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antesqueelescrescambebeconfortoSabia que usar demais pode trazer dificuldades mais adiante? Artigo do Dr. Aranha, pediatra antroposófico, sobre essa cadeirinha que tanto amamos.

“Não dá pra negar o sucesso desse artigo no enxoval de qualquer bebê. Ele ajuda enquanto a criança pode se mexer pouco e é um apoio para que as mães possam descansar por alguns minutinhos, que seja. Mas, em torno do terceiro mês de vida, oriento os pais a tirarem seus filhinhos do aconchego e da maciez do berço e os colocarem no chão sempre que estiverem acordados. Assim vão sentir uma superfície firme, ampla e segura, em outras palavras, a Terra.

(PS do blog: pode até ser um tatame, um EVA, um colchão firme, não necessariamente o corredor da casa. Ou o chão coberto por um cobertor, um tapete não muito sujo…) 

Essa mudança de ambiente provoca uma reação estimulante. O bebê, nesta fase do desenvolvimento, quando colocado de costas ou de bruços, não se satisfaz com a cara enfiada no chão. Muito menos de ficar olhando para o teto. Ele quer estímulos. E para isso tem que ser ativo, virando a cabeça, o corpo, os membros. Mas não vai fazer nada disso se estiver em uma cadeirinha macia onde, sem nenhum esforço, a não ser girar olhos ou cabeça, pode ver o mundo. Não é de se estranhar a resistência dos bebês “viciados” no bebê-conforto quando os colocados diretos no chão. Aí ouço os pais argumentando que eles “não gostam” de ficar por lá. Claro. Outro dia, uma avó disse: “coitadinho, no chão ele precisa fazer força demais para se erguer e olhar pra cima!” É, ao se opor à força da gravidade, erguendo a cabeça, apoiando os braços, elevando o tronco, girando o tronco, flexionando as pernas, buscando com as mãos objetos próximos, muitas vezes o bebê se frustra. E esse sentimento é algo insuportável para muitos pais.

Uma mãe me relatou a resistência de uma creche em colocar o seu filho de 3 meses no chão, pois nesta idade todos ficavam no bebê-conforto, muito tranqüilos. Mas acabaram aceitando o pedido e o colocaram deitado no solo, enquanto os outros permaneceram em suas cadeirinhas. Com o tempo, os outros bebês começaram a se distrair olhando passivamente os esforços do coleguinha que, dia-a-dia, conseguia uma pequena conquista. Desnecessário dizer, as cuidadoras da creche começaram a ficar constrangidas e foram todos para o chão. Aí foi uma festa que exigiu muito mais cuidados e atenção das babás, quase arrependidas, mas agora conscientes agora das vantagens. Os pequenos bebês se tornavam mais independentes, confiantes, lidando com frustrações, tentando novamente até a conquista.  Mas quem vive sentado na cadeirinha vai chorar até que um adulto apareça e resolva a situação – o que só aumenta seu sentimento de impotência e fraqueza.

Hoje sabemos do prejuízo que vem pelo uso do andador por conta de distúrbios motores, de fala e mesmo cognitivos causados pela limitação de movimentos. Mas é hora também de pensar nas consequências do uso exagerado do bebê-conforto, que limita os movimentos numa fase ainda mais precoce e de maior importância para o desenvolvimento psicomotor e cerebral. Mais tarde, isso se reflete em dificuldades de aprendizado. Para evitar isso, vamos deixar nossos bebês soltos para que tentem de novo e de novo, e se esforcem até conseguir, que superem ou lidem com suas frustrações. Um aprendizado que irão levar para a vida”

Dr. Antonio Carlos de Souza Aranha é médico antroposófico e terapeuta familiar

 Foto: Courtney Jade

6 pensamentos em “Bebê conforto: use com moderação

  1. Aqui em casa eu não sei se foi o meu bebê (hj com 10 meses) ou nós mesmos que não incentivamos nem sei pq… Mas o fato é que o Tito nunca curtiu bebê conforto, ficava (e fica) apenas no carro. Desde 1 mês e meio eu ponho ele no chão e ele sempre curtiu! Muito muito! Usei bastante um daqueles tapetinhos com penduricalhos e ficava ali se divertindo e conquistando vários desafios a cada dia. Até hj ele curte é o chão. Engatinha e anda nas coisas para todo lado. Eu não sabia dessa orientação, agora então fiquei mais feliz! 🙂

  2. Pois é, o pior é que até mesmo escolinhas abusam de buster… fugi de 2 (chorando) que mantinham os bbs sem necessidade em buster…

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