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Antesquelescrescam_instinto

Semana passada, uma leitora escreveu reclamando que agora não podia nem mais beijar o filho ou dar biscoito recheado, em resposta ao meu último post, em que eu citava o Julio Aquino criticando a avalanche de beijinhos de pais pra filhos compensando a incapacidade de educar. Ela perguntava onde entra a intuição no meio de tantos “educadores” de plantão. Acho que ela está  certa. Hoje em dia, todo mundo que tem um filho – e mesmo quem não tem – se acha um especialista em educação. Há milhares de livros, blogs, programas, colunas etc etc etc, ensinando você a educar seu filho. Afinal, estamos na era da informação e todo mundo tem muita. Pessoalmente, acho bom compartilhar. E aí cada um escolhe o que vai usar. Mas, voltando à mãe, ela dizia que agora não se pode nem dar um biscoitinho ou por o filho pra dormir mais tarde. E  não estava feliz com isso. Quer saber? Nem eu, apesar de contribuir para essa lista e de não dar biscoito recheado (mas brigadeiro eu dou). Ela perguntava: não podemos simplesmente usar nosso instinto? Podemos. Aliás, DEVEMOS. Nosso instinto e amor deveriam guiar, acima de tudo, a educação de nossos filhos. Seria o ideal. Só acho que tem um detalhe. Assim como a infância, que os pais de tempo atrás simplesmente deixavam rolar sem se preocupar demais, a maternidade e a paternidade também mudaram nas últimas décadas. As mães simplesmente sabiam como agir. Faziam como suas mães fizeram (até porque as mães estavam por perto para ensinar) e criavam os filhos dando amor, comida, escola, biscoito maisena, uma casa arrumada e umas palmadas de vez em quando. E tudo bem.

Mas esse instinto, essa certeza, esse conhecimento de mãe pra filha perdeu espaço em nosso tempo. Precisamos de pesquisas, livros, textos, blogs, simpósios para saber o que fazer com nossas crias. E, quando a coisa não sai exatamente como esperamos, se temos que fazer cesárea em vez do sonhado parto natural, ou se não deu pra amamentar até um ano, muitas mães se culpam, achando que prejudicaram os filhos para sempre. Educar, hoje em dia, cansa e traz angústia. Quando penso nisso, lembro das minhas bisavós, que tiveram 8 ou 10 filhos, das minhas avós, que tiveram seis e das mães da minha família, que nunca tinham menos que 2. E eu, que só tenho um (ou justamente por isso), fico estressada. A diferença é que, certas ou erradas, elas faziam o que era natural. E hoje o natural está se perdendo. No bairro em que eu moro, há vários “espaços do brincar”, espécie de oficinas pagas para ensinar crianças e pais a…brincar! Pois é, hoje até isso temos que aprender: a jogar uma bolinha de gude ou empinar pipa.

Quando meu filho nasceu, esse mecanismo de informação para pais não estava tão desenvolvido quanto hoje. De fato as coisas cresceram muito nos últimos 10 anos. Então eu levei em uma pediatra qualquer, que queria encher meu filho de vitaminas, vacinas e suplementos alimentares, já que eu levantei a hipótese de não dar carne no primeiro ano de vida. Fui obedecendo a algumas das ordens, mas não estava satisfeita. Minha intuição me dizia que não era o melhor. E foi aí que procurei um pediatra antroposófico, que me explicou direitinho porque – segundo essa medicina – não se deveria vacinar e que a proteína animal na alimentação pode esperar até a criança completar três anos. Loucura? Foi o que muitos amigos me disseram, mas eu me sentia tão segura fazendo tudo aquilo que não arredei pé e levei assim. Aliás, levo até hoje. Não dei vacinas pro meu filho (a não ser 3 doses contra pólio e a de hepatite, na maternidade) e tenho um menino que optou por ser vegetariano até hoje. Não segui o senso comum, segui apenas o que eu achava melhor e não me arrependi. Mas, para fazer o que me instinto mandava, aguentei os amigos criticando, a família criticando, os estranhos criticando. Aguentei o médico do pronto-socorro me dizendo que aquela infecção não iria parar se eu não desse antibiótico. E provei que ele estava errado porque confiei na minha intuição.

Tem um exercício da antroposofia que eu gosto muito e que em alguns momentos me ajudou a entrar nessa vibe da criança e pode ser usado para pais, educadores e professores. Ao se deitar, você mentaliza a criança. Sem julgamentos. Apenas pensa nela com tudo o que ela faz e é. Com as birras, os sorrisos, as brincadeiras etc. Você faz isso por alguns minutos para se colocar em conexão com aquele serzinho. E, pelo menos para mim, me ajudou a aceitar e me ligar ao meu filho nas horas em que precisava acolher e escolher um caminho a seguir.

Estamos fazendo a opção de uma educação racional e não de uma educação intuitiva em nosso tempo. Se estivermos conectados com essa intuição, o que pode ser mais poderoso do que ela para educar o próprio filho? Nada. Então, se tem algo em que eu realmente acredito acima de tudo o que já escrevi em todos os meus posts é que, se você está conectada com o que é natural em você, vai saber exatamente o que seu filho precisa. Naturalmente. Boa conexão!

Por Fabi Corrêa

Imagem do artista Pino Daeni

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19 pensamentos em “Intuição de mãe tem poder

  1. Bom Fabi eu tenho quatro filhos e a ultima tive aos 43 anos de idade, e confesso que mesmo hoje as vezes tenho duvidas do que fazer e como fazer, primeiro que um filho nunca é igual ao outro mas eu acredito que vale a pena ouvir e aprender com a experiencia dos outros e o primeiro outro eu tenho como exemplo minha mãe, minha avó, e se deu certo com elas porque não pode dar certo comigo!!!! Fique com Deus..

    • Claro, vale muito a pena ouvir quem já passou por isso. Mãe, avó, amigas. E vale ouvir, também, a voz do nosso coração. E você, que tem 4 filhos, já deve ter acumulado muita experiência no assunto. Um beijo, Genane!

  2. Lindo e verdadeiro! Como estamos distantes do “ser natural”. Muitas opiniões, estudos, teorias. Eu como mãe de primeira viagem por vezes enlouqueço. A maternidade vira um fardo. Aí paro e respiro. Olho para minha mãe que criou duas meninas e deu tudo certo. Confiemos na nossa intuição! Boa semana para ti.

    • Obrigada, Betânia. No final, da tudo certo e também da tudo errado (pois nunca vai sair como planejamos) e isso é o mais legal de tudo: os caminhos que nossos filhos têm a liberdade de seguir não dependem só da educação que demos. Eles também vêm ao mundo com uma missão. Beijo e boa semana!

  3. Adorei! Eu aprendi a desencanar de muitas coisas, mas nunca esqueço de falar olhando nos olhos e prestar atenção máxima ao que eles dizem. bjs

  4. Gostei muito do seu post! A coisa mais difícil na maternidade é não pirar com tantas opiniões alheias, que são muitas!
    Li que seu filho é vegetariano e queria saber se você teve que dar
    algum suplemento a ele, de ferro ou vitamina b12. Eu e meu marido somos ovo-lacto-vegetarianos e não queria dar carne para minha filha que começou a se alimentar mês passado (ela tem 7 meses). A pediatra disse que eu teria que dar pelo menos gema de ovo, bem se vê que ela não é muito entendida no assunto.
    Estou em dúvida e queria saber da experiência de alguém para me encorajar, neste caso minha intuição diz para eu não dar carne à ela mas os outros… Obrigada pela ajuda!

    • Oi Bruna, obrigada! Pois é, opinião não falta. Sobre a alimentação, segundo a antroposofia as crianças não devem ter acesso à proteína animal antes dos 3 anos, pelo menos, com exceção dos laticínios. A gema de ovo, se não me engano, começa lá pelos 2 anos, mas sempre em receitas, nunca direto. Por exemplo: uma torta ou algo assim pode dar, mas não um omelete (ponho um link abaixo sobre o assunto e você se informa melhor). A explicação é que, se não tiver proteína animal logo no começo, o organismo do bebê vai desenvolver a capacidade de sintetizar a proteína vegetal da mesma maneira que faria com a animal. Pra quem já deu carne não adianta mais, portanto. Meu filho tem hoje 9 anos e nunca precisou de suplementos, mas a primeira médica queria que eu desse ferro e aquela vitamina A e D que eu abomino e com motivos. Conheço algumas outras crianças que foram cuidadas da mesma maneira e tudo bem até hoje. Aqui vai um link para as primeiras papinhas (http://clubedemaes.blogspot.com.br/search/label/comidas), seguindo essa medicina. Mas vale dizer que a alimentação antroposófica é assim: quando a criança começa a comer sólidos, todos os dias tem que ter um cereal integral (tem um pra cada dia da semana, de acordo com o astro que rege: centeio, aveia, milho, arroz integral, painço etc. veja um link aqui com a tabela: http://antroposoficaalimentos.blogspot.com.br/2010/05/dica-do-dia-saiba-quais-cereais-agem-em.html). Além disso, tem que ter uma raiz, um fruto ou flor (xuxu, brócolis, abóbora etc), um caule ou folha (alho porró, couve etc). Cada uma dessas partes será responsável pelo desenvolvimento das partes do corpo da criança. Não entram as leguminosas no começo pois essa também é uma proteína complicada para a criança. Eu segui isso direitinho até os 5 anos e ganhei um filho saudável e que come de tudo. E, como meu marido na época era vegetariano, o Antonio deve ter se inspirado e não come carne até hoje. E sempre está tudo bem. Teve uma época em que levei em um médico homeopata e ele receitou ácido clorídrico por um tempo pra dar um up pois o Antonio tava meio devagar, sem energia, mas isso quando ele já tinha uns 7 anos e entrou na escola. E depois disso nunca teve mais nada. O próprio médico dele, que nos acompanha desde o comecinho, há 30 anos cuida de muitas crianças que seguem esse ritmo e me diz que é muito raro alguma precisar de suplementos, desde que siga direitinho o lance dos cereais, frutos, raízes etc. Os livros da dra. Gudrum sobre alimentação podem te ajudar. Você encontra no site da editora Antroposófica. Bem, por enquanto é isso. Se precisar de mais dicas, escreva. Boa sorte e até logo!

  5. Texto bárbaro, obrigada! Tenho trigêmeos e uso muito a intuição no meu dia a dia com eles. Tenho a plena consciência de que quando erro foi querendo acertar e com o maior amor do mundo.

  6. Olá Fabiana, adorei este post. Acho que sou o oposto de você…. hehehe. Fiz duas cesarianas por opção, não tive nada de leite para a amamentar meus filhos (o que me deixou muito triste), dei todas as vacinas recomendadas pela medicina tradicional e comemos bastante carne em casa. Ooops. Mas é justamente essa diferença um dos motivos que mais me atraem no seu blog e seus posts. Apesar de pensar de outra forma nunca acho seus textos agressivos. Vejo seu blog como uma rica fonte de informações que muitas vezes me inspira e me faz questionar verdades que sempre considerei “absolutas”. Obrigada e um abraço!

    • Obrigada, Graziela. Só o tempo vai dizer o que era melhor e, mesmo que não disser, o que importa é que tudo o que fazemos, fazemos pensando no bem maior de nossos filhos. Um grande beijo pra você e boa sorte

  7. tenho gostado muito de suas opiniões da vida…. e desde a criação do homem ate hoje não percebemos que qto mais longe de Deus estamos mais difícil tem ficado…. estamos evoluindo ???!!!! affff nem criarmos nossos filhos sabemos mais….

    • Oi Andrea, tudo bem? As vezes acho que não estamos evoluindo nada, mas aí olho pra uma ou outra pessoa que faz a diferença e penso que é isso o que vai prevalecer. Rudolf Steiner, criador da antroposofia, diz que nossa evolução sim, em partes, nos afasta do mundo espiritual…de certa forma. Mas apenas para que nós tenhamos a liberdade de escolher o que de fato queremos. E, como você vê, cada um está seguindo um caminho. Acho que podemos buscar dentro de nós o conhecimento que o mundo espiritual nos dá e que nosso instinto manda. Um beijo e até logo. Confia!

  8. Boa tarde Fabiana, tudo bem?! Gostaria do seu e-mail para conversar mais com você sobre a escola do seu filho, adoro o blog de vocês e me interesso pela metodologia waldorf, mas tenho muitas dúvidas na cabeça.
    Obrigada!!

    • Oi Fernanda, tudo bem? Posso te mandar, mas prefiro que você me pergunte por aqui pois assim todos podem compartilhar. O que acha? bjo

    • Fernanda, como falamos por email, vou publicar aqui uma parte da resposta para quem também tiver as suas dúvidas. A Fernanda me perguntou se a escola Waldorf de fato prepara para a faculdade e o “massacre” que existe hoje nas empresas. Minha resposta, abaixo. É quase outro post.
      Resposta: “Não vejo motivo para expor uma criança, com toda a sua delicadeza e sensibilidade, ao mundo massacrante lá fora. Nesse momento, eles não tem capacidade de alma para lidar com isso. E, se forem expostos logo cedo, receio que apenas iremos contribuir para criar mais gente insensível e que repete o comportamento deplorável que vemos em muitas empresas. Meu filho nunca se isolou do mundo real. Aliás, ele tem um interesse genuíno pelo mundo e até pela tecnologia (!), como a maioria das crianças têm. E, como eu disse, eu nem sei se daqui a 10 anos as coisas não serão diferentes. E, se não forem, confio nas crianças de hoje, que terão capacidade para mudar esse mundo e não apenas continuar fazendo igual. Há alguns anos eu entrevistei o presidente da Nextel na época, Sergio Chaia, que fez um artigo para uma revista em que eu trabalhava, exatamente dizendo que o tipo de capacidade que se desenvolve na escola Waldorf, multidisciplinar, a visão do todo, o relacionamento e a humanização, eram as qualidades que ele esperava nos funcionários que contratava. Tanto que ele acabou colocando o filho dele em uma dessas escolas. Há um dos pais de alunos que conheço que estudou no Steiner e hoje é engenheiro espacial no ITA. Tenho amigos que hoje são muito bons no que fazem e estudaram em escola Waldorf. E, como eu disse, esse não é o único caminho, acredito em vários para se chegar a resultados satisfatórios. Enfim, não acho que temos que prepará-los para enfrentar esse mundo cão no momento. Acho que temos que dar a eles instrumentos para serem íntegros, para que tenham uma formação amplificada, para que desenvolvam sua capacidade de confiança no mundo e não para a competição acirrada pois ela não importa se realmente temos confiança no que fazemos e queremos. O mundo precisa de engenheiros e sapateiros. Se não fosse assim, não teríamos a Apple e nem o Christian Loubotin faria tanto sucesso, não acha? E, falando de Apple, o Steve Jobs nem terminou a faculdade, veja só. E um caráter bem formado e seguro é mais importante para o sucesso do que apenas saber a raiz quadrada de 9. Mas essa é a minha opinião, baseada na minha experiência. Boa sorte em sua escolha!

  9. Muito legal! Acredito que as pessoas estejam realmente sendo tragadas pelo mundo moderno e se esquecendo do que é realmente importante. A quantidade de “filho de babá” que vemos é assustadora. Pais que sabem dar bronca mas não educam. Pais que sequer vão dar um beijinho no filho dormindo quando chegam do trabalho, pais que resolvem tudo com um iPad…

    A única parte que eu realmente não concordo 100% é com a vacina. Não! Não acho que tem que dar TODAS TODAS TODAS mas ficar só na Polio e Hepatite acho um risco desnecessário.
    Aliás, esse assunto é bem quente nos EUA por existirem grupos religiosos que pregam a anti-vacinação e isso já está causando pequenos novos surtos de doenças que afetam filhos de quem não tem nada a ver com a história. ( http://www.richarddawkins.net/foundation_articles/2013/9/10/stop-the-anti-vaccine-gospel ).

    Enfim, acho que falta muita mãe em 1o. lugar SER MÃE de verdade. Certo ou errado, intuitiva ou informada, moderninha ou tradicional… Faltam mães de verdade.

  10. Pingback: Intuição de mãe tem poder! | Just Real Moms

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