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Como vocês devem ter visto, a Cris, minha companheira de blog, está de férias. E o blog, claro, mais vazio enquanto ela tenta descansar um pouquinho. Vou, então, preencher esse espaço com uma certa polêmica. Eu acho. Um dia, logo depois que meu filho nasceu, acho que na verdade ele já tinha uns seis meses, eu perguntei à minha mãe ou a uma tia (ou talvez fosse uma amiga, não me lembro exatamente quem era, mas me lembro da resposta), o que achava de eu dar água de coco de caixinha ou de levar uma papinha comprada pronta na bolsa, caso precisasse passar o dia fora com o bebê. E ela me respondeu: mas você vai passar o dia na rua com ele por quê? Vai precisar ir ao médico? Ou dentista? Vai ter que cuidar de alguma coisa importante? Deixe ele comigo, talvez seja melhor, ela disse.

Na verdade, eu só queria ir ao shopping ou sei lá. Também não me lembro. Mas, quando ouvi a resposta, pensei que talvez não precisasse levar o pequenino por aí com tão pouca idade passar horas e horas fora de casa, desnecessariamente. Mas o fato é que depois de um tempo em casa trocando fralda começa a dar um desespero nas mães e de repente a gente precisa sair pra passar o dia lendo Caras e Ti-ti-ti, pintando as unhas ou fazendo compras, nem que sejam de verduras e legumes. Alguma coisa a gente tem que fazer. E naquele dia eu fui olhar as lojinhas com o Antonio no carrinho, peguei um baita trânsito, o shopping tava lotado, aquele barulho, aquela agitação. Só sei que ele deu um chilique fenomenal com toda razão, eu tive que voltar correndo pra casa pra acalmar o bichinho e refletir sobre o que seria um bom passeio para o bebê além da pracinha em que íamos toda manhã.

Me lembrei desse caso porque estava ouvindo um programa com uma psicóloga que gosto muito, a Rosely Sayão, dizendo que achava legal e válida essa luta das mulheres por poderem amamentar em lugares públicos etc, mas que nada se comparava a dar o peito em casa, com tranquilidade, olhando para os olhos do bebê, sem dividir a atenção com amigas ou com gente passando na rua, que esse é um momento sagrado para a criança e que é uma oportunidade incrível para que mãe e filho estabeleçam seus laços. Resumindo, ela dizia que temos todo o direito de ir onde quisermos com nossos filhos e de dar de mamar até em show de rock, como já vi. Mas que o melhor mesmo é esperar que a criança também esteja pronta para sair de casa, para não termos pressa que esse dia vai chegar.

Acontece que a gente tem pressa. A gente tem muita pressa. A gente quer ficar com o bebê o dia todo porque é o que manda o coração e é uma delícia mesmo, mas tem um dia que dá um siricutico e a gente precisa sair gritando pois passar o dia trocando fralda, dando de mamar, trocando fralda, dando banho, trocando fralda, dando papinha, trocando fralda e fazendo dormir, cansa demais. Tem dia que parece que não acaba nunca. Mas acaba, só que mães de primeira viagem, como eu, que só tive um filho, não sabem.

Então, agora que esses meus dias que não acabavam acabaram, posso dizer com toda certeza que eles só duram 24 horas. E que o primeiro mês só dura um mês mesmo, embora pareça durar 18. Acreditem, meninas, vai passar. Logo, logo, seu bebê de seis ou sete meses, que ainda mama e que precisa ficar mais em casa, curtindo a tranquilidade e o aconchego do lar e curtindo seu olhar, sua serenidade caseira, o silêncio que reina entre vocês (quando ele não tá com a boca no mundo, claro), vai crescer e você vai poder sair pra onde quiser. Com e sem ele. Mas, por enquanto e pela minha experiência, vale muito a pena dedicar, sem dividir muito, essa atenção. Vale muito a pena que o passeio seja só na pracinha de manhã e que as distrações pra você sejam um livro ou um filme naqueles 30 minutos de soninho. Vale muito a pena cultivar a tranquilidade desde cedo. Porque passa. Mas a calma que você proporcionou tem efeito pelo resto da vida.

***************

Falando de resto da vida, aproveito para registrar aqui minha imensa alegria no dia de hoje. É que aquele bebê de seis meses que deu chilique no shopping virou um menino de 10 anos. E eu percebi que quase tudo passa, que vale a pena esperar e se dedicar, que vale a pena abrir mão de olhar as vitrines com as amigas durante uma época da vida (atenção, não durante a vida toda. Embora eu continue certa de que shopping não é nunca passeio para crianças – e nem pra mim, salvo exceções, compras importantes ou cinemas). Enfim, que vale a pena. Em dez anos, lembro de dias gostosos, como hoje, em que comemoramos o aniversário juntos, lembro de dias muito chatos, como o chilique do shopping, lembro de dias divertidos, como quando o barco encalhado virou parque de diversões e lembro de dias angustiados, na sala do médico ou com o termômetro na mão. E lembro de dias cheios de expectativas, como o primeiro passo para dentro da escola, sem olhar pra trás. Lembro de dias de orgulho, como as primeiras notas de uma sinfonia no violino, e de dias irritantes, de birras ou até de dias tragicamente engraçados, como quando a professora me ligou porque descobriu o celular da avó cheio de joguinhos escondido na mala da escola (me perdoe, professora, por rir, é que parecia história de filme). Mas não lembro de nenhum dia que não tenha valido a pena.

Por Fabi Corrêa

18 pensamentos em “Vale a pena esperar (10 anos!)

  1. Nenhum motivo para polêmica. Seu post está perfeito. Quem tem os filhos com mais de 7 anos (como nós) sabe que tudo tem seu tempo, que cada dia traz novidades e prazeres próprios do momento deles. Não, nada de pressa…. a vida exige calma para ser bem saboreada.

  2. Tenho dois filhos. Uma moça de 21 anos, que já está na Universidade de Enfermagem e um garoto de 2 anos e 8 meses. É como se fossem filhos únicos. Experiente em maternidade é minha sogra que teve mais de 6 filhos. Eu tenho mania de sistematizar até a rotina, então, presto atenção nos horários de meu filho. Evito sair em horário em que ele faz a sexta – descansa – e em horários que ele vai se alimentar, isto é, almoço e janta. Assim que ele acorda, preparo a vitamina e o lanchinho (frutas, pipoca, batata doce,etc) e saimos para viver. Caminhadas na Fazenda ecológica que tem aqui em minha cidade, supermercados, rua do comércio etc. Tudo que uma mulher precisa fazer.
    Ficar em casa é muito agradável, mas se sei que preciso fazer algo, necessidade física ou emocional ou social ou qualquer outra que seja, vou à luta, com ele, se possível. O segredo é não lutar contra as necessidades naturais da criança. Meu filho, quando precisa descansar, e eu sei exatamente qual é o horário, torna-se um ser absolutamente incontrolável. Não remo contra a maré. Tudo a seu tempo. Viver e deixar viver.

  3. agora que vocês estão calmas, dormiram, se alimentaram, não estão com o cabelo todo espetado como eu, é fácil dizer que tudo passa. Mas quem está neste furacão tem a sensação de nunca vai passar, de que nunca mais vamos dormir, nunca mais vamos ter nossa liberdade de volta. É muito difícil. Muito mais difícil do que eu imaginava. E delicioso na mesma proporção. Não entendo como algo pode ser tão delicioso e difícil ao mesmo tempo.

  4. Lindo texto, desses que fazem a gente manter o sorriso no rosto a cada nova linha. O meu anjo tem três anos e, desde já, sofro só de pensar que, um dia, o meu colo já não será tão necessário. Eu abandonei a minha bem-sucedida carreira no Jornalismo quando ele tinha 1 ano e 2 meses, pois o meu coração de mãe não aceitava mais a ideia de delegar a criação dele a outras pessoas, mesmo sendo as suas duas apaixonadas avós. A infância passa tão rápido! E eu sonhei tanto com ele! Nada é mais importante do que vê-lo crescendo lindo, saudável, inteligente e educado… e, entre erros e muito mais acertos (graças a Deus), saber que eu sou responsável diretamente por isso. Hoje eu não reclamo de nada, nada, nem dos momentos mais difíceis. Porque, realmente, tudo passa… e temos que fazer tudo para guardar o melhor de cada momento. E para que eles guardem o melhor de nós, por toda a vida.

  5. Muito, muito obrigada. Sou mãe de 1a viagem de gêmeos de 6 meses e eu, sempre independente, simplesmente não con sigo fazer nada sozinha: nem ler tititi ou ir ao shopping (pense no processo de desembarcar 2 do carro, colocar um no carrinho, dar a volta, virar as costas pro carrinho com o filho dentro enquanto desafivela a outra…).Mesmo a pé sou limitada, pois o carrinho ñ passa na maioria das calçadas, então todo o dia faço o mesmo passeio, pelas mesmas poucas ruas de calcadas largas, que levam a lugar nenhum. Muito obrigada por me mostrar, com seu texto, que elas levam à calma e serenidade, me sinto menos “patética” por fazer sempre tudo igual.
    Obrigada tb por não apertar meu coração com o “passa e vc vai sentir falta”, optando por algo mais astral e carpediem.
    É enlouquecedor, é angustiante e realmente parece que nunca mais vou ser “livre” pra decidir o que faço de minhas horas- e que soninho de 30 mins, o quê: meio raro os 2 dormirem ao mesmo tempo para eu poder descansar/ me distrair- mas é todo o amor do mundo, e bom saber que a parte “ruim” passa.
    Bjs

  6. O trabalho de mãe é realmente puxado! Em plena licença maternidade, posso arriscar dizer que trabalho mais em casa do que no escritório – rs! Mas leio esse texto da Fabi e concordo que não devemos ter pressa, apenas cumprir e tentar curtir ao máximo essa fase meio conturbada – sim, num futuro próximo, teremos saudades desses bons “momentos caóticos”. Hoje, com um bebezinho de quase 2 meses e uma filha de 4 anos, tenho a certeza de que todas as fases de nossos filhos nos lançarão inúmeros desafios e prazeres – e tudo sempre valerá a pena.

  7. Nossa!!!! Vc me fez chorar!!!!! Muito lindo!!!! Suas palavras tem me acolhido e dado conforto. Grande Abraço!!!!

  8. O negócio é que quando estamos no olho do furacão dos primeiros anos, a gente lá no fundo sabe que vai passar, mas não quer acreditar, né? As minhas já estão com 5 e 10 anos e minhas noites sem dormir já são coisa do passado (graças a Deus!). Não é fácil mesmo!

  9. Fabi, primeiro filho é isso mesmo, pressa, ansiedade, tempo que não passa. Vizinhas que dizem “nossa, como ele cresceu!”. E você pensando “se não tem o que dizer, fica quieta!”. Mas quando você embarca nesta viagem pela segunda vez é incrivelmente diferente. Você acaba vendo que o tempo passa rápido demais e dá vontade de chamar a vizinha e pedir desculpas. Aí vc lembra que não pode fazer isso porque ela nem ficou sabendo dos seus pensamentos naquela época… A vida é maravilhosa e os anos, além de rugas e flacidez, trazem uma serenidade incrível! Estou curtindo demais o segundo filho, com uma leveza que eu nem sabia que era possível! E, claro, me sentindo culpada por ter sido tão difícil com o primeiro…
    Beijos e obrigada por compartilhar de um jeito tão suave, natural e humano!
    Paula

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