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Realmente é difícil imaginar um casamento onde tudo fica igual depois dos filhos. Claro que não fica. Pode ficar melhor e pode ficar pior, mas sempre fica diferente. Acho que nessa hora é importante lembrar que tudo passa. Então se ficou bom demais, não precisa sair por aí falando com todas as amigas que seu casamento é dos sonhos. Porque as amigas que estão casadas há mais tempo que você, vão pensar: isso vai passar. E a mesma coisa se tudo estiver ficado pior. Também vai passar.

Não tenho nenhuma receita comigo de “como ter um casamento feliz”, mas conheci na minha vida um casal que foi realmente feliz durante a vida inteira. Amando-se e respeitando-se. O segredo deles? Os filhos foram bem criados (o que significa muito trabalho e abrir mão de muita coisa, assumir a mudança de vida) e com isso eles tinham algo em comum. E com a idade, eles tinham isso para celebrar em comum. O resultado desse trabalho é que eles também tinham uma família de verdade. Com refeições à mesa, onde todos dão palpites na vida de todos, essas coisas de família. Mas além disso, eles tinham cada um a sua individualidade. O que não significa uma competição. Não é sobre quem tem mais e quem faz mais em casa, é sobre cada um assumir seu papel, dentro de casa (a mãe como mãe, o pai como pai) e fora de casa, cada um ser um só, indivíduo.

A maternidade durante os primeiros anos da vida das crianças, exige muito mais da mãe do que do pai. E acredito que isso precisa ser assumido pela mulher. De preferência com uma certa leveza. Seu cabelo está horrível? Tudo bem, você agora é mãe. Seu corpo mudou completamente depois da gravidez? Tudo bem, você gerou um ser humano aí dentro.

Vi um filme há alguns anos atrás chamado “Diário de Uma Babá” e conta a história de um casal em Nova York com uma filha. Marido e mulher são super bem sucedidos e a babá cria a filha. A mãe, quando não está cuidando do cabelo, está cuidando do corpo ou fazendo compras. É uma história super estereotipada, mas no fundo mostra uma realidade muito frequente. Com medo de perder alguma coisa, algumas pessoas perdem o momento. No fim, o casal se separa. Não existe nenhum vínculo forte entre eles. Eu sei que ficar em casa para o marido sair todo arrumadinho para trabalhar. E até mesmo ficar em casa para o marido sair todo arrumadinho para uma viagem de trabalho, soa injusto e triste. Mas precisamos abrir mão desse papel de vítima. A vítima só atrai tristeza e amargura. Fica até difícil perceber o milagre que está acontecendo: seu filho.

Tentar levar nossa responsabilidade com mais leveza e curtir o momento, sabendo que vai passar, acho que é segredo para nós mulheres conseguirmos fazer a nossa parte no plano felizes para sempre. O que na vida é melhor do que a sensação de dever cumprido? Acredito que ter essa sensação como casal, é um laço muito forte de desatar. Agora se o plano vai dar certo ou não, nem é tão importante. Porque no fundo, o significado da vida é vivermos inteiros no presente.

Texto lindo que achei no blog do Dr.Sergio Spalter:

a separação do casal

Quando nasce uma criança nasce uma família…e a vida do casal pode mudar muito, e eventualmente des-estruturar. Um casal sem filhos tem uma vida com uma maior autonomia. Existem ações compartilhadas, coisas que fazem juntos e várias outras em que seu par não necessariamente participa. Mas quando uma criança nasce, passa a existir uma tarefa comum, central e muito importante, um cuidado com o novo bebê, que pode ser muito exaustivo. E a medida em que a criança cresce, novas necessidades surgem. Claro que com o passar dos anos a companhia desse ser que está se desenvolvendo passa a ser cada vez mais gratificante. Mas as cobranças entre o casal podem aumentar muito. Em geral as mães, e também os pais, passam a sentir outras necessidades, que uma vida mais “solta” de casal não exigia. E muitas vezes se sente tolhido de fazer coisas que fazia antes do bebê nascer. Então parece que a felicidade de cada um, que antes era vivida de forma mais tranquila, passa a depender do outro. E como o outro muitas vezes não supre nossas alegrias, que pelo menos ele ou ela cumpram suas tarefas!? É ai que pode surgir uma insatisfação e uma pergunta: será que eu casei com a pessoa certa? Será que essa pessoa do meu lado é aquela com quem eu quero constituir minha família?

Claro que muitos encontros e separações são genuínas. Mas as que acontecem nesse momento, em que uma criança nasce, podem ser melhor observadas… Se cada um compartilhar suas dificuldades e limites, novas soluções certamente poderão ser encontradas. As vezes a decisão de separar pode ser a opção mais rápida a ser tomada…mas existem com certeza outras possibilidades. Ficar um tempo recolhido, cada um no seu espaço interno, pode ajudar bastante.

O Casamento
ALMITRA falou de novo e disse:
– Mestre, que pensais do Casamento?
Ele respondeu, dizendo:
– Nascestes juntos,
juntos ficareis para sempre. Ficareis juntos
quando as asas brancas da morte
dispersarem os vossos dias. Sim. Ficareis juntos
até na silenciosa memória de Deus. Mas que haja espaço na vossa comunhão;
e que os ventos do céu
dancem no meio de vós. Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um empecilho:
seja antes um mar vivo
entre as praias das vossas almas. Enchei cada um o copo do outro,
mas não bebais por um só copo. Partilhai o pão;
mas não comais do mesmo bocado. Cantai e dançai juntos, sede alegres;
mas permaneça cada um sozinho,
como estão sozinhas as cordas do alaúde
enquanto nelas vibra a mesma harmonia. Dai os vossos corações;
mas não a guardar um ao outro. Porque só a mão da Vida
pode conter os vossos corações. Mantende-vos juntos,
mas nunca demasiado próximos:
porque os pilares do templo
elevam-se, distanciados,
e o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.



Por: Cris Leão
Foto: Henri Cartier Bresson, Paris – 1958.

14 pensamentos em “O casal depois de ter filhos

  1. Olha, Cris, este post foi mesmo pra mim!!! Obrigada por traduzir sua experiência de vida nestes textos maravilhosos e compartilhá-los com a gente!

  2. Mais um bom texto! Sintético, mesmo dentro de um tema tão amplo… Uma coisa é certa: filhos são um grande teste para os casamentos. Exigem uma dedicação (em infinitos sentidos) que transcende os indivíduos que compõem o casal. Me lembro que, no caminho de casa para a maternidade – para termos nossa primeira menina – comentamos que aquela seria nossa última viagem como “apenas um casal”…. Que na volta para casa já seríamos uma família… Dez anos depois ganhamos e perdemos muitas coisas nessa nova configuração… Mas, como dizia alguém antes, não dá para fazer um bolo sem quebrar uns ovos, não é mesmo??? Santa filosofia, Batman!!! 🙂

  3. Estava mesmo precisando deste post hoje. Obrigada pelos textos! Vc consegue colocar todos os nossos sentimentos! Bjo

  4. Bom dia ! Gosto muito dos seus textos e quero apresentar a vocês o tesouro que encontrei! Existe sim um segredo pra vida familiar feliz! Se cada um na familia conseguir desempenhar seu papel ela estará em.harmonia! Esse segredo vem do nosso criador ! Ele nos deixou um manual de instrução ! A bíblia….
    Acesse o site http://www.jw.org e baixe gratuitamente o livro “qual o segredo para uma familia feliz” e/ou “o que a bíblia realmente ensina” capitulo 14. Verá Cris, que esse seu esforço esta em harmonia com nosso criador! Parabéns ! Num mundo de tantos ensinamento individualistas e no qual não podemos abrir mao do que construímos por nada nem ninguem,VC esta lutando para agradar o formador da familia,Jeová !!! Parabéns! Esta no caminho certo….

  5. Oi Cris,
    Eu acompanho seu blog e amo seus textos. O blog é muito lindo, a começar pelo nome que já suscita uma reflexão poderosa para a doação que é ter e criar filhos.
    E saiba que estou acompanhando a saga da mudança da escola dos meninos. Estou passando por esse dilema da escola também, e logo vou preparar alguns textos sobre isso para o meu blog Ver de Mãe (http://www.verdemae.com.br/)
    Obrigada por compartilhar textos tão lindos.
    Bjos,
    Jaque

  6. Olá Cris! Adorei!!! Caiu como uma luva e mais ainda aqui em casa com 3 filhos, 1 + gêmeos… vivo maluca inteiramente dona de casa e meu marido não pode sair pro “lazer” como ele fala sem ficar correndo atrás de criança… Até pedi que leia este texto. Beijos e continue nos ajudando.

    • Obrigada pelo comentário, Ana Paula. Sempre bom saber que os textos estão servindo para alguma coisa. : ) Beijos

    • Passamos por essa fase da “falta de lazer”…. e não adianta tentar se convencer que trocar fraldas e ir ao parquinho são seu novo lazer! Funciona só no começo. 🙂 O legal é tentar achar uma nova atividade que possam praticar em família e que drene essa vontade (principalmente do pai) por novos desafios…

  7. Cris, a minha esposa me enviou o seu texto e achei muito bom. Sou grato por compartilhar e me sinto bem.
    Grato
    Jefferson

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