passear no parque ganha outra dimensão, levar seu pequeno na pracinha, deitar na grama do playground, fazer um pic nic com os amiguinhos. Vai cozinhar mais em casa, possivelmente. Vai andar de bicicleta no bairro e assistir o campeonato de futebol da escola. Pode parecer sem graça, falando assim, mas quando for o seu filho fazendo gol você vai me entender.

Sua vida vai mudar pra pior –  Sim, em partes, algumas coisas vão ficar piores, como não poder mais dormir até meio dia no sábado (pelo menos por uns 6 ou 7 anos), pagar mais caro a passagem porque você tem que  viajar em janeiro ou julho – época em que as crianças estão de férias, passar o dia catando brinquedo no chão, arrumar bagunça da hora que acorda até a hora em que vai dormir. Mas, gente, o que é isso quando alguém te dá um desenho dizendo que você é a mãe mais linda do mundo, ou o pai mais forte, né? Ah, eu nunca tive dúvidas que seria a melhor mudança da minha vida.

Por Fabi Corrêa

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21 pensamentos em “Cinco mitos sobre ter filhos (pra quem está em dúvida)

  1. Adorei o post! Estou gravida de 6 meses, e foi no susto. Pra mim desvendar tantos mitos em torno ajuda muito! rsr

  2. Fabi, a sua tentativa foi muito válida de explicar o que é ter filhos, mas sinceramente só sabemos da grandeza quando os temos não é mesmo? Parabéns.

  3. Concordo com a Nilva, todas as dificuldades e delícias de ter filhos só saberemos na prática! Agora como mãe de um filho de cinco anos, gostaria de saber, a partir da sua experiência, como é ter o segundo, pois ando com muitas dúvidas…

    • Andreia, eu só tenho um!!! A Cris pode dizer sobre o segundo. Eu adoraria, mas ainda não tenho. E, pra ser bem sincera, acho que a energia que se tem para cuidar de um bebê e dormir pouco aos 33 é uma. Aos 39, como é meu caso, já muda bastante. Eu tenho a impressão que se sofre um pouco mais, mas o fato é que a gente nem lembra disso, pois não tem coisa mais fofa do que aquele bebezinho no colo…Boa sorte. Vou pedir pra Cris responder pra vc em breve!

  4. Maravilhoso post! Estou escrevendo um post falando exatamente sobre isso! hahaha Depois de uma conversa com duas mulheres que morrem de medo de colocar um filho no mundo, tive essa mesma idéia! Vários pontos de identificação! rs Parabéns! bjs Camila Vaz

  5. Meninas, parabéns pelo site, me identifico muito com as questões levantadas aqui.
    Eu tenho dois meninos (amoooores da minha vida), um de 6 e um de 3; fiquei grávida aos 27 do primeiro, e aos 29 do segundo.
    A gravidez do primeiro foi bem conturbada, tive muitas dores e medos, foi uma gestação de alto risco. Mesmo assim, mesmo sabendo que poderia ter as mesmas dores (que me perseguiram toda a gesta), planejamos e desejamos muito o segundo: e foi maravilhoso! Foi completamente diferente, o Arthur também amou muito seu mano desde o primeiro momento. Como eles se gostam, se completam (e brigam, como bons irmãos =)

    Hoje eu olho pras fotos de quando éramos apenas um casal, meu marido e eu, e me pergunto: que graça tinha???

  6. Fabi,

    Primeiro parabéns!! Gosto muito da sua escrita!!! Segundo é q estou querendo mais informações sobre o uso da tv! Vi q vc escreveu sobre esse tema mas to querendo me aprofundar… Será q vc tem mais informações ou alguma dica mais!!!
    Bjos

  7. Parabéns, adorei o post! Fui mãe aos 22 anos, no susto e digo que não poderia ter sido melhor. É incrível como o encantamento deles faz o mundo te proporcionar novas sensações, óbvio que tivemos muita insegurança, medo,… mas é mágico. Quanto a TV, é realmente incrível a diferença do desenvolvimento quando não há acesso a ela, ex: ontem a noite estava chovendo muito forte e o Mateus não pode assistir seu desenho favorito, resultado: foi para seu quarto e criou uma caverna em baixo da escrivaninha! Beijo

  8. Olá Fabi, adoro os textos do blog. Concordo plenamente em tudo e assino embaixo. Repensamos o que realmente nos faz feliz e damos valor as coisas simples da vida depois de ter um filho. Aliás sou uma pessoa muuiiito melhor depois dele.
    Parabéns. Um beijo carinhoso.
    E que Deus a abençoe sempre.
    Tami

  9. Fabi, adoro o blog de vocês, já li quase tudo! Fico querendo comentar, mas tenho um menino engatinhante que não me da muita trégua, rs…
    Mas essa postagem eu não resisti, pelo tópico das viagens! Eu sempre gostei muito de viajar e com o Joaquim ficou melhor ainda! Tanto que estou começando um blog sobre o tema: Grandes Expedições para Pequenos Viajantes (grandesexpedicoes.blogspot.com.br). Ainda ta no começo, mas já tem alguns relatos 😉
    Beijo e parabéns pelos ótimos textos!

    • Oi Carol, puxa, que legal. Quem sabe você não possa nos dar umas dicas mais pra frente? Boas viagens com o Joaquim. Beijo

  10. Bom dia, eu tenho 26 anos e 5 de casada, todos falam que deveria ter filhos logo, pois estou nova e vou ter mais disposição para cuidar. eu tenho muito medo de ter filhos, me sinto insegura e sem preparo algum , quero fazer outra faculdade e ter uma vida financeira totalmente estabilizada.O fato de não querer ter filhos faz
    de mim uma pessoa egoísta??

    • Claro que não, Patrícia. Eu não penso isso. Você é muito nova. Claro que é bom ter filhos mais nova, mas também é bom ter filhos no momento que escolhemos. Se esse não é o seu momento, não se force só pela opinião dos outros. Os outros vão dar opinião SEMPRE. Então se resolver que “eles” é que vão decidir a sua vida, vai ter uma vida muito cansativa e insatisfatória. Posso te garantir. As pessoas dão muito palpite. É muito importante ouvir a opinião das pessoas, mas nunca deixar que isso seja mais forte do que o que está sentindo dentro de você – a sua verdade. Faz outra faculdade logo! Beijo e boa sorte!

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