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Por que eu tirei meus filhos de uma escola Waldorf.

Não leia se está esperando que eu vá falar mal da pedagogia Waldorf. Não. Eu não descobri que o tricô faz mal ao cérebro. Aliás, faz um bem danado e está provado cientificamente. Eu não descobri que imaginação está fora de moda. Não. O que move a economia americana são os novos negócios, as invenções, o empreendedorismo. Enfim, não tirei eles da escola porque a pedagogia Waldorf não funciona. Ela só não estava funcionando mais para meus filhos aqui e agora.

Entre vários motivos, vou focar nos maiores. E entre vários sentimentos e reflexões, vou focar no dia que estava fazendo caminhada (que para mim é meditação) e me veio a frase “Você escolheu essa escola para você. Não para eles.” E então senti que precisava separar o meu sentimento sobre a decisão da escola. (frase fácil de ler e muito difícil de executar)

João tem quase 9 anos (falta um mês) e não lê muito bem. Ele não é o único na classe. E para resolver essa questão muitas mães trabalham com os filhos em casa, ou colocam professores particulares. Eu tentei fazer isso. Mas não estava achando justo. Nem comigo, nem com ele, que já passa 7 horas por dia na escola. E comecei a perceber que ele estava lidando com a leitura como algo que não era para ele. Claro, imagina como ele se sente vendo crianças muito mais novas do que ele lendo livros sozinhas? Quando ele terminou o primeiro ano na Waldorf São Paulo (com 7 anos) ele estava lendo e escrevendo. Mas aqui com inglês é muito mais complicado. Então descobri que nas escolas públicas eles têm muito mais recurso para isso. Eles têm um programa especial para crianças que têm o inglês como segunda língua.

Maria Teresa estava no segundo ano do jardim na mesma escola. E estava super entediada, a ponto de ficar nervosa. Ela tinha 2 sonecas por dia. Uma curta e uma longa que durava uma hora. Ela entrou no Quintal do João Menino (jardim Waldorf) em São Paulo com 2 anos de idade. Lá ela fazia aquarela, brincava no quintal, cantava, ouvia histórias. Ela adorava a escola. Depois quando fomos para a Waldorf São Paulo, ela fazia pão, fazia um monte de trabalhos manuais, crescia a cada dia. Isso não estava acontecendo aqui.

Então descobri que quando mudamos de país precisamos rever os conceitos. O que é Waldorf aqui é diferente do que é aí. Infelizmente o que é médico aqui também é muito diferente do que é aí. (saudades imensas do pediatra)

A pedagogia Waldorf entrou na minha vida quando eu dava aulas de criação em uma faculdade em São Paulo. Comecei a dar aulas e fiquei assustada com o medo que os alunos tinham do papel em branco. O exercício precisava ser muito específico, ter muitas regras, se não eles (a maioria) não conseguiam fazer. Eu vi jovens de 20 anos completamente treinados a obedecer, a reclamar, a fugir, a ser multitasking, mas desconfortáveis em executar uma única função onde eles eram os responsáveis por criar e executar. Minha geração (aquela que brincava na rua sem muitos adultos vigiando) não era assim. Até que um dia eu vi um aluno se comportando de um jeito completamente diferente. Leve, confortável, criando e correndo riscos. Eu perguntei para ele que escola ele tinha estudado e ele falou: uma escola Waldorf. Fui conhecer e me apaixonei cada dia mais e mais profundo.

Por isso a decisão de tirá-los da escola (depois de 5 anos) foi tão dolorosa para mim. Fiquei 15 dias sem dormir e até agora não sei se estou fazendo o certo. O João foi para uma escola pública e para quem não sabe, escola pública nos Estados Unidos é uma coisa meio triste. (se você tem coração) Sem generelizar, mas ops, já generalizei. Na escola dele, recreio só 2 dias por semana. E a parte acadêmica anda em uma velocidade que parece que eles vão entrar na faculdade daqui a pouco. Uma corrida para lugar nenhum. Porque é tudo tão rápido e tão superficial que não precisa ser pedagogo para entender que é um aprendizado que não vai ficar.

Saindo do primeiro dia de aula, ele falou: Mãe, você não vai acreditar. Nessa escola não tem verso para entrar, não tem verso na hora da refeição, não tem verso para sair. Não tem história. E eles não aprendem, só copiam.

É por isso que o coração continua apertado. Mas acho que a vida é mais rica quando seguimos em frente. Sem se acomodar com o que é confortável, mas vivendo e aprendendo, sem se encerrar. Porque deixando o meu coração de lado (afinal, ele é só “meu”), a escola nova é super organizada, todo mundo que trabalha lá, trabalha com um sorriso lindo no rosto. A professora está super disponível a ajudar. A escola é pequena e super organizada. Tem um espírito de “somos apaixonados por ciências e matemática” que foi o motivo de eu ter decidido essa escola para ele. Porque ele também é. Além disso, a diversidade é grande: gente de todas as religiões, países, classes sociais. Pelas paredes e pelos discursos da escola você percebe como a tolerância é uma lição diária ali. E que presente aprender isso desde cedo.

E enquanto ele fica 7 horas por dia sem recreio (exceto por dois dias) ele está aprendendo a ler. Não dá mais para adiar. Pelo menos ele teve quase 9 anos de infância pura e muito curtida. E eu vou fazendo a minha parte para trazer um pouco da pedagogia Waldorf para dentro de casa. Começando pelos textos da bíblia que fazem parte do currículo Waldorf do terceiro ano e agora estou contando para ele em casa todas as noites.

E essa casa da foto, ele fez com a minha terapeuta artística antroposófica onde eu pretendo continuar levando ele uma vez por semana. (A construção da casa faz parte do currículo do terceiro ano e tem um lindo significado. Como já foi falado no blog aqui)

casa joao

Aos poucos vou dividindo com vocês, como trazer um pouco do currículo Waldorf para dentro de casa. Porque sei que acalma e acrescenta. E se, como falei em cima, a pedagogia Waldorf é muito importante para mim, eu preciso continuar vivendo e aprendendo. Afinal, eles são “meus” filhos.

Aqui algumas das lindas lembranças que vamos levar para sempre desse último ano na escola:

father time antes que eles crescam

Desenho na lousa feito pelo professor do João para ensinar as horas.

joao primavera antes que eles crescam

leli primavera

Festa da primavera

joão micael antes que eles crescam

João foi o São Micael no teatro da escola. E até hoje ele dorme segurando a espada de origami que fez e usou na peça. É com essa coragem que vamos seguir em frente nosso caminho.

Depois escrevo também sobre a experiência da minha filha que foi para uma escola Montessori. Estou aos poucos aprendendo sobre essa pedagogia e gostando muito. Muita filha está muito bem lá.

A verdade não é só uma. The true is not one. Hegel 

Ps 1: A foto de cima é a mochila que fiz para o meu filho em 2011, na Waldorf São Paulo. Tudo feito a mão. Uma experiência muito transformadora e rica. (Além de dolorida, claro. Fica batendo o martelo por 8 horas e vai ver.)

Ps 2: Estava com saudades de vocês.

Cris Leão

 

 

 

58 pensamentos em “A difícil tarefa de decidir

  1. Sempre leio o blog e não deixo comentário, até porque acho que tenho muito ainda a aprender e aprendo com vocês a cada post. Mas, de alguma forma, receba meu apoio…aprendi nesses 4 anos de vida do meu filhote que a dúvida sempre vai existir…Acalme seu coração! Vai dar tudo certo! Parabéns pela coragem!

  2. Cris!!!
    Q coragem a sua!!! Este ano escolhi a escola do Matheus!!! Foi um parto e vcs me inspiraram a conhecer a pedagogia Waldorf! Mas… Não fez sentido pra mim! Mas eu tb quero q ele curta ao máximo sua infância! E
    Assim escolhi uma escola com pés de jabuticaba e um tanque de areia enorme e muito sol!!! Um luxo pra São Paulo, né!? Lógico q tem as famigeradas aulas de informática, mas fazer o que né!?
    Se vc compartilhar como trazer a pedagogia Waldorf pra dentro de casa realmente seria muito enriquecedor!!!
    Sua coragem mais uma vez me inspirou e me fez ver que uma mãe de verdade procura sempre o melhor para seus filhos mesmo q isto signifique rever toda sua crença!!!
    Um bj gde pra vc e pra Fabi.

    Enviado via iPhone

    >

    • Pois é Gabi, coragem seguida de dor na barriga até hoje, 2 semanas depois. Que delícia essa escola com pés de jabuticaba. Realmente a gente precisa procurar para achar, né? Vou compartilhar sim! Volte e verá. ; )
      Beijo grande!

  3. Olá Cris, não acho que tenha escolhido esta escola para você e não para eles.Acredito que tenha escolhido o que achava melhor para todos, mas nem tudo dá certo, ao menos a primeira vista!
    E quando não estamos satisfeitas, o melhor acontece, damos lugar ao novo e isso é incrível, pois podemos aprender, vivenciar e miscigenar crescendo muito!
    Tive uma experiência negativa, com meu filho, em uma escola Waldorf, conseguimos mudar para uma outra escola com a mesma pedagogia e tudo melhorou!Descobrimos outra criança e muitas possibilidades positivas!Estamos realmente felizes!!!
    Se não tivesse dado certo, ainda estaríamos em busca, mas somando aprendizados, propostas, práticas!
    Há muita coisa neste mundo, aprendi que mudar é bom e concluir é apenas dar um ponto e virgula para continuarmos mais tarde;
    Um abraço,
    Andréa Ruffa Delgado

    • Oi Andréa, tenho aprendido que uma das coisas mais difíceis da maternidade é a gente separar o que quer para os filhos, do que é a vida dos filhos. Foi isso que quis dizer com escolhi a escola para mim. Claro, pensando que isso seria o melhor para eles. Mas no fundo muitas vezes o que queremos é corrigir alguma coisa da própria infância, ou viver ela de novo. Enfim, esse papo dura um post inteiro. ; )
      E vamos seguindo em frente, com as muitas vírgulas.
      Um abraço,
      Cris

  4. Cris, muito boa sorte. Você fez o que precisava, da maneira como podia, e isso vai ser bom pra você e pro João. Coragem e alegria pros dois!

  5. Cris ti adoro. sou vovó de um casal (2 anos Gui e 1 ano Laurinha). gosto muito dos seus posts. como minhas filhas nao tem tanto tempo, leio e encaminho pra elas lerem. seu ponto de vistae maravilhoso e nos ajuda a refletir. bjos. maria.

    Date: Sun, 19 Oct 2014 23:04:14 +0000 To: mariaadoprado@hotmail.com

  6. Parabéns de novo pelos lindos textos. Já passei por isso com meu filho mais velho, tirando ele da escola em que estudei (tradicional) e levando para outra, construtivista, onde ele está até hoje muito feliz. Fiz isso no meio da alfabetização e não me arrependo nem um pouco. São escolhas difíceis, mas que nós mães aos poucos aprendemos a tirar de letra. E uma cois avenho aprendendo aolongo de 12 anos como mãe: nem sempre o que queremos é o melhor para eles! Bjs e fique bem!

  7. Bom dia. Acompanho sempre suas postagens. Mas, desta vez não podia deixar de comentar. Sou educadora Waldorf e escolhi esta Pedagogia para mim. Sou formada pela Universidade Federal. Trabalhei durante anos em escolas Públicas, atuei em outras escolas com metodologias mais alternativas e participei de uma Associação de Pais que apoiavam a Escola waldorf. Desde de 2009 estava afastada, atuando apenas no ensino Público, mas estou retornando no próximo ano. Nesta caminhada, compreendo que são pessoas que formam uma escola que leva como fundamento uma Pedagogia. Infelizmente encontramos pessoas e pessoas, no entanto quem conhece a essência da Pedagogia Waldorf, que se fundamenta na Antroposofia, compreende a riqueza da mesma. Para mim é atual e necessária para estes tempos que vivemos. Por isto, retorno a Educação Waldorf. Agradeço muito suas contribuições e ampliações como mãe.

    Minhas palavras foram curtas, mas desejo tudo de melhor para vocês. Um grande abraço!!

  8. Obrigada por compartilhar conosco sua experiência. Acredito que ser mãe é justamente perceber do que nossos filhos precisam, mesmo que as vezes contraria o que pensamos ser melhor para eles. Boa sorte.

  9. Adoro seus textos, e com este não foi diferente!
    Mal posso esperar para ler seus posts sobre como trazer um pouco da pedagogia Waldorf para dentro de casa (e sobre o ensino Montessori!)

    Beijos!

  10. Cris Leão, boa tarde,
    Tenho uma filha que está se dirigindo para o 1º ano em uma Waldorf. Tenho martelado muito a bolsa. Sei bem do que fala. (risos)
    Fico realmente preocupado – até por questões financeiras – caso um dia tenha que mudá-la de escola com diferente pedagogia.
    Já ouvi falar sobre a “Montessori”, aparenta ser uma boa alternativa.
    Mantenha a linha antroposófica em sua casa. Certamente o que a criança vive EM CASA e com seus RESPONSÁVEIS é fundamental: se não houver diálogo e atenção, pouco serviria a melhor pedagogia do mundo.
    Um grande abraço!
    P. A.

  11. Querida, agradeça esse privilégio do teu filho ter tido a oportunidade de viver essa pedagogia linda e que será norteadora do caracter e da alma dele. Agradeça tb pela tua sabedoria de reconhecer os ciclos que se encerram e os novos que urgem chegar. Obrigada por ter compartilhado conhecimento para nós mães que não tivemos essa chance , embora quiséssemos, de ter nossos filhos em uma escola waldorf. Gratidão.

  12. Oh no! Eu acabo de passar por angústia parecida mas ao contrário, acabamos, há 2 semanas, de colocar nosso filho numa escola Waldorf. Ainda temos 1 ano, antes da idade escolar obrigatória, para decidir se ele continuará na pedagogia Waldorf ou se irá para uma escola normal…. E apesar de ter certeza de que a pedagogia Waldorf é o que desejo pra ele, também tenho preocupações com o estar isolando ou alienando, e se por acaso não der certo, a mudança seria dolorida… Mas como vc disse Cris, e como já disseram nos comentários, mesmo que entrelinhas, nem sempre tudo é pra sempre, vc fez o que achava melhor quando seus filhos eram pequeninos, colocou-os numa escola Waldorf, e foi sensível o suficiente para perceber que essa escolha outrora boa, já não estava mais sendo tão boa, isso é coragem, e amor. Muito boa sore pra vocês, que Deus lhe conceda paz no coração se esse for o caminho certo. Ah, Montessori é um ótimo ótimo método, ao meu ver, e teria sido minha primeira opção se a tivesse por aqui. Por favor, não pare de escrever aqui nunca!! 🙂 Um abraço

  13. Oi cris, grato por seu post! Essa questão da leitura sem passa pela pedagogia waldorf e gera polêmica… Nosso pequeno está numa pré-escola waldorf aqui de Imbassaí/BA.
    Senti falta de saber se houve e como foram os diálogos com a escola waldorf, principalmente porque você disse que ele não era único.
    Você me lembrou quando aprendi o inglês e o espanhol fora do país, o como era difícil, e ainda mais difícil para escrever. Fico imaginando para seu pequeno!

    • Você tocou no ponto certo da minha angústia. Será que ele não está aprendendo porque realmente é muito difícil e leva tempo? Será que estou querendo demais? O problema é que conversei com o professor em Dezembro do ano passado. Porque naquela época já percebi a diferença entre o meu filho e os outros que têm mães americanas e que trabalham muito com os filhos em casa. E o professor falou para eu não me preocupar que até Março tudo estaria melhor. Foi enfático ao dizer para eu não fazer nada, que ele ia cuidar disso. Chegamos no final de Setembro e nada mudou. Então fui falar com ele e ele se mostrou cansado e disse que não podia puxar muito a turma porque tinha 2 crianças com deficiência em aprendizagem. Daí concluí que precisava pensar melhor no que estava fazendo. Porque vi que o professor não tinha um plano para resolver o problema. Então comecei a busca e acabei contratando um coaching em educação. E aí a coisa saiu um pouco do meu controle porque ele fez um teste com meu filho e falou que ele estava mais de um ano atrasado. Disse também que a escola estava muito mal organizada e que era para sairmos de lá. Ele fez o coração sair da jogada. Analisou com a razão e depois disso até houveram outras conversas na escola mas a nossa conexão (minha e do meu marido) já não era a mesma. É a educação dos nosso filhos que está em jogo. Obrigada pelo comentário!

      • Nossa Cris, analisando a coisa acho que fez o melhor que pode. O legal é seu(s) filho(s) já tiveram a escola waldorf durante uma boa parte da formação deles, então daqui pra frente deve ser mais tranquilo para eles enfrentar a “linha de produção em série” das outras escolas. Grato pela resposta!

    • Bráulio boa tarde!

      Acompanhei suas mensagens para a Cris e vice-versa, tds muito interessantes e então eu não podia deixar de me colocar…
      Tenho um filho e quando estava na idade de Jardim, pesquisando muito deparei-me com uma escola Waldorf onde, com todas as suas peculiaridades e especialidades fez minha cabeça (na época procurava uma escola puramente construtivista, missão quase impossível haja vista que o construtivismo foi muito mal interpretado e disseminado por aí causando muita polêmica errática!), pois bem, meu filho foi para a Waldorf com quase três anos de idade e no ano em que eu tinha que decidir se meu filho iria para o primeiro ano na Waldorf ou iria para uma escola (a)normal resolvi fazer o seminário dessa pedagogia, queria entender melhor o que embasava tantas atividades diferentes que já ‘espionava’ do ensino fundamental da mesma escola Waldorf a qual ele estudava. Nesse seminário durante os quatro anos de estudo e muita prática pude ver que era a pedagogia mais comprometida e alinhada com o desenvolvimento do ser humano. Pensando num currículo que desenvolve não só as capacidades pensamentais, mas as habilidades corporais (e manuais tb) e emocionais também o que para mim isto chegava bem mais perto da excelência humana e até da pedagogia construtivista a que eu tanto gostava e admirava, aliás dentro da pedagogia waldorf, quando bem conduzida tem também um tanto de construtivista dentro dela. Sabe Bráulio, a perfeição realmente não existe, até porque quem conduz qualquer pedagogia é um ser humano, passível de muitas faltas, humanidades… Mas dentro dessa pedagogia eu sinto que a criança, o adolescente tem suas pluralidades mais protegidas e desenvolvidas, vc vê um desabrochar mais pleno que em pedagogias tradicionais e mecanicistas é em muito cerceado, vc sabe bem do que estou falando! Penso e sinto que todos os seres precisavam ter a oportunidade de pelo ao menos por um período de suas vidas (crianças e seus devidos pais) viver a pedagogia waldorf em suas vidas. Se bem interpretada e vivida é muito possível colocar em sua vida diária e de seus filhos essa pedagogia porque ser waldorf é assimilar uma visão de mundo, uma base filosófica que pode nos guiar para nos proteger da enxurrada de tantas desconexões com a vida a que todos estamos expostos o tempo todo. Ser waldorf é deitarmos um olhar pleno sobre o mundo, sobre as pessoas , sobre a natureza, é tentarmos ser mais integrais perante a vida, diante de tudo que nos cerca… Enfim, hoje meu filho está na época do vestibular, estudou na Waldorf até o quinto ano, na época da passagem para o sexto ano sua escola ainda não tinha a continuidade. Ele fez o resto do fundamental e o médio em escolas tradicionais (confesso que me trazia um certo desconforto ver como estas escolas conduzem o ensino, mas não tínhamos muita opção!) e fez, como praticamente td adolescente (de escolas privadas ou públicas) cursinho este ano. Decidiu o que queria prestar no meio do segundo ano e é um rapaz super politizado e atuante, sociável e com muitas qualidades em desenvolvimento, tem um gosto musical absolutamente eclético pautado na qualidade, adora ler não tendo dificuldades em nenhuma área. Dia desses estávamos entre amigos e ele disparou: que tinha saudades da época da escola Waldorf, como era bom aprender daquele jeito (e ficou na maior nostalgia contando passagens que nem eu lembrava tanto mais…), nesta hora me deu uma aquecidinha lá num canto do coração por ter tido mais uma vez a certeza de que fiz a opção certa, até onde foi possível, de oferecer a ele esta pedagogia.

      • Obrigada por dividir suas história, Regina! São comentários assim que mantêm o blog vivo. Um abraço!

  14. Seus textos enchem minha alma de amor! Hoje li com lágrimas nos olhos! Com tanta inspiração aguardo ansiosa, o meu momento Waldorf, Antonio e Pedro, um ano e meio! A escolha ja foi feita! Com amor! Obrigada! Bjo Juliana
    Ju

  15. Olá Cris! Fiquei com uma dúvida: quando seu filho estudava na escola Waldorf de São Paulo, ele estava lendo aos 7 anos? Pelo que entendi, o que atrapalhou foi a mudança de país, é isso? Minhas perguntas são porque tenho uma filha de 3 anos que entrou numa escola Waldorf este ano (estamos adorando) e já me pergunto se a manterei lá quando chegar à idade de alfabetização (eles abriram a primeira turma de ensino fundamental este ano). Tenho um filho de 11 anos que sempre estudou em escolas tradicionais e fico me perguntando como seria o aprendizado de uma expressão numérica, por exemplo, na pedagogia Waldorf. Desejo que tudo se acerte para seu filho e que seu coração se tranquilize. Imagino o quanto deve ser difícil…

    • Oi Estela, o problema é que escola Waldorf aqui (Miami) é diferente de escola Waldorf no Brasil. Aqui existe um grande lack acadêmico que te fato eu nunca vi no Brasil. Sim, as crianças em escolas Waldorf no mundo inteiro só começam a ler aos 7 anos, mas elas lêem. E tem lição de casa. Para você ter uma ideia, meu filho acabou o primeiro ano na Waldorf São Paulo e levou para casa 14 cadernos do que produziu em um ano. Aqui em um ano ele trouxe para casa 1 caderno e algumas folhas de trabalhos de aquarela. Esse é o tamanho da diferença. Mas a pedagogia ajuda muito no aprendizado. E não só. Meu filho outro dia conversou com uma homeopata e ela disse que nunca viu uma criança de 8 anos se expressar dessa forma. E a matemática é super bem assimilada também. E ele adora! Até a leitura, apesar de estar muito muito atrasada, ele tem uma boa compreensão do texto. O que muitas vezes é o grande desafio das crianças que aprendem decorando as letras ainda aos 5 anos, por exemplo. Obrigada pelo carinho. Beijos

      • Poxa! 1 caderno! Agora entendo melhor sua situação. Embora números nem sempre expressem tudo, neste caso significa sim um dado importante para avaliar. Eu acho que sabendo disso, nem teria matriculado meu filho lá. Uma pena você não encontrar outra. Entendo bastante seu coração apertado. Quem conhece a pedagogia sabe bem. Mas a pedagogia e as escolas são feitas por pessoas, que diferem muito de um lugar para outro. Inclusive na mesma escola a gente pode ter o azar de que o pior professor seja o de nosso filho :(. Tenho certeza que você vai conseguir compensar em casa o que vai faltar nas novas escolas. Por favor compartilhe sempre. Forte abraço

  16. Olá, me identifiquei um pouco com você.
    Qdo estava na faculdade tinha uma amiga muito inteligente e questionadora, qdo ela me disse q tinha estudado numa escola construtivista…pensei qdo tiver filhos tb vão estudar numa escola construtivista.
    Assim coloquei minha filha numa escola construtivista aos 2 anos de idade….q péssima experiência: ela regrediu, se tornou agressiva…conversei com a diretora e percebi q ela não sabia nada de construtivismo. O construtivismo q diziam ser, eram frases decoradas….tirei ela da escola.
    Mudamos de cidade, e escolhemos uma escola tradicional, na hora pensei “com um mundo tão moderno, vou colocar numa escola tradicional???”….mas colocamos numa escola q valoriza a família, q tem um bosque!!!!
    Depois de 2 anos estudando nessa escola de metodo tradicional minha filha disse: só saio dessa escola se for pra outra com bosque!!!
    Enfim, escute teu coração!

  17. Querida Cris,
    Pelo que tenho sempre me informado, Miami nao tem nenhuma escola Waldorf filiada a AWSNA. As unicas na FL sao em Sarasota e em Pal Harbor. Seria esse um fator para a escola estar defasada? A que voce se refere eh a “Sunrise”?
    Abracos
    Lucia

    • Sim, não é uma escola filiada a AWSNA. Mas é uma escola que mantém a infância das crianças, alimenta a fantasia e não trata o aprendizado como uma corrida. Essa é a minha perda. Mas sim, como falei no texto, é muito diferente das escolas Waldorf que conheço em São Paulo, apesar de trazer o nome Waldorf. Abraços, Cris

  18. Cris, sou mãe de uma menina linda de 9 meses, e já me preocupo com o rumo dela na vidinha escolar que em breve irá começar. Tenho acompanhado o blog a uns 3 meses, e para mim suas experiências inspiram e me conduzem para um universo rico em possibilidades e significados. Para você digo : Que a paz seja o árbitro de seu coração. Isso é cristão, e, é um ótimo termômetro em tempos de dúvida e coração apertado. Beijo para a família toda, vai dar tudo certo, nesse ” 2° ato ” , da vida de vcs !

  19. Acho interessante a pedagogia waldorf, mas aqui em Belo Horizonte só tem uma escola e é muito longe da minha casa… sacrificaria a mim e principalmente às meninas ter que atravessar a cidade todos os dias para ir para a escola… Adoro seu blog e será muito bom você compartilhar um pouco com a gente… vou tentar trazer um pouco da pedagogia waldorf para minha casa também, seguindo seus conselhos…
    Boa sorte para vocês nesta nova etapa

  20. Cris. Achei incrível a sua ideia de compartilhar conosco a pedagogia Waldorf para ser aplicada dentro de casa. Na minha cidade existem apenas duas escolas Waldorf e ambas são somente Educação Infantil. A minha filha está com 8 anos e vai para o 3º ano.
    Vou aguardar com ansiedade os seus posts, tenho certeza de que serão inspiradores para nós!
    Vai dar tudo certo com os seus filhotes! Tenha fé e acalme o seu coração!

  21. Oi Cris!

    Tenho um filho que vai completar três anos. Quando tinha um ano e dois meses o matriculei numa escola waldorf. Frequentou durante todo o ano letivo. Eu estava amando a escola. Infelizmente no último dia de aula me deparei com uma tremenda falha com relação a higiene, o que explicou as frequentes diarréias que ele apresentava. Achei muito grave e acabei por tira-lo de lá. Neste ano cuidei dele em casa pra esperar vaga em outra waldorf. Essa semana fui informada de que não haverá vaga pra 2015. Então também me fiz esse questionamento: será que a pedagogia waldorf não seria uma utopia minha mas não necessariamente a melhor educação para meu filho?
    Ao mesmo tempo sinto o coração apertado quando visito outras escolas tradicionais e ainda não consegui me decidir….
    Acho que ele já necessita ir para uma escola….
    Você esperaria mais um ano por uma vaga ou arriscaria outro tipo de educação?

    Amo seus textos!
    bj

    • Oi Gisele! Que bom que gosta dos textos. Eu hoje vejo (mais do que nunca) que faz uma super diferença uma escola Waldorf e uma tradicional. Entendo seu coração apertado porque é assim que o meu está com filhos em escolas “não Waldorf”. Não tem outra escola Waldorf na sua cidade? Se não tiver, tenta fazer uma pressão nessa escola aí. E pelo menos tenta garantir um lugar na lista de espera. Porque alguém sempre pode sair… E tenta achar um lugar onde pelo menos ele possa brincar. Mas cuidado porque as pessoas mentem no primeiro encontro. (Infelizmente) Se você aparecer numa escola falando que quer se seu filho brinque, eles vão te falar que lá é assim. Então tente ser bem imparcial. E fazer perguntas objetivas. Quanto tempo de brincar livre eles têm? Para mim essa seria a pergunta mais importante para essa faixa etária. E se ele puder ir para uma escola onde vai brincar, o coração não precisa ficar tão apertado.
      Boa sorte! Depois conta o que aconteceu. Vou ficar na torcida.
      Beijo

      • Oi cris!

        O coração falou mais alto e acabamos nos mudando de cidade pra oferecer mais qualidade de vida e a educação que acreditamos para o nosso filho. Sinto muita gratidão por ter feito essa escolha. Agora estamos em Atibaia e a waldorf daqui ( Estrelas Guia) é realmente surpreendente. Ver meu filhote de três anos acordar todo dia feliz porque vai pra escola não tem preço!
        Obrigada pela resposta, me fez pensar muito e decidir pelo melhor, no meu entendimento.

        Bjs

      • Gisele, que notícia boa! Fico muito feliz por vcs. Tenho certeza que essa experiência vai ser muito rica para seu filho e todos vcs como família. Foi muito bom para mim começar o dia com essa sua mensagem, obrigada. Beijo grande!

  22. Eu também tirei meu filho de um colégio Waldorf, e senti por ele. Fico feliz em ver ele avançando cada dia mais no aprendizado, mas o mundo Waldorf é bem mais suave. Hoje ele esta adaptado

  23. Ola Cris. As vezes me deparo com seus textos na web e hoje recebi um outro – A vida real depois da escola Waldorf. Realmente, não sei se veio a calhar ou a atrapalhar! Risos.

    Tenho um filho de 4 anos recém completos. Ele frequenta um berçário/jardim desde os 4 meses e meio quando a mamãe teve que retornar ao batente e está muito adaptado à rotina integral, sem meses de férias. Eu trabalho em multinacional. Ritmo de multinacional, estresse, pouco tempo, cansaço total, quero uma cabana e só! Meu marido tem uma loja e trabalha à noite. Me ajuda muito com a logística do filho.

    Porém este ano comecei a ouvir que as escolas estão cada vez com menos vagas por causa da nova Lei a partir dos 4 anos e começamos a procurar para colocá-lo na lista de espera para ser chamado aos 6 anos quando a outra atual termina. O berçário não segue uma pedagogia definida mas preza um pouco pelo alternativo e eu tenho confiança de que ele está bem cuidado, é independente e tem se desenvolvido muito.

    Só que… para nossa surpresa, ele foi chamado para 2016! Tomamos um susto! Das escolas que visitamos, e foram poucas, sabíamos o que não queríamos – nada muito tradicional, colaborativa, sem tanta competição, que ensine a pensar, a formar um ser evoluído emocional e espiritualmente e, sobretudo, a formar um ser único, engajado, feliz se possível e capaz de fazer suas escolhas. Alguém que consiga pensar fora da caixa.

    Aí meu marido e eu discordamos – meu marido quer dar o melhor possível e meios para que ele caia fora do Brasil (eu acho que um pouco pela frustração dele mesmo de não poder ir embora já) e eu quero formar um ser pensante que consiga olhar as situações de “fora da caixa”. E se eu puder escolher, que ele não dependa de multinacional nenhuma para seu sustento futuro.

    Dito isto, escolhemos as 2 que mais nos agradaram – a Waldorf (Rudolph Steiner) e o Humboldt. E ele passou nos dois! E temos que fazer matrícula e estou entre a cruz e a espada!

    O Humboldt tem uma estrutura fabulosa, bilíngue alemão (e segue parte da cultura), preza esportes, tem período integral e possibilita fazer faculdade fora, se ele quiser, no futuro.

    A Waldorf é… bom, a Waldorf. Aquela sensação de crianças felizes, correndo ao ar livre, brincando, felizes. A vida como brincadeira.

    O que pegou para nós:
    1) (e esta pegou mais para ele que para mim) a professora que nos apresentou a sala como “a casa da mãe com seus filhos” – ora, eu sou a mãe e eu estou trabalhando o dia todo SIM! O mundo é assim, eu não posso largar meu emprego e tenho que tentar algo com ele no resto do dia. Muitas famílias vivem assim hoje e não deixam de prezar o ser humano integral por causa disso. A gente faz o melhor que pode

    2) esta pegou mais para mim – no dia da palestra de apresentação, era dia de teatro do 9o. ano (antiga 8a serie) – havia uma garota bebada no banheiro – sim, adolescente bebada dentro da escola, berrando aos montes… Tudo tem limites…

    3) A escola não é integral – não tenho babá e teria que colocá-lo em outro lugar à tarde, porque não tenho avós que fiquem com ele no meio período todos os dias – seria a TV mesmo.

    Enfim, estou muito dividida. A Waldorf me encanta mas… é tanta mão-de-obra que não sei. Eu sei que você tem uma queda pela Waldorf mas também sei que a pedagogia envolve uma participação constante da família.

    ME DÁ UMA LUZ? Alguma palavra de apoio… Muito já foi dito aí em cima, Também tenho a opção de continuar onde está e buscar mais mas se não mudar agora, no começo, aos 4 anos, a possibilidade de vaga futura é mais complexa…

    Um beijo e parabéns pelos textos!

    • Gabriela, posso estar errada, mas eu sinto que você já fez a escolha e quer só um empurrãozinho. Então lá vai: Vá para a bilíngue. Tudo bem. Se vocês dois gostam da escola, se é integral como vocês precisam, se a princípio não tem nada de errado com ela, vai! A vida não dá para a gente garantia de nada. Uma das pessoas mais bem sucedidas que eu conheço – aqui nos Estados Unidos, estou na Rudolf Steiner a vida inteira. Ou seja, só não podemos esperar que o futuro é preto e branco. Porque não é assim. Não é porque uma pessoa estuda numa escola bilíngue que vai se “dar bem” no futuro. Não é porque estuda na Steiner que vai ser hippie. Essa é a grande aventura da vida. A gente não tem certeza de nada. Mas assim que a gente aprende. Se questionando, conhecendo melhor quais são nossos motivos, o que buscamos. Também não vai existir escolas sem problemas. E foi isso que quis dizer com o texto. Muitas vezes no lugar onde o discurso da união e da compaixão é pregado, é justamente onde as ações vão em direção oposta. Não dá MESMO para julgar um livro pela capa. Então como fazemos para escolher uma escola? Acho que o coração tem que decidir. E isso não sou eu que estou falando. Pesquisas da neuro ciência provam o que Steiner falou há mais de 100 anos atrás: nosso cérebro (razão) só conhece nosso passado, ele só toma decisões baseado no que já vivemos. E quem disse que isso nos leva para um melhor caminho? Enquanto nosso corpo, nossas sensações, nossa intuição consegue envolver a neuro plasticidade (no ponto de vista da ciência) e a espiritualidade (no ponto de vista do Steiner) então o que sentimos ser o “certo” talvez não seja o mais bonito ou o mais feliz, mas com certeza é o que precisamos. É o caminho a ser seguido. Boa sorte. Respira fundo e vai em frente. A aventura de ser pais começa a ficar realmente intensa agora quando começa a idade escolar. Seja qual for a escola, quem educa são os pais. Um beijo! (espero ter ajudado um pouco)

  24. Olá Cris, adorei os seus textos. Venho aqui para dizer nunca é tarde para fazermos mudanças. Este ano minha filha de 15 anos está indo para uma escola Waldorf aqui em SP. Vimos que por mais que enxerguemos as coisas, as vezes, nos fazemos de cegos. Há cinco anos a coloquei em um colégio tradicional conceituado e ela não se adaptou. E eu achando que era o melhor que estava fazendo, mesmo com suas notas baixas e sua tristeza no olhar. Eis que surge o convite para o teatro do 8 ano. Saímos de lá diferentes de como entramos.
    Seus olhos( de minha filha) diziam: É isso que eu quero. Fez a vivência, foi bem acolhida por todos, sem exceção. Vi felicidade naquele ambiente chamado Escola. Tudo ao seu tempo.

  25. Adorei o texto! O que mais tenho feito nesses últimos meses é ler e reler tudo sobre a Pedagogia Waldorf. Tenho uma filha com quase 5 anos e irei colocá-la na escola esse ano, mais nunca me senti tão perdida, acho essa pedagogia linda, porém ainda tenho milhões de dúvidas e medo quanto ao futuro dela. Ao mesmo tempo não concordo muito com algumas coisas das escolas tradicionais. Enfim, imaginem uma mãe perdida, essa sou eu 10x mais.

  26. Oi, sabe me dizer com é a inclusão de crianças deficientes na escola waldorf? Tenho um filho com síndrome de Down e acredito que essa será a melhor escola para ele. Obrigada

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