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Dia das Mães está quase chegando. (aqui no blog é todo dia : ) Tem marca homenageando a mãe que é atleta, artista, executiva, professora de yoga, gay, a mãe que mora sozinha, a mãe solteira, a mãe adotiva. E um viva para todas elas!

Na coluna da Rosely Sayão de hoje, ela diz: “Criança não dá trabalho, apenas: criança é vida!”

Por isso, minha homenagem vai para a mãe que faz da maternidade um ato de auto educação, de reinvenção. Um ato revolucionário.

Mas por que revolucionário?

Porque tem mulher sendo mãe sem nunca ter tido uma.

Tem mulher sendo mãe mesmo depois de ter passado a infância inteira ouvindo a mãe falar que se arrependia de ter casado. Porque a vida era boa mesmo, antes do casamento. (ou seja, também antes dos filhos) Deixando esse personagem vítima para trás, ela reconfigura o significado da maternidade. As próximas gerações já terão outra referência.

Tem mulher sendo mãe sem suporte e ajuda de absolutamente ninguém.

Tem mulher sendo mãe o dia inteiro e mesmo sem receber nenhum reconhecimento por isso, no dia seguinte acorda e faz tudo de novo.

Tem mulher sendo mãe quando o que mais queria era depois do trabalho fazer um curso à noite, viajar com as amigas no final de semana. Mas respira fundo, escolhe o amor e fica em casa só porque sabe que o trabalho ali é mais importante.

Tem mulher assumindo o peso extra depois do parto e usando isso para ensinar os filhos de que o corpo da mulher não “tem que” nada.

Por falar nisso, tem mulher parando em frente das propagandas nos shoppings e mostrando para as filhas que aqueles corpos são irreais. E que o corpo da mulher não devia servir para vender nada.

Tem mulher trabalhando o dia inteiro fora de casa para pagar contas e quando chega em casa, dá o seu melhor. (Nem que seja dar um nozinho no lençol do filho para quando ele acordar, saber que ela esteve ali.)

A cultura nos fala o tempo inteiro que o importante é o trabalho que você tem, o cargo que ocupa, o dinheiro que ganha, os objetos que possui. Nesse cenário, a maternidade está sobrando.

Tem mulher ignorando isso, ou até se colocando em uma posição “marginal” – aquela posição que poucos entendem, poucos chamam para sair, poucos querem ser amigos

para em um ato revolucionário

ser mãe.

Parabéns! Todo mundo já viu algum vídeo ou texto sobre pacientes terminais e sabemos que nenhum deles se arrepende pelo emprego que recusou, a demissão que pediu, a hora extra que não fez, a bota que não comprou. A gente sabe que o que importa mesmo são as pessoas e os sentimentos. Parabéns para você que não está esquecendo disso. E mesmo cansada, é muitas vezes a puxa pista da família em tudo o que é importante. Eu chamo isso de saber viver.

Separei de presente umas coisas lindas e inspiradoras que achei por aí:

Do livro “Love Warrior“:

Sobre ensinar as filhas a viverem melhor com seu corpo:

“Eu estou ensinando minhas filhas a não serem consumidoras cegas de cultura, mas, em vez disso, agir sobre ela – pensar em si mesmas não como vítimas, mas como verdadeiras criadoras de cultura. Elas vão ser diferentes. Terão seus próprios desafios, mas se eu ensiná-las a começar a ver este veneno cedo, vão andar pelo mundo de forma diferente e  vão ter menos a desaprender.”

Sobre a maternidade como ato feminista:

“Todo mundo precisa definir o que o feminismo é para si mesma. Então, para mim, o feminismo só pode ser uma mulher que se sinta fiel a si mesma. Se o que você quer é ser mãe, então o feminismo está em se tornar uma mãe. E se isso é você, então o que você descobre é que criar a próxima geração – e cumprir um de seus próprios desejos profundos – pode ser totalmente subversivo. Se a sua cultura está dizendo que você não é feminista por fazer isso, então essa pode ser a coisa mais rebelde a se fazer.”

Do blog A Cup of Jo:

Dicas:

“Leve à sério as preocupações e as alegrias dos seus filhos e sempre escute com respeito.”

“Pais também erram. Tudo bem pedir desculpas às crianças.”

“Normal day, let me be aware of the treasure you are. Let me learn from you, love you, bless you before you depart. Let me not pass you by in quest of some rare and perfect tomorrow.” ― poema de Mary Jean Irion

Uma para rir:

“Uma frase muito útil para repetir sempre que você começar a se perguntar porque o seu bebê está fazendo alguma coisa confusa e imprevisível: Os bebês se comportam como bebês. E uma frase muito útil para repetir quando você estiver querendo jogar um monte de culpa e raiva em cima do seu parceiro: Seu parceiro não é seu inimigo. O bebê é. ; )

Queridas, profunda admiração por todas vocês, que me escrevem e mostram o tamanho da força que possuem. Desejo um dia das mães cheio daqueles cartõezinhos deliciosos que vamos guardar para sempre. E quando o tempo passar correndo, vamos poder olhar para eles e saber que tudo valeu a pena.

Um grande abraço!

Cris Leão

Foto: Amanda O’Donoughue 

11 pensamentos em “Dia das Mães

  1. Cris,

    Linda homenagem!
    O ato de ser mãe é realmente uma experiência única !
    Obrigada por traduzir esse ato em lindas palavras!
    Beijos

  2. Delícia de texto para começar o dia!!! E certeza de que faço o melhor que posso pelas minhas filhas e pela minha vida…
    Gratidão sempre!! Um grande beijo e maravilhosos dias das mães para você! Afinal não precisamos de uma data para isso, que todos os dias sejam nosso dias…

  3. Cris, bom dia,

    Fui uma dessas meninas criadas por uma mãe triste e infeliz com as escolhas que fez, com o modo ao qual ela mesma foi criada, ouvi muito ela dizer “se eu fosse você não teria filhos nunca”…homem não presta e por aí vai…

    Esperei o que pude e aos 40, muito amedrontada, não deu mais para adiar! Fui abençoada, e tive minha linda filha, hoje com dois anos e meio! Luto por ela, vivo por ela, me deparo com inúmeras situações onde não sei como agir porque no meu caso fui tratada com algum desamor, respiro, erro, acerto e recomeço…dia após dia, com alegria, e, vendo minha mãe se renovar e encontrar amor em sua neta, não digo nada, apenas agradeço a Deus…

    Um abraço!

    Sandra

  4. seus textos tem a capacidade de sempre me fazer chorar no final. e eu não sou de chorar. de verdade. Amo, amo amo. Me consola perceber que as coisas não dão sempre certo com outras pessoas tb. pq comigo varias coisas não dão certo.

    • Obrigada! Somos todas imperfeitas e reconhecer isso é uma enorme vantagem. O que eu não gosto é da resposta neurótica “tudo vai dar certo”. Ou seja, não precisamos nos implicar nunca. Não nos implicamos tentando ser perfeitas (porque já sabemos que não somos) mas também não implicamos em tentar escavar o que é que insiste em dar errado já que acreditamos que TUDO vai dar certo (mesmo sem trabalho). Quem encara essa escavação recebe toda minha admiração. E é pra lá que eu vou. ; )

  5. Linda! Maravilhosa! Como é bom ler seus artigos, me conecta com a minha essência, meu eu maior! Obrigada!

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