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Sábado fiz uma oficina artística em um Abrigo aqui em São Paulo. Experiência forte e cheia de significado. As crianças participaram muito bem de tudo, com muito interesse. Não teria conseguido chegar lá e propor de coordenar esse grupo (junto com outras mães) se não fosse as dicas preciosas que recebi por quem entende do assunto. Cecília Staubli, minha amiga e arte terapeuta me passou várias dicas. (Depois escrevo um post falando sobre isso) E minha amiga Sati Melo, que faz seminário em Antroposofia me deu uma dica linda de história para contar no começo do encontro. A história segue abaixo. É sobre o São Micael. Minha visita no Abrigo aconteceu um dia depois do Dia de São Micael. Contei a história com o menino mais hiperativo, agressivo, sentado (por vontade própria) no meu colo o tempo todo. Sabe como chamava o menino? Miguel.

Eu acredito. E você? Separei uma descrição do que são histórias curativas, achei no blog de Antroposofia. E lá embaixo está a história que contei. Recomendo muito contar histórias para as crianças. Existem histórias para tudo. Uma vez minha filha está meio bloqueada na escola porque tinha medo de errar. Fiquei uns 3 dias contando a mesma história, que falava sobre a graça de errar, de aprender com o erro, de se divertir fazendo independente do resultado final. Ela nunca mais apresentou esse comportamento. Dica: não explique o significado da história para as crianças. Elas vão entender a maneira delas. O mais importante são os sentimentos trabalhados, não é a razão.

Todas as histórias são potencialmente terapêuticas ou curativas. Se uma história nos faz rir ou chorar, ou ambos! – o riso e a lágrima podem ser curadores. As histórias folclóricas ou contos de fadas, através de seus temas e resoluções universais, apresentam possibilidades curativas. Eles podem oferecer esperança e coragem para lidar com adversidades da vida, afirmando nossa capacidade de desenvolver e de mudar.

A simples experiência de ouvir uma história, não importando seu conteúdo, pode ser “curativa”. Sessões regulares de narração de histórias podem desenvolver a concentração das crianças, e podem ativar sua imaginação. Estes efeitos são um bálsamo curativo às crianças no mundo de hoje, quando frequentemente despendem muitas horas na frente da TV e DVDs. Uma história requer e estimula a criação imaginativa de vivências internas, enquanto os meios acima citados apresentam imagens fixas, pré‐criadas que tem que ser aceitas pelo expectador sem evocar sua própria capacidade de criação.
Concomitantemente a este potencial curativo genérico das histórias, determinadas histórias podem ajudar ou curar situações especificas de comportamento. São as chamadas histórias “terapêuticas”.
Se a definição de curar é a de restaurar, retornar ao equilíbrio, tornar‐se harmonioso e inteiro, então histórias terapêuticas podem ser descritas como histórias que devolvem a harmonia de uma situação que se encontra em desequilíbrio.
História terapêutica é um modo delicado, fácil e efetivo de atingir comportamentos indesejáveis das crianças. A forma da história permite que a criança “embarque” numa viagem imaginativa, ao invés de ser censurada diretamente por ter se comportado de modo inadequado. Através da identificação ao personagem principal ou de outras características, a criança se fortalece e pode superar obstáculos e alcançar resoluções.
Histórias são como medicação natural, homeopática, e sendo assim, elas ativam forças latentes e capacidades de restabelecer o equilíbrio. Às vezes, do mesmo modo como há uma relutância em aceitar medicina homeopática, o mesmo acontece na aceitação destas histórias, pois as mentes intelectuais encontram dificuldade em admitir que um meio tão simples possa ser eficaz.
Felizmente esta situação vem se alterando aos poucos. Há um movimento bem atual de reavivar o poder das histórias, formado por pensadores educacionais, pesquisadores, professores.
Há uma esperança que mais e mais professores e pais trabalhem com este tema tão revigorante e poderoso, guiando as crianças em seus ambientes sociais, dando apoio à capacidade da criança relacionada à sua imaginação.

Adaptado de trecho do livro de Susan Perrow, “Therapeutic Storytelling, 101 healing stories for children”, Hawthorn Press, Reino Unido. Tradução: Sílvia R. Jensen

A Espada da Luz

Christiane Kutik
(Tradução Karin E. Stach)

O arcanjo Micael monta guarda no portal do céu. Com sua balança ele pesa o Bem contra o Mal. Com sua espada ele afasta o Mal.
Faz muito tempo, um enorme dragão quis levantar-se contra os anjos e atrapalhar o sossego no céu. Ele tinha um corpo feio, coberto de verrugas, uma grande cauda escamosa, e uma boca enorme. Bufando, ele se acercou do portal do céu e cuspiu fogo no anjo-guardião. São Micael elevou sua Espada de Luz e derrubou com força o dragão que caio na Terra.
O dragão não estava morto, mas demorou bastante tempo, até que pudesse mover-se novamente. Suas asas, ele havia perdido na luta contra São Micael. Só conseguia mover-se rastejando pelo chão. Com muito esforço arrastou-se para cima de uma montanha e olhou em volta.
Quando o monstro viu tantas pessoas que trabalhavam alegremente e cantavam e riam, ele fungou satisfeito: – Se já não me é possível fazer mal aos anjos, irei dificultar a vida dos homens-. Escondeu-se numa caverna nas cercanias. Vapores venenosos saiam da sua boca e empesteavam o ar.
Daquele dia em diante a vida dos homens começou a mudar. Era cada vez mais raro ouvi-lo cantando ou rindo. Brigavam e gritavam uns com os outros por qualquer razão. Trabalhavam sem alegria. A inveja crescia como uma serpente em seus corações e fazia-os maus.
Um dia chegou um cavaleiro naquela região devastada pelo dragão. Ele era um homem piedoso e honesto, que já havia viajado muito pelo mundo. Ele já havia vivenciado muitas coisas, mas nunca havia encontrado tantos rostos fechados e insatisfeitos como aqui. Trancaram as portas, quando viram de longe. Ninguém quis responder ao seu amável cumprimento. Nem as crianças faziam aquelas alegres brincadeiras como ele havia visto em outras regiões.
O estrangeiro ficou com o coração apertado. Ele continuou cavalgando e viu belos campos de cereais, pastos verdes em que o gado pastava e árvores cheias de frutas. Não parecia haver razão para sofrimento. O que será que havia amargurado assim o coração daqueles homens?
Da noitinha o cavalheiro chegou á aldeia. Apeou de seu cavalo, para perguntar por um ligar em que pudesse passar a noite. Bateu numa porta e esperou. Bateu novamente. Havia vozes, mas ninguém veio abrir. E também nas outras casas as portas ficaram fechadas.
Enquanto isso, havia escurecido totalmente. Sem encontrar albergue, o cavaleiro deixou a aldeia para trás de si. Entrou num bosque e quis procurar um lugar protegido para passar a noite. Percebeu aí uma Liz tênue entre as árvores. O estrangeiro acercou-se e reconheceu uma pequena cabana. Será que lá haveria alguém que o deixasse entrar?
Bateu á porta. A porta abriu-se. Um eremita olhou para fora e surpreso perguntou:- Quem é você e que busca neste lugar abandonado por Deus?
– Sou um cavaleiro e procuro um albergue para passar a noite, – respondeu o homem.
– fico muito contente, entre, por favor!,-  disse o velho. Ele estava feliz por ver novamente um ser humano. Antigamente passavam muitos estrangeiros por aqui, mas isto foi a muito tempo.
O cavaleiro ficou atento e perguntou por quê. O eremita contou:
Um grande desgosto caiu sobre nós. Há um dragão numa caverna atrás das montanhas. Com seu hálito de fogo envenenou o ar. Desde que ele se escondeu por lá, os homens ficaram maus. Cada um só pensa em si. Muitos cavaleiros fortes e corajosos tentaram matar o monstro, mas nenhum voltou da batalha. O dragão ainda vive!
O cavaleiro escutou a história e olhava repetidamente para a parede. De onde provinha a espada, lá pendurada? Á luz da tocha,que iluminava o aposento,ela brilhava dourada.Que diferença de sua própria , espada que desde a última luta estava tão torta e que brada,que já não servia pra mais nada. O eremita adivinhou seus pensamentos e disse:
Esta espada foi deixada aqui por um cavalheiro.ele foi o último que quis lutar contra o dragão,mais depois perdeu a coragem. Ele nem foi á luta.
O velho levantou-se para preparar um leito para seu hóspede e foi descansar também. O estrangeiro ficou pensando em tudo aquilo que havia vivenciado naquele dia. Ele gostaria de ajudar os homens, mesmo que fosse custar sua vida. Depois de ter finalmente adormecido, ele teve um sonho.São Micael resplandecente surgiu a sua frente e disse:
-Você é honesto e sem temor. Você pode ajudr os homens e vencer o monstro. Cuide-se, o dragão é forte. Espadas feitas  com metais da terra na têm o poder suficiente para vencê-lo.Com a minha espada de luz eu vou ajudá-lo, quando me chamar!
Quando o cavalheiro acordou, Sentia-se forte e corajoso. Agradeceu ao eremita pela hospedagem e pediu que lhe descrevesse o caminho para a caverna. Pediu a espada da parede e cavalgou na direção indicada. Ao pôr – do –sol chegou lá. Logo se ouviu um estrondo enorme, e o vapor do enxofre encheu o ar. Quando apareceu o dragão, o cavalheiro vacilou,mas então lembrou-se do sonho. Chamou São Michael e pediu-lhe ajuda . Sentiu neste momento que o Arcanjo estava atrás dele. Ele lhe ajudou com a força da espada da luz a vencer o monstro . Quando o dragão ficou morto no chão, os homens daquela terra ficaram livres da atuação maléfica que ele espalhava.Inveja e maldade caíram deles como se fossem feitas mascaras. Os homens correram para a caverna. Queriam agradecer o herói o seu feito corajoso,mas o cavalheiro disse:
– Eu sozinho não teria vencido o dragão. São Micael ajudou-me com sua espada de luz.
(extraído da Revista Nós época de Micael 2006 – EWRS)

Em português, existe este livro sobre o assunto. Mas não duvide do poder de um conto de fadas. ; )

Espero que tenham gostado dessas dicas, se alguém tiver uma boa experiência com histórias curativas, divide com a gente aí embaixo. Sempre bom conhecer boas histórias.

Por Cris Leão

Foto: Katerina Plotnikova

13 pensamentos em “Histórias Curativas – sabia disso?

  1. Sempre muito bom, inspirador. Parece que vc adivinha o que eu tô sentindo ou passando. Esse post era tudo que eu estava precisando. Vou usar essa dica e depois conto como foi. Não costumo comentar mas não perco um post. Eles enchem meu coração de amor, esperança. Obrigada.

  2. Oi, queria fazer uma pergunta, quando tento ler um livro para o meu filho de 3 anos, por exemplo “O patinho feio” ele não tem muita paciência de ouvir, não presta atenção, mas se eu for virando as páginas e resumindo com minhas palavras, aí ele gosta. Isso é por causa da idade? Ou ele tem dificuldade de prestar atenção? Temos que ler histórias bem curtas para crianças menores?

    • Oi Mia, o ideal é falar a história sim. Não sou nenhuma especialista (só divido o que aprendo) mas acho que 3 anos é muito pequeno mesmo para ouvir uma história comprida. Tente as mais curtinhas. Essa mesmo que citei no texto que contei para minha filha 3 vezes seguida, era uma história muito curta. Tipo um parágrafo. A professora me deu na escola num pedaço de papel e eu contei em casa com minhas palavras. No maternal da escola Waldorf que meus filhos estudaram com essa idade pré escolar as professoras contavam histórias sem livros e fazendo bastante gestos com as mãos. Os pequenos todos adoravam e as vezes até repetiam a história em casa para a gente. ; )

  3. Grata por compartilhar! Fiquei curiosa pra ler essa história curativa que você contou para sua filha… acho que me auxiliaria muito também! Abraço

  4. Muito legal, nao sabia dessa ideia de histórias curativas mas realmente faz sentido. Ainda mais se pensarmos como funcionamos por símbolos.

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