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Ando sumida daqui por motivo de muito trabalho e muito estudo. No entanto hoje, fim do ano chegando, quero propor uma reflexão. Vivemos em um mundo onde tudo está ao contrário, não acham? Um comediante americano (celebridade) falou que ele só viaja de primeira classe porque dão essa passagem para ele, no entanto os professores aposentados, os soldados que serviram a guerra, as pessoas que tinham servido a sociedade, que tinham contribuído para um país melhor, essas não tinham o dinheiro e o reconhecimento dele – cujo mérito é saber fazer piadas.

Mas se a sociedade e suas regras materialistas a gente não consegue mudar sozinha, a cultura que vivemos na nossa casa, com nossos filhos, nós podemos. Queria então refletir sobre o que estamos fazendo do Natal. Sendo pessoas religiosas ou não, queria falar sobre a soberania dos shopping centers nessa época do ano. Filas enormes de pais e mães com crianças pequenas para aproveitar as atrações. Junto com a fila grande e demorada, muito barulho, crianças nervosas, pais e mães mais nervosos ainda, vejo brigas, escuto palavras agressivas, tapas, vejo rostos em pedido de socorro (normalmente o das mães). A criança na cena tem dois anos, ou talvez menos. Fico me perguntando qual é a memória que está sendo criada ali. Espero que nenhuma. O melhor que pode acontecer é todo esse desconforto ser esquecido e restar apenas uma foto na parede com um sorriso da criança.

Então lanço a pergunta: Será que perdemos a noção do que é celebrar? Será que entramos numa corrida de competição tão insensata que competimos até para ver quem aguenta mais tempo na fila? Sem perceber que não era preciso estar naquela fila? Sem perceber que um piquenique no parque ou um encontro com amigos queridos, um jantar a luz de velas em casa com toda a família sem pressa é muito mais significativo do que fazer alguma coisa que o shopping está falando que é legal. Ou só porque vai ficar bem na foto.

Cada um pode ter sua resposta própria, pode ver sentido no que quiser ver. Só proponho que observamos mais as crianças na sua espontaneidade. Não é a toa que as crianças pequenas se divertem muito mais com a caixa de papelão do que com o brinquedo. Elas fazem isso porque divertido é imaginar. No shopping não sobra espaço para imaginar nada. Está tudo pronto, embalado, plastificado. O que sobra é fila porque elas já começam no estacionamento.

Bom, essa situação mostra como saímos do interno e passamos a executar funções baseadas no externo. Nosso mundo interno sofre com isso. Porque o que ele precisa é de rituais de celebração como montar uma árvore em casa com calma, de conversas com significado e olho no olho, de abraço, de momentos espontâneos, da rotina que dá contorno e limite que as crianças pequenas tanto precisam.

Proponho então uma revisão de 2018.

Porque parece uma tentação do mundo que está ao contrário, olhar para o ano que passou e pensar apenas naquilo que não foi realizado. Por isso vamos fazer uma experiência e avaliar nosso ano de 2018 sem pensar em números ou conquistas materiais. Ao invés disso podemos medir nosso sucesso em 2018 em coisas como: confiança, identidade, o que fizemos para ajudar os outros, relações, crescimento, aprendizados.

Olhar para como você se SENTIU, como você VIVEU, como você CELEBROU, como você SOBREVIVEU e SUPEROU coisas que não tinha sonhado em Janeiro. Se você conseguir olhar para seu ano de 2018 e perceber que cresceu com ele, parabéns. É isso que se pode chamar de um grande ano! Para 2019, meus votos são de que – em um mundo tão materialista e competitivo – a gente consiga ser REAL.

Aproveito que essa é também a época de receber os boletins escolares e de avaliar o desempenho do ano das crianças, para citar um trecho da Biografia de Rubens Alves onde ele diz: “o que uma criança de nove anos deveria aprender é como viver plenamente a experiência única e não repetível de ter nove anos.”

Poderia terminar o texto enviando um abraço, mas meu desejo é de que este texto provoque em você vontade de dar abraços reais. Não espere que o outro faça. Seja você o agente da mudança que quer para 2019.

Com carinho,

Cris Leão

 

 

6 pensamentos em “Um final de ano leve para todos nós

  1. Excelente como sempre seus textos, Cris!
    Saudades demais de ler você, mulher!!
    Mas feliz por saber que estais a trabalhar e produzir, depois de tantos anos de doação à sua família.
    Sinto o mesmo que você! Muitos anseios maternais (e paternais, porque não) nesses extremos do “ter”. E vou te dizer: como é difícil explicar pra minha filha de 7 anos que nada disso é necessário! Que o mais importante é nossa família estar feliz, com saúde, bem alimentada e tendo uma boa educação.
    E nessa era de rede social, então! Em que é preciso ostentar para se passar por boa mãe..
    Lógico, que com o tempo e nosso reflexo ela entenderá, mas é complicado fazê-la entender que não, ela não precisa de uma lol para ser feliz, só porque as coleguinhas tem 30!
    Que Deus me ajude!!

  2. Tão verdade tudo que você disse! Obrigada! Pessoas como você me enchem de esperança! Esse Natal me fez sentir o quanto o ser humano tá doente! Ao desejar Feliz Natal para uma amiga e ela responder de volta “obrigada Lina”. Desejo e espero por um mundo e pessoas com mais amor, humildade, empatia. Como você disse, Real, precisamos de pessoas reais. Gente que sente. Um Feliz 2019 a todos nós! 🦋🙏🏻🌸

  3. Tão verdade tudo que você disse! Obrigada! Pessoas como você me enchem de esperança! Esse Natal me fez sentir o quanto o ser humano tá doente! Ao desejar Feliz Natal para uma amiga e ela responder de volta “obrigada Linda” e nada mais de volta. Desejo e espero por um mundo e pessoas com mais amor, humildade, empatia. Como você disse, Real, precisamos de pessoas reais. Gente que sente. Um Feliz 2019 a todos nós! 🦋🙏🏻🌸

  4. Cris, somente hoje, 10/1 leio sua mensagem e ainda assim foi muito bom! Bom porque pude perceber que estou alinhada com sua fala e reflexão e que consegui encerrar meu ano com essa vibe. Obrigada por lembrar e por trazer isso para pauta. É urgente olharmos para dentro, não? Meu lembrete diário é esse: ser a mudança que desejo para o mundo. Um beijo para você e um lindo 2019! Camila

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