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Toda crítica é destrutiva.

Uma terapeuta uma vez disse isso. Mas não engoli de primeira.

Passei anos trabalhando em agências de propaganda e recebendo críticas. Tive chefe que rasgava o papel quando não gostava da ideia. Ou os muitos papéis. Mas dizem que as primeiras ideias nunca são as melhores, então eu me acostumei. Até que com os anos aquilo começou a me parecer muito mais destrutivo do que qualquer coisa. A sensação de nunca fazer o suficiente é vazia e sem frutos. Então o meu chefe na época fez um curso de snowboarding e claro muito mais caía do que ficava de pé. Na volta do final de semana caindo e levantando ele me falou: Cris, você tem razão. As críticas são destrutivas. Se o professor não tivesse ficado o tempo inteiro me incentivando, eu teria desistido.

Todos nós fomos alimentados nossa vida inteira com críticas. Pratos de “dá isso aqui, se não você vai estragar tudo”, “como você é burro”, “isso é coisa de menina?”, “você não sabe fazer nada direito”, “sua magrela”, “sua gorducha”, “você é o único menino que não está se comportando aqui”, “que coisa feia”.

Tenho uma pessoa muito querida na minha vida que sofre de um grave distúrbio alimentar porque quando criança sofreu bullying por ser “gordinha”. É muito triste isso, gente. Milhares de pessoas têm a vida limitada em nome de uma auto estima tão baixa que é destrutiva.

Talvez as palavras tenham mais importância do que a gente imagina.

Umas das palavras que mais me deixam triste quando eu leio nos e-mails das leitoras desse blog é “obrigada por me ajudar, porque eu não tenho ninguém para conversar”.

Então eu queria pedir uma coisinha. Vamos tentar passar 10 dias sem criticar ninguém, sem julgar. Como disse Santo Agostinho: “Necessitamos um do outro, para sermos nós mesmos.” Vamos enxergar as pessoas à nossa volta. Cumprimentar, ser simpático, ouvir. Porque essas mulheres que me escrevem dizendo que estão desesperadamente sozinhas, com certeza estão passando por alguém mas não estão sendo vistas. E quando começam a falar recebem logo uma crítica, uma palavra agressiva ou uma palavra passivo/agressiva como “Mas você não se valoriza?”, “Eu não aceitaria isso”, “Você está pedindo, né?”.

Ninguém está triste porque quer. Não acredito que bebê chora de manha, que criança fica triste para chamar a atenção. Acredito que a energia do amor da mãe que pega o bebê no berço no meio da noite é capaz de elevar a energia daquele ser que está precisando mais. O bem vence o mal, como dizia o He-Man. ; )

Só que ninguém dá o que não tem. É assim sendo mãe, é assim sendo filha, sendo amiga. A gente precisa gostar primeiro da gente para conseguir gostar de outra pessoa. É preciso parar de se criticar o tempo todo, para conseguir conversar sem criticar o outro também. É preciso calar aquela voz que sempre te coloca para baixo, que sempre espera o pior. Seus maiores medos podem nunca acontecer. Pessimismo não é realismo. Hoje, dia 11 de Setembro a gente pode lembrar das 4 mil pessoas me morreram no atentado de NY e agradecer por ter chegado até aqui. Agradecer tudo o que já foi conquistado. E aumentar o som da paixão, do sonho, daquilo que é positivo e consegue fazer aquela voz crítica ficar baixinha – do jeito que ela merece.

Pensando em tudo isso, encontrei essas afirmações no livro Hands Free Life da Rachel Macy Stafford que me parecem um belo exercício de faxina interna para seguir esse caminho. O que segue é a minha tradução.

Leia com calma. Passe para as pessoas queridas que estão precisando de menos críticas e mais amor.

  • Hoje eu me liberto das palavras agressivas que carrego comigo por muito tempo. Eu não sou o meu passado. Eu não sou a opinião dos outros. Eu não estou tão longe que não possa ser resgatada. Eu sou forte. Eu sou resiliente. Eu sou um sobrevivente. Hoje eu paro de olhar a distância que preciso percorrer e olho para o longe que já consegui chegar.
  • Hoje eu me liberto da culpa sobre minhas escolhas pobres e as oportunidades que perdi. Escolher me repreender todo dia por coisas que eu não posso mudar está apenas roubando os meus dias. Aqueles que eu prejudiquei já me perdoaram. Está na hora de eu perdoar a mim mesmo. Está na hora de amar a mim mesmo.
  • Hoje eu me liberto da ideia errada de que o que aconteceu foi minha culpa. Não foi minha culpa. Eu foi a vítima ali, mas eu não vou continuar sendo a vítima agora. Eu mereço a felicidade… a paz… e a liberdade. Eu não vou deixar ninguém tirar outro dia da minha vida preciosa.
  • Hoje eu me liberto da dor e da insegurança. Eu não vou deixar isso ditar a minha vida. Eu não vou deixar isso me impedir de fazer o que o meu coração está pedindo. Talvez eu só consiga segurar essa certeza por cinco minutos. Talvez minhas mãos fiquem tremendo. Talvez minha voz saia baixinho, mas hoje eu vou levar minha história… minha paixão… minha arte… minhas ideias para o mundo e para a luz.
  • Hoje eu me liberto do julgamento. Eu vou treinar os meus olhos para reconhecer que eu estou fazendo a coisa certa. Eu vou me honrar quando eu estragar tudo. Afinal eu sou apenas um ser humano. E me horando, eu honro as pessoas que eu amo. Eu não quero passar o tempo tão ocupada me julgando que fico impossibilitada de amar a mim mesma.
  • Hoje eu me liberto da pressão de ser perfeita. Perfeição não é possível e eu estou destruindo meu espírito por tentar manter essa fachada. Hoje eu vou deixar alguém conhecer o meu verdadeiro eu. Eu vou admitir minhas verdades mais duras, minhas cicatrizes mais doloridas, até se essa pessoa for eu mesma. Hoje eu vou parar de gastar tanto tempo polindo o lado de fora e começar a curar o lado de dentro.
  • Hoje eu me liberto da necessidade de ter tudo resolvido. As coisas não estão onde eu gostaria que estivessem, mas isso não significa que nunca vão estar. Hoje eu renuncio a necessidade de criar um resultado específico e confio que tudo vai dar certo na hora certa. Talvez vai ser ainda melhor do que eu planejei.

Por um final de semana e mais dias cheios de amor e encontros verdadeiros.

Cris Leão

16 pensamentos em “Mais amor, por favor.

  1. Cris, adorei o que você escreveu neste texto! Posso compartilhar no facebook com meus amigos? Gosto muito das suas palavras…elas impactam nosso verdadeiro “eu”. Acredita que fui conhecer a antroposofia por causa dos seus textos sobre o assunto e estou amando! Também acredito que estão faltando amor, gentileza, carinho e colaboração entre os seres humanos e acho que cabe a nós começarmos a fazer a nossa parte. Tenho certeza que uma hora vamos conseguir mudar e melhorar esse mundo para nós e para nossos filhos.
    Obrigada por compartilhar seus conhecimentos conosco, vc é maravilhosa! Grande Beijo. Janaina Pires

    • Obrigada, Janaina. Fico feliz de saber que os textos tenham servido como uma boa inspiração. Pode compartilhar, claro!
      Só fico bem brava quando copiam e colam e omitem a autoria, sabe? Isso não é legal. Principalmente quando quem faz isso é um blog ou jornal grande que ganha dinheiro com as visualizações. Fico brava porque sou redatora e sei como é difícil ganhar dinheiro escrevendo. Então esses “roubos” tiram trabalho para mim e para meus colegas de profissão. Mas os textos estão aqui para serem lidos, então agradeço se quiser compartilhar. ; )

  2. Muito, muito bom o texto! Já estou salvando nas minhas referências para reler vez em quando e mostrar pro marido!
    Precisamos estimular mais positivamente nossos filhos!
    Maravilhoso, obrigada por compartilhar conosco!
    Beijos, Michelli

  3. Queria que alguém pudesse me ajudar, já que eu não consigo ajudar a mim mesma. Percebo que ao longo da minha vida (tenho 30 anos) o sentimento negativo sempre predominou. Na adolescência sofri com a humilhação e raiva, na faculdade sofri com algo que estava fazendo e não queria. Hoje com um filho de 2 anos sofro com a impotência e o medo, muito medo. É como se o sentimento negativo fosse um elefante e o sentimento positivo uma formiguinha. Então estou sempre vivendo no futuro, porque lá parece ser melhor que o presente. Quantos dias mais vou perder? Será possível se libertar?

    • Oi Dri, existem muitos profissionais que podem te ajudar. Na minha vida encontrei muita gente boa que fez muita diferença. A gente toma remédio quando está doente então porque não pode fazer uma terapia quando não está se sentindo bem, não é? Tente buscar alguém ou uma linha de tratamento que tenha a ver com você.
      Livros também ajudam muito. Eu particularmente adoro os livros do Eckhart Tolle. Dá uma procurada na internet e nas livrarias e vê se gosta. Eu acredito que ele consegue como ninguém fazer a gente se focar no presente. Porque no fundo, o presente é a única coisa que existe. Boa sorte!

  4. Cris, gratidão por mais um texto tão bacana que já me faz refletir sobre tantas temáticas em minha vida. Um beijo.

  5. Muito bom…
    Me li nas suas palavras…
    Como é difícil sair de um padrão que nos “moldou” por toda a vida…
    Por mais que eu esteja “vendo” minha auto sabotagem, nem sempre consigo sair dela ou não permitir que me afete, tirando-me a paz, …
    Mas não desisto… chegarà o momento e que o padrão se resolverá dando lugar à aceitação …
    Afinal, eu mereço ser feliz, é pra isso que estou aqui…
    Muito grata por suas palavras…

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