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Como escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Amar se aprende amando”.

Estava pensando nisso quando ouvi uma mãe reclamando porque achava muito chato ter um filho pequeno que demanda tanto, que dá tanto trabalho.

Pensei que também foi bastante chato para mim quando eles eram pequenos como é o dela. E que provavelmente é chato para a maioria das pessoas. Umas contam, outras não. Outras não têm do que reclamar, porque não se encontram presentes.

Enfim, por um lado eu realmente acho que é muito chato deixar de fazer o que se quer fazer – dormir, por exemplo – porque se precisa fazer o que o outro quer que você faça – acordar às 5h da manhã, por exemplo. (Quando não é no meio da madrugada.) Não tem como falar que isso não é chato. Claro que as noites mal dormidas são a coisa mais torturante de todas no processo de criar filhos, mas existem muitas outras bastante irritantes. O mal estar dos dentinhos nascendo, as viroses. As infinitas festinhas infantis com música alta. As brigas dos irmãos. As brigas no banco de trás do carro enquanto você tenta dirigir para simplesmente chegar ao supermercado. A fase do “porque” com umas duas mil perguntas por dia. E a lista é longa. Mas sabe porque eu não falo quase nunca dessas coisas? Porque não me faz bem. Como não estou sentindo bem agora. E não é porque eu sou muito fofa. Reclamar não agride minhas emoções, agride minha inteligência. Porque é muito fácil reclamar. Acredito que qualquer grau de inteligência serve para saber contornar a situação. Saber se adaptar. Tentar se sair bem. Onde quer que esteja. Claro que não dá para sair bem sempre. Seria muito burro pensar isso. Mas dá para tentar.

Se amar se aprende amando, viver essa fase da vida se aprende vivendo.

Em inglês existe a expressão “fake till you make it” que a Psicanálise pega emprestado (Alfred Adler) para construir uma técnica terapêutica chamada “acting as if” (atuando como se). Acredito que é uma ótima maneira de conduzir essa fase da vida. Vamos lembrar que para começar a gostar de estudar, você precisou estudar mesmo sem gostar. Todo mundo que é viciado em alguma atividade física fala que no começo ele só fingia que gostava até que se tornou um hábito.

Então para gostar de brincar vai ser preciso brincar.

Para saber o que fazer com os filhos sem apelar para a tecnologia, vai ser preciso desligar os aparelhos.

Para gostar de ler livros infantis com eles, vai ser preciso ler os tais livros.

No começo eu fiz tudo isso porque precisava. Porque não tinha outra pessoa para fazer que não fosse eu. Depois eu impliquei que ia gostar de fazer essas coisas. No terceiro momento, eu comecei a ver beleza em todas elas e viver cada um desses momentos na certeza de que eram preciosos.

Hoje meu filho mais velho – já com 12 anos – está em uma fase muito diferente, ele é muito independente. Assim vejo de forma concreta como aqueles momentos eram “pegar ou largar”. Sendo que ali na frente “largar” é inevitável, fico contente – de coração cheio mesmo – por um dia ter agarrado o momento. É só uma fase. É longa, eu sei, mas passa. (Os dias são longos, mas os anos são curtos)

Pensando nessas palavras “pegar ou largar” lembrei de como é fácil ficar preso ao ego como algumas vezes já escrevi aqui e que foi também um grande aprendizado. Ele atrapalha. Fica difícil largar a ideia que temos de nós mesmos para viver um momento diferente. Algumas vezes até em coisas simples, vejo gente que não quer abrir mão. Não faz programa de criança mesmo e pronto. “Não gosto de programa de criança”. Ou quando faz é numa perspectiva de check-list – para tirar da frente. Assim organiza a festinha de aniversário, ou faz a viagem que o filho gosta, ou brinca, mas para se ver livre daquilo. Grandes armadilhas nos apronta o ego. Até o personagem da “mãe perfeita” aquela que disfarça o tédio em nome de parecer não boa, mas excelente. Em qualquer dos casos, o inimigo do ego é sempre o mesmo: viver o presente. De maneira simples, sem pensar demais, de uma maneira tola.

“O tolo possui uma grande vantagem sobre o homem de espírito; está  sempre contente consigo mesmo.” Napoleão Bonaparte

Concluindo, por amor ou por tolice, o remédio é se render.

Cris Leão

Pessoas queridas que acompanham este blog, tenho a alegria de dividir com vocês que vou fazer uma palestra sobre maternidade em um feira infantil cheia de produtos lindos criados por mães para os pequenos – Pitanga. Lá também vou vender o livro “Antes que eles cresçam”. O evento é gratuito, vai ser uma delícia encontrar com vocês por lá. Apareçam.

Foto Palestra Pitanga

5 pensamentos em “Umas poucas (e boas) coisas que aprendi

  1. Perfeita sua análise. “A felicidade mora no caminho e não no final”. Só não sei porque esse sentimento não é óbvio ou automático. Pra mim e pra maioria das pessoas viver o presente é aterrorizante. O fituro sempre parece muito melho. Eu estou num nível de ansiedade que fico até olhando no relógio e pensando “ainda é 5 horas? Esse dia não acaba nunca…” Acho que a maioria vive ansioso, em diferentes níveis. E claro que o presente é tudo o que temos mas pensar dessa forma é diferente de sentir.

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