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O amor tolera imperfeições.

Toleramos as imperfeições dos parceiros.

Toleramos as imperfeições dos nossos pais.

Toleramos as imperfeições dos nossos colegas de trabalho, chefes e subordinados.

Mas não toleramos as imperfeições dos nossos filhos.

Acontece que pais que não toleram as imperfeições dos filhos, viram aquelas vozes irritantes de depreciação que muitos de nós conhecemos bem.

“Nossa como você está ridícula”

“Nossa como você é burro”

“Ninguém nunca vai querer se casar com você”

“Como você é desajeitado. Não consegue nem cozinhar!”

Tem horas que acho que a pressão por sermos pais perfeitos gera – além de muito cansaço – uma pressão na mesma proporção para que nossos filhos respondam com equivalente excelência.

Hoje com filhos de 9 e 12 anos vejo pais em muitas fases diferentes. Vejo muitas mães se dedicando 100% aos filhos e aos poucos acreditando de verdade que aquele ser tem algo de muito especial. Sem perceber – minimamente – que na verdade esse serzinho é bem ordinário. “Meu filho andou com 11 meses” “Minha filha é muito esperta, ela brinca e corre sem parar” “Meu filho come sozinho com 2 anos de idade” “Olha que graça, minha filha adora brócolis”. Pais e mães de filhos pequenos, acreditem tudo isso é 100% normal. E por incrível que pareça, essa “excelência” não diz nada. Talvez o bebê que ama brócolis vai virar uma peste para comer aos 3 anos de idade. Talvez aquele bebê super social vai virar a criança de 10 anos mais tímida do bairro. Sabe por que? Porque a vida é todo dia. E ser pai e mãe é todo dia também. Não é vídeo game que você muda de fase e pronto, evolui. Na vida a evolução não garante nada. Pode ser que depois volte 10 casas. Nunca se sabe.

O que a gente pode tirar de bom nisso tudo? Abraçar as imperfeições. Meu bebê João, que não dormia até os 3 anos de idade, que gostava de farra de uma maneira como nunca vi, é hoje uma criança de 12 anos que é séria, que fica bravo quando atrasamos para levá-lo para escola porque para ele é importante chegar 10 minutos antes! Minha bebê Maria Teresa, que dormia umas 18 horas por dia, que sempre comeu bem de tudo, que não adoecia, que era sempre muito descolada, hoje não quer dormir na hora, não quer acordar na hora, quando cisma que não vai comer alguma coisa, não come mesmo, é tímida de dar vergonha porque às vezes nem cumprimenta as pessoas. Então você pensa que é fácil ser a mãe do bebê Jonhson, o problema é que ele não existe. Se todas as pessoas que conhecemos tem suas questões, por que nossos filhos não vão ter? Que espécie de ser humano a gente pensava que estava criando quando acreditou que nosso filho seria perfeito e com defeito só o da vizinha?

A gente vai se cansando. É fácil cansar nessa jornada que envolve acordar cedo e ser responsável por tantos boletos, pela rotina, festinhas, lição de casa e a lista é longa. Então para animar eu poderia pensar numa frase de efeito, mas atualmente ando pensando que é preciso ver a beleza do caos, a gente anda estressado demais porque está completamente iludido com a ideia de perfeição. A vida nunca foi perfeita. Porque em casa com a família, ela vai ser. Ser generoso com a vida, com você mesmo e com seu filho passa por entender que ao invés de ficarmos atordoados com a ideia de ser excepcionalmente bons, podemos ficar encantados com a ideia de ser bons o suficiente. E isso é como tirar o peso das costas.

Ao invés de pensar que a grama do vizinho é mais verde. Precisamos assumir que a grama mais verde é aquele que a gente molha.

Cris Leão

Foto: Alfred Eisenstaedt

11 pensamentos em “Para abraçar o imperfeito

  1. Acompanho os posts e acho que você sempre fala aquilo que realmente é, eu tenho uma filha de 10 e um filho de quase 3 anos. Eles são totalmente diferentes, algumas coisas são desnecessárias.

  2. Muito bom, o assunto família é tão abordado, esmiuçado e ainda assim você conseguiu levantar algo inusitado e correto.

  3. Encantada com seu blog. Como eu nunca tinha topado com ele antes? Sou mae de uma menina de 13 e um menino de quase 11, ambos do coraçao, moro na Alemanha há quase 30 anos e adorei ler a palavra jardim de infância em um dos textos. A palavra escolinha me incomoda profundamente, pois abracei com vontade a chance de deixar meus filhos muito à vontade para fazer o que queriam até os seis anos de idade, sem preocupaçao com aprendizado de letras ou números (neste quesito aqui ainda é mais fácil).

    Certamente irei te ler e irei repassar seus textos! Obrigada!

  4. Olá Cris.

    Vc tem filhos da mesma idade que os meus, porém os meus a menina é a mas velha e o menino mais novo. Bem verdade que eles mudaram bastante e nós também temos que mudar e como é difícil. Sou uma mãe tranquila e nunca gostei de comparações e nem quero ser perfeita, pois não acredito em perfeição. Para mim está sendo difícil ver eles crescendo e não querendo mais acompanhar nós nos passeios. Nossa vida qdo eles são pequenos e ir nos parquinhos e inventar atividades em família para estarmos juntos e agora eles não querem mais sair com a gente e eu fico me questionando se é certo sair para ir andar de bicicleta com meu marido ou até mesmo ir para os parques e eles ficarem em casa. Ser mãe não é fácil! Cada hora é uma mudança e a gente tem que ser adaptar e aprender com os acontecimentos.

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