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Desde que a gente nasce, ouve os pais falando que temos que estudar, pois quem não estuda não é ninguém e por aí vai. Eu pelo menos ouvi muito. Hoje a coisa vai além. Uma criança mal nasce e os pais (eu e você, no caso) já estão fazendo planos para a faculdade. Sim, sim, é importante. A gente sabe. Mas ao mesmo tempo cresce o número de jovens que eu conheço que tem optado por caminhos profissionais em que a faculdade não importou muito ou, pior, que já está no terceiro curso e mesmo assim não está satisfeito. A tal da insatisfação crônica comum em nossa época… Bem, se meu filho vai fazer faculdade eu realmente não sei. Se ele vai ser arquiteto, cineasta ou jogador de futebol é uma incógnita. Mas tenho uma certeza: ter feito um bom jardim de infância fez diferença. Os primeiros sete anos de vida são decisivos na vida. É nesse período que se forma muita coisa, entre elas todos os órgãos do corpo,  os dentes que teremos para o resto da vida, em que se forma nosso sentimento básico em relação ao mundo, ou seja, aquele sentimento a respeito do mundo que vai nos acompanhar para sempre, amém. E que você só vai mudar, se precisar, com muita terapia e dedicação. Pode ser medo, pode ser segurança, pode ser outra coisa. Se nesse período nossas crianças tiverem um desenvolvimento sadio, com espaço para brincar, se forem acolhidas em suas necessidades básicas e emocionais, aí se tem uma base forte para qualquer que seja a escolha profissional lá na frente.

Por acaso, na minha rua havia um jardim de infância Waldorf quando meu filho era pequeno (hoje tem dois na mesma rua, olha que milagre!). Não vou defender essa pedagogia como o único caminho para que uma criança passe bem por essa fase: ainda são poucas as escolas e custam um preço que não está ao alcance de todos. Mas, ao dar uma grande importância para o primeiro setênio, a pedagogia Waldorf traz reflexões importantes para quem está procurando onde colocar seu filho e, mais do que isso, para mostrar que o que se faz nessa fase da vida é essencial para o que virá a seguir. E que podem servir a você, não importa qual seja sua escolha. É disso que vou falar aqui.

O primeiro passo em direção ao mundo lá fora – A recomendação da escola Waldorf é que a criança entre no jardim aos 3 anos ou depois disso. Nem todas as famílias têm estrutura pra esperar todo esse tempo  e é a vida. Mas também muitas mães acham que os filhos “pedem” para ir para a escolinha. Pode até ser. Mas eu gosto da explicação: é que só nessa idade a criança estaria preparada para interagir com o mundo que vai além do papai, da mamãe, dos irmãozinhos e da vovó. Mesmo que o pequerrucho adore ir pra rua, brincar com outras crianças, lembre-se que a mamãe, a vovó ou, em muitos casos, a babá querida, estão por perto. Aos 3 anos é que aparece, pela primeira vez, aquele impulso que se faz mais forte aos 9 anos, de encarnação do EU, segundo a antroposofia, de uma certa individualidade. Não por acaso, é nessa idade que as crianças começam a falar…eu! Antes elas se referem a si mesmas em terceira pessoa (“a Gabi quer comer”, “Pedrinho quer brincar”). Aos 3 anos o sistema nervoso está mais maduro e esse eu, essa individualidade, pode usá-lo como instrumento de comunicação, de crescimento. A criança, então, percebe que ela e o mundo são coisas diferentes. A mãe já não é uma extensão dos seus desejos e necessidades. E isso é lindo de se ver. Eu amo os três anos. Mas listei aqui algumas reflexões que consideraria importante se fosse escolher uma escolinha para o meu filho hoje, caso ele ainda estivesse na primeira infância. O que explico porque coloquei mais energia nisso do que colocarei na hora em que tivermos que escolher a faculdade.

Desenvolvimento da espiritualidade – Não é religião, não, mas as escolas que cultivam a espiritualidade trazem riqueza para a vida infantil. As festas do ano, a chegada da primavera, os pequenos rituais, como acender uma velinha na sala, ao começar o dia, uma canção de gratidão por acordar e estar disposto, a árvore de Natal enfeitada, uma lanterna para se carregar na festa de São João. Essas coisas que despertam em nós a conexão com o que é divino no mundo e em nossa própria alma. É aos 3 anos que nasce na criança uma admiração pelo mundo lá fora. Admiração que, se for bem cuidada, se manifesta como veneração frente aos milagres cotidianos. As flores têm sóis dentro delas, alguém pintou o céu de laranja e roxo, cai neve porque Dona Ôla está sacudindo seu edredom de penas lá em cima. Nunca devemos estragar essa veneração enfiando conceitos científicos logo cedo nessas cabecinhas. O melhor é deixar essa fantasia belíssima fluir e até cultivá-la. E esse é um cuidado que eu observaria, caso estivesse escolhendo um lugar para deixar meu filho, mesmo que por poucas horas do dia. Mas pode ser um cuidado de cada família com seu bem mais precioso também.

Nessa época se desenvolve sentimentos que nos acompanharão para sempre: Esse é o conceito que rege os primeiros sete anos da educação Waldorf, mas também outras pedagogias.  Qualquer um pode fazer isso em casa! Como é importante que a criança desenvolva sua confiança no mundo, sua capacidade de amar, de sentir-se segura, de se adequar a essa beleza que começa a perceber. Todo o ensinamento, tanto em casa quanto na escola, deve ser guiado para mostrar à criança um mundo bom. Ah, claro, tem gente que vai dizer que não quer o filho criado em uma redoma. Calma, há um tempo pra tudo. Você não vai deixar um mamadeira do lado do bebezinho que acabou de nascer pra ele mamar sozinho, vai? É por aí. Tudo a seu tempo. Até os 7 anos, as crianças não aguentam ser expostas à violência da TV, dos videogames, da vida. Não precisam saber que a água do planeta está acabando. E nem que aconteceu um massacre na favela. Isso \ assusta e agita uma alminha que está chegando agora nesse mundo louco. O mundo também é bom, minha criança. A vovó te ama. A professora te ama. O papai te ama e te protege. E você merece ser protegida daquilo que não é tão bom assim. É um cuidado, um carinho, um gesto de proteção lindo que podemos dar aos nossos filhos, independentemente da escola que escolhermos.

Formação dos órgãos e criatividade – Durante os primeiros sete anos, a maioria dos órgãos (ou a semente que os originará), se forma. E, como sabemos, não nasce jacarandá se plantarmos uma sementinha de maçã. Mesmo o que não se vê está ali, com os dentes, que se formam até os 7 anos, no máximo. Gritos, falta de ritmo, sustos. Tudo isso vai influenciando essa formação. O mesmo acontece com a criatividade. Se a criança tiver espaço (e não digo estímulo de brinquedos eletrônicos ou excesso de estímulo intelectual) e acolhimento, se tiver exemplos e inspiração, sentirá segurança para desenvolver os dons que trouxe à Terra. Mais tarde, essa segurança será a base para um trabalho criativo e satisfatório.

Segunda a antroposofia, a educação é o que cura, o que traz saúde. Acho que um bom jardim de infância garante boa parte dessa saúde, física e emocional, que levaremos para a vida E aí, quando ele chegar na faculdade, estará preparado para o que vier depois dela. Boa sorte com suas escolhas, pais e mães, e muita saúde para seu pequenino.

Por Fabi Corrêa

80 pensamentos em “O jardim de infância é mais importante que a faculdade

  1. Olá, meninas! Quero deixar uma sugestão… Se possível, por favor, adicionem na página uma opção para receber os posts por email. Eu seria a primeira a assinar. =)
    Não gosto de perder nada aqui, mas às vezes não consigo entrar para ler e nem sempre vejo as atualizações no Facebook. Pelo menos no e-mail fica guardadinho.

    Obrigada, Vanessa.

  2. Retiro minha sugestão. Acabo de encontrar o botão para assinar o feed. Desculpem-me a gafe. Cegueta total. =D

  3. que ótimo texto…ainda não tenho filhos, mas com certeza estudarão em uma escola Waldorf…sou encantada por essa pedagogia tão especial…
    Vanessa, onde esta esse botão?

  4. Olá, comecei a acompanhar recentemente os textos do blog e tenho gostado muito!
    já estudei um pouco de antroposofia aplicada ao mundo corporativo mas gostaria de ler mais sobre a educação infantil e o primeiro setênio. Você tem bibliografia para me recomendar?
    obrigada!

    • Oi Mariana, tudo bem? Claro, posso recomendar uma bibliografia básica. Vamos lá:
      1) Se você tem filhos no primeiro setênio, Consultório Pediátrico é básico. Fala de primeiros socorros, doenças, vacinas, as fases do desenvolvimento etc. É um consultório ambulante mesmo. Não se aprofunda em nada, mas dá uma boa visão e é uma obra de consulta para as famílias. Eu adoro e sempre uso como guia pra procurar outras coisas.
      2) A Filosofia da Liberdade é a obra básica da antroposofia, escrita por Rudolf Steiner, e é para estudar mesmo. Como tudo o que ele escreve, não é fácil de entender logo de cara, mas uma hora você entende. Com a alma, não com o intelecto. É isso mesmo.
      3) A Natureza Anímica da Criança – Essa obra fala dos 4 temperamentos, como eles se manisfestam nas crianças e como lidar com cada uma de uma maneira bem simples. Steiner também fala disso em outra obra, de um jeito mais complexo, chamada O Mistério dos Temperamentos. Essa serve para crianças e adultos.
      4) A Educação da Criança – esse livrinho é um dos textos selecionados publicados pela editora Antroposófica, escritos por Steiner. São traduções de palestras dele. Como complemento, indico Temperamentos e Alimentação, que fala de como o que cada tipo de criança come pode influenciar seu desenvolvimento. Na mesma linha, recomendo o “Andar, falar, pensar”, do próprio Steiner. Muito bom pra começar.

      Tem vários. Tem um que se chama Desvendando o Crescimento, que é um pouco mais chatinho de ler, mas bem completo em termos de compreensão das fases. Tem “Os contos de fada” do Steiner, que também é essencial porque toda a pedagogia Waldorf se baseia neles no primeiro setênio. Enfim, dê uma olhada no site da editora Antroposófica. http://antroposofica.lojavirtualfc.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=472&IDCategoria=4675
      Boa sorte.
      bjo

  5. Matéria muito interessante e inteligente!
    É isso mesmo… Precisamos cuidar de nossos filhos, dar carinho, e educá-los adequadamente com muito amor. Sei que a escolha que fiz de ficar um tempo em casa com meu filho é e será muito importante para sua vida. Esse elo nunca ninguém poderá romper.
    Parabéns pela matéria!

    Abraço!

      • Olá Fabi …Gostaria muito de publicar seu texto em minha página. ..Não apenas compartilhar e sim publicar para leitura dos pais de meus alunos..Posso? Como coloco seus créditos?
        Att. Juliana de Santi

      • Oi Juliana, o ideal é sempre colocar o link para que as pessoas leiam no nosso próprio blog e assim podem continuar a conversa se interessarem: ir a outros textos, comentar. Por isso peço que coloque apenas um trecho ou fale sobre o texto e dê o link para o nosso blog. Obrigada!

  6. Olá, Fabi!! Belíssimo seu texto!!
    Sonhei muito com algo assim para meus filhos, mas ne mudei de cidade e de Estado. ..
    nada aqui chega nem perto disso, confesso que isto tem, literalmente, me tirado o sono 😦

    • Oi Daniela, obrigada. A gente nem sempre tem o que sonha em termos de escola. Às vezes é caro, ou é longe, ou não tem vaga. Isso também me aconteceu. Mas nesse caso tem coisas que podem ser cuidadas em casa. E também podemos adiar um pouco a entrada na escola, se o jardim de infância de cara já quer alfabetizar, por exemplo. Espero que você encontre uma alternativa para seus filhos. Pesquise, se informe e, principalmente, vá até a escola e observe se o que eles dizem acontece na prática.

  7. Que legal ouvir isto, um encorajamento para mim, que sempre, por mais de 30 anos trabalho com crianças pequenas, agora com meus netinhos. Dou aulas em casa para eles, e ler isto so confirmou que tenho trilhado o caminho certo, dando oportunidades para eles desenvolverem suas capacidades! Um abraço!

    • Oi Ana Maria, você pode procurar no site da federação das escolas Waldorf, mas nem todas estão associadas. Eu sei que tem em Botucatu, a cidade mais antroposófica do Brasil (rs) e em Piracicaba. Onde você mora?

      • Oi Ana Maria! Se eu não me engano tem uma na R. Américo Brasiliense, na Chácara Sto Antônio em São Paulo/SP. Morei no bairro e não sabia da linha antroposófica da escola! 🙂 Abs

  8. Oi Fabi, amei seu texto!! Meu filho ia numa escola Waldorf em Ribeirão Preto -SP, agora acabamos de nos mudar para São Paulo, e até escolhemos um bairro próximo a Wadolrf Rudolf Steiner, mas para esse ano não tem mais vaga. Enquanto esperamos, estamos olhando alguns jardins Waldorf por perto da Ruldof mesmo, vc conhece algum que indicari? Já visitamos o Jardim das Borboletas e semana que vem vamos no Jardim margarida e tb vamos na Waldorf São Paulo… O que acha desses jardins aqui em SP?
    Como eu terminei meu doutorado um pouco antes de nos mudarmos, ainda não fui atrás de nunhum trabalho ou pós doc aqui, vou esperar meu filho ( que se chama João tb) se adaptar na cidade nova e na escola nova para depois arrumar algo para mim!!! Ele tem apenas dois anos e meio e estamos dispostos a esperar até o meio do ano ou que. Sabe até o ano que vem!!, mas vejo que ele sente falta de brincar com outras crianças…
    Beijos

    • Oi Fabiana, obrigada. Eu sei que por lá tem o Jardim da Maria Luiza, que dizem que é maravilhoso, mas não faz parte da federação das escolas Waldorf o que, dizem, não facilita ser aceito na Steiner depois. Parece que a escola da Renate, que eu não sei como chama, é uma melhor opção pra quem quer colocar o filho na Steiner depois. A Waldorf SP é onde meu filho está, mas ele não fez jardim lá. Então tenho pouco pra te dizer, só sei que as professoras são muito, muito amorosas, embora o espaço físico não seja o melhor entre as escolas. Gosto também da comunidade de pais de lá. E também gosto muito do Quintal do João Menino onde meu filho fez o jardim, mas fica longe de você, na Vila Madalena. Enfim, com a idade dele não tem pressa, né? O ideal mesmo é com 3 anos, então ele estará no tempo certo. Tem pracinhas aí no bairro, tem o parque do Cordeiro…em que ele pode encontrar crianças. Boa sorte com suas mudanças e um beijo

  9. Oi Fabi. Obrigada pelas opiniões!! O Jardim da Renate é o Jardim das Borboletas e nós gostamos muito de lá!!! Eu cheguei a ir no Quintal do João Menino, gostei muito de lá, mas não deu certo… Agora como vou ainda na Waldorf São Paulo e na Margarida vamos poder formar uma opinião melhor!! Já é um bom começo saber que você gosta da Waldorf São Paulo!!! E obrigada pela dica do Parque do Cordeiro, com certeza vou levar o João lá… Beijinhos

  10. Fabi,
    Tenho 67 anos, sou mae de 2 e avo de duas meninas. Leio quase tudo que vc escreve ate os comentarios. Ah quisera te-la tido por perto quando iniciei meu matriacado. Divulgo seu trabalho junto aos meus filhos e aos amigos deles. Seu estilo de comunicacao eh simples, direto e flui tao bem como sangue correndo pelas veias. Meus parabens!

    • Juraci, que querida você…Muito obrigada por ser minha leitora. Mas não se engane: eu estava por perto quando iniciei meu matriarcado e me vejo “errando” a todo momento. Rs…Mas é pra isso que estamos aqui e pra isso que Deus nos deu filhos, acho. Agradeço por divulgar o blog. Escrevo para apoiar quem se vê com os mesmos conflitos e questões que eu passei e continuo passando. Beijo

  11. Fabi, estes seus textos caíram como uma luva para o meu momento agorinha mesmo!!!
    este é o meu terceiro dia em casa…desisti do meu serviço que é na mesma área que a sua, estava como diretora de uma agência de publicidade e estava consumindo meu tempo, minha mente, minha energia…decidi depois de dois anos que largaria tudo para cuidar do meu filho, da minha família…foi uma decisão muito difícil, porque penso que como mulher, trabalhar é essencial para nos sentirmos útil e reconhecida, mas o “emprego” de ser mãe, ah, isso não tem como comparar!rsrsrs
    fiquei coberta de insegurança e medo, mas hoje, meu terceiro dia em casa com meu pequeno, estou transbordando de alegria *=)
    também existe a possibilidade de mudarmos praí, muita coincidência…acho que me vi um pouco na sua história *=)
    torço para que tenha tomado a decisão certo e cada vez mais, acredito que sim, fiz a escolha certa *=)
    obrigada por compartilhar conosco!bjnhs no coração!!!

    • Oi Carol, tudo bem? Curta esse momento porque eu não consigo ver maior utilidade na vida do que criar bem um filho, olhando de perto e educando a cada dia. E nada me trouxe mais felicidade. Obrigada também por compartilhar sua história de coragem e amor. Mudar pra onde? Pra Miami? Quem mora lá é a Cris, minha parceira de blog…rs. Acho que é desse post que você tá falando, não? De qualquer maneira, um beijo grande e muita sorte, muita coragem. As bençãos você já está colhendo.

  12. Gostei muito do texto. Sou mãe, professora de formação e agora na função de Coordenadora Pedagógica de uma escola de Educação Infantil. Sou a favor da Educação Infantil como uma experiência ativa onde a criança aprende através da brincadeira e da vivência de Mundo. Mamães, não esqueçam que antigamente o ensino era obrigatório a partir da primeira série e aprendiamos a ler e a escrever com praticamente 7 anos…por isso tenham calma com seus pequenos.

  13. Republicou isso em Pedagogia Empresariale comentado:
    “Durante os primeiros sete anos, a maioria dos órgãos (ou a semente que os originará), se forma. E, como sabemos, não nasce jacarandá se plantarmos uma sementinha de maçã. Mesmo o que não se vê está ali, com os dentes, que se formam até os 7 anos, no máximo. Gritos, falta de ritmo, sustos. Tudo isso vai influenciando essa formação. O mesmo acontece com a criatividade.”

  14. Gostei do texto e concordo plenamente, eu tenho dois filhos, infelizmente nao tive a oportunidade de coloca los em uma escola com essa pedagogia, mas sempre adimirei e procurei da nossa casa uma bela extensão disso. Brincar é importandíssimo para as crianças. Eu e meu irmão brincamos muito, muito mesmo e isso nos fez, apesar de passar por problemas que todos passam, adultos felizes e com entusiasmo de enfrentar as questões da vida de forma positiva e isso posso garantir a vcs que nenhuma faculdade ensina.
    Nossa vida é baseada em ciclos e a cada 7 anos, passamos por um tipo de transformação e o que aconteceu de mais significado é o que levamos para o próximo ciclo, certo?
    Um grande beijo!
    Grata

  15. Algumas dicas para filho com 13 anos? E filha com 11 anos?
    Agradeço desde já!
    Com carinho
    Alessandra

  16. Oi Fabi
    Gosto muito do que você escreve. Meus filhos estão no “segundo” ciclo, 13 e 11 anos, pode recomendar algum livro?
    Obrigada

  17. Sou professora de Educação Infantil desde 2002…tenho um filho de sete anos….assino embaixo de tudo que vc escreveu…bjs

  18. Olá Fabi! Adorei o seu texto. Sou acadêmica de design e estou concluindo esse ano. Meu tema para TCC será sobre como o ambiente escolar pode estimular as crianças, no pré 1 e pré 2, acredito que seu texto seja algum caminho para isso, uma boa preparação infantil para o restante da caminhada. Voce sabe me informar algum livro que fale sobre essa influencia que uma boa preparação escolar tem na vida de uma criança? Me ajudaria muito!! Obrigada

    • Oi Paola, vamos lá:
      1) Sobre o primeiro setênio, Consultório Pediátrico é básico. Fala de primeiros socorros, doenças, vacinas, as fases do desenvolvimento etc. É um consultório ambulante mesmo. Não se aprofunda em nada, mas dá uma boa visão e é uma obra de consulta para as famílias. Eu adoro e sempre uso como guia pra procurar outras coisas.
      2) A Filosofia da Liberdade é a obra básica da antroposofia, escrita por Rudolf Steiner, e é para estudar mesmo. Como tudo o que ele escreve, não é fácil de entender logo de cara, mas uma hora você entende. Com a alma, não com o intelecto. É isso mesmo.
      3) A Natureza Anímica da Criança – Essa obra fala dos 4 temperamentos, como eles se manisfestam nas crianças e como lidar com cada uma de uma maneira bem simples. Steiner também fala disso em outra obra, de um jeito mais complexo, chamada O Mistério dos Temperamentos. Essa serve para crianças e adultos.
      4) A Educação da Criança – esse livrinho é um dos textos selecionados publicados pela editora Antroposófica, escritos por Steiner. São traduções de palestras dele. Como complemento, indico Temperamentos e Alimentação, que fala de como o que cada tipo de criança come pode influenciar seu desenvolvimento. Na mesma linha, recomendo o “Andar, falar, pensar”, do próprio Steiner. Muito bom pra começar.
      Tem vários. Tem um que se chama Desvendando o Crescimento, que é um pouco mais chatinho de ler, mas bem completo em termos de compreensão das fases. Tem “Os contos de fada” do Steiner, que também é essencial porque toda a pedagogia Waldorf se baseia neles no primeiro setênio. Enfim, dê uma olhada no site da editora Antroposófica. http://antroposofica.lojavirtualfc.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=472&IDCategoria=4675
      Boa sorte.

  19. Que texto delicioso!!
    Tenho uma filhinha justamente de 2 aninhos e 10 meses, tá nessa fase. Estudamos todas as escolas possíveis da cidade e de outras.. Nunca em nenhuma outra conversa havia tido essa sensação gostosa de que estou no caminho certo como lendo teu texto!
    Pra mim, teve o efeito dos melhores papos com café da tarde 🙂 sinto o cheiro bom….- Valorizo muito isso! -.
    Estou voltando a trabalhar aos poucos e em casa, só agora. Sempre quis ficar com a Catharina o máximo de tempo integral possível e desde que ela nasceu esse tempo seria até os três aninhos, pelo menos.
    Com todos os ganhos (todo meu respeito as feministas de outrora e as de plantão) que tivemos em sociedade como mulheres, veio também o acúmulo de tarefas. Sim, acúmulo de tarefas faz com que vc ganhe o título de heroína.
    Eu já acumulo muitas tarefas “ficando em casa” e não consigo ser super herói.
    E sinto preconceito em demasia inclusive de outras mulheres no que diz respeito a “ser só mãe”.
    Outras ainda, bravam aos quatro ventos o quanto seus filhos que vão a escola desde poucos meses de vida, são inteligentes e independentes. Infelizmente, não foi o que vi nas melhores escolas que visitei.
    Nada substitui o carinho do pai e da mãe. Na hora da birra por exemplo, os pais não estão, porque é no dia a dia, e o dia da criança de um modo geral, é das seis as dezoito.
    Ora, quero preparar minha filhinha para ter autonomia nas decisões de sua vida, claro. Mas quero que ela seja criança e só há um tempo para isso. Quem pode garantir esse direito se não eu…
    Costumo brincar que a gente pode fazer tudo na vida, em qquer idade – até faculdade – mas só há um tempo para ser criança.
    Eu também acredito nessa importância da primeira infância.
    Não fui criada para estudar, meus pais me cobravam mais o trabalho, “faça o ensino médio minha filha” e tá bom.
    Não era das mais “doutrináveis” das crianças no período escolar… sempre me senti perdendo tempo ali, sempre me perguntava porque não poderia fazer só aquela matéria que gostava mais! e sinto na maior parte das pessoas a minha volta que se formaram em uma faculdade, ou pior três como vc bem colocou em seu texto, essa insatisfação crônica de nossos tempos.
    Antes de termos filhos imaginamos como eles serão, qdo temos, queremos fazer todo o teu futuro e entregar prontinho, enformado. “Ele será engenheiro”, “ela será bailarina”…
    Mas e se nos propormos um tempo de cuidar do agora, dessa fase maravilhosa que sim, também acredito que precede de forma emocional inclusive, todas as outras fases da vida!
    Certa vez, me falaram sobre um texto aonde a mãe leva a filha ao médico, alegando pavorosamente, deficit de atenção: “ela não presta atenção”, “não gosta de estudar”, “não quer fazer nada”. O tal médico, ficou um longo tempo analisando a criança em seu consultório, chamou a mãe que esperava na sala ao lado e disse: “veja, sua filha gosta de dançar”. E a mãe, viu a menina dedicada nos passos de Ballet.
    Não quero levantar a bandeira contra os estudos, longe disso! mas sabedoria vem de outra forma, de leituras que fazemos ao longo da vida, da percepção filosófica que vai além das percepções massivas.
    Quero criar uma filha feliz consigo mesma, “entregar” um adulto bom para o mundo.
    Todos que conheço que – com seus diplomas e tentativas de corresponder a todos os anseios e cobranças da sociedade – fazem para mostrar aos outros, acabam se frustrando e são infelizes.
    Muitas vezes, me vi incluída nisso.
    Obrigada pela partilha dessa ideia linda e singela.

  20. Olá, adorei a matéria. Por favor, vc sabe de uma escola Waldorf aqui na região de Santo Amaro? Bjs Claudia

    • Oi Cláudia, as maiores escolas Waldorf de São Paulo são a Escola Waldorf São Paulo, Rudolf Steiner e Micael. Não sou de SP, mas acredito que alguma das três deve servir para a sua área. Se não, ligue para elas e pergunte se conhecem alguma mais próxima. (existem outras Waldorf menores pela cidade) Eu realmente não sei te informar se há alguma específica para Santo Amaro. Abraço!

  21. Olá, querida! Parabéns pelo texto, também acho que os primeiros sete anos são fundamentais para a formação do ser. Só não concordo quando fala que só a partir dos 3 anos a criança consegue se ver como “eu”, as crianças estão amadurecendo cada vez mais cedo e sinto que esta fase já é percebida a partir dos 2 anos. Obrigada pelo texto.
    Atenciosamente,
    Taissa

  22. Pingback: O jardim de infância é mais importante que a faculdade |

  23. Amei esse texto, já não tenho mais filhos pequenos. Agora sou avó e faço de tudo para que as minhas netas curtam a infância dela no tempo delas, brincam de casinha com a mais pura ingenuidade. o mundo tecnologico fica lá para trás, porque sei que o tempo passa rápido e sei também que será difícil mantelas nesse mundo puro porque ainda podemos basta querer viver um pouco desss magia que é a nosss Infância.

  24. Maravilhosa esta matéria. Sou professora do curso de pedagogia e uma das propostas pedagógicas que estudamos é a Waldorf.
    Gostaria muito de poder receber informações, assim poderei me apropriar mais e mediar melhor esse conceito com as alunas.
    Parabéns pelo trabalho

    Natacha

    • Oi Natacha, esse texto da Fabi é realmente uma pérola. Temos outros textos assim no blog. Fruto de muito estudo e nosso trabalho de tentar passar um pouco da Pedagogia Waldorf em palavras mais acessíveis para todos. Você pode vai encontrar muita coisa boa por aqui. Dá uma pesquisada. Obrigada.

  25. Pingback: Fãs da PsicanáliseO jardim de infância é mais importante que a faculdade

  26. Fui mãe de 3 crianças e hoje sou avó, então acredito que minha opinião não seja digna de ser ignorada. É verdade que muitas crianças “querem brincar com outras crianças” a partir dos 3 anos, mas os pais ou responsáveis devem entender que a criança que quer companhia, nem de longe imagina que pra isso ela terá que se afastar de casa, e das pessoas com quem ela se sente segura. Muito menos que terá dia certo pra levar o brinquedo que mais gosta de brincar, nem que terá hora certa pra tomar a mamadeira ou o lanchinho, hora pra soneca, terá que cantar e rezar antes de comer, usar uniforme, e terá que aprender coisas do qual nem sempre são capazes de fazer com 3 anos como por exemplo ir ao banheiro sozinhos. Aaah tem TIA que ajuda né? uma dessas tias queimou a roupa intima de um filho meu com cigarro ao leva-lo ao banheiro… (isso faz 20 anos) mas quando reclamei pra dona da escola ouvi que nenhum dos funcionários de lá era fumante. E era uma escola CARISSIMA daquelas que chamamos de bem preparada e estruturada. E como provar que isso aconteceu? MINHA OPINIÃO A RESPEITO É …MÃES SE VCS PODEM FICAR COM SEUS FILHOS AO MENOS ATÉ OS 5 ANOS DE IDADE. FAÇAM ESSE “SACRIFÍCIO” E FIQUEM. Pois a partir daí eles podem ENTENDER certas coisas. Nosso mundo de hoje exige muito cuidado com isso também…

    • Concordo com você, Silvia. E existem vários textos no blog que falam sobre isso. Mas este fala sobre a importância do Jardim da Infância. Normalmente com crianças entre 4 a 6 anos. E normalmente representa apenas uma parte do dia da criança – 4 horas. Um abraço.

  27. que lindo!!!exatamente como eu penso, um mundo maravilhoso para as crianças vivenciarem sua expectativas e pôr em prática suas experiências.

  28. Oi, tenho um filha que vai fazer 3 anos no inicio do ano que vêm e gostaria de colocar ela em uma escola assim, meu filho estudou na Casa Redonda e Grão de Chão. Moro no Km 15 da Raposo, queria saber se vc conhece alguma para me indicar na região da Raposo, Embu ou Tabõao?

  29. Sou pedagoga e concordo com a ideia do texto, pois tenho três filhas 24 anos, 23 anos e sete anos, as duas primeiras fiquei em casa cuidei e coloquei no jardim de Infância, a qualidade da educação faz sim a diferença na vida das crianças. Já a terceira não tive tempo para acompanhar cuidar e dar a atenção necessária, foi para um CMEI com dois anos de idade e para escola com cinco anos. Atualmente está com sete anos e percebo o quanto a formação de caráter é diferente, pois a educação dela tem interferência de várias pessoas, se tornou mais independente, mas também mais agressiva, ou seja vive sempre na defensiva tem dificuldade para confiar totalmente pois sempre conviveu com pessoas estranhas. Mas são as consequências do mundo moderno as mães precisam trabalhar.

    • O que acho interessante da idéia é que já tem até pesquisas na área econômica corroborando essa proposta. Um daqueles casos em que a ciência derruba o senso comum

  30. A alegada “pedagogia Waldorf” é na génese uma forma de pensamento esotérico, totalitário e fascista.
    Façam por caridade um esforço pequenino de investigar e aprofundar as coisas antes de embarcarem em delírios românticos.

  31. Pingback: El Jardín de Infancia es más importante que la Facultad - bosquedemomo.org

  32. O interessante é que até estudos na área de economia estão comprovando essa importância do investimento na educação infantil. As evidências sobre o retorno desse investimento são muito fortes para serem ignoradas. Um professor da Dom Cabral tem um artigo interessante sobre isso

    https://rzeidan.com/2016/04/11/tudo-que-voce-sabia-sobre-educacao-estava-errado-parte-viii-quando-a-crianca-entra-na-escola-ja-e-tarde-demais-intervencoes-e-retornos-sociais/

  33. Tem também o Jardim da Maria Eugenia, é super lindo. O nosso filho fez e valeu muito mesmo. Eu sou muito satisfeito de ter dado essa oportunidade na infância do meu filho. E como o jardim da Maria Eugenia é federado Waldorf, tem garantia de continuidade na Escola Waldorf Rudolf Steiner. Eu recomendo mesmo.

  34. tenho dois netos cujo pai faleceu um dia antes do segundo nascer.Minha filha precisa trabalhar 8 horas por dia .Meu primeiro neto está numa escolinha desde 6 meses e o segundo também foi para escolinha com 6 meses…gostaria muito de cuidar dos meus netos ( tenho 71 anos) mas com essa idade e com problemas de saúde não posso…fico muito chateada com isso. que fazer?

  35. Naqueles anos 70, éramos tão pobrezinhos… morávamos perto de um córrego, e dali pegávamos barro e fazíamos boizinhos, vaquinhas e ovelhinhas para o nosso presépio. Era todo um ritual para a chegada do natal. Isso me marcou positivamente. Mamãe trabalhava em casa para uma fábrica de escova de cabelos, ajudávamos-a na confecção, e enquanto isso, ela nos contava lindas histórias. A nossa imaginação ía nas alturas. Nunca esqueci esses momentos. Em suma, não tínhamos Waldorf, mas mamãe, semi-analfabeta parecia saber das coisas e não difere do que li no texto. A criança precisa ser criança, precisa ser amada, se sentir acolhida, viver fantasias. Eu abri mão de uma carreira promissora nos anos 90 para criar meus dois filhos, pois sempre achei muito importante essa base. Colho bons frutos hoje… Não é difícil. Não precisa de pagar altas mensalidades… basta se dispor em passar boas bases de amor, respeito, carinho e de preferência… não dar tantas coisas para as crianças, mas o essencial.

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