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Ela costurou sua própria vida

e ficou muito agradecida

porque a servia completamente. ; )

 

Hoje ouvi isso de uma pessoa que é um anjo na minha vida:

Não resista a sua vontade.

Não resista a querer saber mais do que já sabe.

Não resista a ir por esses caminhos que você nem sabe direito onde vai dar.

Não resista porque resistir é o que está te cansando tanto. Não é fazer, você dá conta de fazer muito.

Ao invés de resistir, mergulhe.

(Pausa, o assunto muda um pouco.)

Quantas vezes você já ouviu: “nossa amiga, estava pensando em te ligar”. Quantos vezes você também já pensou em ligar e não ligou. Quantas festinhas você pensou em fazer e não fez. Quantas coisas fora da rotina você já pensou em fazer e desistiu. Quantos sonhos você já parou de sonhar. A gente vai criando uma armadura com a idade. Mas podemos também nos livrar dela.

Li um livro chamado “What Alice Forgot” que conta a história (fictícia) de uma mulher que sofreu uma queda e perdeu a memória aos 39 anos de idade. Ela acordou como se tivesse 29. E passou a olhar a vida com os olhos dessa idade. Não entendeu nada a forma como o marido a tratava (com tanta aspereza) não entendeu nada a forma como a irmã a tratava (com uma certa raiva/inveja/competição). Para ela, as coisas podiam ser bem mais simples.

Um dos momentos mais lindos do livro, é quando a filha mais velha dessa personagem faz uma coisa errada na escola e os pais são chamados. O pai chega todo apressadinho/estressadinho, o diretor conta o que aconteceu, a mãe toma a liderança e fala que vão resolver aquilo em família. A menina fica super assustada. O pai fala que não pode ficar nem mais 5 minutos ali, mas ela provoca um abraço coletivo entre os três e leva marido e filha para comerem um sorvete. Algo completamente inapropriado, mas magicamente necessário. Esse é o momento onde a família se restabelece. Onde ela para de julgar sua vida com 39 anos, para de ficar só lembrando com nostalgia da vida de 29 anos, e faz as duas viverem juntas.

A gente cresce aprendendo que é preciso lutar para vencer. No pain, no gain. Nesse clima, vai ficando todo mundo bastante cansado. O efeito colateral dessa prática é a competição. Ela aparece na vida adulta a todo momento. Se você está na academia, devia estar trabalhando, se está trabalhando, devia estar com os filhos. Onde será que os outros estão ganhando de você? Corre! Será que é assim que precisamos viver? O que deu de errado com aquela ideia de vida mais coletiva, menos preocupada, mais prazerosa dos 29 anos?

Vamos endurecendo tanto que até o sentimentos são julgados. “Está cansada? Mas por que?” “Está casada e infeliz? Mas por que?” “Quer casar? Mas por que?” “Quer separar? Por que?” A partir de quando começamos a precisar justificar os sentimentos? Qual o problema em apenas recebê-los? Perceber que eles estão ali, não estão avisando que vão chegar ou pedindo permissão. Eles estão. E isso é motivo suficiente para serem recebidos.

A vida adulta não é feita só das coisas que a gente tinha aos 29 anos, mas nada impede que a gente lembre que a vida pode ser mais leve. Que não tem nada de errado em acreditar (nas ideias, nas pessoas, nos sentimentos), que super racionalizar não é a solução para tudo, que não tem nada de errado em ser mais leve e preocupar menos (bem menos) com o que os outros pensam.

Esse livro me deu um lindo presente que quero compartilhar com todos. Dizem que nunca é tarde para mudar, né? Pois também nunca é tarde para reconhecer que o que você foi um dia, está aí dentro em algum lugar. E se esse alguém te fazia feliz, não hesite em resgatá-lo.

Não resista. Mergulhe.

Cris Leão

Foto: NYC 1970 por Camilo José Vergara

11 pensamentos em “Não resista

  1. meu Deus….você sempre se supera….. Fico impressionada como suas palavras sempre entram na minha vida como se estivesse escrito para mim…. Vamos fazer o exercício de tentar viver sempre com nossos 29 anos…….

  2. Sabias palavras, verdadeiramente inspiradoras…fala a verdade de forma clara…me sinto leve acompanhando os seus textos,…eu leio e me sinto bem, pq enqto leio reflito e penso o qto dificultamos a vida a toa..
    Continue escrevendo….eu acredito que ha poder nas palavras e as suas tem tido o poder de tornar vidas estressadas em suaves pensamentos de paz, como petalas de rosas no rosto, como maos macias da minha caçula ou com o conforto necessario do abraço de uma mae…
    Me sinto assim agora…mto bem!

  3. Belas palavras, venho acompanhando o blog ha exatamente um ano, qdo minha filha teve crises de pânico em plena viagem à Disney. Essas leituras têm feito muito bem pra minha mente, e mais, preciso e quero viver como estivesse com 29, apesar de ter 38. Um grande abraço e obrigada!!!!

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