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Esses dias li esse artigo da Laura Gutman,  escritora argentina que tem um livro razoavelmente famoso entre as mães, Maternidade, o Encontro com a Própria Sombra. Ela questionava a escola de hoje. E eu pensei em quando eu ia pra escola, uma escola municipal normal, comum, em que a professora nos dava desenho de mimiógrafo e reguadas na cabeça. Ok, isso acabou (será?). Aí pensei na escola do meu filho e reparei que em três anos de ensino fundamental nunca ouvi ele reclamando que tal aula era chata ou que não gostava de uma ou outra matéria. Já reclamou das professoras, claro, mas que abismo há entre a escola que eu frequentei e a do meu filho hoje. Apesar de acordar às 6h da manhã, ele vai feliz para a aula. Acho que essa é uma boa medida para o sucesso de uma instituição de ensino. Criança tem que ir alegre estudar. Mas não é a única medida, claro. Aqui está o artigo de Laura, em que ela fala das outras medidas.

Pra que serve a escola?*

“Todos compartilhamos um grande respeito pela educação escolar e pretendemos enviar nossos filhos para a “melhor escola ” . Mas o que faz a “melhor escola” ? Uma em que se “aprende mais” . O que se deve aprender? Inglês, claro. Sem Inglês não se vai a lugar nenhum. E informática, para conseguir trabalho. E matemática. Consideramos também uma “boa escola” aquela em que “há muitas atividades”. Mas sob as boas intenções exista outra realidade: a criança deve estar em algum lugar durante todo o dia, porque a mãe e o pai – se é que existe um  – trabalham. Quem cuidaria dela? Não há outros adultos disponíveis. Além disso, todas as crianças vão para a escola. Vamos dizer que é uma questão muito importante na organização social: as crianças vão para a escola enquanto os pais trabalham .

Mas nossos filhos gostam de ir para a escola todas as manhãs? Eles vão felizes e pedem para ser levados? Não? Então, por que os levamos? Porque nós passamos por algo pior que isso e agora é a hora da revanche?

Vamos justificar dizendo que se uma criança não vai para a escola, não vai encontrar outras crianças em lugar nenhum. Essa necessidade de que as crianças interajam com seus pares é algo que temos delegado à escola, mas não é sua função. No entanto, quanto mais tempo passam na escola, menos tempo ficam em casa. O que significa que a criança terá menos tempo para a intimidade com a família, menos brincadeiras, menos contato afetuoso com seus pais e irmãos. Neste ponto, temos uma criança em piores condições emocionais.

E, pensando no professor, alguém se importa se ele tem habilidades emocionais para abordar a criança em todas as suas dimensões? A escola se encarrega de formá-lo dentro de todos os leques do conhecimento humano, da psicologia e da espiritualidade? Um professor pode ser responsável por um grupo de crianças se só sabe matemática ou Inglês ? Por que delegar o acesso ao conhecimento, à educação e aos valores morais a pessoas que mal conhecemos ?

Que confusão. No entanto, não podemos nos arriscar a imaginar uma escola criativa, adaptada às reais necessidades de cada criança, feliz, divertida, onde todos são convidados a desenvolver as suas melhores qualidades? Seria tão difícil ensinar o que nós amamos em vez de ensinar o que é necessário? Somos capazes de aprender com as crianças? Ousamos respeitar as crianças, mesmo que não tenhamos sido respeitados? Podemos curar essa raiva atual e fazer o bem para os outros? Estamos interessados ​​em construir um mundo em que ir à escola é tão bonito, feliz e saudável quanto um passeio? Que mundo … que mundo seria esse, com escolas cheias de crianças felizes. Que inteligentes e sábios seriam.”

*Por Laura Gutman

Traduzido por Fabi Corrêa

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