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Já pensou se quando uma mulher ganhasse uma medalha olímpica por um desempenho excepcional as pessoas não questionassem nada da sua vida pessoal? Só sentissem a mesma admiração que sentem pelos atletas homens?

Já pensou se para uma mulher virar mãe não precisasse significar (para ninguém) a morte da sua vida antes de ser mãe? Já pensou se comentários como: “apesar de ser mãe de três filhos”, “para quem tem 2 filhos até que ela” – não existissem?

Já pensou se alimentar, cuidar, administrar uma casa e uma ou várias crianças fosse considerado trabalho digno? Inclusive pelas mulheres?

Já  pensou se uma mãe que decidiu ficar em casa cuidando dos filhos fosse tratada como uma mãe que trabalha?

Já pensou se todos os homens reconhecessem que o papel de mãe é importante mas que são eles que tornam isso possível?

Já pensou se as crianças fossem julgadas pelo que elas são e não pelo que elas sabem fazer?

Já pensou que com pais melhores, com pessoas mais comprometidas com a família, a sociedade podia ser diferente?

Já pensou que uma mãe com depressão pós parto não é aceita pelas amigas e pela família? (Porque afinal devia dar graças a Deus do filho ter com saúde e ser feliz com isso.)

Já pensou que uma mãe com depressão pós parto precisa ser acolhida? E que as consequências (se houver alguma) que acontecerem ao bebê por não receber a função materna como precisa não é culpa só da mãe mas de toda tribo que estava em volta dela?

Já pensou que com tanto feminismo estamos nos afastando do feminino? E talvez o mundo esteja precisando muito dele? E que talvez seja a falta dele a causa de tanta depressão nas mulheres?

Já pensou que toda essa intolerância que vemos no mundo reflete a intolerância que temos com nós mesmos?

Já pensou que você pensa muito? E que pensar muito rouba o seu tempo de sentir?

“O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas 

Olhando para a direita e para a esquerda

E de vez em quando olhando para trás

E o que vejo a cada momento 

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E sei dar por isso muito bem

Sei ter o pasmo essencial 

Que tem uma criança se ao nascer 

Reparasse que nascera deveras

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do mundo

Creio no mundo como num malmequer

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender

O mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos

Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo e amo-a por isso

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe porque ama, nem o que é amar

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência é não pensar.”

– Poema de Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanhos”

Amigos que acompanham a minha jornada no blog, essa semana no curso de Psicanálise o tema foi a importância da função materna nos primeiros meses de vida. Depois escrevo mais sobre isso. A conclusão é isso que está aí em cima. Tem um texto lindo hoje no blog “Hands Free Mama” com uma frase que gostaria de dividir: O amor torna coisas boas possíveis. Então se estiver escutando o discurso do medo, responde com isso aí.

Cris Leão

*Para quem pediu indicação de literatura de Winnicott, esse livro parece ser muito bom: “Da Pediatria, à Psicanálise”. O capítulo que li se chama “A Preocupação Materna Primária”.

5 pensamentos em “Já pensou?

  1. Obrigada Cris! Muitas vezes seus textos são como um agasalho num dia frio, um ar condicionado no verão. Um alívio.

  2. Já começou legal pelos 3 primeiros parágrafos e as reflexões que eles trazem sobre como o nosso mundo pode ser estranho. Um dia desses vi um filme que você provavelmente gostaria, uma comédia chamada “Perfeita é a Mãe”, nada muito pretensioso à primeira vista, mas levanta algo dessas questões de uma forma leve. Creio que foi a comédia mais feminista que já vi nos últimos tempos.

  3. Olá Cris.

    Infelizmente vivemos em um mundo de julgamento, gostaria só de acrescentar: e se a gente não ligasse tanto para a opinião do outro, muitas vezes nos machucamos, pois queremos a aceitação dos outros, quando deveriamos estar felizes com nossas escolhas. Falo isto porque também dei uma pausa minha profissao para acompanhar o crescimento de meus filhos, ouvi várias vezes julgamentos, deixei entrar por um ouvido e sair pelo outro, eu estava firme em minhas decisões. Eu aprendi a filtrar as informaçoes e julgamentos, só as aceito de pessoas que estejam relacionadas e participam de minha vida.
    Cris gosto muito de seus posts, nos ajuda a pensar na vida e vejo sua sinceridade e simplicidade no que escreve, vc poderia escrever mais sobre seu retorno ao Brasil? Vivo um conflito de sentimentos, moro fora do Brasil e meus filhos falam que querem voltar e meu “coração” ainda não definiu o que quer.

    • Olá! Fico feliz de saber que gosta dos posts. Eu percebo que o assunto mudança de país é um coisa que acontece invariavelmente aqui no blog mas é o assunto que menos rende conversas e talvez sintonia. Acho que isso é porque cada um tem seu caminho mesmo. Cada um quando muda deixa coisas para trás que são maiores ou menores. O mesmo quando volta para o Brasil. Dessa temporada de Miami (3 anos) saímos deixando muito pouco para trás. Por isso a adaptação foi muito simples aqui. Claro que não foi fácil. Nem sair nem chegar. Nunca é, né? Deixamos amigos queridos, uma vida gostosa, casa com quintal grande. E voltamos para São Paulo levando uma porta na cara da escola que escolhemos. Mas estamos muito contentes de estar aqui. Eu sinto que foi muito a escolha certa. Enfim, o que eu digo é que: se for para decidir, não pense no que vai perder. Pense no que vai ganhar. Se o ganho for grande o suficiente, vai. Se não, fica. Porque perder, numa escolha, a gente sempre perde. Espero ter ajudado.

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