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Comecei esse blog quando meus filhos tinham 4 e 7 anos. Eu tinha largado meu emprego (pela terceira vez) para ficar com eles. No tempo em que eu escrevia aqui dois textos por semana eu era motivada por uma imagem. Eu me via (atrás no tempo) perdida nos primeiros anos de maternidade, morando em NY, sem trabalhar e cuidando do meu filho dia e noite (porque ele não dormia). Nesses dois anos difíceis eu tive uma amiga imaginária. Ela é uma pessoa que existe de verdade, imaginária era a amizade. Ela é a Rosa que escreve o blog A Ervilha Cor de Rosa. Nessa época tive muitas amigas (sem filhos) que me viraram as costas, que não aguentavam mais me ouvir falar que estava cansada, mas a Rosa não, a Rosa me entendia. Ela mostrava coisas lindas, delicadas, amorosas e isso era tudo o que eu precisava, eu precisava de esperança.

É esta esperança que me traz aqui hoje para escrever este texto. Porque hoje a imagem que eu vejo é de outra mulher que agora está naquele lugar que eu estava, sem dormir, sem conseguir pensar, sem conseguir conversar, sem entender o que está acontecendo, o que precisa fazer. Não é fácil viver com noites sem dormir. Por isso quero falar de coisas bonitas para essa mulher.

Meus filhos hoje tem 9 e 12 anos. Eles são crianças incríveis. Cheios de defeitos e imperfeições como todo ser humano, mas eu tenho uma alegria especial – que é só minha – de ter vivido com eles o dia a dia enquanto eram pequenos.

Eu sei que tive uma infância feliz, mas tenho poucas memórias dessa época. Já a lembrança da primeira infância dos meus filhos eu trago viva no coração e é o que me aquece em todos os dias frios, em dias que as conversas dos adultos me enchem de tédio, em dia que o trabalho me entedia. Os lanches da tarde sem pressa que fazíamos, os 16 ou mais livros que meu filho pedia para ler para ele na livraria, as muitas idas aos parques brincar com a natureza, os vários projetos artísticos e a lambança que causavam, isso minhas amigas, é riqueza e eu vivi.

Eles cresceram e hoje são companhias deliciosas. Hoje eu consegui voltar a trabalhar e ainda estudo. Fico pensando então naquela eu que muitas vezes, depois de arruinar o jantar ficava desesperada achando que tudo, mas tudo mesmo ia dar errado na vida, e eu queria agora aparecer na frente dela e falar: Sua boba, acredite que vai ficar tudo bem.

Vai chegar o dia que você não vai mais precisar colocá-los para dormir. Mas mesmo assim eles vão pedir um beijo de boa noite.

Vai chegar o dia que você não vai mais precisar ajudar na lição de casa. Mas eles vão te mostrar com orgulho o resultado bom da prova.

Vai chegar o dia que eles vão dormir na casa dos amigos tranquilamente sem você precisar fazer nada. Mas vão ficar felizes de te ver na volta.

Vai chegar o dia que esse serzinho vai ficar grande e você vai se reconhecer um pouquinho ali,  vai reconhecer os esforços e os sacrifícios que fez. É nesse dia que seu prêmio chega. E vai fazer tudo ter valido a pena.

Vai chegar o dia também que você vai conseguir voltar a trabalhar e vai ser uma coisa meio desengonçada no começo até, sem nem entender direito, você vai ouvir, “eu te acho brilhante.”

Então você vai entender que consegue fazer coisas e que ficar em casa cuidando de tudo e das crianças era difícil para você porque essas são as coisas difíceis da vida. O resto, você vai tirar de letra.

Até estes dias chegarem, alimente-se do que encontrar no caminho. Como um bom jardineiro, vá fazendo adubos, podas, plantando sementes no seu caminho. Porque no dia que eles crescerem, vai ser muito bom também poder olhar para esse jardim e se reconhecer nele.

Muitas vezes nos vários anos que fiquei em casa cuidando dos meus filhos eu sentia que não estava fazendo nada. Ainda que além de cuidar deles, eu sempre estivesse fazendo alguma coisa, estudando, fazendo freelas. Depois de muita terapia eu pude olhar para tudo o que fiz, pude reconhecer o meu jardim e hoje colho frutos dele.

É o que penso: com amor, muita terapia (rsss) e muitos amigos, a vida dá certo.

Com carinho,

Cris Leão

13 pensamentos em “Construa boas memórias da infância dos seus filhos – para você mesma

  1. Chorando muito, mais uma vez me vendo em seu relato!
    Estou nessa, com uma filha de 7 anos e outro chegando em alguns dias. Ou seja, mais alguns anos em tempo integral ajudando a construir o caráter de mais um herdeiro.
    Tem dias que parece não valer a pena mesmo, mas no fundo sabemos que super vale. Ter filho dá muito trabalho e a maioria não quer ter, e vai terceirizando..
    Saudades dos seus textos! Também caminhando na psicanálise como você! Sucesso, Cris!

  2. Lindo comecei a acompanhar este blogue quando meu 3 filho nasceu. Foi uma ajuda preciosa quando ninguém me entendia. Ajudou me a acalmar muitas veles e ver que o que passava não passava sozinha. Lendo este texto me deu vontade de chorar hoje ele tem 5 anos e ela tem 8 anos e são o melhor de mim. Obrigada Cristina por dividir o seu coração cónico.

  3. Nossa, foi/é exatamente assim !! Fico muito feliz quando você consegue expressar em um texto os meus sentimentos. Esperança e amor, sempre !

  4. Lendo aos prantos, com lagrimas pra todo lado…
    Olhando para o lado vendo meu filho de 1 ano e 8 meses dormir e esperando dar a hora do meu recém nascido mamar que esta com 18 dias. Parecendo que nunca vai passar, nunca vai melhorar e eu nunca vou dar conta de tudo… me imaginando neste texto, ai como nós mães nos privamos de tanta coisa pelos nossos filhos….

  5. Sempre nos dedicamos aos filhos pensando em criar memorias felizes da infância para eles. Pela primeira vez fui levada a perceber que posso e devo criar memórias felizes para mim. Memórias dessa época da MINHA vida. Muito obrigada, querida amiga, por me lembrar disso. Saudades.

  6. Oi, Cris! Isso é tudo o que as mães mais querem ouvir, sabia? Que essas dificuldades dos primeiros anos, essa exaustão que sentimos é algo que vai passar, mas que estamos justamente semeando todos os dias. Eu sinto, com minha filha, essa sensação de que estou plantando o tempo todo mesmo. E tento ao máximo aproveitar a graça da infância, que realmente passa rápido. Obrigada pelo post. Valeu demais!

  7. É isso, demora um pouco meninas mas no final sobrevivemos…porque não há recompensa maior em saber que todo o tempo dedicado não será em vão, eu sou testemunha. Tenho 12 anos dedicados inteiramente e a fase atual não são só flores tenho que confessar! Mas nos identificamos demais com a personalidade que ajudamos a moldar todos os dias! A terapia faz toda a diferença e nos faz crer quão importante somos em suas vidas, sem deixar de viver a nossa.

  8. Cris, obrigada por compartilhar de pensamentos e emoções tão lindas.
    Eu te acompanho a um bom tempo, e não posso deixar de dizer, que me enxergo nos seus textos. Tenho 3 filhos, um de 6, uma de 2 e outro de 2 meses. Parei de trabalhar na minha segunda filha, e muitas vezes, passa sim uma neura na cabeça, de que não fazemos nada, além de cuidar de filhos e da casa. Ler os seus relatos, me deixa feliz, por saber que não estamos sozinhas nessa luta, nessa vida. E que sentimentos, emoções e sensações passam na cabeça de toda mãe.
    Obrigada por dividir de forma tão linda….
    Bjs

  9. Blog muito legal desculpe mais vou ter que compartilhar com vocês mamães o meu blog, e de historinhas infantil talvez gostem ahoradoconto.wordepress.com

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