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Um dia eu falei pra Cris, minha amiga que faz esse blog também, que a maternidade não me definia. Ela deu risada. Disse, Fabi, você tem um blog de mães e diz isso. Muito bom, faz um post do assunto! E aí, claro, não fiz. Postergar é comigo mesmo. Achei que nunca seria compreendida, que iria perder todas as leitoras, que iriam me desprezar. Preferi ficar quieta. Mas o tempo passou e eu pensei no assunto. É que eu simplesmente não me defino como mãe, como muitas mulheres se definem (e, gente, isso não é uma crítica!). Algumas até colocam no perfil do twitter: administradora, artesã, mãe, quase como se já tivessem nascido assim. Outras vão pra rua protestar em torno de temas caros à maternidade, são mães-ativistas. Eu tenho uma preguiça danada de ir pra rua protestar contra qualquer coisa. Algumas vivem só pros seus filhos e aí não tem escapatória mesmo. Mas também não quero dar isso para o Antonio pois eu tenho outras coisas dentro de mim, que me chamam, que me interessam, que me encantam e alegram.

Mas, por outro lado, fiquei aqui pensando outro dia, depois da apresentação da escola (em que abri mão de um curso importante para o meu trabalho e de uma viagem gostosa com o namorado só pra ver meu filho cantar e tocar flauta por 10 minutos), que nada me emociona mais do que essa dedicação de tempo, palavra, corpo, mente e alma. Essa dedicação que qualquer mãe, ativista ou não, dá a um filho. Nada me emociona mais do que ver as crianças da escola, ano a ano, crescendo, aprendendo coisas novas e lindas, mudando de cara, mudando de voz, mudando de corpo e de pele. Como é lindo ver os do sexto ano já entrando na adolescência e os do oitavo tão firmes e olhando adiante, querendo experimentar o mundo, se jogar nele. Nada me emociona mais do que poder ver, com o olhar modificado da maternidade, um ser que chegou semente, virou uma plantinha linda e que vai usando aos poucos todo o potencial que trouxe para essa Terra para se desenvolver, amar, crescer, alcançar, aprender. Aprender uma música nova, tocar xilofone, pular corda e andar de perna de pau. Fazer contas, dizer palavras difíceis, pensar no mundo, expressar-se, sonhar, brincar e nos ensinar a brincar também. Que milagre e que privilégio ganhei de Deus ao ver uma criança crescendo a cada dia, a cada hora, a cada manhã. Como é lindo ver as crianças subindo no palco da vida, como diz o Julio Gropa, enquanto a gente tá na cochia e de saída…rs. Como é lindo vislumbrar tudo o que podem ser, toda a sua esperança, toda a sua força para alcançar e realizar seu destino.

E, nesse caso, não tem outro jeito de ver se não for mãe (ou pai, mas geralmente eles são mais distraídos…hehehe). Ser mãe abre um olhar que você não tinha para a beleza desse crescimento. Me desculpe quem não é (por opção ou falta de opção, acontece, eu sei). Ser mãe, é verdade, não me define, mas hoje eu vejo que é fundamental.

Obrigada, Cris Leão, por me incentivar a dizer o que eu penso de um jeito mais delicado do que o que normalmente eu diria. 🙂

Bom dia a todas as mães.

PS: Sim, e o que esse bolo lindo (dá licença? rs…) tem a ver com esse post? Eu fiz ele pro aniversário do meu filho. Eu, que nem sabia – e ainda não sei – fazer arroz direito, fiz um bolo integral de mel com frutas do bosque só pra comemorar mais um ano dele. É, acho que a maternidade me definiu, pelo menos no quesito sobremesas.

Por Fabi Corrêa

8 pensamentos em “A maternidade não me define, mas é fundamental

  1. Fabi, você é uma figura única…amei o post e seu bolo… ah o seu bolo… to aqui com água na boca… manda uma fatia aqui pro Ceará!!! bjus

    • Lara, você já é nossa leitora predileta depois daquele post…rs. Quando eu fizer outro bolo – e sair igual a esse – eu te convido. bjos

  2. Fabi, quando engravidei disse para minha terapeuta: ser mãe é um projeto que dura 18 anos. Depois disso a vida volta ser 100% minha. Hoje, embora seja uma mãe que dá expediente na empresa durante 04 horas para poder ficar com a filha o resto do tempo, sei que esse projeto de dedicação intensa dura menos que 18 anos. Muito antes disso ela estará bem mais independente do que imaginava/gostaria antes dela nascer. Então, concordo com vc: adoro esse trabalho materno de acompanhar cada fase de desenvolvimento, mas sei que não é isso que me define. Sou mais além disso, embora ser mãe esteja sendo a experiência mais rica de todas as que já tive na vida.

  3. Nossas crianças vão nos ensinando a sentirmos mães, mesmo que muitas vezes os outros lados falem mais alto.

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