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Quando a gente casa (1) depois tem filhos (2) e depois muda de país (3) como mulher é muito fácil acabar perdendo a própria voz. Neste domingo fui no show do Gilberto Gil com uma amiga. Foi uma coisa que aconteceu assim de uma hora para a outra. Depois de passar a semana e o final de semana inteiro sozinha com as crianças (meu marido trabalhando e chegando em casa só a noite) deixei as crianças com ele no trabalho e fui. No caminho me dei conta de que em dois anos e dois meses de Miami, essa era a terceira vez que eu saía com uma amiga à noite. Minha vida é muito boa, não estou reclamando, mas levei um susto ao perceber essa matemática: dois anos e dois meses = três encontros com amigas à noite para fazer alguma coisa que eu gosto.

Desde então estou pensando o que eu tenho feito com meu tempo. E pensando nisso, meu filho fala (do nada): “Mãe, aquele dia que ficamos dançando na sala, jogando as almofadas, caindo no chão e pulando até ficar todo suado é uma das melhores memórias que eu tenho. Você lembra?”

Não preciso falar que lágrimas caíram. Lembrei o que tenho feito nos últimos 9 anos da minha vida. E lembrei das tantas vezes que chorei de alegria com eles. Como no dia que li pela primeira vez o livro do Mr. Morris. E chorei com vontade. Porque não tem nada que eu amo mais do que uma boa história. Maria Teresa devia ter 3 anos e ficou sem entender. O João perguntou: Mãe, por que você tá chorando? E eu falei (soluçando): É bonito demais.

Talvez seja difícil (impossível?) encontrar o equilíbrio como mãe e mulher. Mas para encontrar a nossa voz própria de novo, temos os filhos para inspirar o nosso caminho.

João (como toda pessoa que tem uma voz própria) leva muito a sério as coisas que considera importantes. Quando fizeram a campanha na escola dele para arrecadar dinheiro para as crianças com câncer, ele mergulhou de cabeça. Eu nunca tinha visto ele levar alguma coisa tão a sério. Fez uma limpa geral em casa à procura de moedas. Atrás do sofá, nos bolsos, nas bolsas e, claro, dentro do próprio porquinho. Todas as moedas que ele estava acumulando há 2 anos, agora tinham um destino. Também pegou todo o dinheiro da mesada, fez adiantamento, fez borboletas de gesso e pintou para vender. Fez uma caixinha para eu coletar dinheiro com minhas amigas que vêm fazer yoga. Pediu o pai para fazer o mesmo no trabalho. Queria vender os brinquedos na rua, mas como na rua não passa ninguém, colocamos várias roupas à venda online. Ele me ajudando a organizar tudo, tirar as fotos. No fim, ele foi a criança que mais arrecadou dinheiro na escola inteira. No mesmo dia que ficou sabendo disso, ele escreveu na redação da lição de casa: “Eu sou uma pessoa que gosta de ver as pessoas bem. Hoje eu descobri que minha classe arrecadou mais dinheiro do que o hospital das crianças com câncer pediu e quando eu ouvi isso, comecei a dançar e fui dançando até chegar em casa.”

Chorei de novo. Qual foi a última vez que você dançou o caminho inteiro até chegar em casa? Qual foi a última vez que levou a sério um plano seu e foi com tudo até o final? Não sei se é a idade, não sei se é a maternidade, mas o que sinto é que é fácil perder a voz ao longo do caminho.

E a gente abre mão de tanta coisa, mas tanta coisa, que chega uma hora que o ombro vai para a frente, as costas ficam curvadas e as palavras que saem são gritos. Você grita porque quer que todo mundo te escute de uma vez por todas. Mas quem precisa se escutar é você mesmo. Confiar naquilo que sente que precisa fazer. Confiar naquilo que sente que apareceu ali como um sinal, uma luz. Ao invés de gritar, chorar, fugir sem nem saber para onde ir – é preciso parar e voltar para o lugar onde está a sua própria voz. Não aquela vozinha pessimista e crítica que sempre te coloca para baixo. Não aquela vozinha do desespero, da inveja. Mas a sua própria voz.

Como disse Rachel Stafford:

Ao contrário da voz que late ameaças vazias e generalizações, sua verdadeira voz pode ser ouvida.

Ao contrário da voz que usa sarcasmo, acusações e discurso de defesa, sua verdadeira voz pode ser ouvida.

Ao contrário da voz que arremessa insultos e desdém, sua verdadeira voz não vai deixá-lo cada vez mais longe das pessoas que você ama.

Sua verdadeira voz vai te trazer mais perto.

Mais perto da pessoa que você quer ser.

Mais perto da vida que você quer ter.

Mais perto de lágrimas de felicidade.

Que elas caiam como chuva.

Hoje tive aula sobre o quinto Chakra. Divido com vocês as perguntas que precisam ser feitas na tentativa de libertar e purificar esse que é o Chakra da fala, da voz própria, do poder da vontade e do poder divino.

Perguntas para auto-análise: Quinto Chakra

1 – Qual é a sua definição sobre ter “força de vontade”?

2 – Quem são as pessoas na sua vida que têm controle sobre sua vontade?

3 – Você quer controlar os outros? Se sim, quem são essas pessoas e por que você precisa os controlar?

4 – Você é capaz de se expressar sobre si mesmo de uma maneira honesta e aberta quando precisa? Se não, por que?

5 – Você é capaz de perceber quando está recebendo uma ajuda para te guiar no seu caminho?

6 – Você confia nos sinais que aparecem no seu caminho?

7 – Quais são os medos que você sente em relação a essa orientação divina?

8 – Você reza pedindo ajuda com seus próprios planos, ou você é capaz de dizer “Eu vou fazer aquilo que a vida trouxer para mim”?

9 – O que te faz perder o controle sobre a sua força de vontade?

10 – Você negocia com você mesmo em situações nas quais você sabe que precisa mudar, mas continua postergando? Se sim, identifique quais são as situações e suas reações para não querer agir.

Desejo que a gente consiga como pais abaixar o tom, sem perder a própria voz. E falar o que sente, olhando nos olhos, fazer aquilo que é importante para nós mesmos e voltar para a casa dançando.

Por Cris Leão

35 pensamentos em “Tom de voz e voz própria

  1. Ai Cris… obrigada mais uma vez (chorando) …. é muito bom pro meu coração ter suas palavras como alento….nem consigo expressar o quanto “ouvir sua voz” vc me faz bem…. é uma bênção saber que pessoas como vc existem e iluminam o meu Caminho.
    Sinta meu abraço de gratidão. Um beijo grande.

  2. Bom dia!! Ler seus textos,me traz uma sensação tão boa…exala vida autêntica…Obrigada por escrever…obrigada ainda por compartilhar..Sou casada há cerca de 28 anos com um homem companheiro, amigo e muito lindo…rsrsrs… mãe de dois filhos já adultos (Raquel 28 anos, recentemente separada, voltou amorar conosco e Rafael 25 anos casado há dois anos)…e sempre que leio seus posts, relembro a época em que eles eram pequenos…me faz um bem enorme.É isso…só tenho gratidão por ter descoberto seu blog e seus posts.Obrigada mesmo!!Com carinho,Willy Neves Date: Wed, 29 Apr 2015 02:10:15 +0000 To: willyneves@hotmail.com

  3. Lá vou eu dizer de novo e mais uma vez: Toda vez que leio um texto seu recebo um abraço, desses apertados, que a gente não diz nada só abraça e já entendeu ❤

  4. Olá. Espero sinceramente que você consiga manter, paralelamente à educação que você dá para seus filhos, interesses e projetos próprios. Ser mãe para mim é não pensar em si própria, mas no conjunto familiar e quando as crianças são pequenas, essa voz própria, por força da circunstância, fica mais moderada, quase tênue. Mas, filhos crescem e precisam se libertar desse jugo de amor e dedicação dos pais. Tudo é contraditório. E então você terá muito tempo para gritar para os quatro cantos dos ventos. Mas… você perceberá que o mais importante não foi dito, já foi feito e então vai sentir uma paz e uma liberdade imensa. Vivemos em tempos de escolhas e o tempo de ser mãe precisa ser acolhido e vivido com todas as forças de nosso ser. Tenho uma filha de 22 anos, no curso integral da Enfermagem da UNESP, independente, autônoma e um garoto de 3 anos, que precisa muito de mim. E vai chegar o tempo que ele vai me ter só na memória e quero que essas lembranças sejam grandiosas, que lhe dêem coragem para enfrentar as intempéries da vida. Quando se tem fé, e fazemos as coisas por amor, tudo que é grandioso já vem naturalmente, na hora certa, no momento certo. Apreciei o seu texto. Um abraço.

  5. Você devia voltar pra casa cantando toda vez que coloca um texto novo aqui. Este blog é um projeto maravilhoso, Cris! Obrigada por outro texto grandioso. Beijo.

  6. Odeio seus textos. Ficar chorando feito uma boba e ter que explicar o pq não é fácil hehehehehe. Você traduz de forma tão poética os sentimentos… Gratidão por gente como você e seu filho tão inspirador, inteiro. 🙂

  7. Cris, também chorei ao ler inadvertidamente o livro do Mr.Morris em uma livraria. Impossível não embargar a voz. Minha filha perguntou por que eu chorava e falei que era um dos livros mais lindos e poéticos que eu já havia lido. E não me canso de lê-lo.

    Adoro seus textos. São puro sentimento. Por favor, não se canse de escrever.

  8. Chorei… estou nessa fase de me sentir sem voz, exausta e com saudades de mim! Espero estar construindo boas lembranças para o meu pequeno também… obrigada pelo texto!

  9. Chorei tbm…. e senti como você gisele, que fez um comentário antes. Conheci o site hoje. Gratidão pelo texto!

  10. Estou digerindo seu texto, refletindo, pensando…na vida. É maravilhoso o poder destas suas palavras. Obrigada

  11. Tenho andado sem tempo nos últimos meses para mim e embora tenha entrado numa crise de identidade após o nascimento do meu segundo filho, embora eu tenha levantado a voz com o meu mais velho nos dias mais cansativos……
    Me sinto realizada deitada no chão com os dois por cima de mim, fazendo bagunça juntos e rindo á toa….
    Me sinto realizada sendo apenas a mainha de Enzo e a mãmã de Enrico!!
    E sei que ainda terei muuuito tempo para ser as outas coisas que um dia sonhei ser e levo no meu coração a certeza da saudade que ficará desses tempos, bons tempos!!

    Seus textos me inspiram, me confortam, me tocam na alma!
    Obg por dividir suas experiências conosco….
    Beijos no seu coração!

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