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Coisas ruins acontecem com mulheres que esperam por coisas boas acontecerem.

 

A espera de ser resgatada, esperando ser notada, à espera de ser ouvida, esperando que as coisas mudem, à espera de alguém para defendê-la, esperando por alguém para entendê-la, esperando por alguém para ajudá-la, esperando que as coisas melhorem, à espera de um milagre, à espera de reconhecimento, à espera de uma promoção, esperando a economia melhorar, esperando, esperando, esperando … Aqui está o perigo de passar sua vida esperando: Quando você está em pausa – indefesa e passiva – o mundo em torno de você não está. A vida continua em movimento. Se você mostrar-se ou não, a vida vai continuar. E como você está lá sentada esperando que as coisas boas aconteçam, todos os outros tipos de coisas estão acontecendo ao seu redor. Se você continuar a ficar apenas sentada (esperando e esperando por algo “bom”), as coisas não só acontecem em torno de você, mas por você. E quanto menos você participa nessa história, o mais provável é que as coisas que acontecem a você sejam baseadas em decisões de outras pessoas, o poder de outras pessoas, demandas de outras pessoas, alheias necessidades, manipulações – em suma: as outras pessoas vão aparecer e começar a usar sua vida para seus próprios propósitos. Acontece que os fins de outras pessoas não são susceptíveis de estar em seu melhor interesse. Isto é muito, muito perigoso.

 

Parei de trabalhar para ficar com meus filhos. Claro que a circunstância possibilitou e sou muito grata a isso. Agora com meus filhos maiores e de volta ao Brasil, quero voltar a trabalhar. Com a crise, não é fácil. Comecei a trabalhar, mas as coisas não deram muito certo. Então ouvi um “você não precisa” e estava começando a acreditar nisso. Em sessão de análise descobri que essa pessoa que falou “você não precisa” está me colocando fora do jogo. Quem decide se precisa ou não, sou eu.

 

Minhas amigas, não faz diferença nenhuma para mim se você vai ter parto normal ou cesárea, se vai amamentar 3 anos, ou 3 dias, se vai casar ou se vai ter uma produção independente. A única coisa que eu desejo para vocês (e para mim) é que na nossa vida, sejamos nós a tomar a decisão.

 

Vivemos desde pequenas ouvindo a frase “seja uma boa menina” e isso pode ter nos feito mais mal do que imaginamos.

 

Precisamos exercitar mais a palavra não. Ou insistir mais naquelas coisas que realmente queremos ou sentimos que precisamos. Como dizer para o obstetra que queremos esperar mais, ou que não queremos esperar mais; dizer para a enfermeira do hospital que não queremos dar três vacinas no recém-nascido, que isso pode esperar. Não é fácil deixar a “boa menina”, requer prática. É desconfortável. As pessoas podem não gostar de você. O médico pode ficar irritado. Sua mão pode transpirar nas primeiras vezes que dizer não ou que insistir em alguma coisa que realmente quer.

 

Mas lembre-se, o medo é uma reação primitiva que pode preencher você com a energia e adrenalina que precisa para salvar sua vida.

 

Não conheço ninguém que se realize tendo certeza que as coisas iam dar certo desde o começo. A maioria de nós está cheio de dúvidas e inseguranças. Os poucos muito bem resolvidos, são as pessoas mais chatas que conhecemos. ; )

 

Até aqui você já deve ter tomado muitas decisões. Já deve carregar muitas perdas. Mas também carrega os ganhos. Aproprie-se deles. Eles vão te ajudar a lembrar (quando preciso) quem é que decide na sua vida.

 

O que você faz

faz de você

você.

 

Atenção. Eu sei que na maioria das vezes quando a gente tenta despir a “boa menina” nossos dedos começam a apontar para todos os lados. A culpa é da mãe, é da tia, é da sociedade, é da escola. É tanto ressentimento que ficamos congelados. Isso também não serve para nada. Essa a magia da psicanálise, no fim a pergunta sempre é “qual é a sua parte nisso?”

 

Então queria compartilhar essa reflexão: E se você fosse você, o que faria da sua vida?

 

Trecho de uma crônica da Clarice Lispector para subir a chama:

…se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser movida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

“Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

 

Desejando um caminho cheio de luz e coragem,

Cris Leão

Foto: Veronica Olson/Instagram

8 pensamentos em “Ser uma “boa menina” pode ser uma péssima ideia.

  1. Cris,
    Estava com tanta saudade dos seus “conselhos”. Sim eu nem descrevo como texto,mas como conselhos pois sempre que leio sinto que algo se transforma dentro de mim, me traz reflexão, me faz mudar o jeito de pensar e agir, pra melhor, sempre.
    Obrigada por nos presentear com seu conhecimento,desejo que esteja tudo bem neste retorno e que Deus prepare uma oportunidade profissional do jeitinho que você almeja.
    Lhe admiro muito!
    Bjs
    Rafa

  2. Cris, me senti uma menina má. Rsrsss!
    Percebi que sou quem eu sou, e isso choca bastante, mas as pessoas se acostumam e aprendem a amar.
    Parabéns por mais um lindo texto!
    Beijos, Deus te abençoe lindona!!

  3. Olá Cris. Adorei seu texto e o blog também. Parabéns! Faz algum tempo que decidi ser boa pra mim e pras pessoas que eu amo e me amam de volta. Durante essa caminhada comecei a escrever um blog também. Bjs Mariana

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