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Me desculpem, leitores, leitoras, mas estou um tanto indignada. Na verdade, muito indignada. É que domingo, enquanto eu almoçava em um restaurante num bairro de classe alta aqui de São Paulo, vi uma cena que me entristeceu. Juro que por alguns instantes perdi a fé na humanidade. Ninguém bateu em ninguém. Nem garçom não trouxe uma conta alta demais. Também não teve arrastãoo.  Mas ao meu lado havia uma mesa com 4 pessoas adultas, uma criança vestida de Homem Aranha e uma babá. Eu não estou incluindo a babá no grupo de pessoas porque, simplesmente, ela não foi tratada assim enquanto estávamos almoçando, praticamente lado a lado. Logo que sentei, vi a moça, de uniforme branco, o que já deixa bem claro porque ela está ali. Como a mesa era pra quatro pessoas e a moça de branco não cabia, sua cadeira estava um pouco mais pra trás, em direção ao corredor, afastada da mesa. O que não fazia a mínima diferença. Ela poderia estar dentro do banheiro: os 5 que estavam com ela não veriam mesmo. Durante as duas horas em que eu estive lá, a moça ficou naquele cantinho, agarrada à sua bolsa, sem abrir a boca, com um sorrisinho no rosto. Não sei o tom de sua voz. Ninguém na mesa, nem a mãe, nem o pai, nem o outro casal e nem a criança, ninguém dirigiu a palavra a ela. Ninguém perguntou se ela queria um suco, uma sobremesa, se ela queria experimentar as fritas que são a especialidade da casa. Em pleno domingão, em vez de almoçar com o filho, com o marido, com a mãe ou os irmãos, ela esteve ali, durante duas horas, sem comer, sem beber, sem abrir a boca. Era totalmente desnecessário. O menino não precisava dela, passou todo o tempo vendo um filminho no iPad. A mãe, que comia steak tartare alegremente, tampouco. O pai e os outros nem se deram conta. Então, como pediu a Cris no último post, não estou julgando se aquela mãe é melhor ou pior que eu. Não vem ao caso. Mas como essa é uma cena meio comum por aí, será que não vale a pena refletir no tratamento que essas mulheres estão recebendo? Eu não sei você, mas se eu fosse ela, estaria muito mal.

Essas moças de branco cuidam das nossas crianças enquanto estamos fora, trabalhando pra ganhar o pão. São elas que dão remédio na hora certa e põem pra dormir nossos filhos enquanto os seus próprios filhos estão em casa, esperando por elas. Merecem nosso respeito. Ouço muita gente reclamando das babás com razão: elas dificilmente darão ao seu filho o tratamento que você daria (melhor ou pior, não sei. Mas igual, nunca). Também vejo muita criança tratando babá como se fosse sua assistente pessoal e abusando até não poder mais. Não, não é culpa delas, devem imitar o que veem por aí. Também sei que existem histórias aterrorizantes de maus tratos a crianças, mas não são a maioria. Eu mesma tive duas babás, completamente diferentes, e nem sempre tive boas histórias pra contar dessa convivência. Mas se não fosse por elas, como eu sairia de casa pro trabalho? Aí eu lembrei de uma frase que li em uma matéria sobre a falta de babás no “mercado”. E da resposta da sindicalista ao repórter: “Não está faltando babá, está faltando escravo”. Também acho que essa não é a postura da maioria. Mas também não é incomum. Quando eu frequentava os parquinhos do bairro de classe média alta em que morava quando meu filho era pequeno (e onde eu muito dificilmente via mães durante a semana) e conversava com as babás, ouvia que as moças trabalhavam sábados e domingos sem folga, dormiam no emprego e várias recebiam menos do que minha empregada, que chegava às 8h e saía às 14h. Acho que os salários vêm mudando por conta da falta de gente disponível, mas o respeito não está só aí. Como nós, essas mulheres têm o direito a folgas, a ver seus filhos, a tirar um tempo para estudar, para se cuidar, para descansar. E elas têm o direito de serem vistas. Os escravos domésticos, na Roma antiga, eram pessoas que não estavam ali. Fazia-se de tudo como se eles não vissem, ouvissem ou sentissem. Posso estar sendo extrema pois não sei o que veio antes e nem o que viria depois, mas durante aquele almoço, foi assim a vida daquela babá: ela simplesmente não estava ali.

Por Fabi Corrêa

33 pensamentos em “A babá que não estava lá

  1. Oi Fabi, muito bem colocado. Eu moro em SP e vejo cenas como esta frequentemente, e isto me deixa triste também. Sinto vontade de levantar e ir conversar com ela ou até oferecer uma bebida. E o pior de tudo é ainda escutar que a mãe NAO trabalha, que vai ao shopping, cabeleireiro enquanto o seu filho passa o dia com a babá…. eu tenho 2 pequenos uma de 3 e um de 2 anos e tive baba no primeiro ano de vida do meu segundo filho, e a tratei como se fosse da família, nada mais justo afinal ela estava dentro da minha casa cuidando dos meus filhos. Ate hoje conversamos e ela vem nos visitar, o que ficou foram memórias lindas das crianças e algumas engraçadas também! Fico feliz em saber que nao sou a unica a me sentir assim, e este blog aqui nos aproxima de pessoas bacanas como você! Um beijo Francine

    • Oi Francine, que bom seu depoimento. Eu sei que esses casos não são maioria, mas queria que as pessoas pensassem um pouco nisso tudo o que você compartilhou. Não precisa nem ser “da família”, mas um mínimo de respeito é bom e a gente gosta! Beijo e obrigada.

  2. Eu me incomodaria e muito com essa situação. Não sei ignorar ninguém assim. Trato todos como gostaria de ser tratada. Sem distinção! Triste!

  3. A cena que você presenciou é reflexo da falta de educação social básica (o que minha mãe chamava de “berço”) daquelas pessoas à mesa. É uma característica bastante comum (infelizmente) dessa “nova” sociedade brasileira, onde prevalece o “vale-tudo” para a ascenção na selvagem sociedade de con$umo. Para estes intelectualmente limitados, Ignorar os menos favorecidos é uma prática de auto-afirmação em sua nova “posição $ocial”. Em outras palavers: pobreza de espírito!! 🙂

    PS: gostamos muito de seu blog. Temos duas meninas (9 e 7 anos) e as discussões aqui refletem boa parte de nossos pensamentos sobre educação e sociedade.

  4. isso é mais uma prova de que ter $$ não é sinônimo de ter educação, bom senso, respeito, caráter ou nobreza ter $$ é só ter $$ mesmo…é só isso gente as coisas que são colocadas em volta dessas pessoas são apenas aquelas que os outros que tb tem valores tão pequenos qto eles enxergam…ou seja apenas um monte de coisas e só. Nada contra quem tem $$ mas tudo contra as pessoas que acreditam que o $$ compra tudo na vida esta é a prova educação e respeito não são comprados com $$ são adquiridos pelo exemplo.

  5. Meu pensamento vai de encontro com o que bem colocaram Antonio e Cylene. São os chamados “coxinhas” que precisam fazer este tipo de coisa. Numa sociedade onde andar de avião, comprar roupas, comer fora está tão difundido, pessoas assim precisam se auto afirmar esnobando o seu próximo. Qdo presencio este tipo de atitude, e outras tantas por aí, olho pra minha pequena e logo penso: ” que tipo de adulto quero entregar para sociedade?”… Isso mesmo, que tipo de adulto queremos que o mundo receba? Ou um filho virou parte deste jogo em que se encontra a sociedade atual e trata-se apenas de uma felicidade enlatada? Filho não é sorvete, não é carro, tampouco roupa, filho é um “serzinho” que absorve um monte de coisas…. Penso eu, de um jeito que talvez alguns julguem muito simplista, que aquela criança tem uma grande chance de deixar seus pais fora da mesa de jantar no futuro, sem se preocupar, a exemplo do que viu ali… uma pessoa de branco deixada de lado, sem nenhum esmero.

  6. Peraí, não estou entendendo. É o trabalho da pessoa, não é uma diversão. O que você queria? Que ela estivesse inserida na conversa? Tomando um chopp? Comendo a batata frita da patroa? Já trabalhei em produção de eventos e sabia perfeitamente onde era o meu lugar. Por que deveria ser diferente com as babás? Imaginem que tortura seria para essa profissional se “enturmar” com os amigos dos seus patrões? Vou repetir, elas são profissionais! E que estão ganhando de 2.000 a 4.000 reais por mês. Quero deixar bem claro que optei em não ter babá e cuidar do meu filho sozinha, mas não posso deixar de dar minha opinião neste absurdo que li. Inclusão social das babás.

    • Vanessa, estamos falando do respeito por alguém que, sim, é mais do que uma profissional comum. Ou pelo menos diferente de uma secretária ou de um advogado, vamos dizer assim.

    • Nem tanto ao mar nem tanto à terra! A babá não precisa (mas pode) compartilhar o momento com a família. Aliás, sua inclusão já está pré-definida, uma vez que é a responsável por boa parte da experiência social da criança, quando não sua saúde, educação, diversão etc. A questão não é se ela pode ou deve dividir as batatas fritas, e as piadas, mas sim ser minimamente considerada (no sentido de pura consideração mesmo!) durante o momento. Talvez seja ainda mais simples: porque levar a babá ao almoço se ela seria ignorada e “dispensável”? Nossa ajudante doméstica trabalha conosco há 12 anos (uma raridade hoje em dia), e não é porque pagamos acima da média, mas sim porque a respeitamos como pessoa, como mãe, como membro de nossa família. Sim, ela recebe salário e esfrega o chão quando necessário, mas respeito é algo que transcende essa relação comercial entre pessoas.

  7. Antônio Carlos e Cylene, tenho certeza que você assim como eu respeita sua “ajudante doméstica” ou melhor dizendo, empregada (é isso que está escrito na carteira profissional da sua, não é? – confesso que o politicamente correto para mim não passa de uma tremenda hipocrisia) , mas o cenário colocado no texto não me pareceu desrespeitoso e sim frio. Não sabemos a qualidade da relação entre patrão e empregado, mas posso garantir que a segurança e o carinho são coisas que se conquistam com o tempo (você bem sabe, afinal vem conquistando sua empregada há 12 anos). Não acredito que as babás se sintam humilhadas ou desrespeitadas, até porque com a quantidade de ofertas por aí elas tem muito mais escolhas do que antigamente, acredito que as pessoas procuram sempre sentir-se bem. Em qualquer profissão. E tudo isso relatado no texto não passou de uma imensa xaropada.

    • Vanessa, imagine se, após terminar o evento em que você trabalhava, vc tivesse que ir para a casa dos “patrões”, passar a semana inteira com eles, andando no mesmo carro, dormindo sob o mesmo teto. É essa a medida da diferença entre o seu trabalho e o de uma babá. Acho que profissionalismo não impede a humanização do trabalho. Nos acostumamos a ser tratados como máquinas e números e já nem nos sensibilizamos quando vemos o mesmo acontecer por aí.

  8. É verdade Vanessa. O politicamente correto pode ser bastante hipócrita, quando da boca para fora apenas. Como não nos conhecemos pessoalmente, fica difícil convencê-la através de poucas palavras que não é o caso aqui.
    De modo semelhante, diferenciar “frio” e “desrespeitoso” exige um acompanhamento mais minucioso do caso específico, o que nos leva às generalizações e, portanto, ao provável erro. Mas, uma coisa é certa: o que se considera desrespeito está cada vez mais elástico nessa sociedade. Por exemplo: refereir-se a um texto alheio como “xaropada”….. EU acho uma tremenda falta de respeito! Já para você, aqui está claro, não é…. O relacionamento humano segue o mesmo princípio, infelizmente.

  9. Tão desrespeitoso quanto ao invés de aproveitar seu almoço caríssimo de duas horas a pessoa ficar julgando as atitudes da mãe da mesa ao lado. Muito feio isso, hein?

  10. A babá que cuida do meu sobrinho e do meu filho, está conosco há mais de 4 anos, o meninos já cresceram .. mas gostamos tanto dela que temos pena de dispensá-la!! Ela é como da família, participa de aniversários como convidada, no natal ela não é babá, é convidada, qd sai conosco parece ser da família.. senta-se a mesa, come .. pra mim somos todos iguais, apenas temos emprego e funções diferentes, não poderia trabalhar se ela não existisse.. simples assim!

  11. Sinceramente acho que vc Vanessa nao sabe doque esta falando.Nao sabe o que é respeito e nem amor pelo proximo.Tente se colocar no lugar da baba e reflita: se fosso comigo?tanta dedicaçao e amor pelos filhos dos outros e ficar jogada em um canto…antes de criticar pense..

  12. Realmente não consigo entender….Se é um passeio familiar, porque a babá tem que ir junto? Porque pelo menos nesse momento os pais não podem cuidar dos filhos e dar um pouco de atenção? Agora se é um passeio de amigos com casais sem filhos, para que levar a criança e deixá-la de escanteio tanto quanto a babá (pelo que entendi a mesa era para 4 pessoas, e tinha 4 adultos, a criança e a babá?). Eu consigo entender o que a Fabi sentiu nesse momento. Há alguns anos atras, quando ainda não tinha filhos, viajei com meu marido para um hotel em Brotas e lá presenciei uma cena que nunca mais pude esquecer. No mesmo hotel estavam hospedados um casal com dois filhos gêmeos de aproximadamente 3 aninhos (um menino e uma menina) e mais amigos sem filhos. As crianças eram simplesmente lindas…Os pais levaram duas babás para o passeio e elas participavam das refeições e do lazer do hotel junto com todos, mas o lazer das crianças (como entrar na piscina e brincadeiras) era sempre com as babás. Um dia no café da manhã uma cena chamou muito minha atenção, não tive como evitar! O menino pediu para o pai um pedaço de bolo, o pai simplesmente respondeu que a Maria (babá) daria para ele. O menino chorou e disse que queria que o pai desse para ele. O pai disse que não daria. A babá pegou o bolo, o menininho quis pegar o bolo com as mãos, o pai novamente brigou disse que tinha que ser com talheres, o menino que estava triste ficou mais triste ainda. Meu coração doeu. Parece bobo mas eu senti dó da criança. Ele queria a atenção do pai quando pediu o bolo e o pai recusou uma coisa tão simples porque era função da babá alimentar o filho dele? Agora que tenho meus filhos, gostamos de viajar porque sentimos que nas viagens podemos dedicar mais tempo para os nossos filhos. Na correria do dia a dia, muitas vezes comemos rápido demais, damos banho rápido demais e brincamos pouco por conta de todas as obrigações que temos. Quando viajamos muitas obrigações ficam em casa e podemos curtir mais nossos filhos. Então realmente não consigo entender porque fazer as babás acompanharem os poucos momentos de lazer que as crianças podem ter com seus pais. No RJ a gente vê babas de uniforme na areia da praia em pleno verão de 40º acompanhando os patrões (muitas vezes “celebridades”) com roupa de banho ou passeando pelo shopping. Nos EUA você vê artistas que andam e passeiam com seus filhos sem nenhuma funcionária de uniforme branco para acompanhar. Não tenho babá, optei em cuidar dos meus filhos. Mas quando temos que trabalhar fora são pessoas que precisamos sim para cuidar dos nossos filhos no dia a dia. Minha pergunta é porque babás até no lazer? Que momentos essas crianças tem apenas com os pais?

  13. Vanessa, eu super concordo com voce, e tbm acho errado julgar essa família, nao sabemos a situação exata e talvez a pessoa a observar e escrever o texto estava mais incomodada do que a própria baba. Acho tbm errado julgar a mae q tem baba e a leva pro restaurante, pro shopping ou q nao trabalha. Essa eh uma escolha pessoal de cada um e nao significa q aquela criança recebe mais ou menos amor e atenção do q as outras. Nao sabemos o q acontece dentro da casa de cada um, fato eh q se as pessoas criticassem e julgassem menos e cada um cuidasse de sua propria vida / casa / filhos da maneira q achar mais correto, as pessoas seriam mais felizes.

  14. Ótimo texto! Escrevi recentemente um post sobre babás no meu blog. Moro na Suíça e acabei de passar cinco semanas em São Paulo, onde fiquei chocada com algumas cenas que presenciei.

  15. Quem consultar o relato de uma babá alemã trilíngue,pois era alsaciana e dominava bem o francês e o alemão ao chegar no Brasil por volta de 1879, e foi trabalhar para uma família de barões do café, os Prado, a partir de 1880, impressiona-se com a não educação das crianças daquela época. Era um jogo de hierarquia e submissão onde quem tinha mais poder no clã mandava, e a escala ia descendo até os níveis da criadagem, onde o direito era nenhum. Não surpreende o que foi detectado pela autora do blog nos dias atuais.
    Numa sociedade pós escravista como a nossa, qualquer um que esteja em subalternidade é invisível,ignorado e excluído, faz parte da paisagem. Já foi feito estudo de campo por um professor da USP. Ao passar uma temporada com faxineiros, vestido como eles, sequer foi reconhecido por colegas e alunos.
    Eis a elite intelectual do país. A classe dirigente e dominante. Como não refletiria no comportamento geral de todos?

  16. o mais triste q acho – é fazer isto com cm falta de respeito ao ser humano – independente da profissão . é muito ruim mesmo, ótima reflexão. Pq todos merecem respeito, alguns não vão valorizá-lo, mas é a atitude correta.

  17. Fabi, sensacional! Parabéns!
    Sou Pedagoga, mãe de uma menina de 2 anos e baba em NY. Eu já trabalhei para mãe inexperiente,mas humilde para pedir minha ajuda, e mãe prepotente e orgulhosa que depois sempre me dizia: – você tinha razão ….
    Educação vem de “berço” não do “bolso” . filho precisa de atenção e carinho dos Pais, não de baba 24h 7dias por semana!
    Essa mãe devia ter deixado a baba em casa com a criança, todos teriam se divertido, mas brasileiro precisa de status!
    Acordem!

  18. Eu tenho um casal de gêmeos! E preciso de uma baba que durma! Consequentemente, ela vive a maior parte do tempo na nossa casa! Cuidando dos nossos filhos! Assim, quero que ela se sinta muito bem! E feliz! Quando viajamos, ela come junto conosco! Ou seja, ela faz parte da família! E todo este carinho ela retribui da melhor forma! Dando amor para os nossos filhos e até cuidando da nossa casa e da gente sem obrigação nenhuma de fazê-lo! Com certeza e dando que se recebe! E ninguém eh melhor que ninguém! Todos nós somos iguais perante Deus!

  19. Oi, gente. Depois de ler o texto e todos os comentários, pensei bastante sobre o assunto … Acho que a Vanessa esta certa. Se fosse ha um tempo atras, acharia absurdo. Hoje não mais. Empregada domestica ( sim, empregada, não ajudante e funcionaria ) e babás são trabalhadoras comuns. Não existe isso de “ah, mas ela é da família !” Não , não é. Antes ela era escrava. E não falo de 20 anos atras, falo de 2 anos … Sem horário pra sair, sem hora extra … Agora elas tem direitos, a relação ficou muito mais profissional. E agora imagine, saio com um casal de amigos e meu filho. Não quero que a baba participe do almoço . Estou errada ? Eu tenho a obrigação de faze-la participar do meu almoço, do meu momento de lazer com meus amigos e filho ? Lógico que ela tem que almoçar, mas precisa ser junto comigo ? E se ela estivesse sentada em outra mesa, isolada com a criança, a mae não estaria sendo julgada por abandonar o filho ? Estou gravida do meu primeiro filho e é provável que precise de babá e o tipo de relação que terei com ela me preocupa. Difícil, né ?

    • Oi Gabriela, eu não acho que tem que ser como alguém da família. Sim, ela está a trabalho. E por isso mesmo merece ser bem tratada, com dignidade e espaço. Só que essa é uma relação delicada pois ao mesmo tempo em que ela não é da família, também não é uma profissional que chega, faz o trabalho e você vê uma ou duas vezes por ano. É alguém que mora ou praticamente mora em sua casa, cuida e educa seu filho, as vezes por mais tempo do que você mesma poderá. Por isso acho que tem que ser diferente. E, ao contrário da moça dos eventos, ela não costuma ter o direito de sair e ir na esquina para tomar um cafezinho. Pessoalmente, acho que os momentos em que estou com meu filho, não preciso da babá. Em um almoço de domingo, por exemplo, acho que é muito mais gostoso só eu e ele e nossa família. Mas isso já é o meu estilo e minha opção…

  20. Ok, deixemos de lado por um instante a possibilidade de um tratamento mais pessoal e familiar com a babá de seu filho. Sejamos agora apenas profissionais, práticos…. SEU FILHO SERÁ TRATADO PELA BABÁ DA MESMA MANEIRA QUE VOCÊ A TRATAR. Dar comida por exemplo! Pode ser um momento importante, carinhoso, ou apenas enfiar um garfo com comida na boca de uma criança. O salário e as leis sociais só garantem a segunda opção.

  21. Pois é … É uma relação complicada mesmo ! O limite patroa/ amiga é difícil de estabelecer, pelo menos pra mim, nunca consegui ser patroa, sempre a amiga … E de repente minha empregada estava trazendo os 2 filhos aqui em casa durante o seu período de trabalho … Rs … Por isso q acho quero manter a relação o mais profissional possível a partir de agora e fiquei muito satisfeita com a regulamentação da profissão. A empregada dos meus pais trabalha com eles ha anos. E vira mexe, ela almoça junto com a minha mae, sabe das brigas dos 2, da palpites … Mas essa proximidade tem seus inconvenientes. As vezes minha mae quer q ela faça alguma coisa de uma maneira melhor e não tem coragem de pedir , ela faz tudo do jeito que ela quer …. Outra coisa, também não quero baba nos meus períodos de folga não … Ja não basta o tempo que vou ficar longe do meu bebe durante a semana …
    Parabens pelo blog … Descobri recentemente e já li quase todos os posts !

  22. Encontrei seu blog por acaso. Após ler esse post me surpreendi com os comentários (de uma forma bem ruim!). Não tenho filhos, mas eu e meus dois irmãos tivemos duas babás. Uma babá dos meus 2 aos 12 anos e outra dos meus 6 até atuais 21. Obviamente esta última mudou de função, afinal minha irmã mais nova já está com 16 anos. Hoje em dia ela faz a faxina e dirige para minha irmã.

    A primeira saiu da minha casa pois meus pais a incentivaram a fazer cursos para virar secretária, pois era o sonho dela e ela fez enquanto trabalhava lá, quando se formou nos cursos, foi embora. Nosso motorista também fez técnico e foi trabalhar com isso. Essa que continuou conosco, meus pais incentivaram ela a acabar o ensino médio, pagaram carta de motorista para ela, mas ela não quis fazer faculdade ou curso.

    Essa cena me parece algo surreal! Na minha casa, elas sempre se sentavam conosco, comiam das mesmas comidas, participavam da viagem ou passeio normalmente. Meus pais nunca proibiram elas de fazerem nada. Nem uniforme elas usavam, era apenas uma roupa básica, como uma legging e uma camiseta larguinha.
    Acho horrível quem obriga as babás a usar uniforme, como se fosse para TODO mundo ver que elas NÃO são da família, não tem nada a ver com você. Como se houvesse necessidade de estampar “empregada” na testa dela.

    Hoje em dia, a moça que ainda trabalha na minha casa tem uma filha, de quase dois anos e até o primeiro ano ela ia junto com a mãe para o serviço. Virou o xodó lá de casa, minha mãe que hoje é aposentada passa muito tempo com ela e agora que dois dos filhos não moram mais em casa, ela pode passar tempo com uma criança e matar saudades de nós hahaha. Eu sou apaixonada pela criança, ela me chama de tia e me trata como tal.

    Eu acredito que eu devo tratar as pessoas como eu quero ser tratada. Meus pais trataram as babás com muito respeito, e nós ganhamos muito amor delas! Hoje em dia retribuímos todo o carinho e amor que ela nos passou para a filha dela.

  23. Nossa, como eu me espantei com os comentários…Quer dizer que permitir a uma pessoa que saia sem farda, oferecer um prato de comida ou uma bebida e até interagir com ela, o mínimo que seja (perguntando se está com fome ou sede) é algo ruim? A autora não sugeriu que patroas (odeio essa palavra) e babás fossem amigas, mas tratar a pessoa que cuida do seu filho com o mínimo de respeito é lição de caráter ou então essa nova geração vai achar que a babá é tipo o seu tablet.

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