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Fiquei muito honrada de receber o convite do portal Minha Mãe que Disse para escrever um texto. Aproveitei a oportunidade para dividir o que aprendi em uma palestra que fui e acho que traz uma reflexão rica e que pode beneficiar muitas pessoas. Por isso decidi publicar aqui também. Depois me conta se gostou. 

Essa semana fui na palestra do Whitney MacDonald que tem mais de 20 anos de experiência em educação Waldorf nos Estados Unidos e internacionalmente. 

Ele começou a palestra dizendo: Tenho quase 60 anos e posso dizer que passei minha vida procurando alguém que pensasse como eu, que tivesse os mesmos interesses do que eu, a mesma vontade, os mesmos sonhos e não encontrei. Em algum momento aquela pessoa que parecia ser “a certa” tinha alguma ideia diferente da minha.

Depois ele falou que pensar+sentir+querer juntos desenvolvem o amor incondicional. (Esses três verbos são frequentes em qualquer leitura do Rudolf Steiner e são o norte dentro da pedagogia Waldorf)

O que será o amor incondicional? Amor de mãe? Amor de filho? Esse talvez a gente conheça. Mas amor incondicional não é o que todas as religiões também pregam? Se lembrar tudo o que leu e entendeu sobre as mais diferentes religiões vai ver que essa é sempre a essência. Parecendo assim ser a nossa grande saída espiritual.

O palestrante seguiu em frente falando que estamos na era do pensamento. Racionalizamos tudo. Até as religiões, que antes eram recebidas sem muito questionamento pelos fiéis, agora viraram temas de estudo. Grupos de leituras. As pessoas querem questionar, pensar e concluir suas próprias respostas.

Quando a fórmula pensar+sentir+querer está quebrada e só pensamos, desenvolvemos (ao invés do amor incondicional) a antipatia. E com ela o sentimento de solidão. Começamos a nos sentir desconectados. Completamente separados uns dos outros. E o resultado é a violência randômica a qual estamos vivenciando.

Quando você não se sente mais conectado a nada, não consegue reconhecer o divino que vive dentro de cada um de nós. E começamos a julgar os outros muito rapidamente. 

Acho que era sobre isso que Madre Teresa se referia quando uma vez foi perguntada por um radialista “O que posso fazer por você e pelas causas sociais que luta?” E ela respondeu: “Nada”. Ele insistiu muitas vezes. Dizendo que várias marcas patrocinavam o programa então ela podia pedir sem medo. E então Madre Teresa respondeu: “Se insiste em ajudar. Quero que você vá hoje à noite na rua e todos os mendigos que encontrar em situação de desespero, quero que se aproxime e diga: você não está sozinho.”

Também acho que era isso que queria dizer Dalai Lama quando falou na sua terceira visita ao Brasil em 2011. “As pessoas estão muito deprimidas porque estão vivendo de forma muito egoísta. Experimente parar de pensar só em você e vai ver como somos todos conectados. E quem não se sente sozinho, não se sente deprimido.”

As palavras muitas vezes banalizam e simplificam todo tipo de coisa. Mas quando Buda teve a grande revelação e disse “Estamos todos conectados”. A mensagem precisa ser entendida de uma forma mais profunda do que aquilo que aparece nas letras.

Copérnico olhou as estrelas durante anos e deixando de lado todas as teorias e preconceitos que existiam na época sobre o movimento da terra ele fez sua própria ideia. E mudou o conceito. Para isso ele precisou observar mais e pensar menos.

Sem julgamentos conseguimos desenvolver o espírito de comunidade. Seja na família, na escola dos filhos, no prédio, na rua onde mora, se ao invés dos julgamentos procuramos observar (sem pensar, sem concluir) corremos o risco de desenvolver algo maior do que a “certeza” de que aquela é uma péssima mãe. (Aquela que você nunca conversou na vida) Só para citar um exemplo.

Sem viver em uma comunidade e nos isolando com nossos pensamentos (sobre nós e sobre os outros) não estamos dando chance para que as mudanças dentro de nós mesmos aconteçam. O que é o mesmo que na música “quem já passou por essa vida e não viveu”.

Difícil? De repente como bancar a simpática? De repente como ouvir aqueles que você sempre passou direto? Como perguntar àquela pessoa que te olha estranho se ela quer conversar? Como tentar dialogar com os pais daquela criança “problema” na classe e ver se eles precisam de alguma ajuda?

E o palestrante termina dizendo:

Quando fazemos algo que não sabemos como e corremos o risco de falhar, esse é o momento onde o divino chega até nós.

Então vamos lá.

Por Cris Leão

11 pensamentos em “Pensamos muito, conectamos pouco

  1. “O Humano em toda a sua abrangência não chega de fato a se manifestar através de qualquer ser humano isolado, nem dos membros de um povo sozinho. Manifesta-se apenas através da humanidade inteira.

    E se quiseres, o Homem, reconhecer o que tu és quando completo, percorre então as particularidades dos distintos povos da Terra. Recolhe tudo aquilo que por ti mesmo não podes ter; só então te tornarás o homem completo, o qual já tens em ti.

    Faz-te atento, apenas, ao que há em teu interior. O que no outro se revela, tu não o tens: no outro precisas buscá-lo. Disse tens, porém, necessidade. Tu o sentes e sabes, quando encontras no outro o que é nele o grande, o que lhe é particular, e isso atua sobre ti profundamente, pois é uma necessidade, que tu não possa ser sem aquilo que do outro recebes, pois que responde a teu desejo anímico-espiritual interior. A constituição básica para Ser Humano completo já existe em cada um; o preenchimento, porém, temos de encontrá-lo ao peregrinarmos através das particularidades do Ser dos distintos povos, espalhados como estão por sobre a Terra.

    (…) esse Pleno-Homem completo existe em nós apenas como necessidade, e, portanto em nós essa necessidade deveria madurificar-se em amor pela Entidade Humana toda, pela Entidade Humana que nós não temos, que podemos adquirir quando buscamos com dedicação reconhecer a Ser que vive, justamente com o nosso povo, nos outros povos da Terra.”

  2. Cris,concordo plenamente com seu artigo.Acho,por ex,que quando focamos nosso trabalho no fato dele instrumentalizar um bem ao outro e não cobramos dele uma perfeição para nos auto promover,nos sentimos muito felizes com seu resultado,mesmo que não seja perfeito.Tem um livro que adoro reler”A arte da felicidade”.São entrevistas feitas com o Dalai Lama por um psiquiatra americano.Acho que para não julgarmos as pessoas,devemos fazer o que o autor deste livro citado fala na pag 101″em vez de salientarmos as diferenças secundárias entre eu e o outro,devemos encontrar os pontos comuns:todos nascemos,todos morremos.Todos desejamos a felicidade e não queremos sofrer”
    .Assim,ao olharmos os outros desta forma,temos a impressão de estar vendo alguém igualzinho a mim e não pior,por ex,e que possa julgá-lo por estas diferenças de atitudes que tem.Beijos,Alice

  3. É sempre bom ter alguém para dar uma sacudida nos nossos pensamentos e fazermos rever o que realmente estar aos nossos olhos sem a capa que costumamos colocar……… Obrigada, Cris, por você ter a sensibilidade de transmitir a vida como ela pode ser.
    No dia-a-dia parece não ser fácil, mas vamos à luta.

  4. Esse post foi o post TOPPPPP!!!! quando terminei de ler, disse pra mim mesma… PARA TUDO! tenho que escrever pra elas e fazer um agradecimento por tudo que já aprendi e quanto a minha vida mudou por conta desse blog…amoooo muitissimoooo obrigada

  5. Me apaixonei pelo teu blog, não só por ser o lugar em que conheci a antroposofia e a pedagogia Waldorf, mas pelas palavras vindas do coração, presentes em cada postagem.

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