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Fui na exposição da Yoko Ono que está acontecendo em São Paulo. (Tomie Ohtake até dia 28/05) Não quero estragar a experiência de ninguém contando o que eu vi, mas não se preocupe. Cada um vê diferente.

Era terça feira – o dia gratuito. Estava super vazio e pude apreciar com a calma que ela pede. Lendo e refletindo sobre tudo ali. Haviam frases como:

  • Tente não dizer nada negativo sobre ninguém. a) por três dias b) por quarenta e cinco dias c) por três meses. Veja o que acontece com sua vida.
  • Escreva tudo que teme na vida. Queime o papel. Despeje óleo de ervas com aroma doce sobre as cinzas.
  • Cada planeta tem seu próprio plano de órbita. Pense nas pessoas próximas a você como planetas. Às vezes é bom apenas assistir a eles orbitando e brilhando.
  • Toquem uns nos outros.

Com essa delicadeza, a exposição era um convite a simplicidade e a conexão com o belo.

Lembrei do dia que eu estava com as crianças indo viajar. Passamos pela polícia federal e atrás de nós havia uma mulher com uma criança pequena de aproximadamente 4 anos. Essa criança perguntou à mãe porque tinham que passar pela polícia. A mãe respondeu: porque muitas crianças são roubadas dos pais e levadas para outros países, normalmente para tráfico de órgãos ou para trabalho escravo. Em momentos assim, eu só penso: ainda bem que eu já nasci.

Nos tempos de hoje, ficou engraçado falar mal dos filhos, falar que as crianças dão um trabalho infernal, ficou engraçado falar que segunda feira é o melhor dia da semana, ficou engraçado até falar com as próprias crianças que não se vê a hora delas crescerem.

Ao mesmo tempo, banalizamos totalmente coisas sérias. Como se tabus não pudessem mais existir. Por que não falar com crianças sobre suicídio, tráfico infantil, violência? Tudo pode hoje em dia. E eu agradeço por já ter nascido.

Quando me coloco no lugar de uma criança ou adolescente de hoje (para quem não sabe, adolescente é dos 13 anos aos 19 anos – tem gente achando que é a partir dos 8 e dura a vida inteira) vejo um mundo muito triste e assustador. Pelo menos é isso que os adultos contam para elas o tempo todo.

Eu sei que muita coisa mudou nos últimos anos, mas o céu ainda é azul, você sabe. Então talvez, ao invés de mostrar para seus filhos o jornal e suas notícias, mostre as estrelas. Elas também são de verdade.

Tem gente que acha errado uma criança ser criada em uma espécie de bolha e acredita que toda a verdade precisa ser dita. Eu acho que as verdades são muitas. E podemos escolher as melhores verdades para se contar para quem está chegando. Ou você já conta todos os seus defeitos nos primeiros encontros?

Semana passada fiquei muito emocionada porque depois de toda a tristeza em cima do jogo da Baleia Azul, um repórter conta sua saga para tentar entrar no jogo. É preciso ser convidado e os convites não ficam chovendo. Enquanto esperava, ele recebeu várias mensagens de pessoas que diziam estar ali apenas para tentar convencer outras pessoas a saírem do jogo. (vale a pena clicar no link acima e ler a matéria)

O céu é azul, a baleia azul – tudo é verdade. Você escolhe o que mostrar para seu filho.

ps: Não estou sugerindo não tocar em assuntos tristes ou tabu com os filhos. Só estou, mais uma vez, lembrando que são os pais os educadores. Se apenas o mal for mostrado às crianças, vão acreditar que é a única coisa que existe.

Por Cris Leão

7 pensamentos em “O céu ainda é azul.

  1. Concordo totalmente! Acho que é nosso papel fazer com que a fantasia dure um pouco mais, que a brincadeira aconteça mesmo sem brinquedo. Parece que a magia está indo embora cada vez mais cedo…

  2. É até os 7 anos que as crianças percebem que o mundo é belo. Depois disso, fica muito mais complicado fugir de um quadro depressivo, por exemplo.

  3. Boa tarde, gosto muito dos seus textos, você tem muita força. Tem um texto seu que ecoa na minha cabeça o tempo todo, aquele em que você fala que seu filho chorava muito e o médico te disse: “calma, esse menino vai te dar muitas alegrias ainda”. Tento pensar assim. Mas no fundo eu queria que a alegria fosse agora. Fico pensando se ele é assim ou se fui eu que estraguei ele. Fico pensando se tem como “consertar”. Você acha que psicologo infantil adianta para crianças de 3 anos? Se ele não me ouve, não consigo acreditar que vai ouvir uma psicóloga. A gente vive num caos tão grande aqui em casa que nem me passa pela cabeça essas questões existenciais, como mostrar que o mundo é belo, etc. Eu não consegui ensinar nem o básico, nem consegui ensinar ele a respeitar as outras pessoas. É triste. Ele sofre, todos sofremos. Ele entrou num ciclo vicioso de insatisfação e não consegue sair e eu não sei como tirá-lo disso.

  4. Concordo com vc! Vamos falar primeiro sobre o céu azul e depois sobre o resto, tudo tem seu tempo e é importante mostrar o que é bonito! Parabéns pelo texto.

  5. Adorei, concordo plenamente, devemos evitar essa chuva de informações. Sempre tento responder esses assuntos “adultos”: em no máximo 5 palavras. Deixo as grandes conversas para coisas boas e alegres.

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