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Hoje pela manhã, tomando meu café, que ficou aguado de repente, entendi como nunca o nome que demos a esse blog. Antes que eles Cresçam. E entendi também aquela história que dizem que, depois que você tem filhos, nunca mais fica sozinha. Vi tantas mães já velhinhas “abandonadas” pelos filhos que nunca captei essa história. Mas eu saquei que, por mais que os seus já estejam crescidos – e o meu já esta quase lá –  em alguns momentos, muito tênues, é quase como se pudéssemos sentir o que se passa no coraçãozinho deles. Sei que sentimento é intraduzível e cada um sente de um jeito, mas  depois que você tem filhos, em alguns momentos sofre tanto ou mais que eles com as crises, frustrações e se alegra loucamente com as conquistas. Por isso nunca mais está sozinha.

Meu filho, prestes a fazer 10 anos, está quase crescido. Se perguntando onde é que está, se dando conta que está nesse mundo pra valer e que veio para construir, encontrar e aprender, como todos. Então, enquanto eu dirigia a caminho da escola, ele foi cantando uma música que a professora de classe está trabalhando com a turma. Chama-se Sol, Lua e Estrela, da dupla Palavra Cantada. Vocês conhecem? Ela diz assim:

Quando a lua chega de onde mesmo que ela vem?
Quando a gente nasce já começa a perguntar
Quem sou?
Quem é?
Onde é que estou?

Mas quando amanhece quem é que acorda o sol?
Quando a gente acorda já começa a imaginar
Pra onde é que eu vou?
Qual é?
No que é que isso vai dar?

E eu lembrei da Cris falando do sucesso de Frozen na semana passada e de como as crianças cantam e repetem o que lhes fala ao coração. E essa música, que a professora não escolheu à toa, falou muito ao coração das crianças do quarto ano (saindo do assunto, para mim é aí que reside a beleza da pedagogia Waldorf: nada é a toa, por mais à toa que pareça. Claro que as crianças não recebem nenhuma explicação do porque estão cantando essa música agora. Elas apenas cantam. E, cantando, compreendem com a emoção, não com a razão). Eles estão, aos 9 ou 10 anos de idade, chegando na Terra, percebendo que estão crescendo e, junto com tudo isso, vêm todas essas questões existenciais. É o broto do que mais tarde serão nossos famosos “de onde vim, para onde vou?”. E foi na última apresentação de classe que meu filho cantou essa música. Desligado que é, esqueceu de levar sua flauta. Então, enquanto todos tocavam, ele cantou junto com a professora. E eu nem sabia que ele era tão afinado! Ele não cantou com a cabeça no mundo da lua, como fez outras vezes, ele cantou totalmente com seu coração de quase 10 anos.

Dessa vez não chorei, como sempre faço. Dessa vez senti um pouco do que ele sentia. Quem é? Onde é que estou? No que é que isso vai dar?  E percebi que falta pouco para ele sair da infância. E tive tanta vontade de abraçá-lo. Tive vontade de segurá-lo pra sempre em um abraço, daqueles de mãe bem coruja, que não deixam o filho crescer. Mas também sei já não dá mais pra fazer isso por muito tempo, então apenas senti seu espanto, sua curiosidade ao chegar nesse mundo de corpo inteiro, ao ver agora tudo como é, de fato, o que o rodeia e quem o rodeia, de querer saber onde é que isso vai dar. Vai ver que revivi o que passei nessa mesma idade, em que estava me dando conta desse mundão véio sem porteira. E aí percebi, como nunca, porque é que depois que você tem filhos, nunca mais está sozinha. Porque é como se seu coração tivesse dado frutos. Mesmo depois que eles crescem.

Aqui, o video do Palavra Cantada com uma menininha linda cantando a tal da música que meu filho cantou no carro. Sol, Lua e Estrela. Tentei fazer meu filho cantar e tocar flauta em frente à câmera, mas fica pra outro dia.

 

Por Fabi Corrêa

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9 pensamentos em “Depois que tem filhos, você nunca mais está sozinha

  1. Que lindo! chorei … Hoje quase tudo está me fazendo chorar … até mesmo se tiver alguma inauguração de supermercado é capaz que eu chore…rsrs. Já chorei na clinica que não atendeu meu filho, chorei com os comentários da minha irmã, chorei olhando pra Mel aff deixa eu parar pra não chorar…

  2. Texto lindo Fabi, como todos os seus textos. Mas me chamou a atenção. Puxa passo por isso tb, minha Marcela hoje com 11 tá nessa fase, e a Luísa com 6 anos parece que tá indo mais rápido que a irmã. E eu como mãe tô sofrendo, juro! Sinto medo de passar rápido e perder algo! Será que toda mãe é assim ou tô ficando doida? De qq forma tenho aproveitado ao máximo cada segundo do presente para não me arrepender no futuro. Dias complicados e aí chego em casa e entro no mundo delas, uau! Muda tudo, o sorriso contagia, as risadas por qq motivo me animam a continuar… Seus posts tb, me animam querida, valeu mesmo! beijão
    Ciça

    • Querida lindíssima, todas as mães são assim…rs Eu sou! A gente sempre gostaria de estar mais, sente que está perdendo porque de fato acontece tanta coisa. O Antonio daqui a pouco tá um homem…rs. E as suas são lindas, saudáveis, amorosas. Tenho certeza que elas já sentem orgulho de tudo o que você é e faz. Te admiro. Obrigada por me animar também. beijo

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