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Quando cheguei em casa da maternidade com aquele bebezinho no colo, além da minha intuição e de alguns conselhos da minha mãe, um livro me ajudou bastante naquele começo de vida a três. Chama-se Consultório Pediátrico, foi escrito pelos médicos Michaela Glöckler e Wolfgang Goebel, os dois alemães, e é uma referência para pais de primeira viagem que queiram aplicar a medicina antroposófica no dia a dia. Muita gente tem me perguntado sobre ele – ou sobre livros de consulta – aqui no blog, mas infelizmente está esgotado e é bem difícil conseguir. Por isso resolvi fazer uma série de posts baseados nos capítulos desse livro sobre assuntos que possam ajudar pais e filhos em várias situações da vida. E vou começar por uma parte que acho especialmente importante na educação dos pequeninos, pois terá influência pela vida toda: o desenvolvimento dos sentidos.

Para a antroposofia, não existem apenas cinco sentidos, mas doze. E o desenvolvimento desses sentidos está muito ligado ao que acontece nos três primeiros anos de vida (mas temos que cuidar muito até os sete!). A harmonia no desenrolar de todos esses sentidos está ligada ao desenvolvimento da autoconsciência e da inteligência. E não serão apenas os órgãos sensoriais que crescerão de maneira melhor ou pior, mas todo o organismo da criança que vai sofrer ou se beneficiar com estímulos bons ou ruins. Quando uma criança vê ou saboreia algo, ela faz isso com todo o corpo, não apenas com os olhos ou a língua. Se ela é criada ouvindo gritos, não apenas sua audição ou fala sofrerão, mas todos os órgãos irão crescer com a as “pegadas” que esses gritos deixarão em seu corpo (já falamos disso aqui.) O livro Os Primeiros Sete Anos, de Edmond Schoorel, traz explicações bem mais detalhadas sobre a importância de cada sentido, por isso aproveito para acrescentar um pouco do que li nele em alguns itens abaixo (mas esse é fácil de encontrar, embora seja bem mais técnico e geralmente voltado para profissionais da saúde ou da educação), mas basicamente é tudo tirado do livro Consultório Pediátrico.

O que eu achei mais bonito sobre esse desenvolvimento dos sentidos é que eles nos despertam para o que há dentro da gente. As impressões que temos das cores nos despertam para a nossa própria “cor” interior e para as qualidades que as cores têm e que nós também temos. O calor de um ambiente nos desperta para o calor que há dentro de nós. Ou seja, tem tudo a ver com o auto conhecimento. Os sentidos estão ligados à nossa auto-percepção. Pelas sensações tomamos conhecimento do mundo, dos outros e de nós mesmos. Se um bebê que está começando a engatinhar bate a testa na mesa, percebe que existe um móvel. E, durante o primeiro setênio, os sentidos irão ajudar a criança na tarefa mais difícil desses primeiros anos: encarnar, descer à Terra, deixar o mundo espiritual e viver de fato aqui. Ao aprender a usar um novo sentido (e a palavra é essa mesmo, aprender), as crianças podem usar suas novas habilidades para enriquecer seu espírito. Tocar um novo instrumento traz novas capacidades à alma, olha que lindo. Aqui vai um resuminho que peguei no Consultório Pediátrico sobre como ajudar a criança a desenvolvê-los. Para saber mais, recomendo Os Primeiros Sete Anos. Mas o que vai abaixo já é um bom começo. Nesse post, três sentidos. Na semana que vem tem mais.

 1. Tato . O toque faz com que a gente tenha percepção do limite corporal (algo que os bebês ainda estão experimentando, pois se enxergam como uma extensão da mãe ou vice-versa). Traz a segurança do contato corporal e confiança na existencial.

Para cultivar o tato: a alternância entre os períodos de solidão e de acolhimento, de contato corporal carinhoso e de entrega a si mesmo. Saber soltar o bebê é tão importante quanto segurá-lo no colo. Ele tem que passar períodos sozinho em tranquilidade para que possa “entender” o que é estar com alguém.

O que faz mal: Cuidar da criança com o corpo e cabeça, mas sem uma dedicação de alma ao que se está fazendo. Excesso de proteção e excesso de solidão. Tocar a criança mais em função do próprio prazer do que por amor ao bebê.

 2. O sentido vital

Propicia a sensação de aconchego, harmonia e de que tudo está relacionado. É a segurança da infância (e o leite materno, durante certo tempo), que ajudam esse sentido a se desenvolver. E para que ele continue de maneira saudável, é importante seguir um ritmo para o dia, para a noite, na semana e no ano. Horários para cada atividade, mas sempre com alguma flexibilidade, ajudam. (Já falamos disso aqui)

O que ajuda: o transcurso rítmico do dia, viver com confiança, ter a medida e o momento certo para cada atividade, ter alegria às refeições.

O que atrapalha: brigas, violência, amedrontar a criança (com histórias reais ou não), viver com pressa, levar uma vida descontente, não ter medidas ou limites, o nervosismo dos cuidadores, falta de reciprocidade e de inter relação entre os acontecimentos. (E aqui vai um parêntesis sobre os castigos. Segundo a professora do meu filho no jardim, impor castigos às crianças que não façam sentido com a causa do castigo é um desses problemas. Se ela não comer, não vai sair de casa, por exemplo. Seria mais sensato oferecer o prato e, se ela demorar demais para comer ou para sentar-se à mesa, tirar seu pratinho, sem brigas e sem discussões. Assim ela vai aprender pelas consequências).

3. Sentido do movimento

Está ligado à percepção do movimento próprio, à vivência de liberdade e de domínio sobre si, além do domínio na execução dos movimentos.

O que ajuda: permitir que as crianças sejam ativas, arrumar seu quarto e seu espaço para que possam circular por ele e tocar tudo o que quiserem, além de brincarem livremente, executar movimentos em sequências que façam sentido (e hoje, reparem, é cada vez mais comum olhar crianças se movimento de uma maneira sem harmonia, sem sentido. Alguns estudiosos relacionam essa falta de harmonia com o uso excessivo de tecnologia e de videogames. Leia aqui algumas pesquisas)

O que atrapalha: seguir as crianças o tempo todo, encher as crianças de proibições, deixar de levar uma vida ativa e de dar exemplo às crianças de passividade e sedentarismo, deixar as cranças passivas diante de uma tela de TV ou computador, dar à criança brinquedos automáticos, que façam dela uma mera espectadora e não uma criadora da brincadeira. (Já falamos disso aqui).

Por hoje é só! Semana que vem tem mais sobre os 12 Sentidos.

Por Fabi Corrêa

 

5 pensamentos em “Os 12 Sentidos na infância

  1. Olá Fabi,

    No grupo no facebook sobre Antroposofia disponibilizaram o livro Consultório Pediátrico escaneado, é a 2° edição. Fiquei contente, pois procuro o livro há séculos e também espero por uma nova reedição que eles sempre prometem, enfim, tá valendo muito! ah, antes que me esqueça adoro o blog sempre recomendo para as amigas (mães) muito sincero isso aqui….

    link do livro
    https://www.dropbox.com/s/z0e9suf7wlm46dt/Cnsultorio%20Pediatrico.pdf

    Beijos!
    Tâmara

    • Oi Rosane, tudo bem? Acho que não é o caso de ser ou não antroposófico. O que o Consultório Pediátrico diz é de dar às crianças a oportunidade de movimentos, contato com a natureza e liberdade de ser criança. Isso independe de conhecer a antroposofia. Me diga o que você quis dizer com o que aconteceu nesses 7 anos e a gente pode conversar mais. Mas acho que, apesar de os primeiros sete anos serem essenciais, sempre é tempo de dar tudo isso a nossos filhos. Talvez não se corrija, mas ajuda e muito. bjos

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