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Depois de muito stress com a véspera de provas – o que significou vários dias com 7 horas de escola mais 4 horas de lição em casa – meu filho ficou esgotado. Tão cansado que até o cabelo dele começou a cair. Sexta feira da semana passada começou o recesso da primavera para ele. Vão ser 10 dias sem escola. Saímos de manhã para andar de bicicleta, só nós dois. Ele estava radiante de felicidade. Me olhava com a melhor cara do mundo. Na hora do almoço, ele olhou para a mim e falou: mãe, como a vida é boa.

Bicicleta tem o poder de fazer as pessoas felizes. Você sabia? Eu sinto toda vez que ando, mas além disso tem a explicação científica. Muitas aliás. Uma delas é a de que na bicicleta quem faz o movimento é o metatarso, a parte do corpo responsável por te fazer andar para a frente. Então andando de bicicleta seu corpo sente “estou andando para a frente”. (a pilha de louça, os problemas, ficou tudo para trás) Tem coisa melhor do que isso? Tem. O ventinho no rosto.

Como mãe a gente tem o poder de saber o que nossos filhos precisam. O difícil é acessar essa conexão. Ainda mais com o celular apitando, aquela pilha de email para ler, as preocupações na cabeça. Mas como é triste viver assim.

O que o ser humano mais quer na vida é atenção. Você quer ser ouvida pelo seu chefe, quer ser ouvida pelo seu marido, quer ser ouvida pela sua mãe. Com seu filho não é diferente. E eles dão sinais o tempo todo. Frases que repetem, perguntas que repetem, olhares e manias estranhas que repetem. O que eles querem dizer com isso? Você sabe. Lá no fundo, você sabe. Filhos trazem herança genética, não apenas biológica, mas também emocional e espiritual.

O que ele quer dizer com isso que está fazendo? O que ele está precisando? Você sabe.

Eu soube que meu filho precisava de aulas de música para aliviar do stress acadêmico logo que mudou de escola. Ele nunca me falou isso, claro que não. Ele é uma criança. Só que eu sabia. No primeiro dia que o professor chegou aqui e começou a tocar o violão, meu filho fechou os olhos e sorriu balançando a cabeça no sinal de sim. Sim, é isso que ele precisava.

Algumas pessoas me perguntam o que fazer com o filho e hoje pensando na história de algumas mães, me vieram essas frases:

Deixe que sua vida seja guiada pelas batidas do seu coração, não pelos sinais do seu celular.

Quando é que você vai ter tempo para o que realmente importa? Porque algumas vezes, seu filho está enlouquecido do jeito que está porque está desesperado pedindo socorro. Nesse caso, pare tudo e ao invés de achar um profissional para resolver o assunto, mergulhe na situação porque ninguém vai resolver tão bem quanto você.

A gente está se acostumando a deixar as coisas para depois. E “depois” não é um lugar para você guardar a sua vida.

Nesse sábado fomos passear em um zoológico pequeno perto de Miami. Haviam vários pássaros nesses círculos. Não estavam presos, nem com as assas cortadas, mas estavam ali, não saiam. Então eu perguntei para a funcionária porque eles ficavam ali e ela disse, eles são filhos de pássaros de cativeiro e não aprenderam a voar quando eram pequenos, eles simplesmente não sabem voar. Se perderem o equilíbrio onde estão, simplesmente caem no chão.

passaro zoo antes que eles crescam

Quem vai definir a capacidade do vôo das crianças, são os pais. Dê o seu melhor nessa conexão. Ser pai não é sobre o que você perdeu tendo filhos, mas o que você ganhou com isso.

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo. J. Saramago

Cris Leão

20 pensamentos em “O que seu filho precisa

  1. Uma frase do seu texto que merece se tornar uma citação, que certamente me lembrarei no futuro: “Ser pai não é sobre o que você perdeu tendo filhos, mas o que você ganhou com isso.”

  2. Toda vez que leio um post seu,tenho certeza que vc lê os
    meus pensamentos,sempre que me pego preocupada com o meu filho,com a maternidade,e com tantas outras coisas parece que vc sabe ou todas estamos enfrentando os mesmos problemas, o que certamente deve ser verdade.
    Hj mesmo me peguei pensando que o meu filho só precisa de mais atenção,menos críticas,mais vida de criança,mas infelizmente essa corrida da vida é muita louca,são provas,simulados,trabalhos,que eu fico pensando qual é a hora que ele pode ser criança?,
    Hoje pensei erradamente mas pensei :Será que temos que ficar sempre esperando a sexta e o sábado para sermos felizes?
    Obrigada pelo seus posts e pelo seu olhar!

    • Obrigada por escrever esse comentário, Elaine. Toda vez que alguém diz que se sentiu menos sozinho, eu me sinto menos sozinha tb. Estamos juntos! Bjs

  3. Cris Leão, vc é uma inspiração para mim!! Seus textos sempre falam diretamente comigo, sempre me fazem refletir e ter a certeza que estou no caminho certo. Por muita vezes quis te mandar um e-mail te perguntar sobre a escola Waldorf e outras coisas mais…e sempre deixo para depois…rs obrigada por fazer mwus dias melhores. bjo grande!!

    • Oi Graziela, vou escrever mais sobre a pedagogia Waldorf, pode deixar. E obrigada pelo comentário tão doce. Beijo!

  4. Sempre que estou em desespero, ou pode ser com sentimento de culpa nível 10, ou sem uma pessoa amiga pra dividir tantas coisas…. é aqui que venho! No seu blog. Ler suas palavras, seus textos.. são como um bálsamo pra mim, de verdade. Obrigada por compartilhar tanta coisa boa… Obrigada MESMO!

  5. Oi Cris, acompanho sempre seu blog e gosto muito dos seus textos.

    Concordo inteiramente com você quando diz que sabemos o que nossos filhos precisam. No fundo sabemos. Sinto apenas que hoje é difícil pararmos para ouví-los. Por isso, se uma mãe de primeira viagem me pedisse hoje uma conselho em relação a maternidade eu diria apenas: Observe seu filho!

    Prestar atenção neles, de verdade, ouvir o que eles tem para dizer, mesmo quando nem falam, vê-los brincando ou interagindo com outras crianças…”gastar” um tempo tentando conhecer seu filho é o que de melhor podemos oferecer a eles!

    Beijo grande e boa sorte com tudo!

  6. Oi Cris, sou a Patricia sou de Jundiaí SP eu já fiz um comentário daquele seu texto de ” ser Só mãe” eu que disse que as vezes me sinto na vontade de sair pelada no meio de tudo…kkk
    Gostaria se fosse possível me enviar seu email, quero muito conversar com uma mãe waldorf e que sabe das obrigações da participação dos pais na escola…
    Bjos!

    • Oi Patrícia, meu email é cristina.leao@gmail.com mas eu acho que posso responder por aqui mesmo e assim outras pessoas tb se beneficiam. O que acha? A participação dos pais nas escolas Waldorf é fundamental. Acho que nem tanto para a escola em si ou para as crianças, mas para os pais. Tanto no Quintal do João Menino (vai até o jardim) onde eu participei de teatro, passei um ano fazendo uma boneca de pano (aquelas lindas Waldorf), costurei um feltro pela primeira vez, quanto na Waldorf São Paulo onde eu ia toda semana de 7:30 as 9:30 da manhã fazer algum trabalho manual, essas participações é onde você tem a chance de trocar mais com os professores, com os outros pais e aprender sobre antroposofia. Além da terapia que é trabalhar com as mãos. Até aqui em Miami que o trabalho dos pais era mais braçal como fazer faxina e organizar os espaços para os eventos, eu sempre saía melhor do que entrava. A verdade é que (pelo menos na minha vida) se não fosse as escolas Waldorf eu usaria a mão só no computador. Então é muito bom. Por outro lado, em todos os lugares que passei, as escolas sempre respeitam os pais que trabalham e não tem tempo de ajudar sempre. Mas vale muito a pena se esforçar. Hoje em dia eu morro de saudade disso! Porque nas escolas “não Waldorfs” que estou agora, não existe essa participação então a escola vira um lugar onde você deixa o filho e depois busca. Tudo bem, mas principalmente quando é o primeiro filho, acho que essa aproximação com a escola é uma ajuda muito grande no nosso aprendizado como pais. Beijos!

  7. Pingback: O QUE O FILHO PRECISA | Enciclopédia Materna

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