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Em 2015 recebi autorização da Dr. Shefali para traduzir os seus textos e publicar no blog. O tempo voa, então estou aqui, dois anos depois traduzindo o segundo. Espero que gostem.

Para quem não sabe, Dr. Shefali é psicóloga clínica, palestrante internacional e autora do premiado livro “The Conscious Parent”  que já está sendo traduzido em Português. (infelizmente não por mim) Ela tem um conceito muito forte sobre “consciência” e diz que o grande problema dos pais atualmente é estarem o tempo todo querendo saber o que fazer com os filhos quando na verdade deviam se preocupar em como crescer como pais. Ou seja, o foco não devia ser a criança, mas sim a paternidade/maternidade. Ela acredita que os filhos fazem parte de uma experiência de aprendizado para os pais e se parássemos de tentar “consertar” os filhos, poderíamos aprender com eles e, nos tornando melhores pais, estaríamos de fato cumprindo nossa função. Sem mais explicações, segue o texto. O original está aqui. 

Ainda posso ouvir a voz gentil da minha avó no meu ouvido, assegurando: “Você é tão doce e amorosa, você vai se sair a melhor mãe do mundo.” Meu peito se enchia de orgulho, enquanto acreditava gentilmente em sua promessa. Eu estou amando, vou ser a melhor mãe. Amor = boa mãe.

E então eu me tornei mãe.

E lá – naqueles primeiros anos – esgotada mais do que poderia imaginar pela falta de sono e de cuidado pessoal – todos aqueles sentimentos amorosos que eu pensava que tinha em abundância, voaram pela janela.
Lá atrás, eu era a mãe mais não-maternal possível. Eu estava irritada, com raiva e ouso dizer, ressentida do fato de que eu tinha que cuidar de um ser que – na maioria dos dias – eu não tinha idéia de como e ninguém ia a) me resgatar … nunca b) Não havia um salário ou bônus enorme no final do ano e c) Eu não iria ser premiada por ele ou pelo meu cônjuge com o prêmio A Mãe do Ano, porque parecia que essas horas sem fim de dar e dar mais… era simplesmente algo que era “suposto” eu fazer.

Então, comecei comigo,
“Esta coisa de amor não dura em tempos de exaustão! Eu posso ter todo o amor do mundo para o meu filho, mas isso não me mantém calma, amorosa ou presente. Na verdade, quanto mais eu acredito que eu amo meu filho, mais eu quero gritar com ele quando não cumpre os meus desejos “.
E então a verdade sóbria surgiu: todo esse amor por meu filho, pelo meu cônjugue, por todos, era tudo sobre mim. EU EU EU. Era sobre como eles ME faziam sentir. Se eles ME faziam sentir bem, competente e digna, então eu estava totalmente apaixonada. No momento em que não seguiram os meus comandos e preencheram minhas necessidades, eu me ressentia, infantil, carente e, claro, julgadora e controladora.
Então, qual foi o ingrediente que faltava? Eu me perguntei.
E pensei que o amor era o tudo e o fim de tudo.

Consciência! É isso que era. Mas o que isso significa, exatamente?

A capacidade de estar consciente de como meu amor era condicional – ouch, essa consciência realmente dói! Afinal, quem quer admitir que ama alguém por causa de como a outra pessoa o faz sentir e tem pouco a ver com o que eles sentem pelo outro? Nós vemos isso com nossos cônjuges e nossos filhos especialmente. Nos dias em que eles ouvem e seguem nossa fantasia, somos mais gentis e pacientes. No momento em que se desviam de nossas expectativas e fantasias, tudo se esconde. Nós manipulamos, ameaçamos e controlamos – especialmente nossos filhos, com quem a sociedade diz que temos todos os direitos. É aí que nosso amor se torna tóxico.

A capacidade de ser consciente de como – quando ameaçados – outros sentimentos rivalizam com o amor e, em muitos casos, devoram o amor completamente – o mais significativo, a emoção rival do medo. Quando sentimos que nosso “amor” não é apreciado, ou não está fazendo a diferença que pensávamos que faria na vida da outra pessoa, então entramos em um estado de desamparo e perda de controle. Isso desencadeia um estado primitivo de medo dentro de nós – um medo de nossa inadequação e falta de eficiência. Uma vez que este medo é desencadeado, podemos fazer apenas uma das duas coisas: evitar buscando refúgio em objetos insalubres (bebidas, comida, fofocas, relacionamentos negativos) ou controlar através de um temperamento colérico. Nestes momentos, percebemos que nosso amor é destruído e pode ser ultrapassado facilmente por outros sentimentos desencadeados pelo medo.

A capacidade de ser consciente está em desenvolver uma consciência que transcende as emoções – isso é complicado, não é? Foi-nos dito que nossas emoções nos levam à nossa verdade. Eu não acredito nisso. Eu acredito que nossas emoções nos levam a reagir cegamente a eventos e situações, o que nos leva mais longe e longe de nossa verdade. Em vez disso, nossos sentimentos e o sentimento puro e simples de nossos sentimentos – algo que poucos de nós realmente podemos fazer – leva-nos a nossa verdade. Sentir nossos sentimentos não significa queixar-se deles, ventilando-os para outros ou revoltar-se com eles. Significa estar consciente de que eles emergem de um eu falso e não são nosso verdadeiro eu. Nosso verdadeiro eu é consciência pura. Essa realização nos leva a desenvolver uma consciência transcendente que é maior e maior que nossos sentimentos – é um estado de presença que pode permanecer constante, não importa o que sentimos. É um estado de observação que permite que os sentimentos sejam sentidos em sua forma pura sem a necessidade de projetar ou controlar esses sentimentos de alguma forma. Isso requer disciplina e prática. Isto é o que significa ser consciente – e quando somos conscientes, somos automaticamente amorosos, de fato, o mais amoroso que podemos ser, porque nós possuímos nossos sentimentos e cuidamos de nós mesmos, sem precisar do outro para acalmá-los por nós.

É somente quando nós estamos dispostos a entender que o amor sem consciência é apenas outra emoção, que vamos desejar crescer em uma maior consciência.
Se simplesmente nos apegarmos à emoção do amor por causa do seu nome e ideia, estaremos perdidos em seu capricho e presos em suas condições.

Quando nos elevamos a um estado de consciência do nosso amor – assim como fazemos com as nossas outras emoções – então podemos nos amar e amar os outros como eles são – sem esperar que eles mudem ou nos amem de volta exatamente da maneira que nós precisamos.
Nosso amor por eles já não é mais sobre nós.
Estamos fora da equação.
Agora, ou nós queremos amar a outra pessoa por quem ela é, ou não vamos amá-la.
Agora, o amor é sobre eles – como eles são … mas é claro, é também sobre a nossa capacidade de escolher conscientemente.
Então, em última análise, nossa capacidade de amar o outro, vem da nossa capacidade de ser consciente de como precisamos nos amar incondicionalmente primeiro.

Quando somos capazes de atender às nossas próprias necessidades, podemos então amar outra pessoa completamente e totalmente.

Quando amamos de um lugar de necessidade, o amor pelo outro é realmente sobre necessidade, dependência e controle.
Examine seu amor pelos outros a partir desta lente. Você pode se surpreender com a sua superficialidade e condicionalidade.
Não se desanime. Este é talvez o caminho para um amor maior: aquele que é temperado com a consciência.
Amor com consciência? Ah, agora estamos falando de amor verdadeiro.

©Tradução autorizada pela autora Dr. Shefali. Todos os direitos reservados.

Aqui o outro texto dela que eu traduzi.

Espero que tenham gostado e compartilhem com os amigos,

 

Cris Leão

Ps: Aproveito para convidar a todos para o primeiro encontro do blog. : ) Vai ser nessa quinta, dia 08 de Junho a partir de 9h no Quitandarte – R. Joaquim Antunes, 391. Pinheiros. Venham! E vamos fazer deste encontro o primeiro de muitos!

13 pensamentos em “Amar = ser boa mãe / bom pai? Está na hora de repensar essa equação.

  1. Ah!! Comoeu queria ir em um encontro com você…. Mas moro em Belo Horizonte. Quem sabe um dia você não faz um encontro aqui? Esperando ansiosamente!!!

  2. Incríveis suas colocações, acompanho seus textos a um tempo e admito muito seu trabalho. Parabens! E tentarei sim participar do encontro… Grata!

  3. Adoraria ir ao encontro. Sou de Natal/RN e estarei em São Paulo durante toda a última semana de junho. Caso programe um segundo encontro a tempo … Adoraria

  4. Que maravilha! Gratidão por estas traduções! E por tudo que vc escreve. Sempre torço para que você escreva sempre! Bom encontro!

  5. Muito bom. Eu considero um pequeno serviço público trazer esse tipo de texto para o português, o país agradece. Me lembrou alguns ensinamentos do Yoga, sobre a diferenciar o ego do self e que existe algo mais alto do que a satisfação momentânea que, às vezes, confundimos com amor.

    Incluir consciência na equação foi uma grata surpresa.

  6. Ola Cris! Sou fã do teu blog, sou tão fã que as vezes eu sinto que te conheço. Adoro seus textos!
    Cris, uma vez eu li em um texto seu que você faz trabalho voluntário. Eu gostaria de doar algumas coisas para essa instituição. Como eu posso fazer? Obrigada, Deise

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