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Meus filhos estão crescendo. João vai fazer 10 anos daqui há 6 meses. Essa frase não sai da minha cabeça. Acho que preciso desses seis meses para me acostumar com a ideia. Não sei mais quanto tempo ainda vou poder chamá-los de “minhas crianças”. Brincadeira. Eu sei sim. Vou chamar eles de pequenos, meus bebês, minha filhinha, meu tesouro, para sempre. É assim que são as mães, não é? E quando você já é mãe por algum tempo, entende que mãe é mãe. Tudo igual.

Mas quanto tempo ainda vou ter eles me levando para festinhas de crianças, me levando para o parque no fim do dia, me levando para andar de bicicleta, para passear no zoológico, me convidando a ser criança de novo e dançar na chuva? Essas perguntas que estava me fazendo ficaram diferentes quando recebi a notícia de que uma amiga, do mesmo barco “mãe Waldorf” está com câncer e pelo andar da carruagem, a jornada dela parece estar no fim. Ela é mãe de crianças ainda mais novas que as minhas. Eles têm 5 e 8 anos. Quanto tempo eles ainda têm com a mãe?

A morte sempre nos pega de surpresa por mais que seja uma antiga conhecida, que sempre apareceu para toda a gente. Mas somos mestres em nos distrair dela. Eu sentei aqui para escrever esse post e tentar aliviar um pouco o que estou sentindo por esses dois pequenos. E ao mesmo tempo lembrar que a vida é cada instante. E como diz Clarice Lispector “se morre”.

Então eu te pergunto: Para que vivemos acelerando a vida? Para que queremos que os bebês sejam estimulados? Para que queremos que nossos filhos estejam adiantados? Com diz todas as mães que conheço: passa muito rápido!

Abaixo minha tradução de alguns trechos do artigo que li sobre Slow Parenting. O exercício de olhar às crianças, apenas observar, é o que tenho feito nesses dias e é o que tem me dado conforto. Afinal o que as crianças nos mostram com seu jeito inocente e sua curiosidade, é que a vida é bonita.

“Eu encorajo os pais a separar um tempo para apenas observar suas crianças, quer eles estejam brincando, fazendo lição de casa, ou comendo um lanche. Tire um tempo para beber alguma coisa com eles. Deixe-se ser lembrado como suas crianças são incríveis. Essa pausa sozinha, mesmo que seja por pouco tempo, pode mudar o ritmo da sua vida”… (John Duffy, psicólogo clínico e autor do livro The Available Parent).

“Crie pequenos rituais com significado. Alguns dias a única maneira de se conectar pode ser dar ao outro cinco minutos do seu tempo nas manhãs. Mas você pode fazer disso, uma maneira de dizer eu amo minha família.”

“Fazer coisas em excesso é exaustivo para mim. É exaustivo para meus filhos. Eu não quero fazer tudo. Porque isso me deixa vazia, ao invés de me deixar preenchida.”

Ah, essa semana capturamos uma pupa de borboleta e deixamos no potinho de plástico. (As pupas não precisam de ar nem de nada, são auto suficientes) Em cinco dias, a borboleta nasceu e as crianças ficaram super felizes de soltar no quintal. Acho que essa é uma boa ideia de brincadeira boa e barata para se fazer com os pequenos. E a gente se lembrar do milagre e das fases da vida.

borboleta na caixa antes que eles crescam

Queridos leitores, se algum de vocês ler isso de Miami gostaria de dividir que estamos fazendo uma campanha de arrecadação de dinheiro para minha amiga. E na próxima quarta-feira, dia 3 de Junho, vamos fazer um jantar onde vamos ter comida vegetariana, vamos vender peças de arte, jóias e produtos artesanais para ajudá-la financeiramente no tratamento e no cuidado com as crianças. Quem puder aparecer, vai ajudar muito! Obrigada! FUNDRAISING INVITATION

E se quiser/puder contribuir financeiramente, acesse esse link. Toda quantia é uma grande ajuda. Nosso maior objetivo é fazer com que ela se sinta amada. Acreditamos que nesse caso, o simbólico é acolhida.

Cris Leão

11 pensamentos em “Antes que eles cresçam: pare e observe

  1. Que nó na garganta. Obrigada mais uma vez por me lembrar sempre que leio seus posts que o que vale nessa vida a gente já tem e é muito simples. Vou rezar por sua amiga e pelas crianças!

  2. Oi Cris,
    Como sempre, fico encantada com a doçura de seus textos (até quando são tristes)… vou compartilhar o seu post no meu blog, ok?
    Ah, inclusive já indiquei o seu blog por lá como um dos que eu mais gosto.
    Grata por vc compartilhar esses pequenos tesouros de sabedoria que nossos filhos e a vida deles vão nos presenteando…
    Beijinhos,
    Jaque
    http://www.verdemae.com

    • Obrigada, Jaqueline. Fico muito feliz de saber que você gosta. Muito bacana o seu blog. Adorei. Um beijo,
      Cris

  3. Adoro seu blog…ele sempre me lembra do que realmente é importante, me faz me sentir menos “louca” (porque às vezes parece que só eu penso certas coisas…). E o que vc escreve são as únicas coisas que consigo fazer meu marido ler e gostar 🙂
    Muita força pra sua amiga e pras crianças…fiquei com uma dor no coração agora….bjs.

    • Obrigada, Ana Luisa. Ter dividido um assunto tão triste e receber respostas me faz sentir que no mundo tem muita gente boa. Obrigada por isso. bjs

  4. Visito seu blog com frequência e gosto muito da forma suave e sincera como escreve.
    Muitos dos seus textos me faz parar para refletir.
    Desejo que sua amiga e a família delas tenham força e fé para passa por esse momento.
    bjs

  5. Cris, desculpe a extensão do texto mas tive que compartilhar com você a belíssima reflexão de Otto Lara Resende sobre a brevidade da vida, me emociono cada vez que leio e tento melhorar como pessoa e como mãe cada vez que sou tocada por palavras tão verdadeiras, como foram as suas. Obrigada!

    Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

    Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

    Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

    Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

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