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Ao longo desses 6 meses de blog recebi mensagens de algumas mães dizendo que se sentiam culpadas porque, ao ler uma ou outra história que publicamos, se deram conta que tinham feito “tudo errado” com seus filhos. Que tinham deixado muito tempo em frente à TV ou forçado a entra na escola muito cedo. Ou que tinham, trabalhano tempo demais sem prestar tanta atenção ao filho quanto gostariam. Ou que poderiam ter brincado mais ou que deram tanto poder que o moleque virou um pequeno Kim Jon-un, o ditador mimado da Coréia do Norte. E aí eu leio mais um pouco e descubro que o filho da tal leitora tem 5 ou 6 anos (!).

Gente, calma. Com essa idade ainda temos tanto pra fazer. E, se “erramos” porque não tínhamos informação ou consciência, é bom lembrar que vamos “errar” mesmo depois de ter. Começando por mim, vou ter que confessar que, se eu estou escrevendo qualquer um desses posts ou se estou posando de sabichona por aí é porque, pode ter certeza, fiz muita “coisa errada” na educação do Antonio. Algumas delas estão se voltando contra mim em forma de malcriações, outras não eram tão erradas quanto eu imaginei.

E o que pode ser tão errado assim quando agimos com amor e consciência? Aí que está. Esse é outro mal que nos aflige. Tem alguma coisa no ar atualmente que nos leva a querer a perfeição o tempo todo. Você acha que sua mãe era desse jeito, tão preocupada? Se fosse, não teria criado 4 filhos, tenha certeza. Essas neuras, queridas mamães, que eu também tenho todos os dias, não nos servem pra muita coisa. Minha proposta é acabar logo com elas. Tá, muito radical, eu sei. Rudolf Steiner diz que a humanidade está vivendo, atualmente, na alma da consciência (significa que chegamos a um ponto em que estamos de fato mais aptos a sermos conscientes, mas isso também significa sermos mais preocupados) . Então pelo menos não vamos deixar nosso excesso de consciência se transformar em neuras insolúveis que nos barram de agir e melhorar a cada dia. Já é um começo, né?

Tem mesmo coisas que não saem do jeito que gostaríamos. Eu mesma demorei 7 anos para conseguir trabalhar menos tempo para passar mais tempo com meu pequeno. Durante 7 anos, muitas vezes, dirigi para o trabalho chorando pois meu filho estava dando chilique com a babá porque não queria que eu saísse. Mas também não tinha consciência que podia ser diferente e nem sabia como mudar (obrigada à minha terapeuta, Anna Rezende, por ter me ajudado olimpicamente nesse processo).

Chorei muitas e muitas lágrimas por tristeza, culpa e por achar que não estava cumprindo minha missão de mãe como sonhei. Mas o que importa é que uma hora tomei tento, parei de sonhar e agi. Então, se você leu qualquer um dos posts desse blog e se sentiu tocada por alguma frase, se algo fez seu peito apertar, se sentiu-se mal porque está fazendo diferente do que gostaria, bom sinal! Sinal de que ainda dá tempo. Sempre é tempo quando se trata de nossos filhos. Afinal, ao contrário de amigos ou de namorados, eles sempre serão nossos filhos. Não dá pra desfazer esse laço. Claro que quando eles são crianças é que somos essenciais. Quando eles são crianças é que temos um papel essencial. Mas se os seus já cresceram e agora você se deu conta de que gostaria de ter feito assim ou assado, olhe pra eles. Será que deu mesmo tão errado assim? Tem um amigo mais velho que passou a vida correndo atrás da carreira até virar um alto executivo de uma super multinacional. Seu sucesso profissional foi imenso, juntou grana, fez tudo o que queria. Mas um dia me disse, com emoção nos olhos, que só se arrependia de não ter passado mais tempo com o filho. Que, por conta do trabalho, só o via no final de semana e mesmo assim estava preocupado com a empresa. Como o filho já é adulto, ele deu um jeito de se aproximar: usa as economias que fez para viajar para lugares incríveis com o rapaz. E, juntos, curtem muito.

Eu também tenho muitas tristezas por ter me dado conta de algumas coisas tarde demais. Tem coisas que importam mesmo nessa primeira infância, ou na amamentação ou até mesmo logo que o bebê sai da maternidade. Mas será que é mesmo tarde demais pra tantas coisas assim? Essas alminhas acabaram de chegar na Terra, temos tantas coisas a ensinar e tantas coisas a viver juntos. Mesmo que seja tarde para algumas atitudes ou mudanças, temos tantas outras pela frente. De novo, como disse Steiner, educar uma criança é auto-educação. E mesmo quando a gente faz tudo “certo” como manda a cartilha, uma coisa eu sei: muitas coisas vão dar “errado”. Seu filho, como todo mundo, vai ter os traumas dele, não vai ser perfeito e talvez não aprenda a pintar como Picasso. E não é essa a beleza da vida? Saber que, mesmo quando as coisas fogem ao nosso controle (e sempre vão fugir porque não estamos criando robôs, mas pessoas que também vieram a esse mundo para fazer sua própria história, para cumprir sua própria missão, independentemente do que traçamos ou esperamos deles), elas podem dar muito certo?

A todas essas mães que me escreveram – e às que não escreveram, mas pensaram, porque culpa faz parte da maternidade – o que tenho a dizer é que nosso amor e nossa dedicação é o que conta no frigir dos ovos. É o que eles irão levar para a vida. É o abrigo para onde irão correr quando a tempestade apertar. E acho que, não importa o que a gente faça, certo ou errado, seremos motivo de muitas sessões de terapia lá na frente…rs. Então vamos todas relaxar, dar a nossos filhos o melhor que temos e confiar no futuro. Dentro ou fora dos nossos planos, com amor, confiança no mundo espiritual, no final dá tudo certo. E, quando vejo meu filho feliz e contente, como nessa foto acima, brincando sem pensar no amanhã, tenho certeza de que nada poderia ter dado mais certo na minha vida.

Por Fabi Corrêa

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8 pensamentos em ““Fiz tudo errado na educação do meu filho”. Será mesmo?

  1. Fabi,
    Comecei a ler seu Blog hj e já me emocionei tanto. Eu tenho castelos de culpas e olha que meu pequeno só tem 2 anos e meio. Então, o seu post foi um bálsamo para mim (especialmente pelo fato de que deixei meu filho chorando com a babá e fui para o trabalho sentindo-me a pior das mães). E concordo muito com vc: as culpas nos acompanham, mas temos que ter consciência de que fazemos o melhor, mas não somos perfeitas. Onde falharmos, Deus há de completar.
    Jaqueline Lima
    http://deliciasdeumamaemoderna.blogspot.com.br/

    • Jaqueline, isso dói. E muito. Mas fazemos tudo o que podemos e estamos lá por eles de diferentes maneiras. Muito boa sorte.

  2. Mais uma vez um texto que caiu como uma luva..te agradeço em prantos…depois de 4 anos tentando acertar ,e ver que muitas coisas não deram certo e não ter tanto apoio familiar por agir diferente (não bater é uma delas )vejo que é possivel consertar…vejo que não sou apenas eu nesse mar de duvidas…e que me faz ter força pra respirar e começar tudo outra vez..de um jeito diferente pois eu não sabia antes o que sei agora…gratidão!

    • As respostas, na maioria das vezes, estão dentro da gente, Camila. Mas tem muita opinião nesse mundo de hoje né? Esse blog é uma delas…rs. Espero que você encontre seu caminho e suas respostas. Beijão!

  3. Que lindas suas palavras! Como mãe de dois anjinhos, e constantemente assolada pela culpa de trabalhar fora, não ter o tempo que gostaria, etc, me identifico com cada palavra que leio, e gostaria de te dizer o quanto suas publicações me emocionam e me encorajam a pensar no que posso mudar para ter uma qualidade de vida melhor com meus pequenos. Que Deus lhe abençoe na sua jornada!!

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