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Meus posts, quase sempre, nascem de uma observaçao de algo que vi por ai, na rua ou no supermercado, que ouvi no trabalho ou no consultorio medico. E essa semana eu estava trabalhando em um café gostoso, sentada em uma mesa coletiva, quando ouvi uma conversa de um pai, pelo jeito muito carinhoso, acompanhando do seu bebe. Ele explicava para uma amiga que queria fazer algumas coisas, mas nao faria por conta da criança, pois seria ruim para o filho. Me julguem, nao pude deixar de ouvir pois os dois estavam ao meu lado. Até que uma hora a amiga disse: mas tudo o que voce deixa de fazer é por causa dele? Voce tem que começar a fazer as coisas por voce! (desculpem a falta de acentos, WordPress est’a com esse problema…)

Nao sei se a amiga tinha filhos ou nao, mas achei um ‘otimo conselho. Quando os filhos nascem, deixamos de fazer muitas coisas que gostamos “por causa deles”. Sair `a noite pra dançar ou ir a uma festa que acabe de madrugada começa a ficar mais complicado, a nao ser que voce tenha uma baba e muita energia no dia seguinte. Pelo menos durante os primeiros anos. Acordar tarde enquanto eles sao bebes tambem fica fora de questao. Nossos gastos com auto indulgencias, jantares e roupas mais caras talvez tenham que ficar de lado enquanto pagamos a escola. Mas, p’era, até que ponto fazemos isso pelos filhos ou por nos mesmos? Ou ninguem te disse que seria assim?

Salvo acidentes, a maioria das pessoas escolhe ter filhos, planeja, deseja, sonha. Ate faz tratamentos para conseguir esse ” sonho”. Entao, até que ponto essa já nao era a vida que gostar´iamos de ter? No final e apesar de tudo, apesar do cansaço e da falta de grana, ‘e uma delicia ter um filho. Um prazer. Um sentido para muitas vidas. E por isso mesmo, quando eles chegam, sentimos que algo se completou (e completou mesmo) e deixamos de lado projetos importantes para nos dedicarmos mais as crianças. E que delicia é isso!!! ‘E verdade que a maternidade muitas vezes desvia as mulheres de seus objetivos profissionais. Mas tamb’em ‘e verdade que eles podem ser retomados, claro que com mais empenho e esforço do que antes, quando os filhos crescem um pouco. No final de cada dia, estou esgotada com esse negocio de acordar cedo, buscar na escola, fazer comida, dar almoço, levar no futebol, dar lanche da tarde, ajudar na tarefa, por no banho e na cama. E tem dias que sobra pouco tempo para trabalhar em projetos que eu adoraria que estivessem mais adiantados. E me sinto culpada por nao estar levando com mais afinco – mas ao mesmo tempo me pergunto se daria para ser mais rapida ou se apenas estou comparando a minha velocidade atual com a velocidade dos tempos em que trabalhava loucamente em uma redaç˜ao de revista. Agora, tamb’em penso que se hoje n˜ao consigo levar os projetos com a rapidez que gostaria, aprendo muito com meu filho, com sua educaçao, com esse relacionamento. E esse aprendizado me é util ate mesmo profissionalmente.

Sei de pais que mudam tudo por conta da chegada dos filhos.  Mas a verdade é que nenhuma criança pediu isso quando nasceu. Veja, nao é uma critica, mas se fazemos grandes mudanças, nos o fazemos por amor e por vontade propria, nao porque a criança exigiu. E se estou dizendo tudo isso é porque, ao longo desses 10 anos em que venho pensando no assunto filho, ouvi muitas maes um tanto infelizes ou descontentes porque haviam deixado muita coisa de lado e se sentiam cansadas por estar cuidando demais do filho e de menos de si proprias. Entendo. E penso que nao existe filho que esta bem se a mae tambem nao esta, seja trabalhando, seja em casa, seja viajando, seja pilotando o fogao. A minha felicidade foi deixar a carreira um tanto e me dedicar  parcialmente `a casa e `a maternidade, por um tempo que fosse. Mas a sua pode nao ser. E a daquele pai do café talvez fosse tambem, mas nem sempre é fácil assumir, ja ouvi isso de alguns homens. Claro, alguns (ou muitos) sacrificios diarios sao absolutamente necessarios para educar uma criança de uma maneira respeitosa, amorosa e saudavel. Mas alivia muito se pais e maes refletirem quais desses sacrificios sao mesmo uma necessidade da crianca e quais sao suas proprias necessidades, medos (e procrastinaçoes) e vontades. Fica mais leve, mais feliz e mais sincero educar desse jeito. ‘E so a minha experiencia.

Por Fabi Correa

 

 

 

 

 

2 pensamentos em “Sacrifícios necessários (e desnecessários) da maternidade

  1. Fabi, eu acho que todo mundo que tem filhos, no fundo, sabe que essas “sacrifícios” são necessários. Realmente não tem como manter o mesmo estilo de vida depois que a gente vira pai e mãe. As minhas já estão maiores também, e só recentemente tenho conseguido retomar um pouco da “minha” vida, dos meus projetos pessoais. Normal. Mas quando eles são menores, a gente acha que nunca vai ter vida própria novamente, né? Acho que o segredo é paciência e saber aceitar as mudanças na vida.

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