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O único problema que não tem solução é a morte. Dito isso, quero dividir uma dica incrível para quem está se achando horrível, para quem está se sentindo muito sozinha, para quem está perdida sem saber “quem sou eu?”, para quem acordou nessa segunda feira já cansada apesar de ter descansado no final de semana: vá ajudar alguém com algum problema sério de verdade.

Desde que me entendo por gente, um único conselho é sempre dado em casos de dor de cotovelo, pé na bunda e outras chatices que estamos todos sujeitos: “cuida de você, amiga”; “pare de cuidar das pessoas e pense só em você”; “sacode a poeira e dá a volta por cima”. Só que esqueceram do mais importante, como tudo na vida, não é o que você faz que importa, mas a intensidade que faz. Tem gente levando tão a sério esse conselho de “cuidar de mim” que só faz isso o tempo todo. Com isso vai embora da realidade e aterrissa em um lugar onde todo mundo parece ser muito injusto por não perceber o quão maravilho você é.

Outro dia vi o comediante que mais amo – Louis CK – falar que ouviu uma conversa de duas meninas na faixa dos seus 21 anos. Uma delas reclamava com a outra porque o namorado terminou. A outra disse: amiga, ele fez isso porque não aguentou o tanto que você é maravilhosa. Louis CK então diz: amor próprio é importante, mas auto crítica também. A menos que você seja o Nelson Mandela, você não é uma pessoa maravilhosa o suficiente a ponto de fazer os outros sentiram mal em estarem do seu lado.

É muito fácil perder o senso da realidade quando a única coisa que você precisa lidar é com a própria cabeça. Nessa hora é importante: não acreditar em tudo o que a sua cabeça te diz.

Para sair desse redemoinho de pensamentos repetitivos sobre como os outros são maus, bobos, chatos, não te amam o suficiente, sobre como a vida é injusta com você, sobre como é chato aquelas pessoas que têm tudo o que você gostaria de ter, nessa hora pare tudo e vá ajudar quem realmente precisa.

Outro dia eu estava me sentindo tão feia que minha cabecinha me falou: acho que você nem devia mais sair de casa, tipo nunca mais. Minha sorte é que esse era o dia de ir no abrigo onde faço trabalho voluntário. Este abrigo acolhe crianças de 0 a 18 anos cujos pais perderam a guarda. Sempre que eu vou lá me surpreendo com o tamanho do sofrimento que aquelas crianças vivem. Mas também me surpreendo com a capacidade que nós voluntários temos de, fazendo muito pouco, mudar bastante coisa ali. Ajudando a fazer a lição de casa, os voluntários conseguiram mudar a média das crianças na escola de 2 para 8. Conseguimos, através de uma rifa, comprar um carro grande para o abrigo e assim eles têm agora condições de buscar as doações que recebem além de poderem fazer alguns passeios. Antes não podiam. Damos às crianças a oportunidade de conhecer coisas que, caso contrário, não conheceriam: como aulas de zumba, oficina de maquiagem, oficina de cupcake, teatro, oficina de flores, oficina de culinária com comida indiana, entre outros.

Não vou dizer que saio de lá feliz. Nessa última vez, na hora de ir embora, um menino de 7 anos (com tamanho de 3) me disse: tia, me coloca para dormir hoje? Como é que você fica ouvindo isso? Disse que ia voltar sempre lá e sempre dar beijo e abraço nele, mas precisava ir aquela hora. E fui embora. Meus problemas, tão pequeninos, eu não vi mais.

Por Cris Leão

Ilustração: Alessandra Olanow

17 pensamentos em “A solução para vários problemas.

  1. Cris, eu também precisava ouvir isso hoje, obrigada.. Auto-crítica e compaixão + empatia para com o outro é tudo!. Beijos

  2. Cris, muito importante sua reflexão. Estava falando sobre isso com meu filho de 5 anos. Quando eu era criança participei de muito voluntariado ajudando em abrigos, creches e escolas. E isso ficou guardado em meu coração. Como a vida pode ser rica quando você mesmo com seus problemas pode se doar a um outro ser humano que necessita de amor, cuidados ou recurso. Abraços.

  3. Esse artigo veio em boa hora…passei o dia afundada nos meus problemas e agora, após ler a riqueza do conteúdo dessa mensagem, questionei-me como tenho sido por vezes egoista e ingrata com tudo que de maravilhoso que tenho ao meu redor. Focamos nos pequenos problemas e esquecemos de toda imensidão de dádivas que imerecidamente recebemos de Deus todos os dias.
    Obrigada por nos presentear com reflexões tão ricas…e obrigada também por ser uma fonte inspiradora na minha vida…como exemplo de mãe dedicada e de escritora que tras em suas palavras transformação e libertação.
    Grande abraço.

  4. Eu precisava disso eu pelo contrário me acho a pior das criaturas, não tenho o minimo de auto estima, mas quando ajudo alguém melhoro um pouquinho, não fico me lamentando com as pessoas, mas me amar ta difícil
    Simone do Nascimento Brolo

    • Oi Simone, olha conheço pouca gente que está conseguindo se safar bem nessa vida sem nenhum tipo de ajuda, sabe? Da mesma forma como você gosta de ajudar os outros, se deixar alguém te ajudar, tenho certeza que vai se sentir melhor. Existem terapias de todos os tipos, (eu já fiz quase todas rsss) penso que você deveria procurar aquela que mais combina com você e dar uma chance para esse amor acontecer. ; )

  5. Cris, suas reflexões sempre me dão a sensação de não estar sozinha nesse barco. amo a clareza que vc tem e a capacidade de colocar em palavras sentimentos tão perturbadores e confusos que tornam a nossa vida cheia de emoções.

    Obrigada

  6. Oi Cris, eu não me lembro como vim parar aqui no seu blog, mas já acompanho há um booom tempo só que nunca comento. Não sou mãe, mas sou professora e sempre me sinto “em casa” lendo seus textos. Esse texto de hoje sobre problemas é sensacional e me tocou bastante. Todos temos essa tendência a olhar pra nós mesmos primeiro, né? Como minha mãe sempre diz: “tem tanta gente aí no mundo passando fome, passando frio, querendo uma casa, e a gente chorando por coisa boba.”

    Obrigada pelos seus textos de sempre.

    Um beijo grande. Deus abençoe você e sua família.

  7. Que texto maravilhoso, encheu meu coração com bons sentimentos. Seus textos são maravilhosos, me ajudam muito. Obrigada!

  8. Oi Cris, leio sempre seu blog mas nunca comento..
    Admiro demais pessoas como você que arranja um tempo para o outro. Chorei, aqui no meu trabalho quando li o que o menino te pediu…Depois que tive minha família não consigo me aproximar de crianças nessas situações de carência familiar…Começo a chorar e fico muito agoniada.
    Parabéns pelo seu equilibrio e disposição.
    Cris tb.

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