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Tinha um post quase pronto aqui. Meu filho veio fazer a lição no computador, fechou a janela e perdi tudo.

Tive uma amiga em Nova York que não trabalhava fora e só ficava por conta da filha. (e da casa, do marido, o pacote completo) Ela vivia sem reclamar, mas tinha uma vida muito dura. Incluindo lavar o cabelo apenas aos sábados. (porque era o único dia que o marido estava em casa, então ela podia lavar e secar os longos cabelos no secador) Depilava as pernas com pinça para não gastar em salão. Sem tom de lamúria, um dia ela constatou assustada e me disse: nossa, faz 5 anos que não escolho uma música e coloco para escutar.

Ser mãe envolve abrir mão do ego. Para umas mais que para outras. Mas para quem fica em casa, para quem não conta com ajuda (nem paga, nem de boa vontade), com certeza. Por ego eu chamo aquilo que dá sensação de identidade. Todos os dias, muitas mulheres desistem da profissão, param de ser chamadas de “a dentista”, “a gerente”, “a cozinheira”, “a professora”, “a chefe” e passam a ser chamadas de mãe. E são chamadas de mãe muitas vezes ao dia! Até enquanto tentam tomar um banho ou fazer alguma coisa que até então significava privacidade no banheiro.

Mesmo sentindo que estamos no meio de um triturador de carne com tantas noites mal dormidas, tantas coisas para lembrar, tanta tarefa a cumprir, tanto barulho, tanta preocupação e ação, nossa identidade agora é “sou só mãe”.

Foi isso que eu disse para um jovem que me parou na rua ontem. Eu vinha caminhando com dois cachorros, um meu e um de uma amiga. Era um momento meio tenso porque até então meu cachorro nunca tinha conseguido ficar tão perto de outro cachorro. Fora todo o trabalho que eu já tinha executado de manhã cedo até as crianças irem para a escola. (incluindo fazer o almoço para elas levarem) Ou seja, tecnicamente naquele dia às 9h da manhã eu já tinha sido: cozinheira, arrumadeira (de mochilas, de mesa e de crianças), motorista, pacificadora de brigas no banco traseiro do carro e andadora de cachorros. Mas ele perguntou o que eu fazia e eu disse: eu sou só mãe. Ele então começou a falar muito bem de si mesmo. Disse que trabalhava para ajudar os jovens com menos condições financeiras, pediu minha contribuição. Eu mostrando minha total falta de bolsa ou bolso disse que não tinha dinheiro. Ele perguntou: e cheque? (claro, toda vez que saio para andar com o cachorro na rua levo cheques) Eu disse que não tinha. Eu estava super apertada para ir no banheiro. Eu não queria ter parado para falar com ele, só parei por educação. Eu já ajudo muito quem precisa. Pedi de presente de Natal para o meu marido, o apadrinhamento de uma criança dessa ong. Eu tinha passado a noite anterior separando roupas, sapatos e brinquedos para doar e levei tudo até uma instituição perto da minha casa na noite anterior. (ignorando o diabinho que falava na minha cabeça: que trabalheira, joga tudo no lixo, quem precisar que encontre). Mas sem saber de nada disso. E me achando uma à toa por ser “só mãe”, ele falou grosseiramente: bem que minha avó dizia, não confie em ninguém que use óculos escuros.

Voltei para a casa me sentindo agredida com essa ofensa e com o fato de que – sempre que digo que sou só mãe, o outro entende que tenho uma vida boa para caramba então preciso fazer alguma coisa para consertar essa injustiça. Como que para pagar uma dívida moral com quem está “trabalhando”. Lembro que quando vivia em São Paulo era super difícil atravessar a rua empurrando um carrinho. Era como se eu tivesse incomodando quem está “ocupado”. Uma vez eu estava grávida empurrando o João no carrinho (eu não tinha carro e empurrava ele no carrinho todo dia uns 10 quarteirões) Grávida de 7 meses. Uma mulher me viu e falou com outra: eh, no nosso tempo a gente carregava era com a mão, não tinha essa frescura.

Erradas não somos nós quando não valorizamos nosso papel. Errada é a sociedade que não valoriza, não dá nenhuma pista de que exercer o papel de mãe é algo relevante. O que fazer com isso? Que tal se a gente ensinar nossos filhos a valorizar mais o que é realmente importante na vida? Que tal se a gente parar de falar coisas como “nossa, fulano está super bem, tá com carro novo” a gente falar “nossa, fulano está ótimo, ele está vivendo muito bem com a família”, “fulana está ótima, porque está aceitando o que não pode mudar e tendo coragem de mudar o que consegue”. Tenho certeza que a lista vai ser longa.

O mundo está cheio de ego. Tem gente tão abduzida que não consegue mais ouvir. Você começa a falar da escola do seu filho e a pessoa (que não tem filho) conta toda a infância dela na escola. Nada contra trocar experiências, mas cadê o silêncio de ouvir? Cadê o silêncio de respeitar o outro e deixar que ele exista? É comum ver no Facebook alguém compartilhando um momento feliz, um orgulho na vida e você ler um comentário assim: Também vou aí! Também já fiz isso! Que competição é essa? Aonde essa competição leva?

Ouvi na rádio: tem gente tão auto centrada, tão egóica, tão egoísta que quando vai assistir a um filme ou ler um livro, (momentos normalmente usados para se desligar e relaxar) fica se vendo nos personagens o tempo todo.

Mas atenção, essa armadilha é muito fácil de nos pegar a todos. O que fazer? Primeiro, você não é o seu trabalho. Não importa que sua profissão seja ser médica ou ser bailarina. Isso é só o seu trabalho. Você é a soma das pessoas que convive, do que gosta de fazer, dos amores que têm, da família que tem. Eu sei, ser dá trabalho. Mas isso é outro post. Segundo, desconecte do papel de vítima. Toda vez que ele aparecer, bata a porta na cara dele. Terceiro, tente fazer alguma coisa que te conecte a algo externo. Talvez um esporte que te mantenha focada, talvez cozinhar, talvez arte. Uma das coisas mais lindas que aprendi com Steiner é que a arte não é para um grupo muito especial de pessoas. Somos todos artistas. Então se conectar com essa força faz um bem danado. É como ficar em contato com a natureza. Porque essa é a natureza de todos nós.

photo quadro vincent

Pintei esse quadro na minha aula de arte terapia. Comecei a fazer as aulas há um ano e meio atrás e não conseguia nem escrever em letra cursiva. Mãos duras. Travadas. Não ficou nada demais, mas fez muito bem fazer. É como uma meditação. Nosso cérebro costuma ficar repetindo as mesmas perguntas, ou preocupado com o mesmo tema. Já pensou como isso é cansativo? Mas quando você para para pintar com foco, ou tocar um instrumento (imagino) não é mais você que importa, é o que você está fazendo. Tirar o foco de si mesmo é libertador. Você começa a ver que pode mais do que imagina. E começa a sentir que a vida tem uma energia, uma força, uma roda moinho, que gira, independente de você.

Escrevi tudo isso para dizer (não em linha reta) a todas a mães que estão pensando em parar de trabalhar para ficar com os filhos, ou que estão sem trabalhar e com os filhos, que não se prendam aos conceitos e as ideias que têm na cabeça e que muitas vezes são tão limitados. Em um momento de decisão, acredito que o melhor é sempre se perguntar: O que o amor faria agora? Lembrando que amor próprio também é amor. Filhos felizes têm mães felizes. (não gosto muito do conceito (e ditadura) da felicidade, o que quero dizer é: que a gente ame os filhos, mas também se respeite, se preencha.)

Se tudo der errado, pelo menos você e eu vamos poder dizer que vivemos um sonho. E isso parece muito mais certo do que dizer que vivemos com medo. Confie na vida, às vezes o que a gente considera que é o nosso fim, é o nosso começo.

Aproveitando que nessa semana teve o dia do Martin Luther King, eu queria dizer que eu também tenho um sonho:

Que um dia todas as mães serão valorizadas pelo trabalho que fazem, não só aos filhos, mas a toda a comunidade.

Que as mães, se sentindo reconhecidas pelo trabalho que fazem, possam finalmente viver em paz, não competir umas com as outras e dividir mais seus aprendizados em uma grande corrente do bem pela educação, pelas crianças e pelo futuro.

Que toda vez que uma mãe falar: “eu sou só mãe” o outro responda com os olhos cheio de esperança e alegria: Parabéns! Que bacana. E obrigado.

Por Cris Leão

63 pensamentos em “Eu sou só mãe

  1. PERFEITO seu texto, tudo que eu precisava ler… Você não imagina o bem que me fez!
    Beijos!
    Felicidades!

  2. “O que o amor faria agora??? Lembrando que amor próprio também é amor”. Que texto bom! Quanto acolhimento, qto respeito! Qto ainda precisamos aceitar internamente e discutir entre nós. Qto há para aprender. Mto obrigada! Eu sou “só” mãe! Pelo penos por hj, por agora. Obrigada mesmo! Serenidade pra nós.

  3. Cris, parabéns e obrigada pelas palavras! Traduziram meu sentimento nos dois anos em que fiquei em casa com meus filhos (por opção e necessidade de ser só mãe…)! Voltei a trabalhar, mas minha necessidade de ser ‘só’ mãe ainda é muito latente em mim. Só que o financeiro é uma face muito forte nesta balança… Mas, meu sonho está aí, me rondando e, já já, eu o realizo e volto a ser ‘só’ mãe, com muito orgulho e loucura!

  4. Cris, para variar adorei o texto , rs ! Escrevo para apenas colocar meu ponto de vista qto aos dizeres na tal igreja presbiteriana -não faço parte de nenhuma igreja-, mas sou cristã,apesar da igreja, rs e sempre gostei muito desse texto, que é um versículo bíblico, e ,para mim ele diz que só me é possível amar, pq Ele me amou primeiro,sendo Ele o próprio amor me ensinou o que é amar,pois qto a mim em minha finita humanidade não saberia amar e nem saberia o que é o amor no seu infinito significado.Portanto, eu amo porque Ele me amou primeiro e assim me ensinou o que é o amor ( I João 4 :10 e João 3:16 ).

    • Que lindo, Erika. Obrigada. Não conhecia o contexto da frase. E podemos acreditar que muitas pessoas lêem e entendem como eu, não? “Ele me amou então vou amar de volta porque eu sou bom”. E aí começa o ego, a competição, a clausura. E se Deus é amor, ele liberta. beijo grande!

      • Concordo com vc, e por conta não contextualizar muitas coisas, a instituição chamada igreja, perdeu e perde até hj muito, naquilo que seria o sentido de sua existência no mundo: Trazer Deus às pessoas e amar como Ele nos amou e ama ! Bju para vc, parabéns pela inspiração incontida e contida de suas palavras !

  5. Como sempre perfeita! Incrível como seus textos nos inspiram a ser não só mães melhores como pessoas melhores. Mil beijos e mais uma vez obrigada!

  6. chorei lendo seu texto…o que eu tenho a dizer? Muito obrigada pelas palavras de incentivo, pois eu também sou só mãe!

  7. Cris, adoro todos os seis textos porque tenho a sensação que você sabe o que sinto.
    Voltei a trabalhar depois de minha filha ter 1 ano e 7 meses, os primeiros meses foram ótimos mas agora tenho a sensação de que deveria ser ” só mãe.”
    Hoje Deppis de ficar de pseudo molho por uma virose e buscar ela na escola vi o quanto isso é maravilhoso e senti vontade de ser só mãe.
    A sociedade é cruel mesmo, e exceto pela parte da igreja que vc citou, faço minhas as suas palavras.
    Digo isso pois como cristã lamento você não ter entendido o contexto do versiculo nos amamos pq ele nos amou primeiro.
    Mas todos os dias eu peço, que possamos amar ao próximo como Ele nos amou.
    Um grande abraço de quem mto lhe admira
    Rafaella

  8. Cris,
    Só mais uma coisinha… Parabéns por sempre nos passar coisas tao boas!! Vc é uma daquelas pessoas que faz a gente ter vontade de passar horas e horas conversando e tomando um cafezinho.
    Bjs❤️

    • Que elogio mais gostoso esse! Tenha certeza que eu ia adorar passar horas tomando um cafezinho com vc tb. Eu agora entendi o sentido do versículo. Acho que a placa na frente na igreja me pegou quando eu já estava com o texto sendo escrito na minha cabeça e por isso, ficou fazendo parte dele. Fez sentido para mim. Mas agora lendo seu comentário e outro acima, eu não consigo mais ver o sentido que via antes, então tirei do texto. É bom que ficou mais curto! Conversa longa combina mais com cafezinho mesmo!
      beijos!

      • Cris,
        Esta sua forma de responder só mostra o quão especial você é! Parabéns mais uma vez!! É um privilégio para o mundo ter mães como você e incentivar mais mães a serem assim também.
        Super beijo!

  9. É com lágrimas nos olhos e muito amor no coração, que lhe agradeço a sensatez de escrever tão verdadeiras e lindas palavras. De mãe pra mãe.

    Enviada do meu iPhone

    >

  10. Adorei o texto! Trabalho meio período e me divido com o marido nos cuidados com o filho, temos uma ajudante para a casa que está de ferias!!!!!! Nesse mês em especial estou bem cansada por trabalhar fora e na volta ter mais trabalho! Ele está com 1 a e 10 meses e pretendemos colocá-lo na escola apenas após 3 a anos, o Q foi motivo de muita insônia pra mim… Mesmo com a ajudante, fico bem cansada, trabalho na área hospitalar em CTI, tem dias bem puxados… Mas não conseguia imaginar deixá-lo numa creche. Confesso q muitas vezes me sinto exausta e peço a Deus paciência… Mas penso q é um período em nossas vidas diante de tantos anos pela frente.
    Parabéns pelo texto! Abracos

  11. Pessoal, eu concordo com tudo o que foi dito, mas queria fazer uma adição ao conteúdo. A frase “eu sou só mãe” está errada! Essa frase por si só traduz o preconceito descrito no texto. A frase correta é “Eu sou Mãe”! A palavra “só” na frase inicial diminui o que vem depois…

    Eu sou Pai, e fiz de tudo pra conseguir trabalhar em casa, próximo ao meu filho. No primeiro ano de vida dele, eu só o encontrava por 30 minutos por dia, quando chegava do trabalho. Isso foi uma tortura!

    Agora, a grana está curta, porque não é fácil ganhar dinheiro trabalhando em casa (eu sou técnico em eletrônica). Mas, estou muito feliz por estar perto das pessoas que eu amo. Não me arrependo de nada disso. Pelo contrário, tenho muito orgulho. Apesar de todo o preconceito que isso gera.

    A gente precisa se valorizar, independente do que os outros pensam.

    • Oi Marcus, parabéns pela escolha. E a frase não está errada, foi feita assim de propósito. Para você, eu e todo mundo sentir nas entranhas que não é “só”. Grande abraço!

  12. Parabéns pelo texto e pelas suas escolhas.Também admiro todas as mulheres que agarram essa opção de ser “apenas mães”, também sonho com um mundo em que as pessoas (mães, professores, etc) serão admirados pelo que são e não pelo que possuem.
    Li alguma vez: Faça tudo por amor! se você perceber que está esperando qualquer coisa em troca(reconhecimento por exemplo) você está se afastando do amor.
    Então meu conselho pra você é: Faça só por amor.
    Beijos

  13. É cansativo demais, Ana. Eu sei. E nem trabalho no CTI. Mas faço o serviço de casa sozinha. E tenho um marido que viaja e trabalha muito. Mas você está certa, é só um período. Lembre disso sempre. E tente fazer coisas que possam facilitar a sua vida. Estabelecer bem a rotina dele é uma delas. Você coloca ele para dormir cedo? Eu demorei muito para “acreditar” que é possível, mas com rotina e disciplina, meus filhos dormiam às 19:30 nessa idade. Agora como a vida aqui é toda um pouco mais tarde, eles dormem as 20:30. De novo, dá trabalho ter essa rotina, mas compensa para você poder ter um pedaço da noite só para você ou para vc e seu marido. Boa sorte! Abraço

  14. Ameiiiii o texto!!!! Quando minha filha nasceu, hoje ela tem 12 anos, eu fiquei alguns anos sem trabalhar e cuidando dela. Foi um tempo muito rico. Uma criança bem criada, bem cuidada (não que mães que trabalham não façam isso) por alguém que é “só mãe” é um benefício a sociedade e ao mundo.

  15. Cris, você tem coisas a dizer que as pessoas precisam escutar. É ótimo ler seus textos aqui na página, mas tenho certeza que mais pessoas também gostariam de lê-los em periódicos ou mesmo em livros.
    Agradeço-lhe de todo coração por compartilhar conosco esse conhecimento, com toda a sua verdade.

    • Obrigada pelo carinho, Thalita. Sempre gostei muito de escrever. E aqui tenho um prazer ainda mais especial é que o de dividir tudo de bom que recebo da vida através das pessoas maravilhosas que Deus coloca no meu caminho. Um abraço!

  16. vc não imagina o bem que me fez…. muuito obrigada…. eu estou virando só mãe nesse exato momento e morrendo de medo de abrir mão de tudo o que me disseram que era mais importante que eles.

    • Boa sorte, Fernanda. O que ajuda nessa hora é lembrar que a vida não é uma corrida, é uma jornada. Ela existe no presente. Apesar da gente passar a maior parte do tempo preocupado com o futuro ou o passado. Parabéns!

  17. Seu texto mexeu comigo… Eu que há quase três anos sou apenas mãe, cuidando de tudo… E nesta semana, não dormi nenhuma noite, preparando o material escolar da minha filha que pela primeira vez irá à escola e cuidando da casa, já que agora sou mãe de duas e não tenho tempo durante o dia para limpar a casa, passar roupa e fazer a comida… Pois é, eu faço o almoço de madrugada… Isso tudo parando a cada duas horas para amamentar minha segundinha… Enfim, a semana termina e eu me sinto um caco.. Não descansei a semana toda, trabalhei praticamente as 24 horas do dia e agora saindo para pagar uma conta, não consegui entrar na fila preferencial, fiquei la com minhas olheiras, uma filha puxando minha blusa e outra no meu colo… Me senti um nada…
    Ah, amiga… A verdade é que ser só mãe, é cansativo e exaustivo. Mas, poder acompanhar de perto cada fase do desenvolvimento dos nossos filhos compensa tudo.. Hj me sinto um nada, mas na segunda irei ver minha filha indo para a escolinha pela primeira vez, usando o material que separei com todo carinho para ela, e isso não tem ego nenhum que compense.

    • A vida é feita de perdas e ganhos, né Gina? Eu também já passei por poucas e boas nessa vida de mãe. Teve uma vez que viajei de férias sozinha com meu filho. Ele tinha pouco mais de 1 ano, ainda mamava no peito e dava muito trabalho porque não parava de andar nem um minuto. Eu estava com ele na praia e um dia fiquei passando mal de cansaço, junto com o calor e sei lá o quê. Eu me sentia uma miserável e pensava, meu Deus, eu não posso nem ficar doente? O dia começa as 6, termina as 9, sou interrompida do meu sono no meio da noite e as 6h preciso estar inteira de novo? todo dia? Foi muito difícil. Mas meu filho também só foi para a escola com 4 anos e hoje, para a minha alegria, ele é bom em tudo. Tem um coração de ouro, só tira notas boas na escola, por onde passa é só elogios. Além de ter a saúde de ferro. O que mais, uma mãe pode pedir na vida? Parabéns pelas suas escolhas e boa sorte para a pequena na escolinha!

  18. Trabalho como vendedora em casa e tenho 2 filhos, uma de 11 e um de 1ano. O esgotamento e gigante, sao praticamente 24h em casa, conectada a tudo ao mesmo tempo, tem momentos que parece um caos, mas agora me sentei e li este texto, valeu a pena, me senti bem. Somos guerreiras, somos maes de muitos. Um abraço.

  19. Excelente seu texto! Eu esperei muito tempo para que minha primeira filha chegasse aos meus braços e quando isso aconteceu, eu e meu marido optamos por eu largar tudo e ficar sendo ‘só’ mãe! Depois veio o segundo, depois mudamos de cidade, depois veio a terceira e os planos de voltar a trabalhar foram ficando em segundo plano, sempre pensando em ‘o que o amor faria agora?’. E o amor sempre fez com que eu ficasse e cuidasse deles, me doasse e abrisse mão de muitas coisas em benefício deles.
    A incompreensão social é enorme, a começar da minha mãe que nunca se conformou de eu não ter uma carreira respeitável. Não é fácil ser ‘só mãe’, mas é gratificante ver o resultado dos últimos 18 anos da minha vida.
    E é como vc bem disse: se um dia alguma coisa der errado, teremos eu e meu marido vivido nossas escolhas da melhor forma, dentro do que acreditamos ter sido sempre o melhor para a família!

  20. Lindo texto! Sinto exatamente oque você mencionou nele..Me senti especial ao ler suas palavras. Esse ano eu retornaria à faculdade, afinal faltam somente 2 anos para terminar e também voltaria a trabalhar..mas meu coração me pede para ficar..cuidar do meu tesouro maior. Não pretendo parar meus estudos, apenas interrompi, minha prioridade agora é minha família. Fico triste quando ouço de alguém: “Ué, mas você está sem trabalhar ainda???” ou “Se você não voltar logo para a faculdade, não vai voltar mais..fulana também parou e hoje depende do marido!” Essas frases que tentam nos diminuir, realmente machucam. Sei dos meus limites e também das minhas decisões e no momento estou feliz sendo mãe! Comecei a fazer artesanato, faço bonecas de pano e até ganhei uma maquina de costura do meu marido..mas também já tive que ouvir que é um absurdo deixar de ser engenheira para virar dona de casa e bonequeira..rs Mas a verdade é que não desisti da minha profissão, apenas dei um tempo..e confesso que mesmo com as atribulações do dia a dia, nunca em toda a minha vida fui tão feliz!

    • Pois eu acho fazer boneca de pano muito mais bonita do que ser engenheira. Cada um tem um gosto. : )
      Tenho uma amiga aqui na mesma situação. Ela parou por 12 anos por causa dos filhos, depois terminou o curso e agora está trabalhando de novo – como engenheira. Acho que é mais fácil reverter a situação profissional, do que reverter uma criança mal criada. Eles precisam da gente para tudo, não é? Sério. Meus filhos nadam porque eu dediquei um tempo para isso. Meus filhos andam de bicicleta porque eu dediquei um tempo para isso. Meus filhos se adaptaram a um país estranho, onde chegaram falando outra língua, porque eu dediquei um tempo para isso. Meus filhos se alimentam bem, conseguem distinguir o que é exagero porque eu dediquei um tempo para isso. E a lista é longa. Minha, sua e de todas as mães. Parabéns, Madalena! Boa sorte no seu caminho!

  21. Cris como foi bom ler seu texto! Somos tantas “só mães” que me emocionei até com alguns comentários. Poderíamos tanto dar as mãos e mostrar para nós mesmas e para a sociedade que nos julga o quanto fazemos, o quanto nos cobramos… Eu sou só mãe! Desde 2010 eu sou só mãe… Vi muitos amigos tomarem rumos tão diferentes do meu nesses últimos anos… Sou só mãe por opção de vida. Desde que emgravidei da primeira filha decidimos juntos aqui em casa cuidar dela. Aí veio a segunda filha… E estou cuidando delas agora. É tanta coisa pra fazer… Às vezes tento me lembrar do que eu gosto, da minha comida preferida, de qual música gosto de ouvir, de qual foi o último filme no cinema que eu não fui ver…vivemos pelos filhos e somos felizes assim. Obrigada! Obrigada! Obrigada, Cris! Eu queria te abraçar!

    • Me abraçou com as palavras, Samyra. Boa sorte no seu caminho. E logo logo vai chegar o dia que você vai poder voltar a fazer tudo o que gosta. Mas por enquanto, tenta fazer um pouquinho do que gosta tb. Eu sei que é difícil, mas tenta colocar como uma obrigação. Vai ver como vai te fazer bem. E como, estando bem, você vai ter ainda mais força. Um abraço! Obrigada!

  22. Excelente texto, mais uma vez pude contemplar a presença de Deus em suas palavras, e ver que a decisão que tomei a 7 anos atrás foi a melhor escolha de minha vida, Ser mãe!!!!

  23. Perfeito e um respiro para as mães que são somente mães. Já fui somente mãe e foi maravilhoso e recompensador, ensinei e aprendi; cresci junto e hj sou em primeiro lugar mãe, e depois vem o “resto”. Que os paradigmas modernos sejam quebrados em prol de filhos que tenham mães-mães, e não tanto mães-babas; mães creches; mães-avós, etc. Sou de sua terrinha natal e é muito bom ler os seus textos. Parabéns!

  24. Me sinto vivendo um pôs parto até hoje(7anos) depois,recriminada pois era jovem,modelo,apresentadora,e hoje me Olhão como se não fosse nada,muitas já achava que a vida que eu levava era a mas fácil,agora a de psicóloga,professora,doméstica,cozinheira,arrumadeira,personal stilo,detalhe não esquecer que o marido cobra se tem unha descascada,raiz do cabelo,depilacao(sem comentário)estou fadigada,em 32/12 tive crise muito forte de nervos com começo de avc,estou no meu limite,amanhã inicia aula da minha filha irei conhecer mães novas,e a pergunta que não vai faltar,vc trabalha?aceito sugestão,pois tenho horror a essas psicopatas femininas que acha Q treabalhar só atrás de um escritório é digno!😤

    • Oi Patrícia, acho que ter filhos (e principalmente a medida que eles vão crescendo) é ter uma grande oportunidade de amadurecer, de se conectar com coisas mais profundas, até dentro da gente mesmo. A partir do momento que isso for aceito por você – que a fase agora é outra, que a vida é feita de perdas e ganhos e ser jovem, modelo e apresentadora a vida inteira é uma opção que não existe – uma nova energia vai surgir e vai te ajudar a dar conta. Eu não conheço nenhuma mãe que não seja exausta. rsss. Mas dá para se sentir melhor consigo mesma e atrair pessoas que se parecem mais com a pessoa que você se tornou agora. Isso deixa tudo muito melhor. Boa sorte! Que alívio a volta as aulas, hein? : )

  25. Parabéns por seu texto , me identifiquei muito pois também sou só mãe a quase 7 anosTenho um filho de 6 anos e meio uma menina de 3 aninhos e estou grávida de mais uma princesa , estou com 29 semanas e apesar de ouvir muitas indiretas pelo fato de não ” trabalhar” tenho certeza q estou fazendo o meu melhor papel ” ser mãe”! Tenho apoio incondicional do meu marido e isso me dá mt força para continuar nesse papel maravilhoso , afinal não dou despesas a ninguém só a ele rsrs então seu apoio é td pra mim. Bjssssss

  26. Parabéns pelo texto Cris!!! Me senti nele totalmente… É difícil ver que a sociedade só valoriza quem “sai” pra trabalhar… E que trabalhar em casa com os filhos, com a casa, com o marido e com outras coisas também é trabalho….
    E certamente, nossos filhos, vão se tornar adultos mais amáveis e menos preconceituosos…
    Beijos

  27. Leio seu blog hoje pela primeira vez… E… Uau! Que texto!! Estou a poucos dias de “largar” minha vida profissional para ser “só mãe” e conto os minutos para que isto aconteça logo, pois é meu sonho desde antes de ser mãe e também porque os momentos mais doces da minha vida são quando estou com minha filhinha de 2 anos! Quero compartilhar seu texto no Facebook e procuro uma frase para destacar, lhe digo que está difícil, amei o texto do começo ao fim! Obrigada!

  28. Parabéns pelo texto! Eu super entendo seu sentimento, de ver como nos tornamos invisíveis para a sociedade moderna. Somos mães e nosso papel é muito importante! O mundo deveria nos agradecer por cuidar de nossos filhos com amor!

  29. Oi Cris!
    Sabe o que me deixa mais feliz? É saber que estamos no mesmo barco… percebo que essa cobrança é contínua, as mães que trabalham, é pq trabalham e as que ficam em casa como eu também tem essa sensação de ser “só mãe”, tenho 2 filhos uma de 4 anos e um de 1 ano.
    Pena que a sociedade não sabe quanto é difícil esse estar presente sempre…cuidar doar e muitas vezes se anular sei que parece forte essa palavra mas durante o dia nos anulamos, primeiro servimos nossos filho ficamos sempre em segundo plano, e o mais doído de tudo isso é que fazemos por amor… pq realmente não tem explicação!!!.
    tem dias que a minha vontade é de sair pelada gritando de tamanha confusão que me encontro.. e como se encontrar no meio de tudo isso?kkk
    Só se perdoando e se encontrando aos poucos… colocando eles para dormirem mais cedo, é ótimo, minha filha estuda em uma Waldorf aqui.. temos pelo menos um tempinho, pra curtir o sofá de casa que seja só isso. .mas é tão revigorante..vc se esparrama sem ninguém te puxar..kkk. ou jantar com o marido,conversando sem ninguém te interrompendo.. comendo como alguém normal… sem ter que engolir a comida pq alguém está te chamando no quarto tentando se vestir…podiam ate fazer um filme desta vida materna… pq seria sim muito engraçado..
    A vida é assim, vejo nos meu filho algo para me desenvolver constante …isso é fato!
    Lindo seu Texto!!!alías adoro seu blog, sempre leio é muito rico o que compartilha!!
    bjos!

    • Oi Patricia! Obrigada por escrever esse comentário. Para mim é uma delícia ouvir o outro lado. Somos sim muito parecidas. Eu também tenho vontade de sair correndo pelada. kkk E vamos em frente. Porque como em qualquer trabalho, alguns dias são melhores que os outros. E como qualquer trabalho, quando a gente se esforça, sabe que a recompensa vai chegar. No caso dos filhos, o trabalho é maior e mais difícil que qualquer outro, mas a recompensa é proporcional. Beijo!

  30. Oi Cris. Descobri seu blog há pouco tempo, mas a cada texto gosto mais dele. É um sopro fresco de ar ler palavras tão sensatas, tão ponderadas, nesse mundo louco de acontecimentos e intolerância com a opinião e o comportamento alheios.
    Fui “só” mãe por 4 anos, primeiro por circunstâncias que não dependiam da minha vontade, e depois por querer mesmo. Voltei a trabalhar há quase 2 anos e adivinhe só: descobri que quero ser “só” mãe de novo. Sinto falta dos meus filhos, sinto falta de estar mais presente, sinto que eles se ressentem de passar tantas horas na escola e tão poucas em casa. Costumo dizer que nos primeiros meses de volta ao trabalho eu não vivi, sobrevivi. Com o passar do tempo melhorou um pouco, mas vivo constantemente com a sensação que o dia tinha que ter 48h pra poder dar conta de tudo e ainda ter um tempinho pra mim – pois sim, sinto falta de um tempinho só pra mim. Convivo com o sentimento de estar deixando algo pra trás constantemente.
    Em alguns dias vou voltar a ser só mãe. E já estou encantada com a possibilidade de ter que correr menos atrás do relógio (embora esteja consciente das outras coisas que vou perder, financeiramente e pessoalmente), de poder desacelerar, poder deixar meus filhos mais horas à vontade. Uma pena como o estar presente é tão desvalorizado…. foram muitas as vezes que vi o olhar de pena das pessoas quando dizia que não trabalhava, que ouvi de pessoas próximas “quando vc volta a trabalhar? um desperdício ficar só em casa”. Digo apenas o seguinte: estou construindo memórias e história para os meus filhos. Construindo a base das pessoas que eles serão – uma tremenda responsabilidade, ainda mais nos tempos atuais.
    Parabéns pelos seus textos. Muito obrigada por eles!

  31. Ser “só mãe” é o meu sonho, porém meu marido não apoiou e pelo visto nunca apoiará se tivermos outro filho (o que me faz desistir desse plano)… Hoje minha filha já tem 4 anos e é independente, fico deprimida de pensar em tudo que perdi nessas 10 horas por dia que passei longe dela desde os 4 meses de idade.

  32. Olá Cris, amei o texto, obrigada…me ajudou muito. Faz 1 ano q parei de trabalhar e estou me acostumando, ao mesmo tempo q me sinto muito feliz em poder cuidar dos meus filhos, há vezes q me sinto mal em não ajudar meu esposo nas despesas, sempre trabalhei fora, desde os 15 anos, hj tenho 41 anos. Várias vezes pensei em voltar a trabalhar, mas meu esposo me disse uma coisa q ele tem razão, eu voltaria a trabalhar e gastaria meu salário c babá, faxineira e ficaria o tempo todo preocupada c as crianças, vivendo naquela loucura q eu vivia qdo trabalhava fora, ficava muito tempo fora de casa, chegava estressada, era uma loucura. tenho 3 filhos, um de 18 anos, outro de 07 anos e outro de 06 anos e sou “só mãe” com muito orgulho. Qto mais a gente ganha mais a gente gasta, a gente se acostuma c tudo nessa vida, só basta querer. Fora q meus filhos e minha família são muito mais felizes hj, isso não tem preço. Bjs e muito obrigada.

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