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Vivemos de rótulos e análises superficiais. “Aquela criança é mimada, a mãe não sabe educar.” “Aquele menino tem algum problema, mas também com a mãe que tem.” “Aquela mãe parou de trabalhar, que mãe dedicada.” Mas a verdade – não a resposta fácil – a verdadeira verdade não está na capa do livro. É preciso ler muitas e muitas páginas para entender. E mesmo assim, correr o risco de estar entendendo errado.

Os posts do blog sobre parar de trabalhar fora para cuidar dos filhos geraram grande comoção. O que me deixou muito feliz. Porque essa é a nossa verdade. (pelo menos por enquanto) E é a verdade por trás do blog. Mas não precisa ser a verdade de mais ninguém.

Qual mãe é melhor: aquela que trabalha fora? Ou aquela que só cuida dos filhos? Parece que essa é a questão que fica no ar. Mas acredito que pensando assim estamos restringindo demais o ser humano. Sim, a mãe antes de ser mãe, é um ser humano. (detalhe fácil de ignorar, eu sei) Mas voltando às duas opções, acredito que podemos acrescentar facilmente outras possibilidades:

1 – A mãe que trabalha fora e é completamente workaholic. Ela acha que cuida muito dos filhos e trabalha por eles mas na verdade ela está fugindo da vida e isso ela já fazia antes quando era só um ser humano. Dar conta das relações humanas, das frustações e do tédio do cotidiano é muito mais complicado para ela do que trabalhar. (afinal, problemas que acontecem no trabalho podem ser sempre a culpa de alguém, mas na vida pessoal não é tão simples achar os culpados)

2 – A mãe que parou de trabalhar para olhar os filhos, mas vive quase sempre em depressão porque não conhece a sua própria identidade, vive perdida e esgotada. Ela foca a sua vida completamente nos filhos. Eles são a prioridade número 1, 2, 3 e 4. Ela perde a fome quando alimenta o filho, os sonhos dela são os sonhos do filho. Ela se considera muito feliz, “afinal o que uma mulher pode querer além de ter uma família feliz e saudável?” Acontece que essa sensação cai por terra quando ela fica sozinha e no pouco tempo livre que tem não sabe o que fazer, sente a vida vazia e os filhos têm a função de preencher. Mas claro que nunca vão conseguir porque esse vazio já existia antes deles chegarem.

3- A mãe que trabalha fora e corre no trabalho para estar o máximo do tempo possível com os filhos. Ela se alimenta do que faz e por isso seus filhos vêem nela uma mãe, uma mulher e um exemplo a seguir.

4 – A mãe que decidiu ficar em casa com os filhos e essa é a sua grande vocação. Ela consegue administrar o tempo e ter um espaço só para ela. Já sonha com o que vai fazer quando os filhos ficarem independentes mas também está bastante feliz com o agora porque – como um livro que traz surpresa e alegria em cada página – ela sabe que a infância dos filhos vai acabar.

Essas são algumas mães que conheço. Sei que você deve conhecer outras. Então podemos concluir que as opções são muitas. E uma lista delas não faz nenhum sentido. Afinal, porque queremos colocar as pessoas em rótulos, separar por grupos, por classificações? Não podemos admitir que existem por aí histórias únicas? Tão diferentes da nossa que nem conseguimos imaginar? Será que essa tendência em achar que entendeu o outro em um simples olhar não está recheada de pecados capitais? Primeiro a preguiça, para quê ter trabalho pensando se dá para concluir de cara “ah, ela trabalha, não gosta de ser mãe”. Segundo, a ira porque classificando muitas vezes estamos querendo jogar no outro a responsabilidade da nossa raiva por aquilo que não temos, que não podemos, pelas nossas limitações. Terceiro, o orgulho porque nos colocando no grupo das “santas” nos sentimos bem e superiores. Depois a inveja porque a inveja está sempre no ar e, neste caso, junto com a competição feminina. Vimos uma mulher e já queremos saber “quem é ela”, “que mãe é ela”. Se fosse fácil os livros de auto ajuda e auto conhecimento não venderiam tanto. Nenhum ser humano se resume à nenhuma imagem que você possa querer fazer dele.

Acontece que com tantos rótulos, preconceitos e conclusões rápidas, a gente esquece o mais importante: o que é ser mãe? O que significa ser uma boa mãe? Será que seu filho vai se lembrar do quê? Das refeições que você fazia para ele? Da casa limpa? Ou das horas que você deixava ele na frente da tv? Do seu sorriso na hora que chegava do trabalho? Ou das horas que ele passava na escola e preferia estar em casa? Afinal, o que será que significa ser uma boa mãe?

Eu adoro ver o Oscar por um único motivo: adoro ver as homenagens às mães. Este ano, o ator Jared Leto agradeceu à mãe dizendo: Obrigado por em 1971 ter o segundo filho como mãe solteira e sempre nos dar coragem para ser criativos, para trabalhar duro e para fazermos alguma coisa especial. “Eu te amo mãe, obrigado porque me ensinar a sonhar”. Uau. Mais do que as palavras, a emoção por trás delas foi uma cena linda de se ver. (Vindo dele ficou mais lindo ainda, vamos ser honestas, né?)

Será que a mãe dele trabalhava fora? Provavelmente sim. Como ela fazia para estar presente? Como ela fez para ter dois filhos lindos, artistas e brilhantes? Não vamos saber buscando respostas rápidas e de fato não importa. Qualquer detalhe que a gente encontrar na investigação (ela lia para eles todas as noites, levava no teatro, pagou uma boa escola) são meros detalhes. Como uma peça, um livro ou uma boa história, nas relações humanas sempre há o autor e receptor. Ela foi um boa mãe, não temos dúvida disso. Mas foram os olhos dos filhos que viram isso. Simples assim, essa é a grande verdade.

Salve a falta de controle das mães. (e dos pais)

Salve as mães (pais) que estão fazendo o seu melhor.

Salve os filhos que sugam da seiva o que eles precisam para seguir seus próprios caminhos.

E abaixo os rótulos.

Por Cris Leão

10 pensamentos em “Não julgue uma mãe pela capa

  1. Com certeza somos mães, com todas as letras e tentamos fazer o nosso melhor para os nossos filhos, pois ninguém é perfeito nesse mundo, e são com as nossas escolhas, que vamos errando e aprendendo na educação dos nossos filhos,e como você disse,salve os filhos que sugam a seiva oque eles precisam para seguir os seus próprios caminhos.

  2. Perfeito o texto! Estou adorando, cada vez mais, esse blog!!! Vivi (e vivo!) os dois lados e, sabemos que não é fácil…Quando minha filha nasceu, foi pra “escola” com 5 meses de vida e, na época, eu não tinha outra alternativa. Também sou jornalista e ficava fora de casa 11,12 horas por dia. Muitas vezes, não encontrava ela acordada. Apenas convivia com ela na parte da manhã (sempre entrei mais tarde!) e nos finais de semana. E foi assim, revezando com meu marido, até quase os 3 aninhos dela! Daí, tudo mudou radicalmente. Mudamos para outra cidade (proposta de trabalho do marido), saí do meu trabalho e abri uma franquia, pra poder ser mais “dona” do meu tempo… Vendi a loja há 1 ano (já faz 4 que estamos fora) e, agora, virei “do lar”, esperando aparecer um trabalho onde eu possa conciliar minha vida profissional, com a da Carol. Sinceramente, em nenhuma das situações, me senti completamente feliz ou infeliz…Também não sei quando eu fui melhor ou pior mãe…As dúvidas continuam e acho que vão continuar sempre…O importante (acho) é não desistir de acertar e tentar fazer o melhor…antes que eles cresçam!

  3. Fato eh q sempre existira mães q optaram for nao trabalhar criticando mães q trabalham e vice-versa. O mais importante c certeza eh a qualidade do tempo com seus filhos e nao a quantidade, e q independente se esta em casa ou no trabalho, se sentir bem, nao sentir culpa e saber q estas a fazer o melhor por vc e pela sua família. Eu vivo os dois casos, tenho uma filha de 18 meses e trabalho periodicamente, uns 10 dias por mês, tenho baba somente nos dias q trabalho e tento aproveitar ao máximo qdo estou em casa, e nao abro mão tbm de terr um tempo soh p mim. Acho q independente de qual a situação eh possível conciliar as coisas e o tempo e achar um equilíbrio q seja bom p vc e seu filho.

  4. Essa escolha representa o momento de cada mãe; é bem particular e circunstancial. O mais importante é estar em paz com essa escolha, para não ficar se culpando ou culpando os filhos. A pausa para o universo profissional também pode deixar lacunas, ás vezes irreversíveis, oportunidades que talvez não voltem… Contudo, acompanhar o crescimento dos filhos faz um bem enorme. Eis um dilema cada vez mais presente na vida de todas as mamães. Parabéns pelo post! Deixo aqui um link de algo que também escrevi sobre o assunto. http://feiticosdobem.blogspot.com/2013/05/coracao-de-mae-nao-se-engana.html

  5. Oi, Cris! Tenho 32 anos e até hoje brinco com minha mãe da falta que ela me fez quando eu era criança, das lembranças que tenho dela sempre muito apressada para ir à escola (ela era diretora de uma escola municipal), até dos momentos que eu estava doente e ela precisava ir trabalhar e me deixava com a empregada doméstica, sei que tudo isso hoje soa como brincadeira para eu não deixá-la triste, pois apesar de tudo sei que ela se esforçou muito para nos dar atenção, na medida do possível. Hoje ela sempre nos diz que se não fosse pelo esforço do seu trabalho não teríamos a oportunidade de estudarmos em colégios bons e cursado boas faculdades. É, pode ser, mas não a questiono por isso foi a decisão dela, foi o que ela realmente achava que ia fazer diferença na nossa vida nos dando uma condição financeira melhor, não quero julgá-la por isso, mas que até hoje existe a falta dela nas minhas lembranças da infância isso eu não posso negar. Hoje tenho um filha de três anos e trabalho somente pela manhã mas fico naquela ansiedade de trabalhar mais como se eu tivesse que ganhar mais para o esforço da minha mãe ter valido a pena, mas cada vez mais percebo o quanto minha família precisa de mim, meu esposo e minha filha, estou aprendendo cada dia um pouquinho, mas a escolha que uma mãe faz é pro filho uma decisão por toda a vida. QUE DEUS NOS ABENÇOE!
    Cris, o que vc acha de tudo isso?

    • Oi Virgínia, eu acho muita coisa… Por isso gosto tanto de escrever no blog. Para ter a chance de ir falando aos poucos o que eu acho. Mas vamos lá, talvez no seu caso seja importante cortar o cordão umbilical com sua mãe. Entenda que ela fez o melhor para você. Fez o que estava dentro das capacidades dela (materiais, psicológicas e espirituais). Agradeça a ela por isso. E então comece a sua história. Se sente cada dia mais que sua família (filha e marido) precisam de você por perto, se dê o direito de seguir isso que está sentindo, está desejando e está pensando que é certo. Sim, tudo que fazemos como pais marca os filhos para sempre. Mas não podemos ficar congelados com essa constatação. Precisamos seguir fazendo o que parece ser o mais certo naquele momento. E para ser verdadeiro com o momento, não pode estar preso ao passado, a sua relação com sua mãe, entende? Isso é o que eu penso. Espero ter clareado um pouco. Que Deus nos abençoe! Beijo, Cris

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