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Vivemos em uma cultura. Fica difícil ignorar esse fato e simplesmente viver de forma independente. Essa cultura por sua vez é limitada em valores comerciais. É uma cultura onde quem fala (alto) são marcas, uma estética andróide e não pessoas, avós, tradições.

Essa cultura disse a atriz, comediante, produtora e escritora Amy Schumer, que para estrear em determinado filme ela precisaria “parar de comer” porque com 65kg não poderia aparecer na televisão – “isso vai chocar muito as pessoas”. Assista no Netflix ela contando com suas próprias palavras. E você vai entender melhor o absurdo.

Há uns quatro anos atrás, por ordem médica, fiz uma dieta que cortava lactose, farinha de trigo, açúcar e álcool. Resumindo, tirava toda a graça. Levei a sério porque realmente não estava me sentindo bem. Perdi uns dez quilos. Fiquei muito magra. Usando manequim 36 para ser mais exata. Acontece que em alguns eventos, a única coisa que eu podia comer era azeitona. Então o se sentir bem era bastante relativo e com o tempo foi ficando chato. Até que resolvi parar de dizer não àquelas coisas que eu mais gostava de comer e que mais me traziam boas lembranças.

Entendo que a saúde depende de uma alimentação equilibrada. Entendo que a maioria das opções fáceis que temos, não são alimentos saudáveis e por isso é preciso se esforçar um pouco para ter saúde. E claro que esse esforço vale a pena.

Só acho que além de tudo isso, precisamos urgentemente questionar esse padrão de magreza.

Trago uma prova de que esse padrão é uma loucura. Recentemente estava quase comprando pela internet um vestido tamanho M (só tinha esse tamanho), mas quando fui olhar as medidas, vi que ele tinha 66cm de cintura. Lembrando que algumas lojas só têm tamanho P, M e G e que eles nem se diferem muito entre si. (existe uma variável, mas o maior P que encontrei foi 74cm)

Pois você sabe o que é é 66cm de cintura? Minha filha tem 8 anos de idade, é magra e tem 62cm de cintura. Portanto essa medida (66cm) nem devia existir em roupas de adulto. Concorda? Gente, isso é muito grave. Não acha? Já pensou que tem milhares de meninas com problemas de distúrbios alimentares porque não conseguem caber nas roupas?

Para quê precisamos desse corpo ideal hipotético? Como disse uma vez a genia estilista Viviane Westwood “as modelos são aberrações da natureza”. Agora porque a indústria de roupas precisa fazer da exceção, a regra? Afinal, a gente tem fome de que? De ter um corpo ideal/hipotético ou de ter uma vida saudável com significado, com celebração, com presença?

Encontrei esse artigo interessante sobre o tema e resolvi traduzir um trecho. A autora é a Jennifer Dene, health coach e treinadora de celebridades. O original está aqui.

Meu peso ideal estava sempre fora do alcance … mesmo quando eu estava nele.

Olhando para trás, agora percebo que minha infelicidade tinha pouco a ver com minha aparência; eu era mais magra, mais delgada e saudável do que sou agora. O problema real era a forma como eu priorizava minha vida. E só quando eu gastei mais tempo focando em como eu queria sentir (e muito menos tempo focando em como eu queria aparecer) que cheguei ao meu peso ideal. Eu trabalho com clientes todos os dias que enfrentam essa mesma luta. Em nossa primeira sessão juntos, eles me dizem que estão fazendo os sucos, ignorando o glúten, estão fazendo as aulas de spinning, mas não está funcionando. E isso é porque eles estão sobrecarregados com a pressão para tomar a decisão “correta” e “mais saudável” em todas as oportunidades – fica impossível viver no momento e simplesmente ouvir o corpo. A maioria desses clientes são mulheres com mais de 40 anos. Elas leram a literatura e conhecem as regras: coma isso, não isso. Faça o exercício assim, não assim. Ajuste tudo em torno da família, trabalho, amigos, tarefas domésticas e compromissos voluntários … então repita este ciclo ano após ano. Gostaria de propor uma abordagem diferente que nos obriga a repensar completamente tudo o que sabemos sobre a perda de peso. E, embora possa não ser tão fácil voltar ao seu jeans favorito como costumava ser, você chegará lá se lembrar dessas três estratégias simples:

  1. Ouça o que seu corpo quer em vez de dizer ao seu corpo o que ele precisa.

Você pode pensar que a última tendência de treino ou de suco detox é a pílula mágica para obter seu corpo de “sonho”, mas isso pode não ser o caso. Durante um tempo longo, comi uma dieta que incluía 80% de alimentos crus e, depois de cada refeição, me via enrolada em uma bola com fortes dores do ventre – a sobrecarga de fibra era demais para o meu estômago. No entanto, mesmo depois de suspeitar que a salada de couve foi a culpada, continuei a acreditar na bandeira da comida crua durante muitos meses. (Todos os trendsetters estavam comendo cru e pareciam tão saudáveis ​​e magros). Eventualmente, eu ouvi meu corpo e comecei a cozinhar meus vegetais, o que parou a barriga inchada constante e me permitiu sentir energizada, não aleijada, depois de cada refeição. O que se pode aprender com isso? As chances são de que o seu corpo é mais inteligente do que o seu cérebro. Ouça suas necessidades com mente e coração abertos.

  1. Exercitar em estado de estresse aumenta o estresse.

O exercício sacode seu corpo fora de seu estado de sensação calma, feliz e relaxada, o que desencadeia o hormônio do estresse cortisol para ser liberado de suas glândulas adrenais. Isso pode ser uma coisa boa. O exercício aumenta as endorfinas, aumenta o fluxo sangüíneo e pode realmente ajudá-lo a se tornar melhor em lidar com o estresse, pois quanto mais fisicamente você estiver, maior será seu “limiar de estresse” físico. No entanto, se você já está vivendo em um estado de estresse regular com trabalho, relacionamentos, finanças e engarrafamentos (que afetam nosso sistema nervoso), seu corpo está constantemente recebendo uma corrida de cortisol e o exercício vai apenas adicionar combustível ao fogo. O que aprender com isso? Não desista do treino da manhã ainda, mas antes de se apressar para participar de um campo de treinamento de alta intensidade, considere o estado das suas emoções. Talvez uma boa caminhada ao redor do quarteirão seja tudo que você precisa.

  1. Todo mundo é diferente. E você é lindamente único.

Não há um tamanho único para quando se trata de fitness e nutrição, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Regularmente educar-se sobre a vida saudável e o desenvolvimento pessoal é maravilhoso, mas pegue cada conselho com uma pitada de sal – o meu inclusive! O que eu quero dizer com isso? Experimente o seu programa de vida saudável e tenha uma mente aberta para encontrar sucesso fora dos limites dos conselhos tradicionais de perda de peso. Perdi 13 quilos e encontrei meu peso ideal depois de parar o exercício intenso e começar a comer pão de novo … quem teria pensado nisso?! No fim das contas, você precisa confiar na sua capacidade de tomar a melhor decisão para seu corpo, coração e alma, e não seu ego. Aqui está uma pergunta que você pode refletir ao caminhar ao longo do seu caminho para o bem-estar: o que você precisará mudar – em sua mentalidade, seus hábitos de estilo de vida e os objetivos que você está estabelecendo – para viver a vida que deseja viver e sentir como você quer sentir? Comece lá. Tome uma atitude. E, em seguida, veja como todo o resto se ajusta no seu lugar.

Só para finalizar, outro dia uma amiguinha da minha filha (8 anos) falou com ela que é preciso prender a respiração e encolher a barriga na hora de tirar fotos.

Espero que essa reflexão sirva como inspiração para uma relação saudável com a comida e com nosso corpo.

Por Cris Leão

2 pensamentos em “Precisamos rever nossa ideia de corpo perfeito.

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