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Em 7 meses de blog, recebemos muitas histórias e testemunhos emocionantes. Mulheres solteiras ou separadas que se desdobram para criar os filhos sozinhas. Mulheres bem sucedidas que decidem largar o emprego para educar seus filhos. É incrível ver a força que existe dentro dessas mulheres, capaz de carregar um amor maior que o mundo. Esse mundão besta, que se preocupa tanto com as aparências e com tanta coisa fútil. Com um montão de gente cheia de certezas na cabeça e pouco amor no coração. Mas enquanto existirem mães, acho que podemos ter esperança.

Como no texto do jornalista Bruno Paes Manso, publicado no Estadão: “As mães são a rocha onde nos fincamos, nossa terra, nossa mátria, a mais sólida de todas as instituições, que se legitima pelo amor que pode nos oferecer. É sempre imensa a chance de uma delas ter vivido uma história de coragem que poderia inspirar livros.”

Acredito nisso e, sendo assim, gostaria de dividir com vocês o lindo testemunho da Ana Castelo Branco. (enviado para nós no dia 25 de Novembro de 2013 e guardado até hoje com muito carinho)

Aconteceu 24 horas depois do parto. O médico entrou no meu quarto e ficou zanzando de lá pra cá cheio de conversa mole. Mas não desconfiei. Ele estava esperando meu marido voltar do jantar para dar a notícia. Para mim, porque meu marido já sabia. Imagina a situação: você, no restaurante do hospital, finalmente tomando um drink com seus amigos. Feliz da vida, celebrando seu primeiro filho. De repente, surgem o ginecologista e o pediatra pedindo para conversar ali fora. Fico pensando no que passou pela cabeça e pelo coração dele. Pior, imagino como ele se sentiu ao voltar para mesa, depois de receber a notícia, tendo que encarar novamente os amigos e o copo de whisky que seguiam com a celebração. Os médicos perguntaram a ele se deviam me dar logo a notícia ou se era melhor esperar o resultado do exame de cariótipo, que confirmaria o diagnóstico. Ele respondeu que preferia contar logo. Não conheço palavras que possam expressar o agradecimento que sinto por esta decisão. Para mim, foi uma grande prova de que somos um casal de verdade, de que meu marido sabe que estamos juntos para o que der e vier e, principalmente, de que ele nunca vai me deixar no escuro. Morro de medo do escuro.

Voltando ao quarto, meu marido chegou um pouco depois do médico e trancou a porta. Ainda assim, não me toquei. Mas, quando os dois sentaram no sofá e meu marido fez a introdução dizendo “amor, eu e o doutor estamos aqui para…”, entendi tudo. Não lembro exatamente como ele falou. Recordo apenas de palavras soltas: Mateus, talvez, down. Costumo dizer que neste momento fui sugada para dentro de um filme. Tudo ficou enevoado. Não estou usando esta palavra para efeito dramático. É sério. Tudo ficou enevoado e assim permaneceu durante um bom tempo. Semanas. Naquele momento, eu só tinha duas perguntas na cabeça. A primeira era se a síndrome representava risco à vida do Mateus. O médico garantiu que não. Que ele era muito saudável e, talvez, justamente por isso, nenhum exame pré-natal tenha detectado alterações. A segunda pergunta, eu não tive coragem de fazer. Nem naquele momento e nem nunca. Achei que era uma pergunta muito boba. Um detalhe pequeno demais perto da situação. Fiquei com medo de me acharem fútil, mas o que eu queria mesmo era saber se o Mateus um dia ia sorrir.

Dizem que todo pai e toda mãe idealizam o bebê dos seus sonhos durante os 9 meses da gestação e que, invariavelmente, todos passam, em diferentes graus, por uma coisa chamada frustração narcísica. Porque nenhum bebê nasce exatamente como a gente sonha. Ou ele não vai puxar os olhos azuis do avô como você gostaria. Ou ele vai chorar muito mais do que você imaginava. Não importa. Alguma coisa não vai sair do jeito que você planejou. Eu nunca me preocupei com a cor dos olhos do Mateus. Nunca perdi um segundo sonhando com um bebê Johnson. Mas eu sempre quis ter um bebê risonho. E, como eu sabia muito pouco a respeito da síndrome de down, tive medo que ela roubasse a única coisa que era muito importante para mim. Depois da saúde, claro. Hoje, quase sete meses depois, tenho o bebê mais sorridente que já conheci. Ele nunca vai ter ideia do efeito que aquelas gengivas banguelas causam em mim. Ele já está um pouquinho atrasado para sentar. Provavelmente, também vai demorar mais que os outros para andar e falar. Mas eu não ligo. Para resolver isso, temos a fisioterapia e a fono. Estou realizada. Por estar sendo capaz de fazê-lo feliz. E esta é a única coisa que realmente importa.

Feliz dia das mães, mulheres lindas. : )

Cris Leão

9 pensamentos em “Amor de mãe

  1. Belo depoimento! Emocionante.
    Mas, posso acrescentar que nem toda mãe é essa fonte de amor sem fim… Por vivência própria digo isso. A minha tem muitas qualidades, é uma mulher linda, guerreira e muito corajosa, mas não foi uma mãe com quem eu e meus irmãos tivemos muita afetividade, talvez eu seja a que tenha menos por ser a mais velha. Enfim, apesar disso, todo esse amor e confiança eu tenho (sempre tive) com o meu pai.
    Quando fiquei grávida tive medo denão ser uma boa mãe, tive medo de não saber ser… E hoje quando olho pro meu Miguel sinto paz, porque do meu jeito consegui conquistar o seu amor. Ele me faz sentir vitoriosa e confiante; sei que ele sente esse nosso amor e elo imensos e por isso me sinto hoje capaz de amar a minha mãe sendo do jeito que ela é.
    Feliz dia para nós! Abraços!!!

    • Nossa Julia,super sei sobre o que você fala.Também não tive a mãe que esperava,a minha viveu o turbilhão da separação por anos e nos colocou nele fazendo com que perdessemos nossa infancia e eu,parte da adolescencia.Minha felicidade hoje é saber que posso ser diferente e que meu filho pode ter uma infancia mais feliz que a minha,essa se tornou a minha missão.

  2. lindo!! tocante!!!
    beijos, beijinhos e beijões a todos nós mães, futuras mães, mães de coração, mãe que mima, que luta, que se desdobra!
    feliz dia das mães para todas!!!

  3. Lindo depoimento! Parabéns pela força, Ana! Obrigada por compartilhar, Cris ! Feliz dia para toda , queridas mães guerreiras !

  4. Amor de mãe realmente não é algo desa dimensão .
    Quando tive meu filho depois de muito tempo tentando engravidar, achei que tinha entendido o que é amor de mãe, mas hoje percebo que a gente nunca entende totalmente, porque ele cresce e se renova a cada dia !
    Minha mãe tem alzheimier, e ja se esqueceu de todos, até mesmo do meu pai, com quem conviveu por muito mais tempo do que comigo,…mas de mim ela não se esquece nem por um segundo!!!
    Isso tem me ajudado a compreender um pouco mais dessa dádiva que é ser mãe, um filho é muito mais que uma parte sua, é a prova viva do amor de Deus por nós !!
    Feliz dia das mães à todas nós !

  5. Que lindo! Emocionante!!
    Na minha gestação, nunca tive coragem de pedir beleza para Deus (tinha uma colega de trabalho que todo dia me dizia que tinha pedido para a filha nascer bonita, e que tinha dado certo). De vez em quando, eu pedia saúde, e confesso que me sentia um pouco envergonhada, porque sei que nem todo mundo nasce perfeito. Mas, para mim, o importante era que fosse um espírito do bem, equilibrado, sensato, com amor no coração (porque eu não tenho a menor paciência para gente rebelde sem causa). Isso, eu pedia! Meio envergonhada por pedir. E resolvi negociar: me manda um espírito equilibrado e amoroso mesmo que ele tenha algum probleminha físico (pensava isso, morria de medo, e amenizava com um: miopia serve?). Meu filhote nasceu com uma bactéria e ficou 9 dias na UTI. Passei os primeiros anos analisando-o com lupa, para corrigir eventuais atrasos. Ele é uma criança super feliz, amorosa e generosa! Agradeço a Deus o espírito lindo que recebi.

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